Os uns, os outros e os Públicos
«Há funcionários públicos fantásticos, profissionais dedicados e com um sentido de missão gigantesco que são muito mal pagos pelo empenho e profissionalismo que têm, conclusão a retirar do benchmark salarial com o setor privado. E depois há os “públicos” que de “funcionários” não têm nada, pois não são profissionais e não fazem nada (pelo menos positivo), exceto queixar-se. Estes ganham o mesmo que os anteriores, logo estão muito bem pagos e ganham demais.
Como no setor privado, há os “excecionais, os bons, os maus e os vilões”. Mas no setor privado podemos criar perfis de desempenho desejados, avaliar, remunerar de acordo com o desempenho e resultado (e não antiguidade), premiar… se não forem atingidos os objetivos há consequências e no limite fecha-se a empresa e os postos de trabalho extinguem-se. Há uma cumplicidade de objetivos que muitos sindicatos e patrões ainda não entenderam.
No setor público a cumplicidade advém do profissionalismo individual e da liderança. Não advém das avaliações feitas por setores corporativistas que se autoavaliam, nem de avaliados que vão avaliar os avaliadores mais tarde. Sem risco de a “empresa fechar” (ou seja o Estado deixar de pagar o salário baixo ou alto, consoante o desempenho de cada um).
Por isso entendo que tem de existir um compromisso de ambas as partes baseado em 2 premissas: os funcionários públicos ganham pouco e isso é óbvio; mas há muitos funcionários públicos que não fazem nada sem sofrer nenhuma consequência. Estas 2 variáveis prejudicam o modelo meritocrático que devia existir, pois desmotivam os muito bons “funcionários públicos” que existem, que se fartam de trabalhar e recebem o mesmo salário que os “públicos”.
O compromisso é simples, mudem radicalmente a legislação laboral, permitam avaliações objetivas de desempenho e resultado, extingam e despeçam a percentagem de “públicos” (o problema é que muitos deles também estão nos sindicatos) e utilizem esta verba para aumentar os salários dos “funcionários públicos” que merecem salários que lhes permitam viver dignamente.
Bem como digitalizar os serviços públicos, recrutando apenas os novos “funcionários públicos” que fazem falta nos serviços, mas sem aumentar a despesa pública pois já poupamos nos que saíram.
No segundo trimestre de 2021, o Estado tinha 731 mil trabalhadores públicos, o valor mais alto desde 2011. Mas se usarmos os dados do Eurostat 2019, verificamos que Portugal até tem uma das percentagens mais baixas de funcionários públicos em relação à sua força de trabalho total (abaixo dos 15%) enquanto a Europa está perto dos 19%.
Obviamente, de 2019 até agora, como aumentamos o número de trabalhadores, devemos ter aumentado a percentagem. Mas como os critérios podem variar, podemos avaliar de outra forma e estimar o peso destes gastos salariais versus o PIB, vendo quanto é que as remunerações da Função Pública pesam na totalidade da despesa do Estado.
Neste critério, Portugal surge a meio da tabela e acima da média comunitária. Portanto devemos já estar na média Europeia ou perto dela. Não temos de aumentar os “funcionários públicos” temos é de “renovar” os “públicos”. Com uma preocupação acrescida, “o inverno” da pirâmide etária: em 5 anos, a percentagem de trabalhadores com mais de 55 anos saltou de 19,6% para 36,5%.
Em suma, o nosso país tem uma tarefa hercúlea de digitalização e modernização administrativa e de reforma da administração pública, fundamental para o crescimento económico que o nosso país precisa!»
Fonte: Reprodução do artigo de opinião de Nelson Pires, general manager da Jaba Recordati, na publicação: “Executive Digest”.

Empresa que faz mobbing a empregados para os despedir, entre muitos outros malabarismos e que paga indecentemente, digo, pornograficamente a CEO´s.
ResponderEliminarTudo dito.
A conversa capitalista e neoliberal que nos levou onde estamos, como sociedade. Podres moralmente, adoradores doentios do consumismo, ignorantes e vazios de alma.
O leste não é exemplo para ninguém, obviamente. Mas esta perspetiva de capitalismo selvagem está a destruir-nos (veja-se o facto de ainda se comprar gás aos Russos).
Perguntem lá a esse senhor se acha correto que se continue a fazer negócio com os russos e vereis a resposta imediata...claro que sim!! A bem do negócio!!
O Sr. CEO meta a colher na casa que tem de cuidar ao invés de querer falar do que não sabe.
É banalidades, lugares comuns e cretinices do princípio ao fim, este texto.
Arranjam um tacho de relevo e já são donos da única verdade no mundo.
Mas a Executive Digest é o que é...uma fogueira de vaidades e lambe rabo recíproco entre quem escreve e quem edita.
É como revistas de vinhos...ganham capas e medalhas os que pagam mais.
Tudo isso está certo, mas também é verdade que há muitos entre nós que estão muito bem pagos, para o trabalho que fazem. Quem trabalha não deve ter receio de ser avaliado e reconhecido pelo seu mérito. Basta de incompetentes como "colegas"!
EliminarVerdade.
EliminarÉ no mínimo insultuoso ver um indivíduo que ganha em meio mês o que nós ganhamos num ano, vir mandar bitaites sobre salários e competências e tretas do género. Meritocracia, sim, mas não nos moldes de uma ideologia capitalista, de produtividade a qualquer custo, sem orários, sem respeito pela vida privada, com stress, com objetivos inatingíveis e vergonhas do género.
O privado não tem lições nenhumas a dar a ninguém !!
É rara a semana que não me confronte com incompetências vergonhosas ora com seguradoras, ora com operadoras, ora com entregas, bancos, representantes de marcas e muitas outras empresas no mercado.
Toda esta conversa tem, obviamente, interesses ocultos, obscuros...
Nojo.
Os "orários" existem tanto no público como no privado. O que está por detrás do artigo pode e deve ser criticado, mas ignorar que existe incompetência também entre muitos trabalhadores do público revela o incómodo com a meritocracia.
Eliminar