O SFJ é hoje um sindicato tóxico

      O Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) tem, desde há muito, e já aqui o dissemos diversas vezes, um comportamento – que ocorre com demasiada frequência – que é prejudicial aos Oficiais de Justiça.


      A atitude de subserviência para com a Administração e Governo é algo que deve envergonhar todos os Oficiais de Justiça.


      Sempre disposto a fazer favores à Administração, desfavorece aqueles que representa; isto é, os trabalhadores que a cada mês pagam pontualmente a sua quota.


      Há quem aponte o dedo a este sindicato pelas perdas acumuladas nos últimos anos. Sempre a perder, sem nada ganhar, esse apontar do dedo possui, infelizmente, uma base verdadeira.


      Os associados têm sido enganados. Todos se recordam do anúncio da grande luta dura e longa que nunca aconteceu, da bomba inteligente ou mesmo das decisões tomadas em plenário que nunca se cumpriram, ao mesmo tempo que se recordam das ações de entretenimento como convívios e festas a par de tantas outras atividades ilusórias para os mais distraídos Oficiais de Justiça, estas, sim, de grande êxito e de concretização efetiva.


      Com um comportamento idêntico a um mero gabinete da Administração da Justiça, os dirigentes sindicais do SFJ vêm iludindo os Oficiais de Justiça, ano após ano, tendo nisso, e apenas nisso, uma muito boa eficácia.


      Consideramos que a gota de água ocorreu agora, com a divulgação da informação sindical do dia 06JUL, quando, a pedido expresso da Direção-Geral da Administração da Justiça, o SFJ fixou serviços mínimos para greve alheia ocorrida ontem.


      Nunca se viu nada assim.


      Como todos sabem, os sindicatos indicam serviços mínimos para as suas próprias greves e não para as greves dos outros.


      Como todos sabem, é em colégio arbitral que são fixados os serviços mínimos quando a Administração tem uma vontade que difere da indicada pelo sindicato convocante da greve.


      Ora, não tendo a DGAJ obtido êxito na fixação de serviços mínimos em sede de colégio arbitral, é perfeitamente disparatado que esse órgão do Governo peça a outros sindicatos, que não convocaram a greve, para indicar serviços mínimos e para os indicar à pressa, de véspera, para dessa forma convencerem os Oficiais de Justiça de algo que a própria entidade governativa não se atreve, obviamente, a fazer, porque bem sabe que é ilegal, mas não tendo qualquer pejo em tentar a sorte com outros, porque bem sabe onde tem um aliado.


      O Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), apercebendo-se do disparate do pedido que também lhe foi endereçado, rejeitou o alinhamento com a proposta da DGAJ, mas, pelo contrário, o SFJ, como tantas outras vezes, não soube dizer que não e decidiu ser ele próprio o fixador de serviços mínimos para a greve que não lhe pertence, deste modo acedendo ao pedido da entidade governativa.


      Assim, movido desse elevado espírito de despachar com prontidão e total subserviência o pedido endereçado por aqueles que não representa, lançou o SFJ uma informação sindical que publicamente divulgou, designadamente na sua página, obrigando – de forma completamente abusiva – os Oficiais de Justiça de dois núcleos a serviços mínimos ilegais, que a Administração da Justiça não conseguiu atempadamente impor e se viu obrigada a socorrer-se do aliado habitual.


      Este tipo de favores envergonha todo o sindicalismo em geral e deixa os Oficiais de Justiça, em particular, para além de envergonhados, tristes e preocupados, pois com exemplos assim, sérias dúvidas têm se os seus interesses são, ou serão algum dia, verdadeiramente defendidos, porque até aqui tudo indicia o contrário.


      Obviamente que aplaudimos a perentória resposta negativa do SOJ, numa postura digna que não só dignifica a entidade como os seus representados, repudiando claramente a baixeza do SFJ em aderir ao inominável pedido, tendo a ousadia de disfarçar o abuso ilegal num comunicado que parece legal e que convenceu tanta gente.


