A Exaustão pela Má Gestão

      A greve na próxima semana, na quinta e sexta-feira (01 e 02 de setembro) apanha de férias alguns Oficiais de Justiça e apanha ainda aqueles, como ontem aqui referimos, que estão em prazo para se apresentarem na nova colocação, portanto, a fazer mudanças.


      Quer isto dizer que, ao contrário de outras greves, em que todos os Oficiais de Justiça se encontravam ao serviço, nesta já há alguns que estão ausentes, o que é meio caminho andado para a ausência total.


      Quem está de férias continua de férias, a não ser que queira comunicar que pretende suspender ou terminar as férias para poder aderir à greve, porque quer ser considerado em greve e não de férias. Sejamos práticos: essa atitude, muito nobre e digna, mantém a ausência e retira vencimento, pelo que se torna desnecessária e prejudica financeiramente o próprio, pelo que será de evitar a não ser que seja chamado e as férias interrompidas, o que não é nada provável que venha a suceder.


      Em suma, o momento é adequado para uma greve exitosa, com a participação de todos os Oficiais de Justiça, incluindo alguns que raramente aderem às greves, como alguns Secretários de Justiça e mesmo alguns elementos das unidades de apoio aos órgãos de gestão das comarcas. Ora, estes, desta vez, têm o dever acrescido de aderir à greve, uma vez que precisamente para estes dois dias estão marcadas algumas cerimónias de posse de magistrados do Ministério Público e judiciais, sendo o expediente e o ato preparado por estes elementos.


      Todos devem contribuir, ainda que por mera solidariedade e respeito pelos colegas, nesta greve de dois dias, incluindo os Administradores Judiciários, pois são Oficiais de Justiça e bem sabem dos problemas dos Oficiais de Justiça, lidando com tais problemas todos os dias. Portanto, espera-se que, desta vez, todos os Oficias de Justiça, mesmo aqueles daquelas categorias que raramente, ou mesmo nunca, aderem às greves, o façam.


      As imagens que seguem pertencem ao Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), publicadas nas suas páginas, e destinam-se a ilustrar, não só o estado a que isto chegou, mas, claro, a apelar à adesão. Todos os aspetos mais prementes estão elencados e há um especial destaque para a má gestão dos recursos humanos, isto é, a má gestão, em todos os diferentes aspetos vivenciais, da carreira dos Oficiais de Justiça.


Greve=01+02SET2022-(1).jpg


Greve=01+02SET2022-(2).jpg


      Nos dias 01 e 02.SET todos os Oficiais de Justiça (todos mesmo) podem aderir à greve, para uma grande manifestação de desagrado que a atual equipa ministerial ainda não viu. Esta atual equipa ministerial precisa de se aperceber muito bem que a velha equipa de Oficiais de Justiça está unida e firme nos seus propósitos e que pretendem ver cumpridas todas as suas reivindicações, porque são justas, todas elas.


Greve-Carregando=Faltam5dias.jpg

Comentários

  1. E o nosso dever, é a nossa salvação. Todos para a greve.
    Do sucesso desta greve depende a nossa carreira, o nosso emprego, as nossas vidas, as nossas pessoas, a nossa família.
    Desta vez não á lugar para a intriga
    Todos para a greve

    ResponderEliminar
  2. TODOS para a GREVE!!! Vamos fechar os tribunais! Vamos lá Oj´s!

    ResponderEliminar
  3. E, pergunta este ingénuo, das anteriores greves o que resultou até agora? Estatuto adiado por mais de duas décadas...acham mesmo que vão conseguir com greves e mais greves, não vêm que o movimento sindical está estafado da forma como nós o vemos e que os sindicalistas não têm arrojo nem imaginação para mudar?

    ResponderEliminar
  4. a forma como foi marcada (os dois sindicatos em conjunto) parece que é a resposta às duvidas colocadas sobre o que mudou até agora.

    ResponderEliminar


  5. NEM MAIS! FECHAR OS TRIBUNAIS DESTA VEZ TODOS!!

    ResponderEliminar
  6. O que eu vejo é muita gente a criticar quando nada se faz (e bem, eu próprio tenho criticado várias vezes os sindicatos), mas quando se faz algo que pode ter impacto os mesmos criticos logo aparecem com desculpas para não aderir à luta que devia ser de toda a classe, isso é que eu vejo... Vivam os velhos do restelo que muito falam e pouco fazem pela classe quando precisamos de união e força para lutar...
    Pois posso-lhe dizer que por muito que discorde de algumas posturas dos sindicatos julgo que este será o momento chave para a nossa carreira, ou nos impomos agora ou iremos ser cada vez mais espezinhados e menorizados até que a própria carreira seja dissolvida, por isso farei greve, com todo o gosto e vontade, não obstante de achar que também se devem adoptar outras formas de luta, porventura até mais radicais e lesivas para a tutela, mas espero que este seja um marcar de posição para o que aí vem, preferencialmente durante o mês de setembro e outubro. Estes dois meses serão cruciais no futuro da nossa carreira.

