Mutatis mutandis, os Oficiais de Justiça também vêm lutando e resistindo imenso

      Então, para a próxima semana temos o seguinte calendário e agenda:


18Abr-Seg – Último dia das Férias Judiciais da Páscoa
19Abr-Ter – Retoma de todo o trabalho e fim de algumas férias pessoais
20Abr-Qua – Cerimónia no STJ da abertura do presente ano judicial
21Abr-Qui – Presidente da Ucrânia discursa na Assembleia da República
22Abr-Sex – Greve de todos os Oficiais de Justiça, convocada pelo SOJ.


     De todos estes cinco dias, consideramos como relevantes os acontecimentos marcados apenas para dois dias: quinta e sexta-feira, dias que correspondem à intervenção do presidente da Ucrânia e à greve dos Oficiais de Justiça. Os acontecimentos dos restantes dias não são relevantes.


      A intervenção do presidente do país que está a ser uma das primeiras vítimas de um estado totalitário presidido por um lunático idêntico a Hitler e cuja resistência é louvável, é um dia relevante porque está em causa, também, a nossa vida e a Justiça.


      De igual forma, a greve dos Oficiais de Justiça marcada para sexta-feira é uma ação muito relevante para estes profissionais da justiça mas que, curiosamente, da cuja dita carecem.


      A informação sindical do SOJ que ontem aqui noticiamos tem por título o seguinte: “Oficiais de Justiça: nunca alcançamos nada sem lutar!”, mas, para além de tal afirmação ser correta de que, no passado, foi sempre preciso lutar para alcançar algo para a carreira, mostra-se também incorreta porque a afirmação poderia ser assim: “Oficiais de Justiça: nunca perdemos tanto mesmo lutando imenso!”.


      Nos últimos anos a carreira foi totalmente devassada pelos sucessivos governos: PS, depois PSD-PP e novamente PS. A alternância no governo desses partidos, apenas teve como diferença, diferentes perdas infligidas aos Oficiais de Justiça e omoplatas e clavículas doridas de tanta pancadinha nas costas dando razão a estes profissionais.


      Na última legislatura ainda houve a esperança, por dois anos consecutivos, de que com as duas Leis dos Orçamentos de Estado – contendo preceitos próprios relativos aos Oficiais de Justiça, por força da introdução dos mesmos por uma Esquerda que, entretanto, foi esmagada pelo ideário totalitarista em voga –, acreditou-se que fosse possível construir uma carreira novamente dignificada. No entanto, o governo PS de então que ora continua, nunca respeitou as duas Leis da Assembleia da República e, quando no ano passado, à última hora, apareceu aquele projeto de Estatuto, todos puderam constatar que essa seria a machada final, entretanto adiada.


      Tudo o que foi conseguido foi com luta, sim, mas tudo o que foi perdido também foi com muita luta e a recuperação de apenas alguns aspetos, poucos; muito poucos, tem sido objeto da maior luta de sempre sem resultado algum até ao momento.


      Este ataque constante à carreira, esta perda constante de aspetos significativos que a valorizavam e o enorme esforço que os Oficiais de Justiça têm vindo a fazer ao longo de anos; resistindo aos ataques, retorquindo com uma luta com atos inimagináveis, variados e de enorme esforço com relevantes perdas salariais, salvo o devido respeito, que é muito, e a distância das circunstâncias, é, no entanto, atrevemo-nos a tal, equivalente à resiliência do Povo Ucraniano enfrentando o monstro.


      Mutatis mutandis, é a mesma coisa: os Oficiais de Justiça vêm lutando imenso, resistindo imenso e, embora alguns se tenham rendido, outros, muitos mais, ainda não desistiram da luta e acreditam que a vitória ainda é possível, apesar de tanta derrota. Por isso, a comparação com o sofrimento e a coragem do Povo Ucraniano, embora seja uma comparação claramente exagerada, não deixa de ter aspetos paralelos e, por tal motivo, é possível comparar o sofrimento e a determinação dos Oficiais de Justiça na luta contra todos os seus monstros, com igual sede de Justiça.


      E é com este espírito determinado que todos contamos, seja na barbaridade da Ucrânia, seja na luta pela carreira dos Oficiais de Justiça.


      Como nunca nada caiu do céu a não ser a chuva, a luta que ora tem reinício, seja com o envio massivo das declarações aqui propostas, também aconselhadas pelo SOJ, seja com a adesão massiva à greve de sexta-feira 22Abr, é, de momento, a única luta que tem que ser feita, a par do cumprimento rigoroso da greve do SFJ declarada em 1999 ao trabalho após as 17H00 e na hora de almoço.


