Quem ganha 1000 € por mês de vencimento perde este ano 980 €

      A previsão da inflação para este ano situa-se num valor ligeiramente superior aos 7% e, claro, o ano ainda não acabou.


      Para enfrentar este valor elevado, que já há muitos anos não se via, os Funcionários Públicos contam com o extraordinário apoio do aumento concedido para este ano de 0,90% e a promessa de que o aumento seguinte dos vencimentos levaria em conta a inflação.


      O primeiro-ministro afirmou agora, perentoriamente, que o aumento não será de 7% nem coisa que o valha, mas de apenas 2% ou, em sede de negociação, talvez possa vir a ser um pouco mais (décimas, claro).


      Bem bom, porque é mais do dobro do que a percentagem deste ano que nem a um ponto percentual chegou. Sim, bem bom, caso a inflação não fosse o que é.


      O PSD veio afirmar que, com este anunciado aumento, para vigorar no próximo ano, os Funcionários Públicos perdem quase o valor de um salário. Será mesmo assim? Fizemos umas contas simples para se perceber melhor.


      Tendo por base e como exemplo, o vencimento mais comum dos Oficiais de Justiça (1000 euros), verificamos que com um aumento equivalente à inflação prevista, no final do ano, o Oficial de Justiça auferiria 14.980,00 [1000+7%=1070x14=14980].


      Com o aumento anunciado por António Costa, esse valor anual seria de 14.280,00 [1000+2%=1020x14=14280].


      Quer isto dizer que entre o valor que seria devido para compensar a inflação e o valor recebido existe uma diferença de 700 euros.


      Mas não é este o valor de quase um vencimento de mil euros, como afirma o partido da oposição, e de acordo com o nosso exemplo, mas para lá caminha, sendo certo que é um valor muito significativo no bolso de cada Oficial de Justiça.


      Por outro lado, convém atentar que esta diferença de 700 euros não corresponde a um valor que se vai deixar de receber como benefício extra, como se fosse uma bonificação – não, nada disso – ele constitui um prejuízo; uma perda. E esta perda verifica-se este ano, não no futuro, mas já agora.


      Os Oficiais de Justiça, tal como os demais Funcionários Públicos, estão a perder este ano o valor da inflação que, no final do ano é de 980,00 [1000+7%=1070x14=14980]. E aqui, de facto, tal como afirma a oposição, temos afinal uma perda de praticamente o valor de um salário. Ou seja, este ano, a inflação, faz desaparecer um salário inteiro, ou, como já sucedeu no passado, faz desaparecer um dos subsídios.


      Por exemplo: se não houvesse inflação nenhuma e não se recebesse o próximo subsídio de Natal, ou 13º mês, em novembro, era a mesma coisa; era o mesmo prejuízo.


      Portanto, há – este ano – um prejuízo real de perda de um valor que, como vimos, não é de mil euros, mas de 980 euros, o que vai dar ao mesmo.


      E é esta perda que o Governo tenciona compensar no próximo ano com os tais 2% que equivalem a um aumento anual de 280,00 para compensar os tais 980,00, daqui nascendo a diferença de 700,00 em perdimento final, embora nas contas de dois anos. Isto é, este ano perdem-se os 980 e no próximo ano há a compensação, ao longo de todo o ano, de 280,00.


      Quer isto dizer que um Oficial de Justiça que aufira 1000,00, perde já este ano para a inflação 980,00 e será compensado ao longo do próximo ano com 280,00; não recuperando nunca a diferença que é de 700,00.


      Bem percebido isto, convém perceber também que o Governo concede no próximo mês de outubro uma compensação de 125,00 por cabeça, a que pode acrescer 50,00 por filho a cargo, para compensar este ano a tal perda real de 980,00 num ordenado de 1000 euros.


      Por isso, àquela perda real deste ano (os 980,00 do nosso exemplo), haverá que descontar pelo menos os 125,00 de outubro, para que a prejuízo fique nos 855,00. Uma gota de água…


      Trata-se de um enorme abalo nas já muito deficitárias finanças dos Oficiais de Justiça, pelo que se impõe que haja aspetos negociais específicos desta carreira que devem compensar estes profissionais o quanto antes.


