“Podia ser pior se os Funcionários não se dispusessem a fazer trabalho suplementar”
Com o título "Equipas só têm metade dos Funcionários Judiciais necessários", na sua edição impressa do passado dia 03ABR e, na mesma data, na versão digital com o título: "Equipas especializadas em violência doméstica criadas há dois anos têm metade dos Funcionários", o jornal Público explicava a situação da falta de Oficiais de Justiça, como a seguir vai transcrito.
«A falta de Oficiais de Justiça está a causar obstrução nas Secções especializadas Integradas de Violência Doméstica (SEIVD), um modelo que está a ser testado em Matosinhos, Porto, Sintra, Lisboa e Seixal, desde janeiro de 2020, com equipas próprias do Ministério Público (MP), articuladas com os órgãos de polícia criminal e com a jurisdição de família e menores. Há menos Funcionários do que procuradores, quando deviam ser o dobro.»
O jornal Público refere que são 34 Oficiais de Justiça para 39 procuradores.
«As SEIVD, diagnostica António Marçal, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), têm "um problema original"; a Procuradoria-Geral da República (PGR) definiu um número de magistrados e esqueceu-se do mapa de Oficiais de Justiça. Tiveram de ser recrutados noutros serviços. Como faltam Oficiais de Justiça em todo o lado, as secções deviam ter um rácio de dois Oficiais de Justiça por procurador mas, em regra, têm menos Oficiais de Justiça do que procuradores", esclarece.
Cada SEIVD inclui um Núcleo de Ação Penal (NAP), com competência exclusiva para a investigação dos crimes de violência doméstica e um Núcleo de Família e Crianças (NFC), com competência para analisar a situação das crianças envolvidas e delimitar os procedimentos que devem ter lugar. Dependendo do DIAP regional.
No Porto estão colocados 8 Oficiais de Justiça, segundo a coordenadora Teresa Morais, um está de baixa há mais de um ano. Na prática estão sete Oficiais de Justiça a assessorar sete procuradores. No NFC a proporção é igual: dois para dois. Em Matosinhos, a secção é mais pequena: um total de sete para seis.
No Seixal, há sete funcionários para sete procuradores. Em Sintra, os oito procuradores contam com o apoio de cinco Oficiais de Justiça e de uma funcionária judicial. Em Lisboa, o rácio é ainda mais baixo. No NAP estão sete procuradores e cinco Oficiais de Justiça. Costuma haver mais dois, mas estão de baixa. No NFC estão dois procuradores e dois funcionários. Diz a coordenadora Fernanda Alves que a Covid19 tem provocado muitas ausências, ora em nome próprio, ora em nome dos filhos.
"É do conhecimento público que a falta de pessoal é transversal a todos os tribunais", responde o gabinete de imprensa da PGR ao Público. Em Sintra, por exemplo, há um "rácio para tramitação processual de dois funcionários para cada três magistrados, o que se afigura insuficiente atendendo ao volume de serviço e ao nível de exigência que decorre do facto dos processos assumirem natureza urgente e serem de investigação prioritária". No Seixal, o quadro também é "manifestamente insuficiente".
Esses Funcionários desempenham inúmeras tarefas de assessoria aos magistrados do MP. Entra um auto de notícia, há que registá-lo, encapá-lo, fazer o levantamento dos elementos necessários, por exemplo, juntar cópia de identificação, registo criminal, eventuais processos anteriores, notificar pessoas e até ouvi-las, se o magistrado assim o indicar.
As pendências acumulam-se em cima das mesas. Sintra, por exemplo, entrou no ano 2022 com 1396 processos pendentes, Seixal com 1231, Lisboa com 1135.
Podia ser pior se os Funcionários não se dispusessem a fazer trabalho suplementar. Em Sintra, outros Funcionários do tribunal "voluntariam-se para esse efeito". No Seixal, ao que diz a PGR, acontece o mesmo.
Todas contam com as forças de segurança. "Delegamos muita coisa nas polícias", torna Fernanda Alves. "a polícia tem o grosso da fatia nas diligências". Em Lisboa há um projeto com a PSP e a junta de freguesia do Parque das Nações, denominado SEIVD: Resposta Integrada de Apoio à Vítima, a funcionar 24 horas.»