      Por tudo isto, os únicos dias relevantes na próxima semana são os dois últimos dias úteis e úteis não pelo trabalho, mas pelo significado dos acontecimentos que apelam à Justiça para o Povo trabalhador.


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A não esquecer: 22ABR (sexta-feira): Greve por ti e por todos. Neste dia não poderá haver serviços mínimos porque amanhã, feriado e também sexta-feira, também não os há.


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Comentários

  1. Não conheço um único oficial de justiça promovido a adjunto até aos 45 anos de idade...
    Ano de ingresso com salário de 700€...
    Cidades como Lisboa e arredores com rendas absurdas...
    A exigência desta carreira...
    Já não enganam ninguém...
    Os que cá estão até a esses 45 anos ou mais estão a sair... Deixaram de acreditar...

    Tic-tac... Isto vai colapsar mas fácil mesmo... Dentro de um aninho vai ser tipo castelo de cartas!

    Vergonha o desrespeito pela carreira..
    Estou-me sempre perguntar o que faço eu aqui... Já dei tanto por isto, tantas horas... Tanto cabelo branco... Para ser tratado assim...
    Boa sorte ao PS e aos sindicatos que vão ter de explicar o porquê do colapso total dos serviços...
    Como já referi é uma questão de tempo até desistir também...

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  2. Faltou, nessas datas, mencionar o 25 de abril que inicia a outra semana. Depois de décadas de ditadura o povo, resiliente, conseguiu alcançar a democracia...

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  3. Já agora alguém que tenha coragem de dizer publicamente que esta destruição da carreira dos oficiais de justiça tem como alvo fazer prescrever os mega-processos que afrontam ex-ministros e banqueiros deste país...
    No final da história para o povo português será culpa dos oficiais de justiça...
    Tão fácil que vai ser...

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  4. Antonio Marçal à agencia Lusa no dia 7 de abril:


    ".... Há ainda, de acordo com o presidente do SFJ, necessidade de promover os funcionários para as categorias reais, e de um regime de aposentação diferenciado que permita a aposentação sem penalizações com 60 anos de idade e 40 anos de serviço, “para compensar o existente dever de permanência com horas extraordinárias não remuneradas”.

    Não basta expressar reiteradamente diagnósticos e de "colocar papelinhos no muro das lamentações", é preciso agir!...

    Vamos ver se vai aderir a esta greve decretada pelo SOJ ?!...

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    1. Oh senhor(a), qualquer Oficial de Justiça poderá aderir à greve, independentemente da sua “filiação”. Não faça depender o (in)sucesso da mesma por via da posição do SFJ. Aliás, como associado, mal será se o SFJ aderir a esta greve. Quando se aguardam reuniões com uma nova ministra, diga-me qual a vantagem de uma posição tal e qual a do SOJ? De demonstrar populismo junto da classe? De se apresentar com “duas pedras na mão” perante aqueles que decidem, para júbilo de alguns colegas, sem que nada se consiga? E que tal reunir, ouvir e agir? Até por uma questão de credibilidade! Embora não seja um assunto de premência para a classe, mas dificulta-me o entendimento sobre um sindicato onde, durante mais de uma década, nunca houve um exercício democrático/eleitoral, por via do qual pudéssemos tomar conhecimento de outras opiniões…Estranho, ou não!

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    2. E porque não apelar à união dos dois sindicatos??

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    3. Porque uma “união” tem como critério base o interesse comum, sem vicissitudes pessoais. Por acaso e no contexto, gostaria de saber se o SOJ interpelou antecipadamente o SFJ das suas intenções…

