Processo concluído três décadas depois
Notícias como a que a seguir vamos reproduzir dão uma péssima imagem da justiça, não porque tenham tal intenção, mas apenas porque a verdade é o veículo.
É fundamental que exista consciência de que casos destes atravessam variadíssimos governos, todos com excelentes vontades e promessas de tudo fazer para que situações destas não ocorram. Chegam mesmo a esbanjar milhões de euros em serviços que contratam, em especialistas para realizar diagnósticos, em tecnologia, em abundante desjudicialização, mas nunca nos recursos humanos, designadamente, no maior grupo de trabalhadores dos tribunais e dos serviços do Ministério Público, os mais de sete mil homens e mulheres que constituem os Oficiais de Justiça deste país. Estes profissionais trabalham todos os dias e todos os dias se esforçam para evitar que situações como a que hoje relatamos possam suceder, mas, como podem muito, mas não são omnipotentes, aqui está o resultado das políticas dos sucessivos governos e até das sucessivas maiorias que sempre ignoraram, não só as reivindicações como, também, os alertas.
Consta assim na notícia:
«Mais de três décadas após a falência da “H. Brehm” os trabalhadores recebem os seus créditos.
A falência da metalúrgica começou em 1989, mas os trabalhadores só agora receberam a totalidade das verbas a que tinham direito, bastante desvalorizadas face ao tempo volvido.
O processo, iniciado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Lisboa, foi concluído no passado dia 11, agora com o atual Sindicato das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente, do Centro Sul e das Regiões Autónomas (SITE CSRA/CGTP-IN).
Na sede do SITE CSRA, em Lisboa, os 46 trabalhadores credores, nalguns casos já os seus herdeiros, receberam os créditos reivindicados há mais de três décadas.
Da história desta falência, o sindicato lembra o episódio do «desaparecimento» de mais de um milhão de euros (200 mil contos, à época), «levados» por uma inundação na leiloeira que efetuou a venda dos bens da falida e que o liquidatário judicial de então «desconhecia».
A Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas e Elétricas (Fiequimetal/CGTP-IN) refere num comunicado que a «luta e o sofrimento» destes trabalhadores começara uns anos antes do processo de falência da H. Brehm, salientando que as verbas finalmente recebidas estão «brutalmente desvalorizadas» por terem decorrido mais de três décadas desde que os créditos foram reconhecidos.»

Fonte: "AbrilAbril".
triste povo este que trabalha e é explorado e ainda fica sem justiça
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