O artigo prossegue com o relato de Adão Carvalho, presidente do Sindicato dos Magistrados do ministério Público (SMMP) que assegura que o problema não se esgota na falta de recursos humanos. "No Seixal, os Funcionários trabalham numa sala exígua", aponta o presidente do SMMP. "Em Matosinhos só há uma sala para ouvir vítimas e testemunhas". Os procuradores partilham gabinetes, o que os impede de ouvir pessoas nesse espaço.
A procuradora Teresa Morais refere que "Tudo é urgente. Há que definir o que é prioritário, de acordo com a escala de risco. Só que o risco médio ou baixo, de um momento para o outro, pode tornar-se alto.»

Fontes: Público (reprodução parcial) do artigo da versão impressa de 03ABR2022, páginas 16 e 17, com chamada na primeira página em formato manchete, e nas edições digitais, em vários artigos a que pode aceder pelas seguintes hiperligações: "Público #1", “Público #2”, “Público #3”
Apesar de os Oficiais de Justiça andarem, através das estruturas sindicais que os representam, a proclamar aos "4 ventos" a necessidade de recrutamento, de formação, de carreira digna e atrativa, facto é que só "quando a casa está a arder" é que corporações (como as das magistraturas) é que se lembram na necessidade e importância destes profissionais. Pena é que, todos (Oficiais de Justiça incluídos), fiquem entusiasmados com a mera constatação deste facto. Desde 2013 a 2019, segundo dados da própria DGAJ, que os Oficiais de Justiça tralharam, de forma suplementar e sem remuneração, o equivalente a 23 anos de serviço (considerando o numero de horas de um Oficial de Justiça ao longo de um ano de trabalho). Apesar de todas as evidências de prestação de trabalho em situação inaceitável para uma sociedade que partilha princípios e valores das sociedades mais avançadas, com as quais nos gostamos de comparar, a verdade é que, como dizia, de todas as evidências os Oficiais de Justiça, as estruturas sindicais que os representam, bem como as corporações que se lembram de nós apenas em situação de calamidade, não retiram consequências da mais que comprovada importância que estes profissionais têm no sistema judiciário português, nem do impacto negativo que causa o seu abandono institucional no que diz respeito à formação (inicial e continua), ao estatuto anacrónico que os "esmaga", à carreira desatualizada e desfasada da realidade atual. Estaria na hora de deixar de embarcar em elogios conjunturais e passar à ação. Passar à ação implica interesse, em primeiro lugar dos próprios Oficiais de Justiça; em segundo lugar novos órgãos sociais, com visões e formas de estar próximas dos seus representados e cientes da realidade destes (o que implica a presença da primeira premissa); por último, coragem, vontade, querer e crer na luta por uma profissão e carreira dignas, à altura da importância do papel dos Oficiais de Justiça no seio do sistema judiciário português, com condições de trabalho e de remuneração consentâneas com a nobre missão de contribuir para a construção de sistema de justiça célere, eficaz, responsivo e justo.
ResponderEliminarTriste realidade colega
Eliminarblá, blá, blá..............................
ResponderEliminarÉ este conformismo "blá..., blá..., blá....", que faz com que os OJ estejam na situação em que se encontram e, pela amostra, provavelmente merecida.
Eliminarconformismo com zelo e brio
ResponderEliminarnível de exigência que decorre do facto dos processos assumirem natureza urgente e serem de investigação prioritária
ResponderEliminarE O DINHEIRONHO ?? ORDENADO QUASE MINIMO?
POIS ÉH!
... exigência? naaa...
Eliminargrau de complexidade 2 ou até mesmo 1.
Acessoria jurídica (aos magistrados) desenvolvida pelos Oficiais de Justiça, abusivamente referidos como "funcionários", forma simpática de desvalorização social pela forma escrita, não carece de conhecimentos, profundos, da digesta legal nacinal. Naaa.
Não queiram meter mais pessoal ou então mais logo estão todos os Oficiais de Justiça em burnout!
ResponderEliminarQuer dizer, o salário já é baixo e ainda ia trabalhar de borla para lá das 17?! Ahahahah
ResponderEliminarJamé!!
17 horas saio, fique o que ficar.
Fico admirado com muitos colegas que se queixam dos baixos salários mas que não se importam de trabalhar uma ou duas horas a mais por dia!!
Comigo, às 17 horas é para sair, fique o que ficar. E não me venham lá com as histórias dos processos disciplinares e das notas e das informações e bla bla bla ...
Foi assim que quiseram, é assim que têm!!
mais nada!
EliminarQuerem caviar ao preço de sardinha enlatada.
ResponderEliminarSalário mínimo, trabalho mínimo.
mais nada!
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