Novas do “Roteiro para a Justiça”

      Esta semana, a ministra da Justiça rumou a Braga e ao Porto no seu périplo denominado: “Roteiro para a Justiça”.


      Nesta rota da Justiça, o itinerário evita graciosamente, mais uma vez, os tribunais.


      Desta vez o “Roteiro” parou nas instalações da Polícia Judiciária em Braga e nos serviços do Registo Civil, Registo Automóvel e Identificação Civil, no Porto.


      Os destinos traçados evitam as gotas que molham e permitem que a ministra saia sempre seca, sem apanhar seca dos tantos problemas que nos tribunais lhe apresentariam.


      Passar no intervalo dos pingos da chuva implica um trajeto que evite as trombas de água e é isso que o dito “Roteiro” vem fazendo.


      Tanto em Braga como no Porto existem muitos tribunais, judiciais e fiscais e administrativos, de primeira e segunda instância, de todas as jurisdições, e até se verifica que nesta área dos dois distritos se concentram dois Tribunais da Relação, o que não ocorre em mais lado nenhum do país, e tudo foi ignorado, propositadamente afastado do percurso.


      A nota informativa da página do Governo para a área da Justiça diz o seguinte:


      «Esta segunda-feira, 06JUN, a ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, e o secretário de Estado da Justiça, Pedro Ferrão Tavares, visitaram as instalações da Polícia Judiciária em Braga e os serviços do Registo Civil, Registo Automóvel e Identificação Civil, no Porto, no âmbito das deslocações do “Roteiro para a Justiça”, iniciado em maio passado, que contempla um conjunto de visitas da equipa governativa a vários equipamentos da Justiça, com o objetivo de contactar com os trabalhadores, fazer o levantamento das principais necessidades dos serviços, identificar oportunidades de melhoria e prioridades de ação.


      “Esta viagem pelo país tem o objetivo de observar as condições em que trabalham as pessoas, estar com elas e perceber aquilo de que precisam. Porque as pessoas são a nossa razão de ser”, referiu a ministra da Justiça na visita às instalações da Polícia Judiciária em Braga.


      “Queremos apurar as condições em que trabalham e fazer uma análise desses processos para podermos melhorar”, reforçou Catarina Sarmento e Castro.


      Na visita aos serviços de registo no Porto, a ministra destacou o tema da transformação digital, sublinhando a importância da transformação dos procedimentos “para que o digital seja realmente uma mais-valia e, através dele, possamos encontrar uma forma mais ágil de chegar aos cidadãos, colmatando as suas necessidades”.


      Para compreender as transformações que se exigem é necessário, como reforçou a ministra da Justiça, contar com a ajuda de quem trabalha no terreno. “Mexer nos procedimentos é absolutamente fulcral e isto só se faz com a ajuda das pessoas que, todos os dias, operam com estas matérias”.


      Recorde-se que o “Roteiro para a Justiça” tem como mote “a Justiça ao serviço das pessoas e das empresas” e visa impulsionar o trabalho colaborativo entre a área governativa da Justiça e os serviços que se encontram na primeira linha de resposta às necessidades dos cidadãos e das empresas.


      A informação recolhida no terreno, tal como as reuniões já iniciadas com os representantes dos agentes da justiça, vão contribuir para a construção uma visão participada e integrada do sistema que servirá de base a um novo ciclo de transformações, focado na melhoria do ambiente económico nacional e no fortalecimento da confiança dos cidadãos na Justiça.»


      Ora, daqui se depreende que, no que diz respeito aos tribunais e, designadamente, aos Oficiais de Justiça, as visitas e a “informação recolhida no terreno” parecem não ser necessárias, bastando-se as ditas “reuniões já iniciadas com os representantes dos agentes da justiça”.


      No caso dos Oficiais de Justiça houve uma reunião, sim, que consistiu, em síntese, numa mera apresentação de cumprimentos dos intervenientes.


      E nada mais houve nem está previsto que haja tão cedo, em face de tanto trilho que a equipa ministerial tem ainda por percorrer pelo país fora, para sentir o palpitar das pessoas, porque o “Roteiro”, tal como a ministra da Justiça referiu esta segunda-feira nas instalações da Polícia Judiciária em Braga:


      «Esta viagem pelo país tem o objetivo de observar as condições em que trabalham as pessoas, estar com elas e perceber aquilo de que precisam. Porque as pessoas são a nossa razão de ser».


MJ-CSC-RoteiroJustica=PJBraga.jpg


      Fonte: “Justiça.Gov”.

Comentários

  1. Anónimo8/6/22 08:29

    É política, seguidista. Não contem com ela para resolver os nossos problemas. Porque não quer e porque lhe disseram para não querer

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  2. Anónimo8/6/22 10:48

    Tenho a sensação que depois de levarmos com uma ministra que vivia numa realidade paralela, numa espécie de fenómeno cósmico que via tudo numa dimensão zen ao contrário, vamos levar com uma que está completamente a cagar..... para o assunto.

    Tem uns quantos milhões para estoirar do PRR, que vai enterrar em programas pensados e executados por tipos que percebem tanto de justiça e dos seus constrangimentos como Lavradores (com todo o respeito pelos Lavradores).

    Manda a transformação digital e a inteligência artificial para cima mesa na esperança de enganar meia dúzia de tolinhos e assobia para o lado relativamente aos verdadeiros problemas que existem.

    O povo, bem o povo que se lixe.

    Os que precisam da Justiça, tiveram azar, ao contrário da saúde, não podem recorrer aos privados.

