Informações e interpretações ainda sem demissões
No dia de ontem, a Direção-Geral da Administração da Justiça (DGAJ), publicou a seguinte informação no seu sítio da Internet:
«Segundo informação transmitida pela Imprensa Nacional Casa da Moeda, prevê-se que a publicação no Diário da República da Lista do Movimento Anual dos Oficiais de Justiça de 2022, ocorra no próximo dia 31 de agosto.»
Portanto, estamos perante um prosseguimento perfeitamente normal do Movimento deste ano, mas de forma temerária. Temerária, porque se estão a correr riscos; muitos riscos. Há movimentações de Oficiais de Justiça que comportam esses riscos, em face da mudança, não só do local onde exercem funções, mas de toda a sua vida, pessoal e dos seus, inclusive as escolas e infantários do seus filhos e todas as insustentáveis despesas que a mudança implica.
Tudo isto vai suceder sem a devida cautela da suspensão, arriscando a DGAJ a possível anulação posterior, com todas as consequências que daí poderão advir, designadamente, com o eventual regresso dos Oficiais de Justiça movimentados aos lugares de anteriores, se a tal forem obrigados.
Note-se bem que a DGAJ bem sabe deste risco, mas decide arriscar, apostando forte, com as vidas dos outros, no sentido de que o Movimento não será anulado e anuladas serão os dois processos instaurados pelos dois sindicatos.
Na passada sexta-feira, ao mesmo tempo que os Oficiais de Justiça movimentados recebiam mensagens SMS, estes e outros telefonavam para a DGAJ, para saber por que razão não haviam sido respondidas as suas pronúncias (que denominam “reclamações”), parecendo que foram, simplesmente, ignoradas, apurando então as razões da segunda lista não contemplar o que reclamavam.
Telefonicamente foram informados e foi repetidamente dito que não podiam mexer no Movimento devido a uma decisão judicial e, por isso, nada faziam, designadamente, atender às pronúncias.
No mesmo dia, já pela noite dentro, é divulgada a lista denominada “definitiva” e a informação de que fora enviada para publicação.
E o que é que isto quer dizer?
À tarde ouvem – pelos ouvidos – que não se pode mexer em nada, porque um senhor juiz o disse, e à noite leem – pelos olhos – que tudo está em normal movimento.
Aqueles dois sentidos dos Oficiais de Justiça estavam em perfeitas condições, porque o ouvido e o lido não foi algo de exceção, mas comum a vários, sendo essas experiências relatadas, coincidentemente, nas redes sociais.
Tentemos perceber algo – se é que tal é possível –, fazendo um esforço interpretativo.
Será que isto (o que foi ouvido e o que foi lido), afinal não está em contradição? Significará que isto quer dizer que realmente a DGAJ cumpriu a suspensão, não tendo praticado mais nenhum ato, designadamente quanto aos concorrentes que se pronunciaram, ignorando-os, e fazendo prosseguir para publicação a mesma lista antes divulgada, intocável? Ou seja, será que ao não mexer na lista e ao não atender as pronúncias apresentadas, nem sequer lhes respondendo, está a DGAJ cumprir a suspensão (ao nada fazer) e o ato da publicação não constitui um ato novo? Será esta a interpretação da DGAJ?
Ora, a ser esta a interpretação, de acordo com aquilo que foi ouvido por vários Oficiais de Justiça, a lista, ao não ser alterada, não comportaria realmente a prática de um novo ato, quer de colocação, quer de exclusão ou alteração. Portanto, a mesma lista, assim enviada diretamente para publicação, poderia ser considerada a mesma, inalterada, portanto sem a prática de nenhum ato novo, obedecendo-se à suspensão decretada pelo Tribunal.
No entanto, toda esta rebuscada interpretação não tem correspondência com a realidade, logo, é falsa, uma vez que a ação da DGAJ, por omissão de atendimento das pronúncias das pessoas que notificou para o efeito, não deixa de ser uma ação, embora negativa, isto é, existe a realização de um juízo e o prosseguimento, quando nada deveria ser feito.
Mas, mesmo que esta interpretação da ação ao contrário não faça sentido, e independentemente de mais interpretações, temos os factos. É facto que a listagem ora remetida para publicação é uma nova listagem e foi alterada.
