SOJ: “Avançar para um coma induzido para que se recupere o paciente”

      O recomeço após as férias judiciais de verão deste ano, ou – embora já não seja desde que este governo PS entrou em funções –, o tradicional início do ano judicial, assim verdadeiramente sentido por todos os trabalhadores da Justiça, desta vez tem início no dia de hoje: 05SET.


      Os Oficiais de Justiça paralisaram o dito reinício deste ano, por dois dias, com uma taxa de adesão verdadeiramente surpreendente a roçar os 100%.


      Esta ação é bem demonstrativa do estado de espírito e do estado da profissão destes trabalhadores da Justiça que desde há anos ouvem os sucessivos governantes da área a dar-lhes razão e palmadinhas nas costas, nada mais.


      Na sexta-feira passada, no segundo dia de greve, o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) entregou uma carta no Ministério da Justiça.


      Na carta, o Sindicato destacou que "nenhuma medida, positiva, foi tomada" nos cinco meses de mandato de Catarina Sarmento e Castro à frente do Ministério da Justiça, assinalando, pelo contrário, a existência de algumas medidas "negativas e outras até ilegais" através dos serviços da tutela, como a Direção-Geral de Administração da Justiça (DGAJ).


      Na carta, o SOJ expõe as reivindicações dos Oficiais de Justiça e acrescenta um apelo:


      «Este sindicato apela a Sua Excelência, Senhora Ministra da Justiça, para que, assumindo as suas responsabilidades, garanta o cumprimento destas reivindicações ou, caso nada realize, reavalie se tem condições para se manter no exercício das suas funções», assim se pode ler na carta que o SOJ entregou no Ministério da Justiça, em Lisboa.


      De momento, é claro para todos que a ministra não tem condições para continuar no exercício das suas funções.


      Na sexta-feira, a delegação sindical pretendia falar diretamente com a ministra, mas acabou por ser recebida apenas com o chefe de gabinete de Catarina Sarmento e Castro, durante cerca de 10 minutos. Sobre o encontro, o presidente do SOJ garantiu que houve – mais uma vez e como sempre – o reconhecimento de problemas dos Oficiais de Justiça que requerem medidas no imediato, mas sem compromissos ou prazos definidos por parte da tutela.


      «Aquilo que o chefe de gabinete nos transmitiu foi que o Ministério não está parado, que está a tratar da questão do estatuto e que em breve nos será apresentada a proposta. Todavia, tivemos a oportunidade de dizer que há medidas que são urgentes e um estatuto – para valorizar e dignificar a carreira – tem de ser devidamente maturado, discutido e apresentado aos Oficiais de Justiça. E isso leva, obviamente, tempo», frisou Carlos Almeida.


      Em declarações à Lusa, o líder sindical acusou o Ministério da Justiça de não ter um programa e de estar "sem comando", reforçando que o trabalho de elaboração do novo estatuto dos Oficiais de Justiça deveria estar a ser realizado "em conjunto" com os sindicatos "para vigorar durante algum tempo" e que a grande adesão dos profissionais à greve deveria provocar uma reação da parte do Governo.


      «Pedimos desculpa pelo transtorno, porque sabemos que estamos a causar prejuízo à vida das pessoas, mas, por vezes, é necessário que se avance para um coma induzido para que se recupere o paciente. A justiça está doente, o órgão de soberania, que são os tribunais, não funciona de forma regular e fomos obrigados a fazer uma paragem para que o futuro possa ser melhor», sintetizou Carlos Almeida.


      O presidente do SOJ disse ainda que o facto de não se atingir os 100% de adesão à greve se devia ao facto de alguns Oficiais de Justiça terem ido trabalhar, não para as concretas “funções de auxiliares da Justiça; estão meramente a exercer funções administrativas de registo de dados", acrescentou Carlos Almeida.


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      Fonte: “Lusa/TSF”.