    ResponderEliminar
  7. À ATENÇÃO DE AMBOS SINDICATOS:

    Façam la o favor desta vez de mediatizar ao máximo esta luta !!!

    Convoquem políticos que já mostraram simpatia pela causa, bem como figuras públicas que já demonstraram desconforto com a forma como somos tratados.

    Contactem jornalistas de todos quadrantes, sendo certo que todos sabemos da ideologia que subjaz a muitas edições.

    Apareçam em jornais e rádios durante todo o dia!! Não facilitem!!
    O esforço que faremos ao aderir à greve tem de ter projeção pública na mesma proporção. É o mínimo que merecemos!!

    Contratem profissionais de comunicação, gente com experiência em campanhas e outreach.

    Mudem !!
    Mas mudem mesmo!!
    A formula do Mário Branco e do Zequinha já foi e está completamente gasta, (pese embora gostar muito de ambos).
    Não chega às pessoas, simplesmente.

    Há que radicalizar, aumentar a luta e melhorar substancialmente as formas de comunicação. Inovem !!
    Está visto que não basta ter a razão do nosso lado. Há que fazer mais e mais!!

    Publicamente, denunciem cargos e revelem responsáveis. Denunciem o corporativismo das becas que domina o ministério e tanto nos tem prejudicado. Sem medo. Têm toda a classe do vosso lado e na expetativa de que desta vez vai ser algo em grande.

    Refiram reiteradamente que representam não só a classe, mas todos os trabalhadores, públicos e privados deste país, que se vêm a empobrecer diariamente, enquanto corporações e indivíduos enriquecem como nunca. Coloquem a opinião pública do nosso lado, ao invés do que se tem passado nos últimos anos. Invistam.

    É esta a mensagem que está a passar e a ter cada vez mais força no Reino Unido.

    Usem de estratégia comunicacional assertiva e eficaz. Não digam cada um o que vos apetece, a sério.

    Não percam esta oportunidade, pois poucas mais haverá, com o caminho que isto leva.

    O sindicalismo tem de levar uma volta de 180º no mundo inteiro, é verdade. Comecemos por cá.

    Ass: Rob in Madeira

    ResponderEliminar
  8. Concordo em tudo.
    Mais:
    Usem o pouco tempo que vos vai ser dado na comunicação social, de forma assertiva, não divaguem, foquem na essência da mensagem. Contratem previamente os serviços de uma agencia especializada para ensinar como se faz. De não saber não não há que ter vergonha, de não querer aprender, já não é o mesmo.
    Deixem no ar, que esta, apesar da dimensão, é a primeira e a mais pequena de outras acções de luta que virão num imediato.
    Que se nada for feito, este ano, o sistema judicial irá parar, POR CAUSA DA FALTA DE RESPEITO COMQUE SÃO TRATADOS OS OFICIAIS DEJUSTIÇA.

    ResponderEliminar
  9. Por tudo o que tenho visto, estou muito cético quanto ao comportamento dos sindicatos nos dias de greve! Por isso,não posso estar mais de acordo com o segundo e os dois últimos participantes. Saber comunicar é importantíssimo, mas estou em crer que estes sindicalistas não sabem nem querem saber e que, mais uma vez, vão os OJ "trabalhar" para todos ficarem com a impressão de que os sindicatos tomaram uma grande iniciativa!

    ResponderEliminar
  10. Subscrevo as seguintes palavras,

    "Faço greve porque:

    1. Deixei de ter como compensação das inúmeras horas extra prestadas, "obrigatórias", a reboque de interpretações dificientes do "dever de permanência", a possibilidade de me reformar aos 55 anos;

    2. Passei a estar obrigado a gozar férias de 15 de Julho a
    31 de Agosto, na semana do Natal e na semana da Páscoa;

    3. Me foram retirados os Serviços Sociais do Ministério da Justiça;

    4. Paguei com o congelamento dos meus subsídios de Natal e de férias a má gestão da coisa pública pelo poder executivo;

    5 . Me foi cortada a espectável progressão, "vertical", na carreira e congelada a progressão "horizontal", ainda não reposta;