    Os que lá trabalham, bem nem todos se podem queixar, há para aí uma classe que é sempre a subir e recebem o dobro ou mais em início de carreira que por exemplo um médico com 10 anos de serviço.

    Os outros, que somos nós, tivemos um azar do .......

    Dentro de dois ou três anos, em média, receberemos mais 100 ou 150 paus que o ordenado mínimo mas podemos dizer sempre a uma mesa da esplanada (de peito aberto) que trabalhamos num órgão de soberania, não temos horário de saída e não recebemos mais um cêntimo por cada hora a mais que fazemos.

    Além das outras coisas que nós sabemos mas que realmente mais ninguém quer saber.

    E isto ninguém paga, não é??

    Nestas alturas perguntamos sempre porque é que votaram neles mas efetivamente as alternativas também eram o que eram.

    FF

    (PS - sugeria ao autor do blog uma reflexão sobre os montantes e os programas que estão a ser pensados e implementados no ministério da Justiça.
    Está a ser e vai ser um festim........para alguns claro.)

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    1. Anónimo8/6/22 11:26


      Triste realidade de facto

      Já fomos! os mexilhões, claro!

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    2. Anónimo8/6/22 18:44

      Orgulho?! Fosga-se ... Até tenho vergonha de dizer que trabalho num tribunal. Quando alguém que não me conhece me pergunta o que faço, eu digo que sou empregado de escritório. A m*rd@ é a mesma e escuso de estar a passar a falsa ideia de presunçoso.
      Tribunal para mim é como o leite, tirem-mo da frente!!

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    3. Anónimo8/6/22 18:47

      É engraçado que os meus comentários são sistematicamente apagados.
      Isto mais parece a página de Instagram do bloco de esquerda ...

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    4. Não, não é engraçado. Às vezes são apagados alguns comentários por conterem linguagem imprópria, que consideramos desapropriada para esta página, ou por conterem aspetos injuriosos ou difamatórios, seja para outros comentadores, ainda que anónimos, seja para pessoas concretas identificadas.

      Nos termos previamente indicados para os comentários consta o seguinte alerta:
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      Os comentários apagados são-no pelo seu conteúdo e não pela sua autoria, caso verifique, como parece que verificou, que os seus comentários são apagados com alguma frequência, então deverá ponderar passar a usar uma linguagem mais digna que dignifique todos e, claro, que também o dignifique a si.

      Veja bem que há outros comentários que não são apagados e tal sucede porque a linguagem, ainda que possa ser medíocre, não é tão má quanto a que é apagada.

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    5. Anónimo9/6/22 10:14

      Põe vergonha nisso! responsabilidades pagas apreço de empregada doméstica! eu digo que estou desempregado

      Eliminar
  3. Anónimo8/6/22 13:39

    eheheh

    Com secções de tribunais em ruptura por falta de pessoal
    pessoal com baixa por burnout, etc, etc

    e afinal onde está a preocupação com quem trabalha nos tribunais?
    algum pessoal a mal ganhar para a renda de casa!

    foddddddddddddddddddd

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  4. Anónimo8/6/22 14:42

    Será que seria compensatório, à falta de melhor, o desenvolvimento da justiça privada e os OJ poderem acabar o seu dia de trabalho e continuar lá, como fazem, por exemplo, os enfermeiros?

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  5. Anónimo8/6/22 18:03


    OJ pelos vistos não é pessoa...


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  6. Anónimo8/6/22 19:37

    Este roteiro para a justiça sem passar pela casa da justiça é completamente surreal.
    Mais surreal ainda, é nenhum dos sindicatos se plantar no caminho deste roteiro, e apresentar um convite para um pequeno desvio a um tribunal mais proximo.
    Sem explicação! GFYS!

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    Respostas
    1. Anónimo8/6/22 20:15

      Pst, fale baixinho. Não pode falar de sindicatos. Não é politicamente correcto
      Tenha atenção, veja onde se mete.

      Eliminar
  7. Anónimo8/6/22 21:33

    SOJ - 31 de maio:

    "...Assim, cabe-nos a todos nós, sindicatos e representados, promover as medidas necessárias, não excluindo nenhuma, para denunciar estes factos, interna e externamente: o Governo tem procurado a paralisação dos tribunais, sendo (como consequência direta), porém não imediata, a entropia da Justiça uma realidade insofismável.

    O SOJ não deixará de assumir as suas responsabilidades!"...

    Estão á espera do quê?!...

    Já ninguém nos leva a sério!...

    O incumprimento reiterado das Leis da República, transformado numa normalidade, com os sindicatos a assistir na bancada!...

    ResponderEliminar
  8. Anónimo8/6/22 21:51

    SFJ 1 de junho:

    "...SOMOS UMA EQUIPA FORTE E COESA, TRABALHANDO SEMPRE NO INTERESSE DOS NOSSOS ASSOCIADOS E PROCURANDO FAZER SEMPRE MAIS E MELHOR!"

    Continuamos a aguardar pela tão prometida bomba inteligente!...

    ResponderEliminar
  9. Anónimo9/6/22 06:56

    E aí vêm mais 47,50€.

    ... e aí vem a..., não sei bem o quê para os OJ.

    “Ao longo de 2022, esperamos que vão acontecer [as medidas], com a data de produção de efeitos ainda a acordar nos termos que vamos negociar”, disse a secretária de Estado no final das reuniões desta quarta-feira. “Na próxima reunião [marcada para 29 de Junho] estaremos em condições de dizer quando é que produz efeitos”



    Continuem lá abrincar aos sindicatos e a ver passar à margem.

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  10. Estou certo que a destruição dos OJ vem do tempo em que Sócrates foi detido.

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