Juízo de Comércio de Lisboa tem 800 milhões de euros por distribuir
O Público noticiava ontem que “o Juízo de Comércio de Lisboa tem perto de 300 processos de falência entrados antes de 2014, alguns com mais de 20 anos, que aguardam pela graduação de créditos – que determina por que ordem é feito o reembolso aos lesados – essencial para se proceder à distribuição dos montantes arrecadados após a venda dos bens existentes. Nestas ações, estão por distribuir, em alguns casos há anos, um total de 800 milhões de euros.”
O Público cita “fonte oficial da presidência do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, onde se integra o Juízo de Comércio de Lisboa”.
“No ano passado, foi feito um levantamento dos processos que deram entrada no tribunal antes de setembro de 2014 (altura em que arrancou a nova organização judicial), tendo-se concluído que existiam 694 nesta situação, que aguardavam pela sentença de graduação de créditos.
Mais surpreendente foi a conclusão de que o montante amealhado nestes casos e ainda não distribuído pelos credores era da ordem dos 1100 milhões de euros.
«Quando percebemos que havia tanto dinheiro para distribuir, algum em casos entrados há mais de 20 anos, percebemos que era urgente resolver esta situação», refere a fonte oficial da presidência da Comarca.
No rol de lesados podem estar trabalhadores que ficaram com salários ou indemnizações por receber, entidades públicas como as Finanças ou a Segurança Social, a quem a entidade falida tinha dívidas, empréstimos bancários que não foram liquidados, fornecedores de bens ou serviços que não chegaram a receber ou, no caso das instituições de crédito, clientes que perderam poupanças.
Tal levou o juiz presidente da Comarca a propor ao Conselho Superior da Magistratura (CSM) medidas especiais que permitissem reforçar o número de magistrados e atribuir prioridade a estes casos, o que o órgão de gestão da judicatura veio a determinar.
«No âmbito das medidas de gestão iniciadas no dia 15 de maio de 2021 no Juízo do Comércio de Lisboa, foram proferidas 400 sentenças de graduação de créditos, em processos entrados no juízo em data anterior a 31 de agosto de 2014», lê-se em documento do CSM que o Público cita. «Foram feitos pagamentos superiores a 306.760.929 euros». Estão, por isso, por terminar 294 processos que têm à sua guarda cerca de 800 milhões de euros e que o CSM prevê que serão decididos até setembro deste ano.”
Esta notícia do Público centra-se apenas no Juízo de Comércio de Lisboa, isto é, num único Juízo de Comércio dos cerca de duas dezenas que existem no país. Ao todo, em todo o país, estes juízos de Comércio têm enormes somas de dinheiro retido e também desde há muitos e muitos anos.
No passado dia 30ABR aqui dávamos notícia de um processo de falência concluído cerca de três décadas depois, sendo distribuídos os créditos pelos 46 trabalhadores, nalguns casos já os seus herdeiros.
É fundamental que exista consciência de que todos estes casos atravessam variadíssimos governos, todos com excelentes vontades e promessas de tudo fazer para que situações destas não ocorram. Chegam mesmo a esbanjar milhões de euros em serviços que contratam, em especialistas para realizar diagnósticos, em tecnologia, em abundante desjudicialização, mas nunca nos recursos humanos, designadamente, no maior grupo de trabalhadores dos tribunais e dos serviços do Ministério Público, os mais de sete mil homens e mulheres que constituem os Oficiais de Justiça deste país. Estes profissionais trabalham todos os dias e todos os dias se esforçam para evitar que situações como a que hoje relatamos possam suceder, mas, como podem muito, mas não são omnipotentes, aqui está o resultado das políticas dos sucessivos governos e até das sucessivas maiorias que sempre ignoraram, não só as reivindicações como, também, os alertas.

Fonte: “Público” (com reprodução de pequeno extrato do artigo).
Sinceramente não acredito que estes factos mudem as politicas e objetivos prosseguidos pelos últimos governos.
