A sessão solene da abertura do ano judicial em abril
Divulgou ontem o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) uma nota informativa intitulada: “Sem as condições mínimas, um Ferrari perde contra um burro”, recordando uma velha experiência, de 1993, na qual participou o atual Primeiro-ministro.
Diz assim a nota do SOJ:
«A cerimónia de abertura do ano judicial, para que possa representar um momento de esperança, numa mudança que é necessária, deve afastar os discursos inflamados do passado ou, pior ainda, obscenamente desligados da realidade.
Discursos a que se habituaram as pessoas, pois variam na forma, mas não no conteúdo e que não podem ser “um fim em si mesmos”. Os cidadãos exigem mais.
A Justiça precisa de respostas, não de discursos. O diagnóstico está feito e é consensual entre todos os operadores judiciários e até poder político: faltam meios e condições, nomeadamente nas secretarias judiciais, para que a justiça possa ser realizada.
Sem que existam condições, um Ferrari, perante o olhar de todos e com a sua aceitação, perde qualquer corrida contra um burro!
A falta de condições, que todos reconhecem, mas que permitem se perpetue, potencia a prescrição de milhares de processos sem que se responsabilizem os verdadeiros culpados. Será que ninguém é beneficiado com essas prescrições?
Por isso é tempo de apresentar ao país, na abertura do ano judicial e com sentido de responsabilidade, um plano de ação para a Justiça. Os cidadãos precisam de conhecer as condições e meios alocados, os objetivos definidos e metas estabelecidas para este ano de 2022.
Compete, nomeadamente ao Governo, no uso da palavra, e se pretende uma mudança de paradigma, apresentar, caso ele exista, esse plano de ação para a Justiça, ainda que de forma sucinta.
A não ser assim, “tudo como dantes, quartel-general em Abrantes”. A justiça continuará a definhar, a não se realizar, servindo interesses e poderes contrários à República.»
Fonte: “SOJ-Info”

Apesar de nem há um mês se encontrar em funções, foi a ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, quem interveio, em representação do Governo, ontem à tarde no Supremo Tribunal de Justiça (STJ).
A ministra da Justiça considerou que para melhorar a imagem da Justiça perante os cidadãos e as empresas e melhorar o funcionamento do setor, que depende de todos, é importante "fazer acontecer", destacando a "transição digital".
Onde é que já ouvimos isto?
Note-se a recuperação da pretensão da melhoria da imagem da justiça e não a melhoria em si da justiça, acreditando-se que só há um caminho: o digital.
Já no final da sua intervenção, Catarina Sarmento e Castro revelou ser seu "desejo que este possa ser o ponto de partida, em conjunto, para que se ponham em prática soluções, melhorias concretas e palpáveis no sistema de justiça". Palavras finais que poderiam estar no início do discurso, tanto dá, que expressam o “seu desejo”.
«Um dos primeiros desafios práticos é o de contribuir para a melhoria do conhecimento. Do conhecimento para a confiança e do conhecimento para a eficiência.», assinala a ministra. Vejamos bem a escalada: começamos no “conhecimento” e deste para a “confiança” e também para a “eficiência”. E como se passam estas fases? A ministra responde:
«Para tal, é decisivo que se reforce o investimento na melhoria dos indicadores da Justiça, agora com recurso a ferramentas eletrónicas renovadas, e se potencie o seu uso. É também decisivo que se reutilize a abundante informação gerada, sempre no respeito pelas regras de tratamento de dados». Até porque, o conhecimento ajuda “a situar mais corretamente a perceção dos destinatários sobre o sistema de justiça, em permanente escrutínio de resultados”.
Mas o caminho não é fácil e a transição digital ou, até, a inteligência artificial, podem ajudar nos passos. Catarina Sarmento e Castro reconheceu que o grau de eficiência ainda "não é homogéneo em todos os tribunais e em todos os tipos de litígios", e que "há um caminho que importa percorrer". É possível uma homogeneização dos tribunais?
A ministra há 20 dias assumiu também que os diagnósticos estão feitos e há medidas no terreno, sendo agora necessário “resolver as disfuncionalidades que a prática vai revelando”, algo que irá permitir “uma melhor gestão do sistema”, seja nos “métodos de trabalho”, na “gestão de recursos humanos” ou “gestão processual”.
Na verdade, uma das palavras mais usadas pela ministra foi “digital”.
Catarina Sarmento e Castro defendeu ser “importante que se leve a sério o desafio da tramitação judicial – digital por definição –, com a exclusividade da tramitação processual eletrónica em todas as jurisdições e instâncias judiciais, inclusive na fase de inquérito, para tornar efetiva a celeridade das decisões”.
“Neste percurso de transição digital, é fundamental a concretização dos investimentos previstos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)” [a bazuca], enfatizou.
Prometeu ainda o reforço do sistema de informação para as secretarias judiciais, de interface com mandatários, para assegurar a interoperabilidade de sistemas, a desmaterialização das comunicações e a incorporação de capacidades de analítica e de inteligência artificial.