Comentários

  1. Anónimo5/9/22 10:15

    Com o merecido respeito, e que é muito, pela opinião do Colega Carlos Almeida eu não me revejo no seu pedido de desculpas, tão pouco nas suas palavras, primeiro porque o que se reivindica da tutela corresponde às mais elementares regras de boa fé e de ética social - quando nos vinculamos com alguém, quando por essa via assumimos um compromisso, devemos tudo fazer para cumprir o acordado e não o seu contrário, ou seja, desvincularmo-nos das nossas obrigações arvorados nas mais diversas desculpas, no limite deve ser informado o motivo de um eventual incumprimento - com efeito ninguém pede desculpas pelos constrangimentos da sua existência, pelos seus sopros de vida, pois que o direito a respirar não deveria incomodar a ninguém.
    Noutras classes que também lutam por melhores direitos, nomeadamente na saúde e no ensino, não vemos os professores, médicos ou enfermeiros a pedirem desculpas, e os serviços destes últimos, em muitas das situações, implicam uma decisão de vida ou de morte.
    Não apelo à demissão de quem quer que seja mas tão só e apenas a que assumam as suas responsabilidades e mostrem que são dignos do cargo que ocupam.
    Se não são capazes de caminhar a correr, e porque urge fazer alguma coisa no imediato para evitar o colapso do sistema, então que se caminhe mais devagar, mas que se encete a viagem enquanto as "mulas" na justiça aguentam a carga, pois que a "albarda" está a ficar muito pesada, e o dono da mula parece querer continuar a carregá-la com "sacos de farinha" onde vai consecutivamente desferindo socos e se assim se esvai a "farinha fina", não faltará muito e só existirá farelo na albarda que não lhe servirá de nada e terá de repetir a viagem, que será mais difícil pois a "mula" está cada vez mais velha e cada vez mais cansada e não aguenta a mesma carga.

    Eu não devo desculpas a ninguém, e a inadiplência da tutela é persistente e essa sim indesculpável.


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  2. Anónimo5/9/22 12:26

    O contexto em que se efetuou este "pedido de desculpa" não me parece de monta ou de qualquer gravidade. E muito menos merecedor de tão arguta, mas cáustica crítica, que mais parece ter uma ou outra intenção oculta.
    É uma forma inocente e honesta de tentar fazer perceber a outros a necessidade da nossa luta, trazendo-os para e mesma que, no fundo, também é a deles, a de qualquer cidadão.
    Foi e é, aliás, falha comunicacional, não tentar de uma forma forte e evidente, trazer a população para o nosso lado e, bem como a restante classe trabalhadora, que tem igualmente sido massacrada com a pancada e sacos de farinha acrescidos, mantendo-se heroica e estoicamente no seu posto e repetindo o castigo, qual Sísifo acomodado.
    Este massacre, esta violência descarada à existência digna, não é só connosco. É nacional e global.
    E por isso entendo que deverá ser-se mais assertivo na tentativa de trazer à luta outras classes profissionais e de uma forma geral, todo o trabalhador, seja ele público e privado.
    Pergunto-me se as centrais sindicais estão a ser eficazes na sua união, eficientes nos seus procedimentos e contacto com parceiros estrangeiros.
    Porém, deve realçar-se a forma feliz e eficaz de ter sido "distribuída" a comunicação por parte de outros intervenientes sindicais, notando-se em alguns competência para tal.
    Por vezes, a mensagem passa melhor com uns do que com outros, sem que nos apercebamos porquê.

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  3. Anónimo5/9/22 13:28

    Não tem qualquer intenção oculta.

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  4. Anónimo5/9/22 13:52

    Acho mal o pedido de desculpas! Não vejo as outras classes fazerem-no!

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  5. Anónimo5/9/22 14:01

    O facto de não me rever na obrigação de pedir desculpas não quer dizer que quem o fez procedeu mal. Já estive dias e noites a fio num SU de um hospital em dia de greve e andei quilómetros a pé por greve da CP e não me pediram desculpa, porque não é devida e porque não os considero obrigados. Só devemos desculpas quando por nossa culpa não correspondemos solicitado. A culpa aqui entendo ser da tutela. Só isso nada mais que isso.

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  6. Anónimo5/9/22 17:00

    Nem mais.

    Mas, o deslumbramento a tal obrigou, certamente. E certamente, também, dando o seu melhor.

    E já diziam os antigos:

    "Quanto mais te baixas, mais te vêem o rabo."

    Contudo, está patente que falta mais. Um pouco mais.

    Porque não a difusão sindical das efectivas competências de Auxiliares, Adjuntos, E. de Direito e Secretários de Justiça.

    A tutela andará confundida.

    Um CEO poderá ser substituído pela administrativa de uma qualquer organização?

    Certamente sim e até, eventualmente, obterá melhores resultados, contudo tal não será sustentável para a administrativa, vendo reconhecido o seu esforço com um défice salarial de mais de 50%, o qual visa compensar o aumento de responsabilidade e disponibilidade.

    A casa da justiça anda muito mal gerida e não é de hoje. Há já alguns anos.