      Desde logo, a exigência da integração do suplemento remuneratório de imediato (e o óbvio pagamento em 14 vezes sem perda mensal de remuneração) representaria a diminuição da perda anual pela compensação do pagamento de mais três prestações (14 em vez das atuais 11). No caso do exemplo do vencimento de mil euros, verificar-se-ia a redução da perda em 300,00, valor considerável mas que, mesmo assim, não suprime o prejuízo, embora o amenizasse. Por isso, esta integração deve ser imediata.


      E também de imediato, é necessário pugnar pelo descongelamento das promoções, o que também reduziria mais um pouco o défice de cada um, e ainda a criação de um sistema diferenciado de aposentação que permitisse aliviar os lugares das categorias com maior remuneração para que todas as outras categorias possam usufruir desses lugares por promoção.


      Há quem considere que a questão da aposentação não deveria ser uma reivindicação para o imediato, porque só interesse aos Oficiais de Justiça mais antigos na carreira e mais velhos na idade. Mas tal não é verdade. Os Oficiais de Justiça que pudessem antecipar a sua aposentação não iriam auferir nem mais um cêntimo, apenas se iriam embora libertando lugares. Portanto, não aporta benefício remuneratório, até bem pelo contrário, aos diretamente visados. No entanto, tais lugares ficariam disponíveis para quem ficasse e a eles pudesse aceder, daí resultando um inegável benefício remuneratório.


      Não é admissível que atualmente, por exemplo, um Escrivão Auxiliar permaneça congelado na categoria por mais de vinte anos quando antes, com um regime de aposentação diferenciado, ao fim de cerca de meia-dúzia de anos obtinha a promoção à categoria seguinte, auferindo como tal e não como hoje que não é promovido, embora seja colocada a realizar as mesmas funções, sem qualquer valorização salarial.


      Portanto, a questão da aposentação é um assunto muito pertinente e tem um interesse muito significativo na vida e na economia dos Oficiais de Justiça mais novos, seja em antiguidade na carreira, seja em idade, uma vez que para além de permitir que possam subir os seus vencimentos, também pode permitir a aproximação das suas residências, com óbvia redução de despesas. Trata-se, portanto, de uma reivindicação igualmente prioritária.


      Esta tríade de reivindicações: suplemento, promoções e aposentação, torna-se a única via possível de atenuar e contornar o prejuízo generalizado desta crise económica que atravessamos, pois, como vimos, o anunciado aumento de 2% é muito pouco e os 125,00 suplementares de outubro não chegam aos calcanhares da perda deste ano de 980,00, num vencimento de mil euros.


     O líder da bancada do PSD na Assembleia da República, Joaquim Miranda Sarmento, comentou este assunto assim: «Será uma perda muito significativa, de quase um salário, para os funcionários públicos e afigura-se que vai contra tudo aquilo que foram as promessas do PS nas eleições de janeiro deste ano».


      Por sua vez, os representantes dos trabalhadores consideram este valor “inaceitável”, “incompreensível” e um “espartilho”.


      «É inaceitável que se continue na senda do empobrecimento lento, numa altura em que há margem para o Governo repor o poder de compra», sublinhou José Abraão, secretário-geral da Federação de Sindicatos da Administração Pública (FESAP), desafiando o primeiro-ministro a apresentar uma proposta “credível, aceitável e negociável”.


      «Os trabalhadores do setor público não conseguem compreender como é que uma pensão de mil euros tem um aumento de 4%; muito aquém daquilo que é a inflação verificada no ano, e um salário de quem está no ativo tem este eventual desfecho [de 2%]», frisou José Abraão.


      Por sua vez, Sebastião Santana, coordenador da Frente Comum, critica António Costa por colocar um “espartilho na negociação” com os sindicatos e considera que a posição agora assumida é “extemporânea”, uma vez que o processo negocial, que normalmente antecede a apresentação do Orçamento do Estado, ainda nem sequer teve início.


      «Não aceitamos continuar a empobrecer a trabalhar, num quadro em que o Governo tem margem para melhorar os salários e os serviços públicos. O problema não é a falta de dinheiro, é a falta de capacidade para fazer opções», sublinhou, deixando a ameaça de que se o Governo insistir em aumentos deste nível a conflitualidade irá aumentar.


      Os sindicatos da Frente Comum estão a discutir uma proposta de aumento salarial de 10%, com o mínimo de 100 euros para todos os trabalhadores.


