Os aumentos salariais para 2023

      O primeiro-ministro António Costa apresenta este domingo os termos do acordo alcançado na Concertação Social.


      Este acordo, alcançado em sede de concertação social, foi subscrito pela UGT (onde se insere o SOJ) e não foi subscrito pela CGTP (onde se insere o SFJ).


      Foram sendo conhecidos alguns aspetos do acordo, como o valor do Rendimento Mínimo Mensal Garantido, o aumento dos salários e até os 43 cêntimos para o subsídio de refeição, mas espera-se que todos os aspetos finais do documento sejam confirmados por António Costa, na apresentação que fará esta tarde às 15H00.


      Os valores envolvidos neste acordo vigorarão a partir do próximo mês de janeiro de 2023 e serão já incluídos na proposta de Orçamento de Estado para 2023, proposta esta que o Governo apresentará já esta segunda-feira, 10OUT, na Assembleia da República.


      Em termos práticos, aquilo que de mais relevante verão os Oficiais de Justiça acontecer relativamente aos seus vencimentos é estes subirem cerca de 5%, isto é, em números redondos, 50 euros num vencimento de 1000 euros, acrescidos de mais 5 euros de suplemento e mais 9 euros de subsídio de refeição.


      Ou seja, os Oficiais de Justiça receberão a partir de janeiro – pelo menos – mais 65,00 no seu vencimento mensal, valor este que indicamos para um vencimento de 1000 euros, tudo em bruto, isto é, valores antes de descontos e impostos, com exceção do subsídio de refeição, cujo valor não está sujeito a descontos.


      Para a CGTP-Intersindical, o acordo, resulta em menos poder de compra para os trabalhadores e, por tal motivo, não o subscreveu.


      Em comunicado, a central sindical aponta que os referenciais propostos pelo Governo "fazem com que no final de 2023, se tenha um menor poder de compra do que aquele que os trabalhadores tinham em 2021".


      A CGTP considera que “Isto não é aumento, é empobrecimento”, indicando que “os 5,1 por cento [de valorização de salários] propostos, contrastam com uma inflação acumulada em 2022 e 2023, superior a 11%”.


      Para a CGTP, o conteúdo do “acordo para uma suposta melhoria dos rendimentos, salários e competitividade, reforça as razões para uma forte mobilização e uma ampla participação nas manifestações que dia 15 de outubro”, previstas para Lisboa e Porto.


      Enquanto a UGT e as confederações patronais CIP e CTP consideraram haver condições para assinar o acordo de médio prazo com o Governo, apesar de defenderem que ainda há melhorias a fazer, a CGTP, critica que se continue “a negar a reintrodução plena do princípio do tratamento mais favorável, mantendo os bloqueios que permitem a chantagem patronal”.


      “Para o salário mínimo nacional, mantivesse o Governo a intenção de aumento real que tinha no seu programa eleitoral (aumento este que estava baseado numa previsão de inflação já ultrapassada pelos acontecimentos), o salário mínimo seria superior a 810 euros em 2023”, nota ainda a central sindical.


      A CGTP salienta que a inflação acumulada já tirou poder de compra às famílias de trabalhadores e pensionistas, exemplificando com os aumentos superiores a 20% em alguns produtos e que “os 760 euros propostos pelo Governo (que em termos líquidos são 677 euros) significam o agravamento das dificuldades”.


      O valor do salário mínimo nacional deveria subir para 850 euros em janeiro, defende a central sindical, reconhecendo ainda que no acordo estão “algumas medidas em sede de IRS” que “há muito” reivindica.


      No entanto, “o que ressalta do acordo são medidas que enchem os bolsos ao grande patronato” critica a CGTP, referindo “benefícios fiscais no IRC” que continuam a “deixar intocáveis os milhões de euros de lucros do grande capital”.


NotasNasMaos.jpg


      Fontes: “Notícias ao Minuto #1” e “Notícias ao Minuto #2”.

Comentários


  1. A UGT representa quem, os patrões?

    Está satisfeita com os aumentos, que aumentos?


    ResponderEliminar
  2. Amanhã, uma delegação do SFJ vai estar presente no Parlamento no momento da apresentação do Orçamento de Estado para lembrar que as Leis do OE de 2020 e 2021 estão por cumprir?!...


    ResponderEliminar
  3. Em duas reuniões, meteram-se os trabalhos das unidades de missão e grupos de trabalho na gaveta, como de costume, e assinou-se um acordo para quatro anos. Convenceram o Patronato, vamos ver com que benesses no OE2023.
    Assim, em duas trocas de palavras, arrumaram com o assunto.
    Quanto aos problemas dos OJ vamos ver se também vão ser resolvidos da mesma forma.
    Dizem que há excesso de socialismo, talvez sim, há por certo um excesso de facilitismo e de colo (o nosso PR diz almofada) por parte de todos nós e da comunicação social.

