O Fragor do Silêncio

      Na passada semana, com o artigo intitulado “O novo despertar do Conselho Consultivo da Justiça”, aqui publicado no dia 15SET, demos notícia da última reunião desse Conselho que havia ocorrido no dia imediatamente anterior.


      Na altura referimos o interregno de cerca de uma década e salientamos o facto desse Conselho conter, obrigatoriamente, de acordo com a previsão legal (DL.187/2000-12AGO) “Um representante sindical dos Oficiais de Justiça”.


      No entanto, nessa reunião não esteve presente “um representante sindical dos Oficiais de Justiça”, como prevê a norma legal, mas dois; sim, dois, um representante de cada sindicato: um do SFJ e outro do SOJ.


      Esta semana, a 22SET, o SOJ divulgou a sua presença no Conselho Consultivo da Justiça e disse assim, em nota informativa publicada na sua página:


      «O Sindicato dos Oficiais de Justiça participou, dia 14 de setembro, no Conselho Consultivo da Justiça. Participou também o SFJ e demais entidades identificadas no comunicado do Governo.


      O SOJ, no uso da palavra, assumiu as “vestes sindicais” e insistiu nas reivindicações da carreira que representa. Desde logo afirmando que, no que foi aceite, Sua Excelência a Senhora Ministra da Justiça, na reunião do passado dia 2 de maio, se associou à interpretação que o SOJ faz da lei – não é necessária a autorização do Ministério das Finanças, para realizar promoções.


      Este Sindicato, SOJ, finalizou a sua intervenção questionando os presentes se conheciam alguma carreira, excetuando a de Oficial de Justiça, em Portugal ou no estrangeiro, que tivesse como dever a disponibilidade permanente, sem qualquer compensação.


      Questionou, ainda, os presentes, se conheciam alguma carreira, excetuando novamente a dos Oficiais de Justiça, que tivesse por dever trabalhar fora de horas, sem que essas horas fossem remuneradas. Nenhuma entidade foi capaz de “identificar” outra carreira, nessas condições, o que levou o SOJ a concluir que a situação deve envergonhar os presentes.»


      O SOJ divulgou ainda, para além dessa intervenção no Conselho, uma conversa informal com o secretário de Estado adjunto e da Justiça, Jorge A. A. Costa, assim a descrevendo:


      «No final da reunião, informalmente, Sua Excelência o Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Justiça garantiu-nos que, em breve (entre o final do mês e a primeira quinzena de outubro), será apresentado um projeto de estatuto para a carreira. O SOJ insistiu que há matérias que carecem de resposta imediata.»


      Assim, ficam os Oficiais de Justiça a saber que uma nova versão de projeto de estatuto será apresentado em cerca de três semanas, segundo o secretário de Estado, sendo certo que tudo indica que as ditas “matérias que carecem de resposta imediata”, conforme insiste o SOJ, não deverão ter nenhuma “resposta imediata”.


      Por isso mesmo, os Oficiais de Justiça, representados pelo SOJ, acabam de anunciar uma “resposta imediata”: as duas greves, nos dois dias, antes e depois do próximo feriado, focadas para o impacto nas diligências, nos núcleos onde mais agendamentos existem.


      A ausência de resposta deve ter esta resposta. O silêncio do Governo deve ter o barulho dos trabalhadores.


DesenhoDuvidas.jpg


      Fonte: “SOJ-Info”.

Comentários

  1. Ouvi comentar que o sindicato mais representativo, que nenhuma acção própria tem tomado em defesa da classe, recordemos que a anterior greve foi marcada pelo SOJ e secundada pelo SFJ, tinha agendadas umas acções de plenários mas, até estás foram adiadas para............ Novembro .
    Grandes representantes que arranjamos, sim senhor.
    Ouvi comentar que muitos dirigentes locais e de zona já estão fartos de atuará e prepotência da direção e querem e muitos querem bater com a porta
    Pergunto, o que move a direção do SOJ?
    De certeza que não são os interesses dos trabalhadores
    Senhor Marçal tenha vergonha.


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  2. acho que se enganou na penúltima linha...

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  3. Tantas semanas de espera! Pelo tempo de gestação do projeto vão sair dali cabritos ou macacos!

    Na verdade ninguém conhece o pensamento sobre o assunto a nenhum dos membros do MJ; a ideia de funcionamento dos serviços, caso exista, está bem fechada e ninguém a sabe dizer, nem mesmo os srs magistrados se atrevem a aventa-la (os srs magistrados judiciais devem-na saber... pois têm dois elementos na DGAJ).

    É a tal reforma silenciosa e, por sinal, também sombria, que parece estar a acontecer sem darmos conta de si.

    Dos sindicatos não me atrevo a dizer nada, por solidariedade, pois ao que parece nada também é o que fazem.

    Aos descontentes com o SFJ deixo um desafio: leiam os estatutos e regulamentos e ponham termo a esta anemia de ideias.

    É preciso parar de pensar pequeno, pois pequenos são os nossos salários, é preciso agigantarmo-nos e fazer pela vida!


