Processos adiados por falta de Oficiais de Justiça

      A falta de Oficiais de Justiça no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) (também conhecido como Ticão), já levou ao adiamento de várias decisões instrutórias, conforme noticiava esta semana a revista Visão.


      De entre os processos adiados estarão alguns classificados como mediáticos, atribuídos ao juiz Carlos Alexandre que, de acordo com a Visão, deixou por escrito nos processos as razões dos adiamentos, alegando a falta de Oficiais de Justiça.


      Ao que se apurou, a equipa de Oficiais de Justiça que trabalha com aquele juiz terá sido “desviada” para dar apoio a outros juízes do TCIC. Este “desvio” foi confirmado à Visão por uma fonte do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ): “O quadro de Funcionários é apertado. Recentemente, um saiu e há outro de baixa prolongada. Só isto obrigou a uma rotação de funcionários por vários juízes”, comentou a fonte sindical.


      Já para o Conselho Superior da Magistratura, que confirma os adiamentos, considerou tratar-se de uma “situação pontual”.


      Claro que a situação é pontual para aquela entidade alheia aos desígnios dos Oficiais de Justiça, e continuará a ser pontual no tempo: pontual agora, pontual amanhã, pontual depois de amanhã, pontual para a semana… até passar a ser normal.


      De uma equipa “apertada”, leia-se com um número de elementos curto que já trabalha em excesso para garantir o normal funcionamento, a saída de um elemento e a baixa de outro, torna-se uma catástrofe que obriga os demais a um esforço suplementar que, certamente, não durará para sempre.


      Após a fusão ocorrida entre o Juízo de Instrução Criminal de Lisboa e o Tribunal Central de Instrução Criminal, passou a haver nove juízes de instrução. Ainda de acordo com a mesma fonte sindical, foram criadas três unidades, lideradas por três Escrivães de Direito e cada unidade dá apoio a três juízes. “O problema é que naquele tribunal todos os processos são urgentes, sejam os da criminalidade económica mais complexa, sejam os de tráfico de droga com presos, o que os torna urgentes por lei, sejam os de violência doméstica que, tendo ou não pessoas presas, são urgentes”.


      Os agendamentos das decisões instrutórias para os meses de abril e maio foram adiadas para o final de junho. De acordo com um Funcionário do TCIC, isso sucedeu para não “sobrecarregar os Funcionários”. O CSM adiantou à Visão que foi “determinado o reforço do quadro da secretaria do TCIC”, para se evitar que situações destas voltem a ocorrer. Essa “determinação” é, no entanto, inconsequente, uma vez que não basta “determinar” para que caiam do céu os Oficiais de Justiça em falta porque essa falta verifica-se por todos os juízos e por todo o país.


      A revista Visão esclarece de seguida que a tal “determinação” do CSM consistiu numa comunicação à DGAJ para que lá coloque os Oficiais de Justiça que não há em lado nenhum e, como é sabido e verificável através dos números, cada vez há menos.


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      Fonte: “Visão”.

Comentários

  1. Anónimo3/6/22 08:17

    Leiam os escritos de Robert Reich (Ex Secretário de Estado do Trabalho nos EUA), para perceber toda a dinâmica do roubo constante e reiterado, ano após ano, do valor do trabalho, para grandes fortunas. E a falácia de que a riqueza tem de vir de cima, dos mais ricos e poderosos para baixo, os trabalhadores. Riqueza a sério numa sociedade saudável, começa de baixo para cima, com infraestruturas, com ensino de qualidade e com investimento na inovação. Quem acham que inventou a maioria dos componentes usados nos Iphones? Quem acham que inventou a internet?
    Serviços públicos, meus caros. Pois é...

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  2. Anónimo3/6/22 20:05

    É o chamado temos pena.
    Talvez assim percebam o que está em causa.
    E não deviam os colegas que aí trabalham prestarem-se a trabalho escravo depois das 17 horas.

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  3. Anónimo3/6/22 20:09

    É o chamado temos pena.
    Talvez assim percebam o que está em causa.
    Espero que os colegas que lá trabalhem não se prestem a trabalho escravo depois das 17 horas.

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