    Se fosse com outros governantes estaria tudo na rua, assim, porque somos demasiados complacentes com os nossos (somos tribalistas) não criticam os e seguimos em frente (com este acordo ficamos parados no tempo ou até regredimos).

    E assim caminhamos, sem ambição e resignados.

    ResponderEliminar
  4. Diz na entrevista Francisca Van Dunem que o marido perdeu uma fortuna.

    Mas já começou a bombar!

    Portal base:

    AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA JURÍDICA - ELABORAÇÃO DE PARECER JURÍDICO NO ÂMBITO DA CONCESSÃO DE ÁGUA E SANEAMENTO
    Ajuste Direto Regime Geral
    Município de Paços de Ferreira
    Eduardo Paz Ferreira & Associados - Sociedade de Advogados, RL
    40.000,00 €
    13-05-2022

    Prazo de execução 10 dias.

    É obra!...

    Mais do que um Oficial de Justiça, em início de carreira, ganha em 3 anos e meio!...

    Um elitismo sem consciência social!...



    ResponderEliminar
  5. Ser titular de um Órgão de Soberania ou de um doutoramento não justifica que seja decretada a morte da decência e elevada a arrogância à categoria de virtude!....

    ResponderEliminar
  6. Dava para pagar, durante esses 10 dias, a 130 Oficiais de Justiça!...

    A hiper produtividade do Senhor, com a devida vénia!...

    ResponderEliminar
  7. Muito paleio, conferências de imprensa, acordos da concertação social e coiso e tal mas o que é verdade é que apenas sei que o salário mínimo vai para os 760€ e o subsídio de alimentação para os 5,20€
    Ainda não percebi qual vai ser o nosso aumento.
    Vão ser os tais 50 ou 52 euros para todos?
    Alguém sabe?
    Alguém consegue explicar?

    ResponderEliminar
  8. Com a administração pública/ função pública é diferente, o Patronato é o Estado e por isso diz-se que o aumento será de 3,9% e o subsídio de alimentação pode ir para os 6 euro. Além disso haverá progressão de escalão para quem tenha 15 ou 30 anos na carreira de assistente técnico, os técnicos superiores verão um aumento especial de cerca de 100 euros, isto segundo a FESAP.

    Diz-se também que haverá aumentos em sede de revisão de carreiras o que poderá ser o caso da nossa.

    Vamos ver amanhã com a entrega do OE 2023 se lá consta qualquer coisa ou então é aguardar pela publicação do projecto de estatuto.

    Esta semana haverá desenvolvimentos... esperamos!

    ResponderEliminar
  9. Obrigado pelo comentário.
    👍

    ResponderEliminar
  10. Resposta ao comentário anónimo de 09-10-2022 às 22:00:
    A explicação que requer está no texto do artigo.
    Em síntese, para o que interessa aos OJ, há um aumento de 5,1% no vencimento bruto (antes de descontos e impostos), com reflexo nos 10% do suplemento, que também sobe, e ainda o subsídio diário de refeição que sobre dos 4,77 para os 5,20.
    No artigo apresentam-se ainda valores num exemplo.

    ResponderEliminar
  11. Excerto de texto publicado no "ECO":

    "José Abraão referiu esta sexta-feira que a margem que o Governo tinha dito que existia para melhorar as propostas salariais para os funcionários públicos “passa de um aumento médio de 3,6% para 3,9% – mantendo os 5,1% da massa salarial”, por via da subida de 43 cêntimos no valor diário do subsídio de refeição, dos atuais 4,77 euros para 5,20 euros."

    Já ontem (domingo) em noticiário público, o representante da FESAP dizia que estão a tentar chegar aos 6 euros de subsídio de alimentação e que tendo partido de um valor médio de 3,8 % já estão nos 3,9%.

    No mesmo artigo do "Eco" diz-se que "os funcionários públicos vão ter um aumento correspondente a um nível remuneratório no próximo ano, que se traduz em 52,11 euros para a maioria dos trabalhadores."
    Para os ordenados brutos a partir de 2.600 euros o valor mínimo proposto será de 2%.

    Ou seja vai haver uma diferenciação, e muito bem, para quem rendimentos mais baixos.

    Desculpem o apontamento mas a negociação parece ainda não ter acabado (?!).

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Ministério da Justiça já tem novos mapas de pessoal da 1ª instância

A carreira dos Oficiais de Justiça é a terceira mais envelhecida da Administração Pública

Mais um acordo assinado e foi “uma grande vitória” e foi “o que se conseguiu”, diz o SFJ