Rejeitem o insulto da dádiva das flores

      O dia 8 de março é comemorado hoje em muitos países do Mundo como o Dia Internacional da Mulher.


      As origens da data comemorativa é controversa, confundem-se entre tantas lutas e em tantos países, todos defendendo a sua própria maternidade da comemoração.


      De todos modos, o que este dia nos relembra são as lutas, várias e em variadíssimos países, tanto ao nível social, político ou económico das mulheres.


      Bem sabemos que ainda hoje as mulheres estão despidas de direitos e de respeitos.


      Apesar de desde o final do século XIX ter surgido a ideia de criar um dia assim e só no início do século XX haver registo de comemorações isoladas aqui e ali, e até em dias diferentes de fevereiro e de março, o grande impulso desta comemoração foi, sem dúvida, um simples ato de propaganda da união soviética que deu ênfase à comemoração durante muitos anos.


      No início de 1917, na Rússia, ocorreram manifestações de trabalhadoras por melhores condições de vida e de trabalho, e também contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial. Os protestos foram brutalmente reprimidos, precipitando o início da Revolução de 1917.


      A data da principal manifestação, 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelo calendário juliano), foi instituída como Dia Internacional da Mulher pelo movimento internacional socialista.


      Mais de 50 anos depois, em 1975 a ONU designou esse ano como o Ano Internacional da Mulher e o dia 8 de março foi adotado então como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas, tendo como objetivo lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres, independente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, económicas ou políticas.


      Em 2008, a ONU lançou a campanha “As Mulheres Fazem a Notícia”, destinada a estimular a igualdade de género na comunicação social mundial. Na atualidade, porém, considera-se que a celebração do Dia Internacional da Mulher tem o seu sentido original parcialmente diluído, adquirindo frequentemente um caráter meramente festivo e até hipocritamente comercial, como aquele triste hábito de empregadores distribuírem rosas vermelhas ou pequenos mimos entre as suas trabalhadoras; ação esta que em nada evoca o espírito das manifestantes russas do 8 de março de 1917.


      Não é com dádivas de flores num dia ao ano que se consegue respeitar os direitos das mulheres, quando bem sabemos que (em alguns países mais do que outros), continuam a ser maltratadas, desprezadas, sem quaisquer direitos, com empregos e trabalho fora e dentro de casa, sustentando, verdadeiramente, o Mundo às costas, mas sem visibilidade alguma.


      A imagem abaixo, que hoje ilustra o artigo, pertence ao grupo feminista FEMEN manifestando-se contra a exploração sexual das mulheres ucranianas em 8 de março de 2010. Hoje, neste mesmo país, o direito das mulheres está restrito ao direito de fuga, acompanhadas dos seus filhos. Haverá sempre alguém que lhes estenderá uma flor, mas a mesma só poderá ser rejeitada.


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