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  4. Obrigado. Com certeza que sim, queria dizer SFJ, com certeza.

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  5. Quando entrei para os tribunais sonhei ter uma vida melhor. Vão quase 25 anos, e ainda não concretizei o sonho.

    Também não me parece que o vá conseguir fazer. Por isso tento ser feliz todos os dias e isso implica cumprir o horário de trabalho e cumprir as obrigações familiares.

    Está é a minha verdadeira luta. Os tribunais que se f... (aquela palavra que começa por f e termina em dam).

    Se todos os que querem ser felizes e que trabalham para isso fizerem o mesmo vão ver que a vida vai mudar e para melhor, vão aproveitar a vida com a família e amigos e terão o seu conforto e o conforto do lar.

    Estou farto de viver uma vida de crises, a seguir a está guerra estúpida, absurda e maldita, as sociedades avançarão e o valor da liberdade prevalecerá.

    Sejamos livres e felizes.

    F... para os tribunais.

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  6. Concordo que sim, que alguma atitude tem que ser tomada relativamente a direção do SFJ, pois são eles que, Infelizmente, nos representam, associados e não associados.
    Penso que tem de ser de dentro o movimento implusivo de tal estrutura.

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  7. Tem toda a razão. Aos poucos estou a aprender.
    Tudo de bom.

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  8. Colega. Estou solidário com o que expressou porque é o meu estado de espírito. Cada dia de cada vez. Os tribunais que se fod...
    Que bela ideia de greve do SOJ.

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  9. Vou pra greve
    Só me apetece tratar a tutela com, pelo menos metade do desprezo com que nos trata.

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  10. Apelo ao SFJ:

    Digam qualquer coisinha!

    Estiveram presentes na reunião do Conselho Consultivo da Justiça e, até ao momento, o que sabemos é:

    " Fui ao jardim da Celeste,
    giroflé, giroflá,
    fui ao jardim da Celeste,
    giroflé, flé, flá.

    O que foste lá fazer?
    giroflé, giroflá,
    O que foste lá fazer?
    giroflé, flé, flá..."

    O QUE FORAM LÁ FAZER?!....

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  11. "Foram lá buscar uma rosa,
    giroflé, giroflá,
    Foram lá buscar uma rosa,
    giroflé, flé, flá." 🌹🌹🌹

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  12. O SFJ anda a passear pela Europa.
    É vê-los no Facebook todos catitas....
    Devem estar a aprender e a absorver muitas coisas com os colegas de toda a Europa.
    Depois o grande líder numa qualquer reunião com os seus muchachos vai com certeza informar da quantidade de conhecimento que adquiriu e vai com certeza ser ovacionado por quem quer manter o tacho.
    Especialmente os 7 ou 8 colegas que estão a tempo inteiro nesse sindicato...
    O SOJ que se chegue à frente....

    Se vier alguma coisinha na proposta do novo estatuto aparecem logo em biquinhos de pés.
    Se for uma porca miséria, como é o mais provável, mandam cá para fora mais um comunicado a demonstrar toda a indignação......

    O que interessa é que o tacho está assegurado.

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  13. Organização da europa que sempre criticaram, por pertencer à aoj (associação dos oficiais de justica). O sfj acusava o soj de ser a continuidade da aoj e que a aoj nada representava. Dizia ainda que essa organização europeia não tinha qualquer validade. É certo que muitos já nao recordam, mas ainda há quem se recorde disso. O sfj integou a aoj no seu seio, mentindo a todos, para ter acesso a essa federação europeia e aceder às viagens para passear os seus dirigentes com ajudas de custo a valores europeus. Já é indesmentível que mudam em função dos interesses dos seus dirigentes. Por exemplo, durante anos juravam a pés juntos que os funcionarios judiciais eram uma carreira única e unida. Mas aceitaram em 2011 a extinção das carreiras dos porteiros, telefonistas, motoristas e outros. Todos eles representados pelo sfj mas nem um comunicado foi feito, sabendo-se que todas passaram a assistentes operacionais, com a aceitação do seu sindicato. .. Continuam a ser usados para pagar as quotas, mas alguém vê o SFJ a atravessar-se por eles agora? Vale a pena lembrar o que ocorreu a 2 ou 3 anos atrás para se perceber que também nos vão deixar cair e defender outra carreira... a nossa sorte é que o natal está próximo e tudo se resolve com um circo e umas prendas.

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  14. A sobranceria com que os dirigentes do SFJ olham para os seus "representados" assistentes operacionais é inqualificável!...

    Só são úteis para pagar as quotas.

    Por muito que me esforce, não consigo encontrar uma única ação ou iniciativa do SFJ em prol dos assistentes operacionais.

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  15. Quando a sobranceria nos tocar a nós e as palavras bonitas passarem a ser dirigidas aos assessores alguns vão acordar.

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  16. SOJ

    PARABÉNS E FORÇA PELAS INICIATIVAS E FRONTALIDADE

    COM A TUTELA

    AO MENOS NÃO FAZEM O SOJ DE PARVO

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