      Assim não. Há que dizer basta. Os Oficiais de Justiça não podem continuar a ser objeto de maus tratos pelos sucessivos governos, acarinhados por maus dirigentes sindicais que mancham o bom nome do sindicalismo e dos trabalhadores seus representados.


      É, portanto, tóxica esta ação, tal como tóxicas são as omissões, e os intoxicados são os mesmos de sempre: a maioria dos Oficiais de Justiça; obviamente não todos.


VomitoSanita.jpg


      Fonte: “SFJ-Info”. Pode também aceder a mais informação (perguntas e respostas) sobre greves e serviços mínimos na página da “DGERT

Comentários

  1. Anónimo8/7/22 08:32

    Hoje? Desde que estou nos Tribunais que o são...

    Parabéns pela coragem de dizerem o que é verdade e todo o of. de justiça há muito o sabe, a verdade é que os of. de justiça que são sindicalizados não o são por convicção mas sim por salvaguarda de defesa em caso de processo disciplinar, excetuam-se os que mamam alguma coisa (claro)...

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    1. Anónimo8/7/22 14:45


      Perguntem ao Sr Fernando Jorge o que conseguiu pela classe

      ao longo de 20 ou mais anos de presidência!

      Façam o balanço e vejam o que perderam nesse tempo todo!

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  2. Anónimo8/7/22 08:46

    E novidades?

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  3. Anónimo8/7/22 09:01

    Já há muito que se acham parte da tutela. Aspirações...

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  4. Anónimo8/7/22 09:44

    À falta de melhor conteúdo televisivo, está aqui uma excelente novela.

    ...cenas dos próximos capítulos ...

    Seria interessante ver o "making off" da mesma.

    Muitos se espantariam, ou não!

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  5. Anónimo8/7/22 10:10

    Tóxico é capaz de ser termo bem simpático.
    Se olharmos para a realidade que vivemos desde há vinte anos para cá, o protagonismo tido e a postura vista, andamos mais no limiar da TRAIÇÃO.
    Continuem a deixar lá os quase cem euros por ano e a fazer campanhas.

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  6. Anónimo8/7/22 10:12

    Tocastes com o dedo na ferida.

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  7. Anónimo8/7/22 10:59

    Se calhar já ninguém se lembra mas ainda estou à espera das gravações de uma reunião com a Sra Ministra que ocorreu a propósito da integração do suplemento no vencimento!!!

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  8. Anónimo8/7/22 12:24



    É DEMASIADO GRAVE

    EXPLIQUEM-SE OU DEMITAM-SE


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  9. Anónimo8/7/22 12:25

    Sou Oficial de Justiça há mais de 25 anos.
    Sou sindicalizado há mais de 20 anos no SFJ.
    Participei em alguns congressos, fui delegado sindical e fui dirigente por pouco tempo.
    Enquanto lá estive dei o meu melhor.
    Vi colegas (muitos) a interessarem-se a sério, vi outros que andavam para ali e vi outros encostados.
    Numa reunião do SFJ onde estejam mais de 20 colegas dá bem para ver como é a classe dos OJ's.
    Divididos, individualistas, invejosos....
    Não somos todos assim, mas às vezes basta uma maça podre para estragar a macieira.
    Olhamos sempre para o nosso umbigo.
    Não é certamente fácil ser dirigente sindical.
    São as queixas, as queixinhas, os falatórios, o diz que disse.....
    É preciso ter personalidade para separar o trigo do joio.
    É preciso perceber o que é importante e o que não interessa.
    Nesse caminho vão aparecer obstáculos e barreiras que é preciso ultrapassar.
    Acima de tudo há que ser honesto com quem representamos e sempre, sempre, não esconder nada aos colegas.

    Neste momento será que o SFJ representa todos os seus associados??
    Como dirigente sindical, presenciei reuniões onde o tópico principal eram os problemas dos secretários, as angustias dos secretários, os dramas dos secretários.
    Depois, como começaram a acabar o secretários (por culpa deles, diga-se), começaram os problemas dos escrivães, as angústias dos escrivães, os dramas dos escrivães.
    Os cursos que não valiam, as promoções a secretário que não aconteciam, etc.
    Foi raro ouvir falar dos desgraçados dos auxiliares.