Percentagem=2.jpg

Comentários

  1. Como diz o Presidente da República é preciso ver qual vai ser o cenário macroeconómico proximo ano para se perceber qual deverá ser o aumento previsto para os salários.
    O governo atado não ssi de mediania, foi apanhado na tempestade perfeita internacional e continua muito passivo e relativo s rasgo para fazer face à crise que se instalou quando os "amigos" festa do avante resolveram invadir um país soberano -Ucrânia-!
    O PSD, enfim, abriu agora a temporada do bacalhau a pataco...quem não se lembra dos, para si, anos gloriosos da troica e leiam nas sessões da AR o que o Montenegro disse da altura dos "piegas" dos portugas que se queixavam!

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  2. O PS quer o poder pelo poder e a qualquer custo. Depois governa conforme os media, no joelho e na reação a polémicas.
    O PSD, refém de ideias neoliberals e capitalistas, desligou-se das populações e amantizou-se com o mundo empresarial. E o resultado é que quando lá estão, fazem questão de vincar o seu ódio a quem trabalha para o governo. Nunca esquecerei o que Passos nos fez e a sua cara de ofendido quando alguém lhe chamou funcionário público, na AR. Disse tudo.
    É a ideologia que grassa pelo mundo fora em países que se dizem democráticos, mas que no fundo, já não são mais do que oligarquias disfarçadas, onde 5% detêm toda a riqueza e os restantes caminham a passos largos para a miséria.
    É aqui que comunismo e capitalismo se encontram. Em ambos casos quem trabalha para outro acaba por viver de migalhas e apoios do estado.
    "Ah...ao menos temos liberdade", dirão alguns. Pois...tem tido muito impacto para mudar, a liberdade que temos. É o que se vê.
    Liberdade sem pão é felicidade virtual, digo eu.

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  3. Srs sindicalistas, após a greve com a aderência maciça que teve

    está na hora de exigir e caso não sejam atendidos no imediato as reivindicações que estiveram e Estão na base da greve

    Avancei de imediato para NOVA LUTA!

    NÃO ESPEREM MAIS!

    ESTAMOS FARTOS HÁ 20 ANOS!
    ENQUANTO ALGUM CONSEGEUEM TUDO!



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  4. Ora aí está uma minoria com a riqueza toda e cada vez a aumentar essa riqueza e a minoria cada vez mais pobre

    e depois vêm com desculpas que não há dinheiro

    governantes criminosos, morram longe e lembrem-se que não levam consigo para o outro ,ado o que roubam ao povo

    Portugal com governantes ao nivel africano sem duvida



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  5. E o Plenário do SFJ???

    Fez-se a greve e agora??

    Silêncio total....

    FF

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  6. Atenção sindicatos, amanhã é dia 15!

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  7. Não sou tribalista.
    Quero lá saber do partido A, B ou C, quero é que a vida seja melhor. Não consigo viver isolado, não somos ilhas, precisamos uns dos outros. Se isso é posto em causa, no trabalho ou em casa, a vida torna-se insuportável.
    Há um mínimo exigível e esse mínimo é a justiça e respeito.
    Quando perdemos o respeito pelos outros ninguém mais nos respeita.

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  8. Diz-me aqui que os sindicatos não têm culpa ou então que têm a culpa toda. E eu, porventura, também o disse. Pode não ser assim, mas alguma culta terão, assim como tem quem nos governa. Desde 2003 para cá são crises em cima de crises e nunca há dinheiro para umas coisas(as pessoas) e logo a seguir esbanjam-se biliões noutras coisas. É tempo de valorizar o capital humano como frequentemente dizia José Hermano Saraiva.
    A justiça precisa de uma verdadeira reforma.
    As reformas não se fazem sem dinheiro e sem o contributo das pessoas que visam.
    Trabalhar nos tribunais é cada vez mais penoso, não há motivação nem existe solução para os seus problemas. Já começamos a pensar como um cidadão, apenas vos ao tribunal porque somos obrigados, para muitos é tarde para mudar de vida.
    Pela convivência que tenho e não pelo que leio aqui não vale mais a pena lutar. É melhor esperar que alguém tropeça e dê conta que existimos e que dos precisos ou talvez não e então dados parte da história antes mesmo de o sabermos.
    Não lutem, porque não vale a pena, fiquem em casa e aproveitem a vida que e um momento e se esvai a cada sopro.


