O esclarecimento que comprova o abuso e a ilegalidade
Depois da descrição que aqui fizemos nos últimos dois dias sobre os serviços mínimos não fixados pelo Colégio Arbitral, a que o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) se pretendeu substituir, fixando-os, conforme foi expressamente pedido (por escrito) pela DGAJ, assim se diferenciando do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) que não acedeu à mesma anómala pretensão da DGAJ, veio ontem o SFJ apresentar um “esclarecimento” no qual não se vislumbra qual o suporte legal da sua atuação na pretensa fixação de serviços mínimos em greve alheia.
No dito esclarecimento produzido, continua a comprovar-se que não existe qualquer suporte legal para aquela infeliz ação e que aquilo que o SFJ produziu foi um erro e um engano aos Oficiais de Justiça, uma vez que não foram realmente fixados serviços mínimos, foi, antes, apenas manifestada uma opinião do SFJ sobre aquilo que deveriam ser os serviços mínimos, mas apresentados de uma forma que conduziu ao engano, pela errada convicção que criou em todos os Oficiais de Justiça.
No início do dito esclarecimento, que a seguir vamos integralmente reproduzir, o SFJ afirma que responde a “escritos de pessoas que se escondem atrás de um teclado de computador e despejam verborreia”. Ora, desconhecemos a quem se dirige o SFJ, mas, se por acaso se dirige a esta página, constitui novo erro, porquanto a mesma tem publicamente indicados os seus responsáveis, bem como o seu estatuto editorial e direção, identificações que, aliás, até foram já sobejamente apresentadas e mesmo inquiridas as pessoas, no âmbito dos processos (sim, plural) disciplinares, instaurados pelo anterior diretor-geral da Administração da Justiça, todos arquivados, nascidos de uma queixa apresenta pessoalmente, até com entrega de cópias a cores de artigos aqui publicados, pelo atual presidente do SFJ.
Por outro lado, se as tais “pessoas atrás de teclados que despejam verborreia” constitui uma referência aos comentadores dos artigos aqui publicados, esses, sim, maioritariamente anónimos, tal anonimato, que até é por nós incentivado para os salvaguardar dos queixinhas, valem pelo que expressam, independentemente de se chamarem Manel ou Maria. Pretender desconsiderar essas manifestações, reflexões e críticas, apenas porque não está lá um nome qualquer, é um perfeito disparate. Conviria que o culto da personalidade a que alguns estão habituados fosse substituído pelo culto da racionalidade, a que não estão tão habituados.
Feita esta introdução, passamos a reproduzir o dito esclarecimento e o rol dos “brilhantes” feitos do passado que, no entanto, têm aprisionado o presente e escurecem o futuro.
Consta assim:
«Esclarecimento sobre os serviços mínimos nos núcleos de Amarante e Chaves relativamente à greve de 07 de julho.
O Sindicato dos Funcionários Judiciais não tem por hábito responder a “escritos” de pessoas que se escondem atrás de um qualquer teclado de computador e despejam toda a verborreia de que são capazes, sem pensar profundamente nas questões.
Mas, perante o levantamento de calúnias tão graves, capazes de gerar alguma dúvida sobre a idoneidade deste Sindicato, cabe esclarecer os Funcionários Judiciais para, se dúvidas houvesse, demonstrar que sempre atuou no interesse dos mesmos.
Vamos aos factos:
O SFJ promoveu o acordo com a DGAJ, no que aos serviços mínimos diz respeito para a greve do dia 07 de julho, na medida em que a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais – FNSTFPS, não tendo um conhecimento aprofundado de como funcionam os Tribunais não os fixou para estes Serviços, solicitando à DGAJ, em reunião para o efeito, que nos contactasse, para assim, com propriedade, pudéssemos acordar nos serviços mínimos para os Tribunais onde no dia imediatamente subsequente ao dia da greve (8 de julho) é feriado municipal (Amarante e Chaves). Tendo este Sindicato participação não formal na Frente Comum e, porque esta atitude é a que salvaguarda os Oficiais de Justiça e evita os desvarios da administração, decidiu este Sindicato aceder ao pedido da FNSTFPS e da DGAJ e de acordo com o que têm sido as decisões do Tribunal da Relação, se os Tribunais ficam fechados por mais de um dia, têm de se salvaguardar as 48 horas. Reparem que, em todas as vezes que defrontamos a administração em relação a serviços mínimos, foi sempre porque queriam extrapolar este princípio, ou seja, não estavam em causa as 48 horas.
