O périplo do “roteiro” da ministra vai esbarrar com portas fechadas
Esta terça-feira, 20SET, a ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Casto, e o secretário de Estado adjunto e da Justiça, Jorge Alves Costa, visitaram o Juízo de Competência Genérica de S. Roque do Pico.
Na publicação do Twitter pode ler-se, a propósito desta visita que “O Roteiro para a Justiça está em marcha.”
Este roteiro, ao bom estilo inaugurado pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), com a denominada “Caravana da Justiça”, pretende, também, diz-se na mesma publicação: “Conhecer os serviços e parceiros da Justiça”.
Ora, saltar de localidade em localidade, para conhecer os edifícios judiciais e judiciários deste país, não vai resultar na obtenção de nenhum conhecimento sobre o maior problema que esta ministra tem em mãos e, ao que parece, nem sabe qual é.
Neste momento, em que as magistraturas foram pacificadas com regalias estatutárias nunca antes vistas, obra memorável da anterior ministra, compete à ministra atual concluir aquilo que as suas antecessoras tentaram iniciar, mas falecendo as tentativas logo no arranque.
Senhora ministra da Justiça, tem em mãos um problema enorme para resolver e esse problema tem nome: “Oficiais de Justiça” e tem um número: 7616, número que corresponde à maior massa de trabalhadores da Justiça que praticamente dobra o número de magistrados judiciais e do Ministério Público existentes, tal é a dimensão deste grupo.
Esta enorme massa de gente mostra-se profundamente descontente com o seu destino e com a falta de atenção prestada aos seus representantes dos, de momento, dois sindicatos no ativo.
O tradicional início de “ano judicial” (tradicional, mas não oficial), a 01 e 02 de setembro passado, ficou imediatamente marcado por uma greve massiva que fechou tribunais e serviços do Ministério Público por todo o país.
Este simples facto deveria ter feito soar os alarmes, pelo menos, no Ministério da Justiça, fazendo com que a ministra atual parasse com tudo para prestar imediata atenção a toda esta massa de pessoas e adiantar desde logo soluções às suas reivindicações. Mas não o fez, nem sequer se dignou a receber os representantes sindicais que se dirigiram ao Ministério.
Não houve qualquer preocupação com a situação desse momento nem com as anteriores, como as conclusões reivindicativas, com prazo estabelecido no último Plenário de Trabalhadores ocorrido a 15JUL. Nada foi atendido e nem sequer mencionado ou aventado, bem pelo contrário, a única resposta existente é o silêncio. E é tão grande este silêncio e tão ensurdecedor que os Oficiais de Justiça, os mesmos que aderiram massivamente à greve de 01 e 02 de setembro, se preparam para aderir a nova greves, de outros dois dias, nos próximos dias 04 e 06 de outubro.
São dois dias de greve, antes e depois do feriado nacional da implantação da República e correspondem a uma terça e a uma quinta-feira. Faltam cerca de dez dias.
Esta é a ruidosa resposta do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) ao silêncio, ou silenciamento, pretendido, dos Oficiais de Justiça.
Pode a ministra continuar a passear-se pelo país, visitando edifícios, mas fica já a saber que nesses dias talvez não seja boa ideia prosseguir com o dito “roteiro”, pois certamente que encontrará portas encerradas, ruidosamente batidas.

Fontes: “Justiça Twitter” e “DGAEP”.
Esta greve de 4 e 6 vai ter serviços mínimos pelo menos num dos dias. [:<]
ResponderEliminarEm ambos...
ResponderEliminarNo feriado do dia 5 não há serviço de turno, por ser a meio da semana, o que faz com que tenha que haver serviços mínimos no dia 4 e também no dia 6.
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ResponderEliminarDatas mal escolhidas. Marquem greve para dias onde não haja serviços mínimos, porra!
Apoiado
ResponderEliminarImpressionante, tanto tempo para pensar as datas e afinal ... mais uma vez foram pensadas para alguns gozarem mais um curto período de férias (apenas os que se podem dar a esse luxo por terem uma vida mais estabilizada).
ResponderEliminarSe acham que vai haver grande adesão desenganem-se, pois esses dias são os que têm menos diligências marcadas (os magistrados também pensam nas pontes ...).
Sinceramente, mais do mesmo não por favor!
Oficial de justiça, onde está a convocatória da greve de 4 e 6 de Outubro???
ResponderEliminarOficial de justiça, onde está a convocatória da próxima greve?
ResponderEliminarPassou me ao lado?
Acho que as postas deveriam estar bem abertas e em cada local um representante sindical para fazer ver o descontentamento.
ResponderEliminarA sra. Ministra vai ao serviço e no serviço não está ninguém, o que até lhe convém, não vá ficar desagradada com uma palavrita ou outra menos calorosa e mais rude, daquelas propaladas por quem sente o peso da responsabilidade nos seus ombros como se carregassem o mundo à cabeça.
Oficial de justiça onde está a convocatória da próxima greve???
ResponderEliminarO Sindicato ainda não anunciou. A nossa divulgação é um exclusivo noticioso.
ResponderEliminarColega não percebo o comentário, basca consultar a página da DGAEP - greves comunicadas, requisito obrigatório para se anunciar um pré-aviso de greve!...
ResponderEliminarNo final de cada artigo estão sempre indicadas as fontes e com hiperligações incorporadas para acesso direto às mesmas. No caso do artigo de hoje está lá o acesso direto à página pública das greves da DGAEP.
ResponderEliminarA escolha das datas para a greve não foi a mais feliz, seria muito mais acertivo serem marcadas para os dias 6 e 7 porque apenas se impunha um dia de serviços mínimos.
ResponderEliminarContudo, porque me sinto indignado com a forma como temos sido tratados pelo Ministério da Justiça, vou aderir a greve.
Estou farto de ser ultrapassado, repetidamente, nas listas de espera deste Ministério da Justiça.
Estamos em lista de espera há mais de 20 anos!....
Vou aderir a greve e espero que o SFJ tome uma posição inequívoca de adesão a mesma.
Não existe margem para mais adiamentos, o prazo para apresentação do projeto de Lei do Orçamento de Estado para 2023 é 20 de outubro!
Não vamos, mais uma vez, deitar tudo a perder, ou um dia destes, temos os mais novos na carreira, a pedir autorização a DGAJ para acumulação de funções como arrumadores de carros para sobreviverem!
Todos nós nos lembramos daquele episódio em que foram protagonistas o Prof. Davide Justino e a anterior Ministra da Justiça Francisca Van Dunen "a morte da decência".
ResponderEliminarO que é inequívoco é que
as Magistraturas foram beneficiadas com regalias estatutárias nunca antes vistas, ao ponto de receberem mais, só de subsídio de renda de casa (14 meses por ano!..) isento de IRS, que um Oficial de Justiça aufere no início de carreira de vencimento, para suprir todas as necessidades da sua família!...
O direito a indignação é uma forma legítima de responder a indignidade e a falta de respeito pelas regras elementares da Justiça distributiva.
E a greve, é um dos instrumentos disponíveis para expressar essa indignação!