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  9. Estava a ser obviamente irónico...
    Se nada for feito tudo continuará como até aqui, continuará a haver sempre crises que justifiquem as politicas de uns e de outros, mas devemos exigir respeito e que não nos faltem á verdade. Isso é o mínimo.
    Na justiça fomos enganados pois a anterior ministra não tinha qualquer modelo, apenas soube falar de dinheiro para determinadas classes. Agora temos o cargo ocupado por pessoa que suspeito não fazia ideia da abrangência do ministério (DGRSP, Tribunais, PJ, IRN/Conservatórias, etc.).
    Estará agora em estágio (resta saber se de 6 meses ou de 1 ano) e só após tomará decisões. Temo que seja tarde para acudir aos problemas mas espero estar enganado.
    Ao menos a sra ministra não se envolve em falsas promessas, limita-se a nada fazer. Deve acreditar que o DIGITAL e a AI - esse "deus" que teme em aparecer - como que miraculosamente tudo irá resolver .


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  10. "Como diz o Presidente da República é preciso ver qual vai ser o cenário macroeconómico proximo ano para se perceber qual deverá ser o aumento previsto para os salários."

    Nada de mais errado!

    Isso era antigamente quando a actualização salarial tinha em conta a inflacção previsível.

    De há uns anos a esta parte os aumentos têm em conta a inflacção ocorrida no ano anterior. Assim foi com os últimos 0,9%.

    Logo, a não actualização a 1 de Janeiro dos salários com a inflacção verificada este ano é contornar leis e praticar um autêntico roubo salarial.


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  11. Atenção! Júdice afirmou que os juízes precisam de incentivo para escolherem esta carreira, isto a propósito do juíz com pouca experiência que ... .... Que incentivo será? E será que esse incentivo vai acontecer e nós sempre na mesma?

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  12. Juízes de instrução.

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  13. O projeto da Lei do Orçamento de Estado para o ano de 2023 tem que ser apresentado na Assembleia da República até dia 10 de de outubro.

    Temos que levar a nossa luta ao debate parlamentar, até por respeito aos Senhores deputados que nos anos de 2020 e 2021 foram solidários com a nossa causa.

    Há que agir rapidamente para não ficarmos esquecidos mais uma vez.

    Olhando para o calendário, as datas que me parecem mais apropriadas para realizar mais uma jornada de luta, é na semana que antecede o prazo para apresentação da proposta de Lei do Orçamento de Estado.
    Ou seja, de 3 a 7 de outubro.

    Temos que fazer chegar á discussão parlamentar que as Leis do Orçamento de Estado dos anos de 2020 e 2021, no que respeita aos Oficiais de Justiça continuam por cumprir.

    Não há mais tempo a perder!.

    ResponderEliminar
  14. Temos pois. E depois. Acontece como até aqui. Os sindicatos vão para as mesas de negociações e dizem não a um projeto qualquer feito só para se dizer que foi feito e ficamos na mesma.
    Deixemos disso, só com a paralização é que seco seguirá alguma coisa.
    Fazer como a CM de Lisboa, poupar energia, ligar as 9:00 e desligar as 17:00. E durante o horário desligarmo-nos da "ficha" também.
    Somos um povo de brandos costumes.
    Noutros tempos vinha-se para a rua lutar, agora autoflagelamo-nos todos os dias ao deixar cair os braços.
    Estamos assim, de queixo e braços caídos.
    Coitadinha e nós.

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  15. Comunicado do SFJ:

    "... A justiça para funcionar não é com medidas paliativas sendo que esta greve demonstra uma vontade inequívoca dos trabalhadores de verem cumpridas as promessas votadas na AR, razão que impele o Sindicato dos Funcionários Judiciais em apresentar UM CADERNO REINVIDICATIVO à Ministra da Justiça, com conhecimento às seguintes entidades:

    – ao Presidente da República,

    – ao Presidente da Assembleia da República

    – aos Grupos Parlamentares

    – ao Conselho Superior da Magistratura

    – ao Conselho Superior do Ministério Público

    – ao Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais

    – à Procuradoria Geral da República

    – à Provedora da justiça.

    O Presidente do SFJ

    António Marçal"

    Já alguém sabe se o caderno reinvidicativo já foi enviado às entidades referidas no comunicado?...

    10 de outubro está aí e, desta vez, a "caravana" não pode chegar atrasada!...

    ResponderEliminar

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