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  7. Anónimo5/9/22 17:09

    Meus amigos é para esquecer.
    Tomei hoje conhecimento que o sindicato mais representativo da classe não irá dar continuidade à luta através da marcação de novos períodos de greve de forma a pressionar a tutela.
    Ao invés, vão continuar o plano que há algum tempo têm vindo a seguir, folclore e mais folclore, atitudes isoladas, sem planeamento e consequência .
    Tive conhecimento que irão agora realizar plenários nas sedes de comarca os quais se irão arrastar durante algum tempo.
    Temo que quando os mesmos estejam realizados já o próximo orçamento de estado estará fechado e as nossas pretensões não caberão no mesmo.
    Da mesma forma que deixaram cair todo o esforço feito quando do plenário em Lisboa, preparam-se agora para deixar cair tudo o que se atingiu com a greve dos dias 1 e 2 do corrente mês.
    Agora, que fomos o foco da comunicação social, que tivemos a intervenção publica de várias entidades denotando simpatia pela nossa causa e dando-nos razão, ao invés de marcarmos nova greve, mais dura e acutilante, obrigando a tutela a negocia, iremos mais uma vez entrar nas banalidades, no faz de conta, com iniciativas que nem o chegam a ser.
    O que os moverá? O que temem?
    A ser assim, a mim nunca mais me enganam.
    Vergonha.

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  8. Anónimo5/9/22 17:31



    JÁ NÃO HÁ GOVERNANTES COM PALAVRA

    É TUDO GENTE PARA QUEM OS COMPROMISSOS ASSUMIDOS NÃO VALEM

    DEPOIS QUEIXEM-SE QUE OS EXTREMISTAS TREPEM!


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  9. Se for verdade, deviam demitir-se já que, de sindicalistas, o estarão a fazer
    A melhor altura para uma greve, de pelo menos cinco dias, era agora.
    Depois de meados de outubro já não interessa

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  10. Anónimo5/9/22 20:27

    Referi noutra altura, mas neste mesmo local, que é tudo um jogo político.
    As estruturas sindicais deixaram-se capturar pelo poder político e negoceiam o nosso futuro na sombra, é o que me parece muito honestamente.
    Ouvi um sábio dizer-me, num momento desafortunado para o mesmo, que o que interessava era andar para a frente pois a vida não espera. Dizia-me que a medida da vida é o tempo, o tempo que se perde a não fazer nada e o que se deixa passar a fazer coisas inúteis.
    Pois bem, na justiça, nem para a frente nem para trás, estamos comum um burro (com respeito que tenho pelo gado asinino) no meio da ponte.
    E como as pontes em Portugal estão em más condições o mais provável é cairmos dela abaixo.
    E quando percebermos no imenso buraco em que nos deixamos meter, já estamos naufragados e afogados no pensamento dos decisores.
    Não tenhamos dúvidas que a culpa é da tutela, mas os sindicatos dão o seu assentimento a este status quo pela inércia e pela falta de força que por vezes demonstram nas suas inócuas lutas.
    Até parece que a greve foi para ajudar os amigos a terem mais uma semana de férias - é o que leva a crer para quem faz uma leitura de fora - e não foi assim, pelo menos para mim.
    Não me vejo suficientemente defendido pelos sindicatos cuja reconhecida falta de força leva a que desista da luta e enverede pelas "palavras mansas".
    Estou por tudo - que venha o novo estatuto seja ele qual for pois assim poderei conformar a minha vida sem frustrações ou ilusões.
    É o que penso sem querer ferir ou ofender quem quer que seja. Não tenho qualquer processo intencional, nem estou em constante reserva mental, como me parece estarem determinadas pessoas com responsabilidades.

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  11. Anónimo5/9/22 20:34

    Assim sendo é grave.

    Dessindicalizemo-nos!

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  12. Anónimo5/9/22 20:36

    👏👏 Colega não devemos pedidos de desculpa a ninguém pelo contrário! Estou plenamente de acordo com o seu “comentário” estamos cansados, não podemos esperar mais um ano, mais um mês, mais uma semana, estamos exaustos! Medidas imediatas!

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  13. Anónimo5/9/22 20:39

    Estamos cansados de blá, blá, blá! Ações! Pressão à tutela ã Ministra Por favor!

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  14. Anónimo5/9/22 20:51

    Acho que devíamos fazer greve até ao natal. Cento e tal dias! Isso é que era. Pelo menos ficávamos para a história.

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  15. Anónimo5/9/22 22:19

    Realmente é inconcebível, para não dizer outra coisa, que o SFJ tenha estado no dia 2 a tratar de questões extra greve, instalados em hotel, em pseudo reunião de dirigentes. As reuniões teriam de ser feitas depois de concluída a greve. Qual a razão de parar a visibilidade da greve para reunir dirigentes? Alguns desses dirigentes beneficiaram aliás do "apadrinhamento" da dgaj para estarem onde estão. Algo não bate certo...

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  16. Anónimo6/9/22 10:22

    Talvez se todos deixássemos de ser sindicalizados e os sindicatos perdessem os seu belos lugares e regalias, dessem mais pelos colegas que sofrem todos os dias nos tribunais os atropelos da lei .

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  17. Anónimo6/9/22 14:03

    Aí está um bom ponto de vista.

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