Entre o ceticismo e o otimismo, mantém-se o resultado a zero
Relativamente à reunião dos Sindicatos (SFJ e SOJ) com elementos do Ministério da Justiça, esta segunda-feira, a perspetiva dos Sindicatos, da mesma reunião, é diferente.
A informação da Lusa, no Jornal Económico, diz o seguinte:
"Os dois dirigentes sindicais saíram da reunião com expectativas distintas face à relação com o executivo, com o SOJ a manifestar ceticismo e reservas para com a tutela, enquanto o SFJ fez um balanço “necessariamente positivo” do encontro e sinalizou a crença de haver boa-fé do Governo para as futuras negociações.
«O que o Ministério da Justiça se propõe fazer é, de facto, uma pseudo-negociação "a mata-cavalos" para acabar com esta carreira», referiu Carlos Almeida, denunciando “um jogo de empurra” entre a ministra, Catarina Sarmento e Castro, e a Direção-Geral da Administração da Justiça (DGAJ) a propósito da eventual necessidade de autorização do ministério das Finanças para se avançar com as promoções dos Oficiais de Justiça.
«A ministra disse-nos, em reunião no dia 02 de maio, que, no seu entendimento, não era necessária esta autorização; decorridos alguns meses, a ministra não foi capaz de decidir esta matéria e empurrou para a DGAJ, que veio dizer que era, de facto, necessária uma autorização das Finanças. Este "jogo de empurra" – que já se percebeu que vai continuar a existir – leva-nos a concluir que este governo iniciou mal a relação com os Oficiais de Justiça”, afirmou o presidente do SOJ.
Por outro lado, António Marçal, sinalizou a “alteração na forma de relacionamento” com o executivo, deixando críticas à tutela da Justiça anteriormente liderada por Francisca van Dunem, por ter confrontado o SFJ com “um documento fechado” em detrimento do “auscultar das principais preocupações” dos sindicatos agora efetuado por Jorge Costa.
«Essas medidas não estão ligadas à revisão estatutária e podem e devem ser resolvidas, não só para dar resposta à legítima expectativa dos trabalhadores, mas também porque é uma necessidade imperiosa para evitar situações de rutura”, notou, acrescentando: “É a única carreira na justiça que ainda não foi requalificada. Essa revisão é importante para um melhor funcionamento da justiça e para a melhoria do serviço prestado aos cidadãos e às empresas”.
O presidente do SOJ reforçou ainda que a negociação do novo Estatuto dos Oficiais de Justiça deve ser “muito maturada” e que deve ser feita numa perspetiva de longo prazo: “Um estatuto tem de perdurar 15 a 20 anos e entendemos que não estamos a negociar só para os Oficiais de Justiça que estão neste momento, mas também para os que vão entrar”.
O líder do SFJ resumiu que após esta “auscultação prévia” vai ser iniciado o projeto de um novo estatuto e que deverá haver novidades sobre o documento em setembro, remetendo para essa altura uma posição. “Estamos no processo negocial para ser parte da solução e não parte do problema, a nossa forma de atuar não é de pressão”, concluiu." Não é de pressão, será engarrafada…
Em nota informativa o SOJ toma agora outra posição em relação ao Movimento único anual, considerando que a redução dos três Movimentos anuais para um, afinal, não serve os interesses dos Oficiais de Justiça.
Se bem se recordam os nossos leitores, esta alteração ao Estatuto não foi minimamente contestada na altura por nenhum dos dois sindicatos, tendo apenas esta página explicado que esse silêncio era perturbador, que a redução significava mais um corte na carreira e gorava as expectativas dos Oficiais de Justiça.
Fartámo-nos de explicar que, apesar da redução, tivemos anos com até 5 tipos de movimentações, no mesmo ano, entre movimentos ordinários e extraordinários e colocações por outras variantes de mobilidade.
Passados estes anos, vermos que uma entidade sindical (SOJ) já compreende o prejuízo de um único movimento por ano e que reivindica pelo menos dois, é algo positivo que, apesar de tardio, inicia uma nova fase reivindicativa.