ResponderEliminarO proprio PRR aplicado à Justica é claro segundo as palavras da MJ:
" O Plano Recuperação e Resiliência (PRR) da Justiça, a realizar até 2025, com 267 milhões de euros de verbas, servirá para acelerar a Transição Digital e tem como objetivo “diminuir a carga administrativa, reduzir obstáculos setoriais ao licenciamento e aumentar a eficiência dos Tribunais”.
Penso que serão desbloqueadas algumas promoções para aumentar a motivação, mas em lado algum está prevista a admissão de pessoal.
Pois, claro! Também não existem candidatos ao ingresso e, assim sendo, ficam os que estão até serem aposentados, ou saírem para outras profissões melhor remuneradas ou até morrerem...
EliminarQuanto a promoções, que ninguém se iluda: ninguém entra, logo, ninguém sobe.
tudo bem gerido. mal de quem precisa dos tribunais
ResponderEliminarOs tribunais de comércio, com as figuras dos administradores judiciais (ou de insolvência) e os tribunais de execução com os solicitadores de execução, são um cancro de corrupção dentro dos tribunais que, e sob a capa destes, atuam de forma impune e legitimada desde há anos, prejudicando os tristes dos cidadãos e enchendo, e de que maneira, os seus bolsos. Seria necessário um corpo especializado do MºPº só para travar e investigar todas estas ocorrências tal a sua dimensão, o que como sabemos não sucede porque no MºPº não abundam recursos, antes pelo contrário. É inconcebível que todos olhem para o lado e deixem perpetuar todas estas situações que minam o Estado de Direito.
ResponderEliminarComo alguém dizia ontem- porque não mandar todas estes aspetos que estão muito mal na justiça e na carreira dos OJ e mandá-los para comentadores na televisão, nomeadamente o Marques Mendes quem goste-se ou não é muito ouvido pela opinião pública e pelo poder? Veja-se o que ele fez ontem pelos professores que ganham muito mais do que os OJ! Note-se que são licenciados. É ir mandando, não há outra hipótese! Só assim o governo fará alguma coisa!
ResponderEliminarNa informação sindical do SOJ de 15 de abril de 2022, é referido que "... na reunião,
Eliminarde 2 de maio, decidirá se a retirada do Aviso Prévio representou, ou não, o adiamento de uma batalha que não se deseja, mas que não evitaremos. A força da nossa razão, perante este “gesto” de boa-fé negocial, será ainda maior"
Continuamos a aguardar a decisão!...
Já eciste algum calendário para as negociações?!...
ResponderEliminarNão podemos esperar mais quatro anos!...
Já existe calendário para as negociações?!...
ResponderEliminarNão podemos esperar mais quatro anos!...
Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos há 4 dias:
ResponderEliminar"À semelhança do que aconteceu em anos anteriores, o STI enviou à Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da Republica contributos para o Orçamento de Estado de 2022 com propostas de alteração relativas a:
1. CUSTAS JUDICIAIS DOS PROCESSOS INTENTADOS PELOS SINDICATOS EM NOME DOS TRABALHADORES;
2. AJUDAS DE CUSTO E TRANSPORTE;
3. DIREITO A FÉRIAS;
4. DESCONTOS PARA A ADSE SOBRE OS SUBSIDIOS DE FÉRIAS E DE NATAL;
5. FALTAS POR DOENÇA – PERDA DE REMUNERAÇÃO – Regime de Proteção Social Convergente;
6. PROPOSTA DA DIREÇÃO REGIONAL DA MADEIRA – SUBSÍDIO DE INSULARIDADE;
7. PROPOSTA DA DIREÇÃO REGIONAL DOS AÇORES – SUBSÍDIO DE RESIDÊNCIA – SUBSÍDIO DE ISOLAMENTO.
Estão também solicitadas reuniões com os vários grupos parlamentares e deputados únicos da Assembleia para apresentar e defender as propostas"
?!......
Ou seja, não vai dar em nada!
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