Esta atitude do SFJ em nada colide com os direitos dos Oficiais de Justiça, não alcançamos qual seria a vantagem de ter criado uma situação que em nada beneficiaria os intervenientes e só criaria alarme social, na medida em que os cidadãos daqueles Municípios (Amarante e Chaves) ficariam vedados de um direito fundamental.
As lutas fazem sentido quando o seu objetivo é óbvio, o que aqui não é o caso.
As nossas lutas têm em vista a melhoria das condições de vida dos nossos associados e de todos os outros que, não sendo associados, também beneficiam delas!
Então, vejamos:
O SFJ sempre tem atacado a posição da DGAJ/Governo quanto aos serviços mínimos (muitas vezes máximos) impostos nas suas greves, nomeadamente através de ações judiciais!
O SFJ obteve merecimento em múltiplas ações judiciais, que desobrigam todos os oficiais de justiça e demais funcionários judiciais de assegurar quaisquer serviços mínimos em greves de 24h que não coincidam com segundas-feiras ou com dia junto a dia feriado!
Não obstante a vontade de alguns em fazer abortar a greve marcada pelo SFJ ao período fora do horário normal de trabalho, em vigor há mais de 20 anos, ganhou várias ações contra a tutela que permitem manter esta greve em vigor (que garante um mínimo de dignidade a muitos colegas, sem qualquer perda salarial)!
O SFJ não tem pejo em tudo fazer (de forma efetiva) e em recorrer a todas as formas de luta, nomeadamente as jurisdicionais, de forma a proteger e salvaguardar os interesses de todos os colegas!
O SFJ graças à sua ação, garantiu os seguintes direitos e obteve as seguintes vitórias (entre muitas outras, coletivas e individuais):
– Direito à aposentação no regime de 2012;
– Cálculo correto do valor da pensão de aposentação;
– Direito às 35 horas/semana;
– Integração Definitiva dos colegas em regime Provisório;
– Desnecessidade de assegurar serviços mínimos [acórdão do TRL de 27 fev. 2019 – proc. 2/19.0YRLSB];
– Desigualdade na contagem do tempo para os escalões vs. recuperação tempo congelado;
– Promoções a Adjunto (ainda que as poucas que existiram nos últimos anos);
– Direito ao pagamento pela categoria de desempenho aos colegas a exercer funções de chefia em regime de substituição;
– Promoções de Escrivães de Direito e de Técnicos de Justiça Principais;
– Promoções de Secretários de Justiça;
– Atualização do Suplemento Remuneratório aos efetivos 10%.
A esmagadora maioria dos colegas, por muito desalentados que estejam, e com toda a razão, sabe que o SFJ tem estado sempre ao seu lado, nomeadamente nos últimos anos, em contextos muito difíceis, como o do período da Troika.
Os Oficiais de Justiça e demais Funcionários Judiciais são inteligentes e não se deixam enganar por meros “vendedores de banha da cobra”, pois criticas, só acolhemos aquelas que contribuem para o debate e para nos fazerem evoluir enquanto classe.»

Fonte: “SFJ-Esclarecimento”.
Realmente, o que se extrai da resposta do SFJ é que reconhece, envergonhado, que faz parte da frente comum (nem isso é capaz de assumir com frontalidade) e que fez um acordo, por uma greve que não convocou, o que parece ser claramente ilegal. Depois é a normal narrativa ilusória de ganhos e só faltou no final a frase "juntos somos mais fortes".
ResponderEliminarP.S.- o SFJ deveria ter vergonha de falar da aposentação que na verdade não defende há muitos anos. Aliás, se a troika não tivesse antecipado a idade de reforma dos oficiais de justiça ela hoje estaria no patamar de regime geral, como está, por assim ter sido "acordado" com o governo em 2005. (DL 229/2005). Acontece que, alguns ainda se recordam, nessa altura o SFJ era o único sindicato e não informou os colegas dessa negociação que tanto prejudicou os oficiais de justiça. Dizer que foi em 2012 que se acabou com o regime diferenciado é disparate vendido a crianças de infantário... pois em 2012 o que foi feito foi uma antecipação do que já havia sido acordado em 2005, o diploma está aí, basta ler (DL 229/2005).