Tal como já anunciamos e temos vindo a abordar, foram inseridos novos Oficiais de Justiça, que não constavam da listagem anterior, e, dessa meia-dúzia inserida, metade até com a irregularidade e atropelo das regras que a própria DGAJ lançou no último dia de março: quem quisesse lugares cessaria com a comissão de serviço; vindo agora a comprovar-se que há elementos novos agora inseridos e que até mantêm os lugares reservados e as comissões de serviço – dois lugares para cada um, quando se avisou toda a gente de que tal não seria possível.
Ora, esta nova listagem apresentada é, de facto, uma nova listagem, contendo elementos novos e até bem problemáticos, pelo que a informação telefónica dada aos Oficiais de Justiça, de que não podiam mexer no Movimento, resulta em mais uma informação contraditória que não tem correspondência com a realidade.
Seja qual for o ângulo pelo qual se veja todo este triste episódio, a solução só pode ser uma: a anulação imediata do Movimento deste ano, sendo necessário substituí-lo por um novo.
Este Movimento, conforme está e conforme tem sido tratado, é irrecuperável, e a sua ilegitimidade é já irreversível, em face de tantas desconformidades e tanto contorcionismo.
Ao mesmo tempo da anulação do Movimento, perante a falta de confiança da direção da entidade administrativa responsável por estas ações, devem os seus cargos de direção ser demitidos ou alertados para que tomem essa iniciativa, que só lhes aportaria dignidade e distribuiria sã justiça.
O apego aos lugares de cariz político, tantas vezes com cegas ambições trepadoras, constitui uma infeliz realidade do nosso país.
Não há nenhuma inamovilidade nem irresponsabilidade transmissível da magistratura judicial para funções fora dessa magistratura em entidades administrativas, pelo que a demissão é o ato digno e necessário que nestas funções administrativas se pode (e deve) levar a cabo, em favor do interesse público, pelo que já tardam as demissões.
Continuar a ver afirmações como a do SFJ na sua última informação sindical, onde se lê o seguinte: «Na esteira do que nos vem habituando, nem os Tribunais conseguem travar a DGAJ, no seu ímpeto de estar acima da lei.», para concluir que «Estes procedimentos são inaceitáveis e constituem um vil ataque ao Estado de Direito.», são afirmações demasiado graves, não gratuitas e partilhadas pelos Oficiais de Justiça, que devem levar (só podem levar) os destinatários das mesmas à hombridade da demissão.

Há que ir ás razões, às políticas e doutrinas que levam a estes comportamentos. Perceber a falta de empatia com estes profissionais - bem pelo contrário - e o que levou a isso, politicamente.
ResponderEliminarPerceber também porque tem sido transversal a vários governos e partidos esta alienação com as preocupações de vida da pessoas, suas trabalhadoras.
Esta perseguição no limiar do neurótico, do sádico, arrogante, despótico e em atos de gestão completamente desumanizados.
Talvez ajudasse, perceber de onde vem isto tudo.
Tem razão, mas, como alguém dizia cá ontem, isto leva-me a crer que se trata de favor paga-se com favor! No entanto, a situação é insuportável! Faça-se alguma denúncia publicamente! É urgente!
ResponderEliminarJá dizia Peter Drucker nos anos 80 que "management is doing things right; leadership is doing the right things".
ResponderEliminarE tal façanha não é para quem está habituado a impor-se e a impor as suas ideias sem ouvir outros.
Perante a vossa análise, "simples" e gritante dos fatos, espero que os sindicatos os façam chegar aos processos, e que dai resulte algo, a bem da mais elementar justiça!
ResponderEliminarNão é compreensível por ninguém, mas que raios de sindicatos temos nós. Tem de denunciar esta trapalhada, porque não denunciam? tem medo? Não é compreensível. Ambos os sindicatos,sabem das ilegalidades cometidas pela Dgaj, após a providência cautelar. É injusto e não faz sentido nenhum a Dgaj não responder as reclamações,antes de publicar o movimento, esta forma de atuação tem um nome "ditadura" é isso mesmo. Todos têm direito a resposta em tempo útil. Se não podiam responder também não podiam publicar e aditar o movimento. Todos já sabemos porque está atitude. É porque sabemos que nenhum sindicato, vai fazer com que alguns colegas regressem ao lugar de origem. E os que reclamaram e tem razão na reclamação como vão fazer? Sabemos a resposta e esperar mais uns anos e voltar a concorrer e entretanto aparecem mais uns favores, uns destacamentos de dirigentes sindicais. Estamos fartos de panelinhas. Atuem por favor. Ou não há liberdade de expressão neste país? Ou não existe o dever de denúncia por parte dos sindicatos?
