Projeto de Estatuto entra em Circuito Legislativo

      O Gabinete do secretário de Estado adjunto e da Justiça, enviou um ofício, para ambos os sindicatos (ativos) representativos dos Oficiais de Justiça, datado de 29SET que os sindicatos divulgaram ontem nas suas páginas da Internet.


      Nesse ofício afirma o mencionado Gabinete que “já ultimou o projeto legislativo que procede à revisão do Estatuto dos Funcionários de Justiça", observando logo de seguida: "sem prejuízo da necessária articulação com as áreas setoriais da administração pública e finanças”.


      O que é que isto quer dizer? Que o projeto de Estatuto está pronto?


      Sim, mas também não.


      Quer dizer que da parte do Ministério da Justiça o projeto está pronto, mas que vai entrar agora naquilo que António Costa já designava no ano passado de "circuito legislativo", circulando pelas demais "áreas setoriais da administração pública", não esquecendo, claro está, as Finanças.


      Portanto, ainda não está mesmo pronto, pronto; porque precisa da bênção de outras áreas da administração pública, especialmente do Fisco.


      No ofício pode ler-se o que vai suceder a seguir.


      «Seguir-se-á (...) a publicação em separata do Boletim do Trabalho e Emprego. Contamos, assim, a curto prazo, iniciar o procedimento de negociação coletiva.»


      Findo o dito circuito legislativo, o projeto segue para publicação no BTE e serão ouvidas as entidades que legalmente o têm que ser, que emitirão pareceres, tal como sucedeu no ano passado, e, só depois disso é que será marcada uma primeira reunião com os sindicatos.


      Prevemos que essa tal primeira reunião (se é que se pode chamar mesmo primeira…) só deverá ocorrer – se tudo correr bem e de forma célere –, no próximo mês de novembro.


      Claro que isto vem demonstrar e reforçar o facto do Ministério da Justiça não querer atender desde já nenhuma das reivindicações básicas formuladas para serem concretizadas antes da negociação do Estatuto, isto é, para que não façam pate do pacote negocial, as implementadas já, o quanto antes.


      Por isso, perante esta postura e informação, embora o SFJ não se pronuncie, o SOJ referiu o seguinte:


      «a) A reunião realizada no dia 2 de maio, tal como sempre foi afirmado por este Sindicato, teve como ponto de ordem a apresentação e discussão sobre as matérias que importam à carreira dos Oficiais de Justiça. Tentar, como tentou o Governo, transmitir uma imagem de que a reunião teve objeto diferente, visou, essencialmente, escamotear as suas responsabilidades e adiar o cumprimento da lei;


      b) O Ministério da Justiça apresenta, formalmente, informação já prestada aos Oficiais de Justiça, informalmente, mas agora sem se comprometer com datas;


      Assim, e na sequência dos pontos anteriores, até por serem conhecidas as reivindicações dos Oficiais de Justiça, e há medidas que urgem, o SOJ mantém os Avisos Prévios de Greve, já apresentados.»


      E indica de seguida as ligações aos referidos avios prévios, tal como a seguir também indicamos.


      – Aviso Prévio de Greve para a manhã do dia 04OUT e


      – Aviso Prévio de Greve para a tarde do dia 06OUT.


      O SOJ considera que, para além de não haver uma data ou prazo concreto, mas tão-só a expressão de um desejo: “Contamos, assim, a curto prazo…”, e este curto prazo, em relação ao longo prazo de espera por esta revisão, poderá ser um curto prazo de 1 ano, por comparação com o longo prazo que está em cerca de 20 anos.


Maos1.jpg


      Fontes: “SOJ-Info” e “SFJ-Info”.

Comentários

  1. Isto do estatuto é como o aeroporto de Lisboa, muitos estudos, muitas versões. Espero que também demore o mesmo tempo.
    Quem pensar que o novo estatuto vai-nos beneficiar, também deve acreditar que a TAP algum dia dê lucro.

    ResponderEliminar
  2. Totalmente verdadeiro e é pena que haja tanta gente iludida...

    ResponderEliminar
  3. Prefiro as novelas brasileiras á do estatuto, demoram menos tempo e têm menos suspense.
    Talvez acabe este mês, talvez para o que vem, talvez para o ano.
    Que nos diz, senhor Marçal? Contentinho?

    ResponderEliminar
  4. Não é preciso o novo estatuto? Falam a sério?
    Então quer-se continuar assim, nesta pressão contínua, só podem estar num serviço em que porventura a situação não é tão má. A isso chamamos de situacionismo, porque a situação pontualmente nos convém defende-se o status quo.
    Mas já pensaram que um estatuto não pode nem vai prejudicar ninguém, que todos saem beneficiados, posto que se defenda convenientemente a posição do oficial de justiça.

    Por muito que se tente não se consegue parar o tempo, e muito menos voltar atrás.

    Num futuro não muito distante, como hoje já acontece, a secretária do tribunal será única, mas no verdadeiro sentido, por exemplo com atribuição de processos em lote a cada funcionário da comarca nas áreas em que for possível, onde quer que ele esteja.
    Nessa altura ninguém poderá dizer que está num local com mais ou menos serviço, ele será tendencialmente igual para todos.

    Ainda não se deram conta que ontem tinhamos carros a gasolina/gasóleo e hoje a GPL e a eletricidade, amanhã a hidrogênio e agrocombustiveis, etc.

    A vida evolui e essa evolução é inevitável.

    Não nos podemos colocar á frente de um comboio em andamento, podemos é apanhar a boleia e circular á mesma velocidade.

    Vivemos numa democracia participativa.

    ResponderEliminar
  5. E isso implica que se participe nas decisões que afetam todos e especialmente a um concreto grupo de pessoas, como é o caso dos oficiais de justiça.

    Se defendermos bem os nossos interesses eles serão por certo salvaguardados.

    Resumindo "não vem aí o diabo" , mas apenas o que quisermos que venha, se não nos servir, recusa-se o projeto até que servir.

    É isto.

    ResponderEliminar
  6. E depois veio o coelhinho e foi com o Pai Natal ao circo.....

    ResponderEliminar
  7. A vida purisimplesmente acontece, e é preciso descomplicar o que aí vem.
    Será o que tiver de ser e nós temos um papel importante nisso.

    ResponderEliminar
  8. Não conheço essa história, na minha infância os ovos eram das galinhas e não os comiamos, vendiam-se para pagar as despesas com os livros , roupas e passe escolar.

    Ter os pés bem assentes na terra é importante quando se tomam decisões.
    Não podemos ser hipócritas.
    O que é que vamos fazer com a revolução do digital, fazemos de conta que não existe, que não acontece?

    Ou vamos aproveitar a ocasião para criar melhores condições de trabalho e de vida!

    É isto que está nas nossas mãos - haverá quem pense que o passado pode ser restabelecido e funcionava melhor, veja-se o Putin - é preciso acordar para a vida.

    É a minha opinião, mas eu estou sempre a enganar-me por isso nem eu me levo a sério.


    ResponderEliminar
  9. O verdadeiro tuga fatalista.
    Parabéns, so falta dizer que será o que Deus quiser.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Ministério da Justiça já tem novos mapas de pessoal da 1ª instância

A carreira dos Oficiais de Justiça é a terceira mais envelhecida da Administração Pública

Mais um acordo assinado e foi “uma grande vitória” e foi “o que se conseguiu”, diz o SFJ