A próxima reunião triparida

      Na próxima semana, na terça-feira 08MAR, os dois sindicatos (SFJ e SOJ) reunirão com a DGAJ “com o objetivo de abordar questões relativas aos recursos humanos”.


      É esta a informação que temos por parte dos sindicatos.


      Compete à DGAJ a gestão dos recursos humanos ao serviço dos tribunais e dos serviços do Ministério Público, especialmente da maior massa de trabalhadores nestes serviços: os Oficiais de Justiça.


      Estamos em março, véspera de abril, mês de “requerimentos mil” para um Movimento Ordinário mínimo, como se adivinha.


      Ingressos = zero. Promoções = zero.


      Entretanto, os cargos de Secretário de Justiça, Escrivão de Direito ou Técnico de Justiça Principal, vão sendo substituídos, e pagos por essa substituição, durante anos. Já os cargos de Escrivão Auxiliar e de Técnico de Justiça Auxiliar, substituem também as categorias seguintes mas não são pagos por isso.


      A falta de ingressos e de regularização dos quadros não será efetivada ainda este ano. Não há concursos abertos, não há novo governo empossado nem orçamento de Estado aprovado, logo, esta reunião da próxima terça-feira, será mais uma reunião de faz-de-conta e de apresentação de explicações para as impossibilidades que se reivindicam.


      Ficarão as promessas de que os assuntos serão estudados, que são problemas que realmente têm que ser solucionados; que há muitas inovações tecnológicas que estão a ser implementadas e que pouparão muitas horas de tarefas aos Oficiais de Justiça, pelo que talvez não sejam necessários mais ingressos e ficará também a promessa de estudo da excecionalidade dos pagamentos de todas as horas suplementares realizadas pelos Oficiais de justiça, seja ao serviço dos processos eleitorais, seja nas tolerâncias de ponto; ficarão as promessas de análise dessas situações, que, aliás, serão consideradas como justíssimas.


      Esta reunião da próxima terça-feira “com o objetivo de abordar questões relativas aos recursos humanos” será, pois, uma perda de tempo; mais uma.


      Numa das últimas informações sindicais do SFJ lê-se o seguinte:


      «Relembramos que estão pendentes do TACL dois processos sobre a não realização de promoções em 2020 e em 2021.»


      E tudo nos leva a crer que a esses dois se somará em breve mais um.


      Na mesma informação sindical, o SFJ aborda o problema do trabalho suplementar não pago, seja pelas eleições – como já aqui contamos, as cerca de 10 mil horas realizadas por 1300 Oficiais de Justiça, nas eleições autárquicas – bem como o pagamento das tolerâncias de ponto de 24 e 31 de dezembro de 2021 e ainda o turno de 25 de dezembro.


      O SFJ diz que reputa como trabalho suplementar o realizado nas tolerâncias de ponto, devendo ser pago como tal, motivo pelo qual está a preparar uma ação (mais uma) para reivindicar esse pagamento.


      E já que falamos de ações, o SDJ está a preparar ainda outra:


      «O Departamento Jurídico do SFJ está igualmente a estudar a forma de reagir quanto às situações em que o trabalho no dia 25/12 não está a ser qualificado para produzir os efeitos do artigo 59.º n.º 1 do EFJ (direito ao dia extra nas férias do ano seguinte).»


      O SFJ, e também o SOJ, para defender os direitos laborais dos Oficiais de Justiça, transfiguram-se em espécies de escritórios de advogados, passando grande parte do tempo a preparar processos contra o Estado por tudo aquilo quanto fica por solver com os Oficiais de Justiça.


      Ou seja, a relação dos Oficiais de Justiça com a administração governamental está restrita à colocação de múltiplas ações em tribunais, para que estes decidam aquilo que falta ao Governo: o bom senso.


      Por tudo isto, ao título do artigo não falta, em nenhuma palavra qualquer letra, porque não é tripartida o que se quer dizer, mas propositadamente triparida; no sentido de que das três representações tudo o que poderá nascer já foi parido, não se prevendo que possa nascer, seja lá de que parte for, algo novo.


Reuniao3Elementos(DGAJ+SFJ+SOJ).jpg


      Fonte principal: “SFJ-Info”.

Comentários

  1. Anónimo4/3/22 08:21

    E o efeito prático desses processos é 0

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    1. Anónimo4/3/22 08:33

      Pois...por falta de recursos humanos nos tribunais. É a pescadinha de rabo na boca.🤷‍♂️

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  2. Anónimo4/3/22 09:24

    "aquilo que falta ao Governo: o bom senso."

    Acho que a palavra certa não é "senso" , mas sim seriedade, porque o que FALTA é SERIEDADE!

    O putin não faria melhor em termos de seriedade

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  3. Anónimo4/3/22 11:30

    O efeito é 0, pois os Governos não fazem conta de cumprir as sentenças proferidas e tudo continua igual.
    Que é que aconteceu com a suposta "queixa" apresentada na OIT? Sabe-se alguma coisa? Ou também foi 0?

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    1. Anónimo4/3/22 23:21

      7567x0=0

      999999999x0=0

      Moral da história, números grandes, enchem mentes distraídas, mas de zero resultados.

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  4. Jota Man4/3/22 18:55

    Metem processos, mas não solicitam responsabilidade civil\criminal, pelas ilegalidades cometidas, ou pelos prejuízos causados, logo servem a maior parte para nada, a outra para continuarem a cometer ilegalidades, porque a a consequência pessoal, da DGAJ, ou dos ministros é zero. Os direitos perdidos, o direito à greve torpedeado constantemente, os salários perdidos, etc. Tudo decidido desfasado no tempo, sem juros e sem responsabilização pela pratica dos referidos atos ilegais por quem os pratica, è andar a brincar aos processos, e um incentivo a que o façam impunemente sabendo que é ilegal.

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    1. Anónimo4/3/22 23:13

      Isso nunca irá acontecer pois as presentes estruturas sindicais estão compactuantes e são partes interessadas, com agenda própria que não envolve os interesses conjuntos, mas individuais dos seus elementos.
      A comprova-lo estão 20 anos de incompetência, plasmada nas sucessivas perdas.

      . Perda da reforma aos 55 anos.
      . Período para gozo de férias reduzido.
      . Perda dos serviços sociais.
      . Perda das promoções.

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    2. Anónimo7/3/22 11:35

      SEM DÚVIDA

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  5. Anónimo4/3/22 20:23

    E quanto à declaração de exclusão de responsabilidade?
    O blogue pode informar quantas foram assinadas e entregues?

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  6. Anónimo4/3/22 22:53

    Os OJ vão passar a desenvolver trabalho cívico gratuito por imposição do estatuto/carreira especial.

    A partir do 2º semestre de 2022 irão ser criadas UP's de vaselinação.

    Em causa está a atribuição, aos OJ abrangidos, de um andar novo.

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  7. Anónimo7/3/22 13:05

    Para os OJ que votaram PS que espumem pela boca e sangrem em muitas horas extras, para compensar.
    Os outros entrem às 9.00 e saida às 17.00h. Nem mais um minuto.

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  8. Alguém sabe como correu a reunião do dia 8 de março?

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  9. Correu bem, com zelo e brio, graças a Deus

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