    Nos últimos tempos, o assunto é outro e andamos todos, dentro e fora dos sindicatos a fazer de conta que não existe.
    Estou a falar dos licenciados.
    Não vou explanar muito o assunto, até porque é polémico.
    Mas fico com a sensação que dentro da direção e restantes cúpulas do SFJ, onde há muitos licenciados, se está a jogar/trabalhar em mais que um tabuleiro.
    Ou seja, aparentemente está-se a defender toda a classe mas também há que olhar para a situação individual e perceber que pode ter vantagens.

    Basta olhar para aquele miserável projecto de estatuto.
    Muitos colegas ficaram caladinhos e à espera de tirar dali partido/vantagem.

    Depois, há ainda e quanto a mim, o pior que pode acontecer, que são as simpatias partidárias.
    Parece-me a mim que esta promiscuidade entre alguns dirigentes sindicais com a cor deste governo começa a ser insustentável.
    Nestas posições e nestes cargos, não se pode ter um bom relacionamento com Deus e com o Diabo.
    E neste momento, é descaradamente visível a proximidade entre uns e outros.
    Já não conseguem esconder a subserviência e o que vai acontecer é a implosão do SFJ.

    O SOJ está a capitalizar.
    Já nasceu um novo sindicato, de colegas do Ministério Público, que dadas as circunstâncias até tem muita lógica a sua existência.

    Porventura, estaremos a assistir ao definhamento do SFJ...

    Um abraço.

    FF














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    1. Anónimo8/7/22 22:53

      "Neste momento será que o SFJ representa todos os seus associados?". É evidente que não e sendo o colega ex dirigente sabe perfeitamente que não. Senão vejamos, o SFJ tem associados e até dirigentes que não são oficiais de justiça, embora funcionários judiciais, como por exemplo telefonistas, eletricistas e outras profissões. Durante anos o SFJ insistiu que todos eram iguais e nisso se afastava do SOJ que entendia os Oficiais de Justiça uma carreira diferenciada. Atualmente os outros funcionários de justiça continuam a pagar cotas ao SFJ. Será que o SFJ mantém o pensamento anterior ou abandonou estás carreiras? Todos sabem que as abandonou, assim como abandonará parte dos colegas mal veja que vão ser criadas carreiras mais fortes. No fundo ao SFJ interessa manter os lugares para alguns, dinheiro da formação (são muitos milhões e talvez fosse tempo de investigar essa formação...), cotas e tentar garantir algumas fracas carreiras políticas.

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  10. Anónimo8/7/22 12:44

    Disse tudo colega!! Tenho precisamente essa percepção do que é e para que serve o sindicato!!

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  11. Anónimo8/7/22 13:14

    Há já muitos anos, mudei para o SOJ .
    O que me surpreende é o facto de tanta gente se queixar e continuar no SFJ.

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  12. Anónimo8/7/22 13:44

    Uma ou duas achegas para o estatuto: definição pormenorizada do tempo que se pode ficar "estagnado" numa categoria, nomeadamente na de auxiliar e adjunto. Os sindicatos têm de ler o que se faz noutras profissões para se transitar de categoria. Se for preciso, acabar com alguns escalões, assim será, o que não se pode é começar numa categoria e acabar na mesma! É preciso mudar isso!
    Outro aspeto: ser possível pedir um documento de não incompatibilidade para trabalhar noutro lado cumulativamante. Estes ordenados são muito baixos e ainda mais se se está deslocado! Outras profissões conseguem-no. Os sindicatos têm de insistir e insistir! Nas categorias inferiores os salários estão muito baixos, é negociar para isso mudar! Não há sindicatos mais silenciosos, todos reclamam e sempre vão conseguindo! Trabalhem! Mostrem que existem!