Na prática,
ResponderEliminarEm 1999:
1. O OJ reformava-se aos 55 anos (compensatório das milhares de horas extra trabalhadas e não remuneradas sob condições em muitos casos que nem ao diabo lembrariam).
2. Possibilidade de os OJ marcarem as suas férias para além do atual limitadíssimo período (ainda por cima ventilado para a opinião pública como "férias judiciais", quando na realidade é uma suspensão de prazos judiciais para que os restantes operadores judiciários gozem férias, aqui entende-se advogados e solicitadores), facto que provoca o caos nas secções.
3. O OJ usufruía dos Serviços sociais do Ministério da Justiça.
4. O OJ tinha um conteúdo funcional, entretanto transferido para os agentes de execução, portanto sector privado, de elevada dificuldade técnica.
...onde estavas tu sindicato?
.... certamente a ver os teus membros a gerir agendas políticas próprias. A candidatarem-se a uma qualquer junta de freguesia desta grande Lisboa que é o nosso Portugal.
Agora, em 2022, que a festa está feita, apanhem as canas e "cheguem-lhe fogo" para se aquecerem.
Tristes e demagogos ultrapassados.
Já não encontro adjectivação para qualificar a narrativa do SFJ. Para não entrar no insulto fácil, escuso-me de comentar tão baixas posições e construções demagogos
ResponderEliminarSão preguiçosos, incompetentes, demagogos, e ainda tentam culpar os outros por assim serem e pela sua falta de vontade em servir a verdadeira causa sindicalistas
Escondam-se pois não podem ter qualquer orgulho do que podem mostrar.
O vendedor de banha da cobra foi o SFJ ao assumir competências que não tem! Enganou, deliberadamente, os associados!
ResponderEliminarSe o FNSTFPS tinha dúvidas apenas poderia socorrer-se da DGAJ!
Cada vez mais é preciso chamar os bois pelos nomes!
DEMITAM-SE!
Também lhes podemos agredecer o facto dos vencimentos dos OJ's terem deixado de ser indexados aos vencimentos dos magistrados.
ResponderEliminarEra a desgraça...
O que é o/a "Justino/a" fazia com tanto euro.
Obrigado SFJ.
Sindicalismo atrelado não obrigado!...
ResponderEliminarSindicalismo de caviar.
ResponderEliminarOs favores pagam-se.
Permutas a pedido...
Transferências a pedido...
Destacamentos a pedido...
Promoção a Secretário a pedido...
Até...
Administradores a pedido...
Quer dizer, o SFJ demonstrou uma atitude de responsabilidade e é apelidado de tudo e mais alguma coisa. O "Oficial de Justiça" ajustou contas com o António Marçal, incluindo o SFJ. O SFJ responde, esclarecendo a sua atitude, e enumera uma série de factos. Alguns dizem que nada se fez e que é tudo uma cambada de incompetentes e vendidos. Ou seja, se o objetivo era a toxicidade da conversa, o "autor" consegui-o. Não me lembro de aludir a toxicidade quando o Carlos Almeida - SOJ - colocou em causa, por manifesta irresponsabilidade, a greve após as 17. E não me refiro ao último episódio do tema protagonizado por entendimento diverso entre a DGAJ e o SFJ. Esse foi para Tribunal e obteve-se acolhimento. Concluindo, se porventura a classe tivesse desejavelmente obtido a maior parte das suas reivindicações - e espero que as consiga - este espaço bloguista deixava de ter razão de existência, a não ser que publicasse poesia. Assim, sobrevive à custa de críticas também infundadas e desajustadas e a isso chama-se "real politik". Neste momento criar desunião é um grande tiro nos pés.
ResponderEliminarNão percebeu nada do que se passou. O SFJ não demonstrou nenhuma atitude de responsabilidade como diz.
EliminarNão havia serviços mínimos fixados e, acorrendo à aflição da DGAJ, o SFJ resolveu fixá-los.
Como todos sabem, não é assim que se fixam serviços mínimos, pelo que os indicados pelo SFJ valem zero.
Em suma, o SFJ cometeu um abuso e uma ilegalidade, mas fez o favor à DGAJ.