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    4. Sim Colega, já era altura dos nossos representantes se apresentarem nas reuniões com duas pedras na mão.
      Já era altura de deixarmos de ser anjinhos, seja uma nova ministra seja uma ministra em segunda mão.
      Por causa da política do " ver o que dá" é que estamos nesta situação de merda.
      Não acha que é altura de abandonar o politicamente correcto??
      Previsivelmente, na próxima reunião a ministra e a sua equipa vai mostrar aos nossos representantes como tem uma grande consideração pelos OJ's.
      Vai manifestar a sua grande preocupação pelo estado dos serviços e pela falta de pessoal.
      Vai referir que a falta de pessoal é transversal a outras áreas do Estado e que o caminho é a redução de funcionários.
      Vai informar que tem grandes planos para a Justiça e que o caminho é a digitalização.
      É claro que conta com o apoio dos OJ's para esta transformação e que obviamente vão ser recompensados, só não sabe como.
      Vai também referir que é inadmissível ainda não termos um estatuto aprovado e que vai criar uma equipa para elaborar um estatuto que reflita o papel dos OJ's no século XXI.
      Para isso conta com a colaboração de todos os funcionários em participar dos sindicatos.
      Vai deixar em aberto já a realização de novas reuniões para discutir outros problemas que estão a afectar a classe e relativamente a promoções, suplemento, ingresso de funcionários, vencimentos etc, uma vez que só agora tomou posse e como tudo passa pelas finanças deixa a promessa que vai indagar junto daquele ministério se há alguma folga para eventualmente poder oferecer alguma coisa mas adverte desde já que com a guerra na Ucrânia, a inflação, a crise etc, dificilmente pode haver novidades ainda este ano, mas não ficará esquecida a promessa.

      E pronto, mais uma reunião.
      É assim que quer??

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    5. Insucesso!?...
      Aguardar!?..
      Aguardamos já há mais de duas décadas e quanto ao Insucesso das greves decretadas pelo SOJ aconselho-o a ver o último balanço social disponível na página da GDAJ referente a 2020 que tem lá um mapa com todas greves decretadas nesse ano, quem as decretou e o número de trabalhadores que aderiram.

      Insucesso?!!!!!!!!!

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    6. Digo "DGAJ"

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    7. Isso mesmo! Vamos lançar “as bombas” porque a guerra só depende da nossa força “bélica”! Era bem bom que assim fosse! Contudo, faz lembrar um “chega” ou até um “pcp” que dizem tudo aquilo que os ouvidos querem ouvir mas se estiverem no poder, “tá quieto”. Oh senhor(a), aprecia-se, sinceramente, a longa e justificada exposição das reivindicações dos Oficiais de Justiça. Contudo, não se obtém resposta para a plausibilidade temporal no decretamento da greve programada pelo SOJ. Ou seja, com a greve vamos lá ou dificultamos a nossa posição? Mais vale “reunir, ouvir e agir” ou não? Há interesses, por uma via de sobrevivência sindical, em manter/fomentar os diferendos negociais, optando por estratégias populistas? Somos competentemente atentos, ou não? Já agora, face à sua admirável ocupação explicativa, diga de sua justiça quanto à existência de um sindicato (soj) que desde a sua criação nunca disponibilizou junto dos seus associados a possibilidade de eleições e outras obrigações democráticas…! Vamos ser sérios! Número de greves decretada é o critério?! Haja mesmo seriedade! Uma Classe Profissional, poder ser representada/confundida com um Colega, de nome Carlos Almeida, o qual, por invicissitudes democráticas ao longo de mais de 15 anos, se arroga a representar os Oficiais de Justiça nas suas “iniciativas aparentemente pessoais”, é, no mínimo, passível de grande interrogação? Demonstre-se o contrário, pois a tutela nem benefício da dúvida dá. Por último, pergunte ao senhor se falou antecipadamente com o SFJ e elucide-nos, sff

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  5. Alguém acredita nos resultados desta greve? Os sindicatos só sabem fazer que lutam à custa dos OJ!

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  6. Justifiquem mas é aos adjuntos perto da idade da reforma o porquê de terem de fazer audiências na sala por falta de auxiliares...
    Expliquem a debandada dos mais novos da carreira!
    Vai acontecer em todo o sítio em que haja diligências sem contar naqueles em que já assim é...
    Quem defende os mais velhos?
    Quem salvaguarda o verdadeiro trabalho e não as tretas de quem é que saca mais associados e faz vênia ao Sr governante...
    Defendam verdadeiramente a classe!!!
    Vão acabar com isto tudo...

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    1. "f) Compete ao escrivão-adjunto:
      Assegurar, ....
      Desempenhar as funções atribuídas ao escrivão auxiliar, na falta deste ou quando o estado dos serviços o exigir;"
      Uma coisa é reclamar o preenchimento dos quadros, outra é reclamar dos adjuntos fazerem sala. Está previsto no estatuto e é uma função digna como qualquer outra.
      Pior é sacrificar os mais novos por vaidade.

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    2. Ora aí está algo que muitos esquecem!

      tal como se esquecem que "determinação superior" é algo muito dúbio

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