    6. Me foi retirado conteúdo funcional de elevada complexidade, atribuído a privados, encarecendo a justiça;

    7. Deixei de poder incluir o cônjuge, não desempregado, na ADSE;

    8. Não vejo a minha competência e curriculum reconhecidos, perante o mérito do "chicoespertismo" laboral e conjuntura nacional de tantos "milhões";

    9. Trabalho para viver e não vivo para trabalhar;

    10. Tempo é dinheiro;

    11. Abomino a mediocridade e subserviência de carácter, subjacentes às desculpas dos "fura-greves"."

    ResponderEliminar
  11. Dar apenas uma palavra de incentivo e de ânimo forte.
    Dizem que "só no WC é que os fracos fazem força e os fortes todos se c...am".
    E nós, OJ, nos últimos tempos, apenas temos andado pelas latrinas! Somos o tal "pessoal menor" como outrora eram os serviçais.
    É altura de deixarmos de ser o "Zé Povinho" do costume, de enfrentarmos as adversidades sem medo e, com liberdade, dizermos o que pensamos e o que sentimos.
    É preciso deixar cair a ilusão de que é melhor o atual status atual quo do que mudar, porque mudar comporta um risco maior.
    É costume dizer-se que quem muda "Deus" ajuda.
    "Prefiro as lágrimas de não ter vencido do que a vergonha de não ter lutado".

    ResponderEliminar

  12. Onde subscrevo?

    ResponderEliminar

  13. Há uma boa percentagem que não luta nem tem vergonha de nada...

    Espero que se arrependam e muito!

    ResponderEliminar
  14. Temos uma governação à Luís XIV.

    Com efeito, naquela época os interesses do Rei faziam-se coincidir com os interesses do Reino e tudo era sacrificado em seu nome pois que lesar os interesses do reino era um crime de lesa-majestade.

    Ora, os despachos da DGAJ atinentes ao movimento de OJ revela uma atitude à Luís XIV, pois que, supostamente achados de iluminados e dizendo-se imbuídos por um espírito de salvaguarda dos interesses dos serviços e, pior, dos poucos funcionários movimentados, teimam na sua concretização.

    FALTA HUMANISMO NAS DECISÕES (mas dizem-se socialistas e democratas).

    E, tal como no passado, em que muitos dos súbditos do Rei quedaram-se por temer a guilhotina que lhes roubava a vida, também agora paira sobre nós uma espécie de guilhotina que todos os dias sacrifica e mata um pouco da nossa liberdade.

    E tanto assim é que, ao que parece, muitos de nós teme fazer greve e "inventa" as mais variadas razões para isso.

    Não há espírito mais livre que aquele que tem a liberdade de pensamento, de critica e de decisão sem fazer concessões ideológicas ou deixar-se condicionar por qualquer interesse que seja.

    Não há melhor forma de estar, de ser e até de deixar este mundo, do que aquela que revela o nosso caracter, de que estamos e estaremos do lado da razão.

    Devemos ter a coragem de assumir os nossos atos e não nos deixarmos condicionar por razões de comodismo (hoje estamos bem mas amanhã poderemos não estar tão bem e então apercebemo-nos que deveríamos ter estado com quem tem razão e quem tem razão são os OJ).

    Vamos à luta.

    ResponderEliminar
  15. EU FAÇO GREVE.

    ResponderEliminar
  16. Eu também. Espero que sejamos muiiiiiiiiitoooooos.

    ResponderEliminar
  17. Siga os ensinamentos de Platão.

    "Tente mover o mundo - o primeiro passo será mover a si mesmo"
    Platão

    Já passaram tantos séculos!..

    ResponderEliminar
  18. Boa Noite,
    sendo que nesse tempo os "guilhotinados" até pediam, como ultimo desejo, que a lamina estivesse muito afiada, para uma morte rápida, ao invés da DGAJ, que faz questão de usar uma "lamina, quanto mais romba melhor", para causar um sofrimento, diário, muito maior e mais acutilante. Nem se dignam a "afiar a lamina" tal o sofrimento que querem causar.
    Cumprimentos.

    ResponderEliminar
  19. São socialistas e democratas enquanto se fizer o que eles pretendem.
    Depois, mandam a democracia às malvas.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Ministério da Justiça já tem novos mapas de pessoal da 1ª instância

A carreira dos Oficiais de Justiça é a terceira mais envelhecida da Administração Pública

Mais um acordo assinado e foi “uma grande vitória” e foi “o que se conseguiu”, diz o SFJ