Quanto ao passado e às boas intenções, é outro assunto que não desculpa ou iliba a vergonha cometida, a favor da DGAJ e em desfavor claro dos Oficiais de Justiça. Sim, são tiros nos pés. O SFJ, assim, não une, mas desune. Com este género de favores à Administração, os Oficiais de Justiça podem ficar descansados e unidinhos.
Perceber, até que percebi. De forma diferente, tão somente. Mas tão válida quanto a sua. Já perguntou aos Oficiais de Justiça diretamente visados se se sentiram "violados" nos seus direitos? Ou se compreenderam perfeitamente a necessidade de assegurar os serviços urgentes? Por uma questão de responsabilidade e brio profissional? Fez-se um favor à DGAJ? Talvez. No momento da negociação, poder-se-á relembrar que os Oficiais de Justiça se sentem justificadamente revoltados mas que não abdicam das suas funções quando assim é necessário. Essa atitude, eleva-nos. E ganhamos um trunfo. É só uma perspetiva!.
EliminarSe fosse o Presidente de um qualquer Sindicato teria agido exactamente da mesma maneira.
"...Neste momento criar desunião é um grande tiro nos pés."
EliminarConcretize.
Que momento é este?
Tiro nos pés, porque .....?
Além de tristes demagogos, manipuladores, perante tamanha atoarda.
Meu caro, meta a elevação e o trunfo num sítio que eu cá sei!
EliminarQue discurso de situacionista colaborante!
Assumam-se incapazes!
Assumam que estão ao serviço da DGAJ e não dos OJ.
Coloquem o lugar a disposição!
Nesta altura do campeonato, favores a ter em conta?....... elevação?...... trunfos?......
EliminarE consideração???????
Já lá não vamos com atitudes fofinhas.
A "pertinência elevada" do seu comentário não suscita dúvidas sobre a proveniência, que será o sítio que lá sabe.
Eliminar"Que momento é este?"...pois...temos a guerra da ucrânia, a morte do josé eduardo, a demissão do boris, a inflação, os incêndios, a seca, alcochete, a maioria da função pública em protesto, a pré-época do futebol, o tour de frança, o calor e férias, etc...e, por acaso, vai acontecer uma reunião da Classe com a tutela no dia 11, onde expectavelmente o estatuto será tema de "conversa". Tem razão, nada de importante...e os tiros só podem acertar em quem tenha "pés", de preferência, bem assentes. boas férias!
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EliminarTRAIÇÃO. (ponto final)
Tristes demagogos.
EliminarDa classe meu caro, da classe!
Qual é o momento?
Pois conjunturas sempre existiram e, pelo seu demagogo esclarecimento, mais favoráveis desde 1999 e a falta de resultados sindicais está à vista.
Seja feliz!
EliminarConsigo longe, sempre!
EliminarAh, unidinhos, iguaizinhos e pobrezinhos como p SFJ gosta, não ê?
ResponderEliminarQue eu saiba a sigla SFJ significa sindicato dos funcionários de justiça e não do sindicato do ministério da justiça (ou da DGAJ) se realmente esse sindicato é tóxico (e é) a culpa só se deve a quem o representa - os funcionários de justiça. Basta ver que ninguém teve coragem de dizer o que disse aqui nos comentários na pagina de face deles, dando a cara ao descontentamento. Somos todos uma cambada de cobardes que por inerência temos o sindicato que merecemos.
ResponderEliminarÉ lamentável que este suposto defensor dos oficiais de justiça, vulgo sindicato, se aproprie do mérito de outro sindicato, o dos professores, esse sim um defensor dos seus associados, para dizer que foi graças a ele (sfj) que recuperamos os escalões. Que vergonha. Se estamos como estamos, mal e ignorados, a ele o devemos, infelizmente. Felizmente abri os olhos e deixei de dar para essa "igreja" que só se preocupa em colocar bem os "amigos".
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ResponderEliminarO que é que o SFJ conseguiu ao longo de 20 anos? a carreira progrediu? ou regrediu? quantas promoções houve em 20 anos?
qual a percentagem de aumento salarial conseguiu? deixou aprovar a lei para se passar a ter apenas um movimento anual? fez alguma pressão para isso não acontecer?
já agora, conseguiu o quê quanto à aposentação?
e o famoso 10% foi integrado em 20 e tais anos?
Façam o balanço! sim, presidência (Sr Fernando Jorge) e companhia!
A carreira melhorou ou regrediu nesse periodo??