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ResponderEliminarEnquanto não responsabilizarem as pessoas a título individual tudo vai continuar na mesma.
Não é assim, sindicatos?
Ai, se isto se passasse com o movimento da Magistratura Judicial!...
ResponderEliminarSeria apelidado como um verdadeiro atentado ao Estado de Direito Democrático.
Como somos tratados como "coisas", desprovidos de direitos, em que a administração age como um verdadeiro usufrutuário, a "mobília" é colocada e movimentada nos edifícios dos Tribunais de acordo com critérios subjetivos "do titular do direito" !...
E assim é na casa onde se administra a justiça.
ResponderEliminarCasa de ferreiro espeto de pau... podre.
Está na hora dos OJ's EXIGIREM do governo, da dgaj e dos sindicatos, mas também não podemos deixar de ser poactivos nesta luta.
ResponderEliminarNEM EM ÁFRICA ISTO SE PASSA!!!!
FODDDDDDDDDDDDDDDD
Apoiado.
ResponderEliminarApoiado.
ResponderEliminarApoiado.
ResponderEliminarEstamos piores que no Burkina Fasso.
ResponderEliminarO que se passou com o movimento no Burkina Fasso? Tb foi impugnado?
ResponderEliminarPenso eu de que:
ResponderEliminarNão seria de apresentar queixa por desobediência, e os sindicatos constituirem-se assistentes no processo?
Com a necessária comunicação á imprensa, através de conferência.
Ser possível é, mas os sindicatos não querem afrontar os aptos e, além do mais dá trabalho e depois não são convidados para o chá.
Sindicatos?
ResponderEliminarMas quais sindicatos?
Vamos praticar o desapego sindical.
Perante este incumprimento da DGAJ o requerente da providência cautelar pode deduzir o incidente processual previsto no n 4 do art. 128 do CPTA, solicitando ao Tribunal a declaração da ineficácia dos atos de execução operados pela DGAJ
ResponderEliminarE é urgente que o faça!...
E por falar em irresponsabilidade...então como está a correr essa "genial" ação da desresponsabilização da função, com aquela estapafúrdia declaração, completamente ineficaz, que este blogue protagonizou ao estilo macaquinho de imitação (médicos, enfermeiros, professores) e que qualquer jurista de pacotilha sabia que aquilo não tinha qualquer impacto jurídico e profissional e que foi completamente dizimada pelo Marcelo na entrevista que concedeu à CNN?
ResponderEliminarQuerem ser engraçados e inovadores e acham que os sindicatos são incompetente na sua luta; porém, a luta sindical é cada vez mais difícil porque o problema é dos tempos que vivemos...pergunto, conhecem algum sindicato que possa proclamar vitória na sua luta sindical recente! Isto não está fácil e não é com insultos, muitos deles a roçar a boçalidade e a malcriadez de alguns colegas contra colegas que pensam diferente, que vamos lá...não senhor!
Apoiado.
ResponderEliminarA referida "genial" ação com a "estapafúrdia" declaração "completamente ineficaz" ao "estilo macaquinho de imitação" "dizimada por Marcelo", porque "acham que os sindicatos são incompetentes" porque "a luta sindical é cada vez mais difícil", porque "o problema é dos tempos que vivemos" e porque "isto não está fácil" e nem com "insultos" que "vamos lá".
ResponderEliminarEm síntese, o comentário Anónimo de 20-08-2022 às 07:41 resume-se a isso.
Esclarecendo: Atualmente, é já difícil que alguém invente a roda que ainda ninguém tenha inventado antes, desde greves, manifestações, plenários, vigílias, caravanas, etc. e, claro, a tal declaração pessoal de manifestação das dificuldades que cada um sente, apelidada de "escusa de responsabilidades" porque dá jeito à comunicação social essa simplificação, que, como vemos nas televisões, especialmente as apresentadas pelos médicos e enfermeiros, têm cobertura mediática.
