Ministra da Justiça confirma que não cumpre leis da Assembleia da República
Esta semana, a comunicação social, apesar de andar entretida com o demissionário secretário de Estado, ainda teve tempo para um fugaz espanto com a ministra da Justiça.
Num dos títulos podia ler-se o seguinte: «É inédito. Ministra põe na gaveta leis aprovadas contra viciação de processos».
Inédito? Não, longe disso.
O Governo – este governo – não cumpre as leis emanadas da Assembleia da República há muito tempo, há anos, e sistematicamente. Um bom exemplo disto e muito bem conhecido dos Oficiais de Justiça é o incumprimento de duas leis da Assembleia da República que obrigavam o Governo, claramente, a cumprir prazos e a implementar alguns aspetos da carreira dos Oficiais de Justiça, o que não foi cumprido, nem nos prazos estabelecidos nem ainda agora, quando já passam, não meses, mas anos.
Portanto, o espanto da ministra afirmar que não vai cumprir duas leis aprovadas na Assembleia da República há mais de um ano, não é nada de novo, porque já outras foram igualmente e descaradamente incumpridas.
Consta assim da notícia:
«Catarina Sarmento e Castro assumiu que não ia regulamentar duas leis aprovadas há mais de um ano para prevenir a viciação de processos judiciais.
A ministra da Justiça anunciou que não vai regulamentar duas leis, aprovadas na Assembleia da República e já publicadas em Diário da República há mais de um ano, cujo objetivo era prevenir a manipulação no sorteio de processos judiciais.»
Para que se perceba, de forma clara e simples, a coisa é assim: da Assembleia da República emanaram leis que o Governo não gostou e, portanto, não as cumpriu nem tem intenção de as cumprir.
Evidentemente que isto é vergonhoso e ainda muito preocupante.
Em causa estão as Leis 55/2021, de 13 de agosto, e 56/2021, de 16 de agosto, resultantes de projetos do PSD. Na altura, o PS tinha votado contra, mas como não tinha maioria absoluta no Parlamento, as leis acabaram por avançar, porque todos os restantes partidos votaram a favor.
Estas leis obrigavam a que todos os juízes fossem incluídos na lista a sortear na distribuição de processos, com presença obrigatória do Ministério Público, presença também de um representante da Ordem dos Advogados, “sempre que possível”, e ainda do mandatário judicial sempre que as partes o queiram, a par da obrigação de documentar todas as operações de distribuição.
Esses diplomas legais tinham 30 dias para serem regulamentados e a então ministra da Justiça, Francisca van Dunem, até chegou a assinar um despacho. No entanto, como sublinha o Diário de Notícias, nada aconteceu.
A Lei manda regulamentar, não se regulamenta e, portanto, anula-se a lei. E não se regulamenta porquê? Porque ainda não se teve tempo? Porque é assunto complexo e demorado? Não, nada disso; o que se passa é que o Governo não gosta dos diplomas, anula-os, não os cumprindo, e vai propor outros a seu gosto.
Isto é um atentado vil e vergonhoso ao Estado de Direito e à Democracia, com total desrespeito da Assembleia da República, isto é, do Povo deste país.
«O Ministério considera que há aqui um espaço para melhorar esta forma de o fazer. Portanto, está a trabalhar numa alteração que virá propor ao parlamento”, assumiu Catarina Sarmento e Castro.
Contactado pelo Diário de Notícias, o gabinete da Ministério da Justiça confirmou que o Governo “tem estado a avaliar a oportunidade de revisitar algumas soluções”. O objetivo é “implementar, o quanto antes, os mecanismos reforçados de controlo da distribuição eletrónica dos processos judiciais”.
Apesar da urgência da ministra da Justiça em tornar o processo mais transparente, a realidade é que as duas leis publicadas em Diário da República estão paradas há mais de um ano.
“De que está à espera senhora Ministra?”, questionou a deputada social-democrata Mónica Quintela. “O mercadejar da Justiça é do mais vil que se pode imaginar”.