É claro para todos que um movimento único anual seria suficiente se tal movimento movimentasse realmente um grande número de Oficiais de Justiça, mas, o que se tem visto é que tais movimentos têm sido muito reduzidos e que ampliam, na prática, para três anos (em vez dos dois) o prazo de permanência no lugar.
Diz o SOJ:
«O SOJ reconhece que os objetivos que foram apresentados aos Sindicatos, para reduzir os movimentos ordinários – 3 para 1 – não se mostram cumpridos, pelo contrário e, assim, há que alterar a norma e fazer constar, pelo menos, dois movimentos anuais.»
Ainda relativamente à reunião desta segunda-feira, a nota informativa do SOJ continua assim:
«Mudaram os rostos, mas a política parece a mesma e, tal como foi afirmado pelo SOJ, durante a reunião, o Governo começou mal e continua a ir por mau caminho quando informa os sindicatos de que pretende "revisitar" o anterior projeto de Estatuto.
É inaceitável, no entendimento deste Sindicato, que um projeto de estatuto liminarmente rejeitado, pelos trabalhadores, possa servir ainda de base de trabalho para proposta futura.
O Senhor SEAJ pretende uma negociação "face to face", mas o que importa é saber se está disponível, ou não, para avançar com uma revisão faseada do Estatuto, desde logo integrando o suplemento, um regime de aposentado diferenciado, que compense os Oficiais de Justiça pela disponibilidade permanente, e a alteração do número de movimentos ordinários.»
À Lusa, Carlos Almeida disse o seguinte:
«Entendemos que a integração do suplemento e o regime de aposentação são medidas prioritárias e não podemos avançar com uma negociação do estatuto sem que essas matérias sejam de imediato resolvidas», afirmação secundada pelo homólogo do SFJ, António Marçal: «Há um conjunto de matérias que têm de ser tomadas já, porque foram aprovadas pela Assembleia da República – a integração do suplemento de recuperação processual, a questão das promoções e o ingresso de Oficiais de Justiça».
Em síntese, retemos que o atual Ministério da Justiça pretende apresentar um projeto de Estatuto baseado naqueles dois projetos apresentados pelo anterior governo, projetos esses que foram liminarmente rejeitados pelos sindicatos e amplamente criticados em sede de audição prévia das diversas entidades. Quer isto dizer que o ceticismo será um peso necessário a levar, mais uma vez, para estas férias de verão.

Fontes: "SOJ-Facebook" e "Jornal Económico".
Os sindicatos, ao que parece, tornaram-se eles próprios utentes dos serviços públicos.
ResponderEliminarCom efeito, a lógica de funcionamento do MJ/DGAJ assemelha-se em muito, por exemplo, à concessão de uma licença numa qualquer autarquia deste país.
Faz-se o pedido de acordo com as normas legais vigentes e fica-se à espera que haja uma decisão. Entretanto vão protelando, protelando, muito para além do razoável, e eis que a lei muda e começa tudo de novo. Um novo pedido e mais um processo que se vai eternizando ...
Pelo meio alguém se vai governando com a situação, nomeadamente, os intermediários, que perpetuam também eles os seus honorários ...
Será que o descontentamento é a única razão de existência dos sindicatos?
Será que, tal como os intermediários, necessitam do dito descontentamento como base do seu recrutamento?
ResponderEliminar«Entendemos que a integração do suplemento e o regime de aposentação são medidas prioritárias e não podemos avançar com uma negociação do estatuto sem que essas matérias sejam de imediato resolvidas»
MUITO BEM!
ACRESCENDO NUMERO DE MOVIMENTOS, INGRESSOS E PROMOÇÕES!
VAMOS SOJ! GREVE INTERCALADA 3.ªAS E 5.ªAS POR TEMPO INDETERMINADAO!