Considerar a dita declaração inútil, levando em conta a sua apelidação mediática sem ler o seu conteúdo, isto é, a sua verdadeira intenção, é uma burrice, mesmo quando se tenta verificar a sua validade pela ótica jurídica e mesmo quando qualquer comentador, ou ex-comentador, proclame aos quatro ventos a sua inutilidade.
Essa manifestação pessoal sobre o estado do seu desempenho profissional é uma manifestação muito interessante, perfeitamente legítima e pode ser aproveitada para uso reivindicativo pelos profissionais e seus representantes sindicais. Por isso mesmo, todas as declarações tinham como condição o seu envio também aos dois sindicatos (SFJ e SOJ), para que estes pudessem, querendo, usar esta ferramenta como bem entendessem.
A iniciativa de macaquinho de imitação fez mais do que a iniciativa do burrinho casmurrinho que despreza os contributos que não partam, ou sejam paridos, do núcleo duro sindical. A contaminação dessa mentalidade de burrinho resultou em que apenas umas poucas dezenas de Oficiais de Justiça tenham aderido ao envio da sua manifestação de desagrado pessoal. Ora, com um número assim tão baixo, mediatizá-lo seria um erro, pelo que essa ação, sem a adesão de um número considerável de Oficiais de Justiça, resultou numa fracassada adesão, mas não numa fracassada iniciativa. E nos últimos anos temos assistido constantemente a isto mesmo: muitas fracassadas adesões que deitam por terra todas as louváveis iniciativas, designadamente, as imensas formas de greves, por minutos, por horas, por dias, por áreas geográficas, por jurisdições, etc., bem como tantas outras iniciativas sindicais, cuja postura descredibilizadora levada a cabo por alguns Oficiais de Justiça as têm deitado por terra.
Há quem considere que a culpa é dos sindicatos, mas não é essa a opinião manifestada nesta página, apenas a de alguns comentadores. Não deve este aspeto ser confundido: as opiniões manifestadas pela página são da página e as opiniões manifestadas pelos comentadores são dos leitores da página. Apesar de pontualmente criticarmos esta ou aquela opção sindical ou comunicacional, nunca ninguém no seu perfeito juízo poderá considerar que os sindicatos deveriam acabar como, infelizmente, tanta vez se lê. Da nossa parte, criticamos ou apoiamos em liberdade e conforme os assuntos. Reproduzimos todas as informações sindicais de ambos os sindicatos e conferimos destaque às mesmas, às vezes a mesma durante dias, como por estes dias vimos fazendo com um extrato do SFJ. A referida iniciativa macaquinho de imitação foi toda ela enviada aos sindicatos, oferecida, para seu livre uso, tendo havido apenas uma menção de apoio por parte do SOJ. Por isso, e muito mais, é mentira que aqui se desprezem os sindicatos ou que sejam considerados incompetentes. Há quem o considere e o manifeste, mas, como dissemos e damos provas diariamente, não é o fito desta página.
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ResponderEliminarConfunde-se também o comentador ao alegar que a culpa é dos tempos que vivemos. Os ditos “tempos” são das pessoas e as pessoas, neste caso, são aqueles que aderem ou não aderem às iniciativas; isto é, ou apoiam ou não apoiam as iniciativas; ou são solidários ou não solidários com os demais colegas de trabalho, contribuindo ou não contribuindo para o êxito das ações e todas as iniciativas.
E porque, como diz o comentador, “isto não está fácil”, é perfeitamente plausível verificarmos reações e exaltações desadequadas por parte de Oficiais de Justiça com os nervos à flor da pele. Infelizmente é um facto que alguns comentários são injuriosos e boçais, e isso que eliminamos os piores, mas não podemos, nem devemos, eliminar tudo. Infelizmente é esse o estado de espírito das pessoas, bem como a sua personalidade que se manifesta e, por isso mesmo, a cada comentário fica documentado o estado de cada pessoa, de cada leitor.
No Burkina Fasso não há tantos corruptos nem amigos da "Directora"...
ResponderEliminarTenham vergonha.
ResponderEliminarSerá este comentador um intrusa??
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