Catarina Sarmento e Castro teve também tempo para referir o estabelecimento como prioridade da implementação de "um sistema de apoio judiciário efetivo e de qualidade", a par de persistir no combate à corrupção, através da “Estratégia Nacional Anticorrupção 2020-2024”, e dar resposta "aos desafios do sistema prisional".
Em síntese, é este o caminho que se aponta: um caminho extra-humano como a solução final para todos os problemas da justiça. Nesta magnífica visão do caminho, a intervenção humana parece algo secundário, ou secundarizado, desprezível até.
A ser verdade que a ministra acredita mesmo no que disse e vai prosseguir para esse objetivo, então onde entram os Oficiais de Justiça que não são (ainda) máquinas digitais?

Fonte: “CNN Portugal”.
"Oficiais de Justiça que não são (ainda) máquinas digitais"
ResponderEliminarOu será que são? ou querem que sejam?
FAÇAM DOS TRIBUNIAS LINHAS DE PRODUÇÃO INDUSTRIAL, PÁ!!
por onde andou esta ministra nos últimos 20 anos!!!!!
ResponderEliminarBem, depois de ver e ouvir "aquilo", só posso chegar a uma conclusão.
ResponderEliminarEstamos Fo......, a Justiça deste país está Fo....., os Cidadãos deste país que precisem da Justiça estão Fo....
Infelizmente não há outra maneira de colocar a questão.
Mais uma ave rara que vive numa realidade paralela.
Apertem os cintos que isto vai ser uma montanha russa.
Eu tenho uma solução para todos e quaisquer problemas na Justiça.
Vamos digitalizar as pessoas.
Sim, aqueles seres inconvenientes que recorrem e precisam da Justiça são digitalizados, mesmo aqueles com a quarta classe.
Até podíamos resolver o problema da saúde e do SNS da mesma maneira.
Digitalizamos os doentes, os utentes, os médicos e os enfermeiros.
E porque não, digitalizamos os policias??
Os únicos que não podemos digitalizar são os decisores políticos, mártires da causa pública.
Afinal, como é que uma ex ministra digitalizada se reformava como juiz do supremo.
E como é que alguém depois de ser juiz do Tribunal Constitucional, sim o tal Tribunal acima de todos os outros se deixava ir para um governo, seja ele qual for??
Só se tiver uma coluna vertebral digitalizada??
Estavam à espera de que??
Já agora, algum dos sindicatos já foi ver e investigar quantos milhões de euros foram destinados pelo PPR para a área da Justiça??
Já se propuseram a descobrir quantos grupos e grupinhos de trabalho existem na DGAJ, IGFEJ, etc, tendo como finalidade elaborar os planos para estourarem com os fundos que foram atribuídos à Justiça??
Sabem quem são essas pessoas?
Sabem que conhecimento tem essas pessoas dos problemas dos Tribunais?
Sabem se alguma vez essas pessoas alguma vez entraram num Tribunal?
Tanto dinheiro para gastar...
São milhões...
Quando ligam o computador e vem umas coisas estranhas no ambiente de trabalho, tipo Programa 2020, programa justiça não sei que, isto e aquilo, pensam o quê??
Sabem quem está por detrás daquilo?
Quem são as pessoas?
Vejam os ordenados daquele pessoal, vejam de onde vêm.
A Justiça dá de comer e bem a muita gente.
E agora, são tempos em que há muito, muito dinheiro para gastar.
Pensavam que era para remendar telhados que deixam entrar água da chuva??
Pensavam que era para dar as mínimas condições de dignidade aos Tribunais??
Mais funcionários??
Somos mesmo uns Anjinhos.....
Tudo dito, sem dúvida! mais valerá deixar de ser OJ, não ter bens em nome próprio e viver do RSI
EliminarHoje não tomei banho e não fiz a barba. E vim com a mesma roupa de ontem.
ResponderEliminarNem mais, um tipo pelo que pagam quase nem ganha para pagar água e lâminas
EliminarExactamente. Um banhinho por semana e chega. Roupa é a de domingo e dá para toda a semana. A barba, essa, não a faço e poupo imenso tempo de manhã. Portanto, só em água e gás posso dizer que já comecei a poupar cerca de 35/40 euros por mês. Parece que não mas é uma poupança razoável.
EliminarPor mim estavas prontinho para ir uns mesinhos para o arquivo.
EliminarAnde porco e com merda, mas com zelo e brio
ResponderEliminarExactamente! O símbolo, a imagem e o espelho da classe!
EliminarColagem pura e dura ao programa do governo, sem mais.
ResponderEliminarFrases feitas, que tanto dão para tudo como para nada.
Não podemos ter qualquer esperança de, pela via do simples diálogo, sem luta, algo conseguirmos.
Marcam lutas, adiam lutas, promerem lutas, suspendem as lutas, e andamos nisto há dezenas de anos!...
EliminarA meu ver esta ministra começa as suas funções de forma desprezível!
ResponderEliminarSó espero que na reunião agendada para o próximo dia 2 de maio, a delegação do SFJ não seja a mesma que esteve presente na reunião de 17 de junho de 2021.
ResponderEliminarNo movimento sindical também existem incompatibilidades insanáveis!....