E AMANHÃ PLENA´RIO ON LINE! NÃO HÁ DESCULPAS PARA QUEM
FICAR SENTADO
Mas se aquilo é online vais assistir em Pé ?
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EliminarPoe-te a caminho
Da informação veiculada pelo SOJ sobre a revisita do anterior projeto resultam, essencialmente duas coisas:
ResponderEliminarA vantagem de se trabalhar sobre o projeto do estatuto publicado no BTE trona desnecessário a solicitação de novos pareceres e, com isso, pode-se atalhar caminho ultrapassando-se várias etapas no processo.
E uma desvantagem, porque erigido sobre um documento base, impregnado de um certo entendimento sobre a estrutura de funcionamento e o papel secundarizado do oficial de justiça na mesma, transformar-se-á, necessariamente, numa enorme manta de retalhos, dessincronizada no que diz respeito à articulação dos três quadros de pessoal (juízes, magistrados do MP, e funcionários) e, à causa disso, potenciadora de enormes conflitos.
Citando uma passagem bíblica: remendo novo em pano velho só aumenta o buraco!
Não será altura de exigir, desde já e apesar da negociação do novo Estatuto, a alteração de algumas disposições do EFJ vigente e que são manifestamente injustas e inconstitucionais.
ResponderEliminarCom efeito, consta do n.º 1 do artigo 41.º do EJF a consideração de antiguidade na categoria (anos completos) – fator A da fórmula de calculo, sendo este fator - a antiguidade na categoria - de desempate em caso de igualdade.
Importa, pois, à luz das decisões proferidas pelos tribunais, nomeadamente pelo Tribunal Constitucional, e enquanto não é aprovado o novo Estatuto, ou caso venha a ser apresentada nova proposta, revisitar este assunto, pois só assim se poderá propor fórmula mais justa no novo Estatuto.
Ora, porque acho não ser razoável considerar de forma desmesurada o tempo de serviço por um qualquer funcionário, por exemplo, com 25 ou mais anos numa mesma categoria, entendo que se deve autonomizar a antiguidade (na categoria/carreira) como fator valorativo, subdividindo em parcelas de anos.
Esse novo fator poder-se-ia subdividir, por exemplo, em – até 5 anos de antiguidade: 2 pontos; de 5 a 10 anos de antiguidade: 4 pontos; de 10 a 15 anos de antiguidade, 6 pontos; de 15 a 20 anos: 8 pontos; acima de 20 anos: 10 pontos.
Também seria importante introduzir um outro fator relacionado com a experiência relevante.
Por exemplo um fator que valeria 15 pontos. Para este fator contaria como experiência relevante a passagem por cada categoria:
– na categoria de Esc. Aux./Tec. Just. Auxiliar
– na categoria de Esc. Adj./ Tec. Just. Adjunto
– na categoria de Esc. Dto./ Tec. Just. Pincipal
Seria este fator a considerar para o desempate, secundarizado pela antiguidade que funcionaria apenas e só após a operacionalidade daquele.
Desta forma se daria privilégio ao mérito, sem esquecer de se valorar convenientemente o tempo de serviço, pis que, em si mesmo, encerra também experiência nas funções.
Deixo para reflexão ...
Eliminare os anos de idade (etário) saiam de cena?
E introduzir também um fator por "lamber botas"! Cada bota lambida + 1 ponto! Certamente teríamos muitos a arrebentar a escala e podia-se dispensar a prova de conhecimentos!
EliminarOu então, se realmente se quer dar privilégio ao mérito, que tal ter-se apenas uma prova de acesso que equacione todos os aspetos do cargo a que se propõem, quer seja Secretário, Escrivão de Direito, Técnico Especializado de Justiça, Coordenador ou, o que lhes vierem a chamar, com cotações de 0.00 a 100 valores, para melhor definir a graduação e, em caso de empate, aí sim, atender à antiguidade da carreira?
Deixo para reflexão...
A sua sugestão ( a séria) até é interessante! O comentário dos lambe botas é que é desnecessário...