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    Respostas
    1. Anónimo8/7/22 14:43


      Sem dúvida! como alguém já aqui disse, com ordenados que temos, em geral, se não tiverem ajudas extras, familiares ou outras, OJ será um MENDIGO

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  13. Donzilia Santos8/7/22 21:16

    A memória é curta!
    Tóxicos sāo os que sempre criticam e nada fazem minando a união dos Of. Justiça.
    Quando deviam estar unidos, andam em quezílias uns com os outros.Muito hão-de ganhar com isso!
    Quem tem governado o M.J. sente que não há união e vai aproveitando isso, é o que acho.
    Do trabalho do SFJ ao longo de tantos anos decorridos, apoiado pela maioria dos OJ, resultaram importantes conquistas que outros hoje esquecem, estando a beneficiar.
    O SFJ tem milhares de sócios, merece respeito e tem uma história que está escrita com factos reais, com trabalho feito, nāo é ficçãol
    Lutas difíceis sempre, mas sem desistir nunca! Força ao SFJ!
    E como a vida nāo pode ser só trabalho, amanhā lá estaremos juntos no grande Convívio Nacional.
    É sempre um grande dia de sã camaradagem, um reencontro de colegas de outros Tribunais de norte a sul do País, alguns com os seus familiares (pais e filhos) e que só por despeito, vontade de maldizer, não querer ou nāo poder estar, alguém pode dizer que tal Convívio Nacional nāo deveria ter lugar.

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    1. Anónimo8/7/22 22:16

      A coletividade recreativa dos funcionários judiciais é realmente muito boa a organizar confraternizações.

      Eliminar
    2. Anónimo8/7/22 23:59

      Donzília, muito bons convívios, muito bom passado, tudo muito bem. E futuro? Tendo em conta o passado recente... e o presente... que podemos esperar do futuro? Mais arranjinhos?

      Eliminar

    3. O que é que o SFJ conseguiu ao longo de 20 anos? a carreira progrediu? ou regrediu? quantas promoções houve em 20 anos?
      qual a percentagem de aumento salarial conseguiu? deixou aprovar a lei para se passar a ter apenas um movimento anual? fez alguma pressão para isso não acontecer?

      já agora, conseguiu o quê quanto à aposentação?

      e o famoso 10% foi integrado em 20 e tais anos?

      Façam o balanço! sim, presidência (Sr Fernando Jorge) e companhia!


      A carreira melhorou ou regrediu nesse periodo??

      Eliminar
  14. Anónimo8/7/22 22:47

    Já por aqui ando há mais de 35 anos. E desde que me recordo que ouço colegas a criticar outros colegas, gratuitamente. São todos melhores que todos, mais conhecedores, críticos em tudo, mais destrutivos que construtivos, enfim.
    É a classe que temos e por isso, os diversos governos que por nós passaram, apercebendo-se disso, têm feito o que todos bem sabemos porque não há união, nem nunca haverá porque uns são sempre melhores que outros e vice-versa.
    Os Sindicatos, e sou sindicalizado desde o inicio da minha carreira, reconheço que pecam por falta de competência e capacidade de mobilização e de intervenção. Certamente porque a classe também não os ajudam, todos nós. E tudo porque eu sou melhor que o colega do lado, mais competente, mais inteligente, qualquer coisa, mas sou certamente melhor.
    É o que temos.
    Um grande bem haja a quem ainda preserva a sua classe.

    Abraço a todos.

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  15. O SFJ pode ter tido algumas conquistas no passado. Actualmente? Actualmente bem pide arrumar as botas e integrar a política crua e dura. Pode ser que assim percebam de uma vez por todas que o lugar é mesmo nos tribunais como OJ que são.

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    Respostas
    1. O que é que o SFJ conseguiu ao longo de 20 anos? a carreira progrediu? ou regrediu? quantas promoções houve em 20 anos?
      qual a percentagem de aumento salarial conseguiu? deixou aprovar a lei para se passar a ter apenas um movimento anual? fez alguma pressão para isso não acontecer?

      já agora, conseguiu o quê quanto à aposentação?

      e o famoso 10% foi integrado em 20 e tais anos?

      Façam o balanço! sim, presidência (Sr Fernando Jorge) e companhia!


      A carreira melhorou ou regrediu nesse periodo??

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