EliminarNão leu bem, se atentar ao escrito começou-se por referir tratar-se de uma introdução de alteração, logo é a acrescentar aos demais critérios da fórmula no sentido de uma correção dos resultados que dela se alcançam, cuidando assim do factor (etário - percebi a forma de escrita só ao alcance de uma pessoa que provavelmente pertence ao grupo). A alteração pretende apenas atenuar o efeito perverso criado pelo facto de não estar balizado (exemplificando: a 30 anos de serviço corresponde 30 pontos que subverte uma nota, ainda que mediana, de quem tem por exemplo 20 anos de serviço, pois confere-lhe 5 pontos de avanço parcelares, e por isso, pessoalmente, questiono se se justifica esta disparidade. Já agora comentar não é insultar e se não tem nada para partilhar reserve o insulto para sim mesmo!
EliminarÉ uma ideia.
EliminarPessoalmente acho que não se deve privilegiar o mérito sem mais, devendo entrar na ponderação a experiência profissional, nomeadamente a antiguidade e não apenas como fator de desigualdade, embora com um peso no cálculo que não subverta qualquer resultado em prova de acesso de forma a que tire-se a nota que se tirar é-se ultrapassado praticamente por todos os que possuem uma considerável antiguidade que, saliento, deve ser considerada mas não em demasia. Entendo que a fórmula atual lhe atribui demasiado valor nua lógica fora de moda de que "a antiguidade é um posto" - pois acredito já não estarmos nesse tempo mas respeito opinião diferente como é óbvio!
Então, viva o "chicoexpertismo"!!!
Eliminar... e antes que venham os censores é mesmo " expertismo", um neologismo para além de esperto.
EliminarO que fazer aos OJ licenciados, com mestrado e doutorados? É preciso considerar os que primeiro estudaram e depois foram trabalhar.
ResponderEliminarJornal Expresso -
ResponderEliminarValorização da carreira para doutorados avança já em 2022
A grande surpresa foi o alargamento da medida aos doutorados, que podem somar mais 400 euros à sua remuneração. Esta quarta-feira, após a reunião com o Governo, Helena Rodrigues, presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), admitiu que a disponibilidade do Executivo para fazer retroagir os aumentos a 2022, não abrangeria este grupo de trabalhadores, que só deveria ver aumentos no próximo ano.
Mas o Conselho de Ministros acabou por aprovar mesmo a valorização salarial destes profissionais já este ano e também com efeitos retroativos. "Procura-se tornar as carreiras gerais mais atrativas e a opção pelo emprego público como um caminho que os jovens podem e devem seguir no sentido da sua valorização profissional", realçou Mariana Vieira da Silva.
Exigem-se explicações imediatas ao SFJ e SOJ...
EliminarE aqueles já velhos com licenciaturas pre-Bolhona?!...
EliminarTambém vão ver as suas carreiras valorizadas com efeitos retroativos?!...
Os Rec.Humanos da DGAJ deviam proceder a atualização das habilitações literárias dos Oficiais de Justiça, e têm todos os meios para o fazer, e os resultados dos balanços sociais seriam substancialmente diferentes daqueles que apresentam.
ResponderEliminarAndam os Secretários a mando de sabe-se lá quem a identificar a "concorrência" licenciada .
EliminarAssim não vamos lá.
Do MJ exigi-se mais enquanto tutela
Sempre a delegar, a delegar e em assuntos tão sensíveis e de reserva da vida privada, como o curriculum. Qualquer um a um OJ se dirige e do mesmo recolhe dados pessoais sem as necessárias obediências legais!
Que dizer?
São os tribunais e a sua práxis.
ResponderEliminarÉ preciso esperar pelo último dia antes da férias para conhecermos o movimento.
Não têm consideração nenhuma por nós.
Somos lixo!!!
Autêntico LIXO!!!
Ora aí está! Mais uma questão a abordar
EliminarE sim, é uma desconsideração propositada que não deveria ser tolerada.