“Este é o cerne da “Operação Lex”, ou seja, o sistema, como está, permite que sejam escolhidos os juízes que se queiram para determinados processos. Mesmo na distribuição eletrónica. É muito grave e a Ministra da Justiça disse, que não vai regulamentar as leis aprovadas na Assembleia da República e que vai apresentar uma proposta diferente!”, disse Quintela em declarações ao matutino.
«É inédito um ministro dizer que se recusa a regulamentar leis aprovadas na Assembleia da República. É horrível o que está a acontecer! Mesmo com a Operação Lex em curso e com todos os problemas públicos oriundos na distribuição de processos na Operação Marquês», acrescentou a deputada.
Pois não é inédito, como diz a deputada, mas, sim, é horrível, como afirma.

Fonte: “ZapNotícias” e “Diário de Notícias”.
Esta senhora é como o Sporting quando está em primeiro lugar no campeonato.
ResponderEliminarNinguém sabe como foi lá parar ...
Será que ela existe? Tal qual o líder do SFJ?
ResponderEliminarPenso que ambos são fruto do nosso imaginário.
Disseram-nos que existem, oocupam os lugares e.........nada. Nadinha de nada, que alguma coisa dá trabalho
Tás enganado pá. Vivo circo, logo cinco pá. És cego ou quê? E os calendários, e os bilhetes para o circo e as sandes de leitão, porta chaves e camisolas?
ResponderEliminarIngrato, é o que és
Esqueceste-te das canetas. Sim senhor. Grande líder.
ResponderEliminarO "lápis rosa" da Senhora Ministra da Justiça.
ResponderEliminarAs Leis emanadas do Parlamento são "censuradas" pelo Ministério da Justiça!...
Hoje tive um sonho.
ResponderEliminarOs dois sindicatos, juntamente, marcavam duas semanas de greve para as segunda e terceira semanas de dezembro. Antes divulgavam as mesmas, com todas as forças na comunicação social, explicando toda a desconsideração a que fomos sujeitos pela tutela.
Faziam ainda sessões de esclarecimento conjuntas, pelos tribunais sedes de comarca.
Sonhei também que, após, nem um dia de greve chegaríamos a fazer, pois a tutela negociaria connosco, como o fez com as demais classes
Foi um sonho sim, mas poderia acontecer se não fossemos representados por gente miupe.
ResponderEliminarContinua a sonhar... sentado...
ResponderEliminarOs tribunais exercem a justiça em nome do povo...
O povo é quem mais ordena... e a srª ministra também!
Ministra da Justiça autoproclama as suas competências de "veto político" dos diplomas aprovados na Assembleia da República!...
ResponderEliminarO Senhor Presidente da República que se cuide!...
Ministra da Justiça investida do poder de "veto político"
As declarações da Senhora Ministra da Justiça configuram um verdadeiro "veto político" a uma Lei aprovada pelo Parlamento!...
Acontece que essa é uma das competências exclusivas da Presidência da República.
Arrogar-se desse poder de "veto político" consubstancia
uma forma de usurpação de poderes!
Então, um secretário de estado, não um chefe de gabinete ou um contínuo, sim um secretário de estado, envia um ofício, assinado, com o timbre do ministério, a dizer uma coisa e passado pouco tempo a ministra diz outra e nada. Ninguém pede explicações.
ResponderEliminarQue é isto?
Uma das competências mais importantes do Presidente da República no dia-a-dia é o da fiscalização política da atividade legislativa dos Órgãos de Soberania.
ResponderEliminarRecebido um diploma para promulgação, o Presidente da República ou o promulga ou pode fazer outras duas coisas:
Se tiver dúvidas quanto à sua constitucionalidade, pode, no prazo de 8 dias, suscitar ao Tribunal Constitucional a fiscalização preventiva da constitucionalidade;
Ou pode, no caso de diplomas da Assembleia da República, no prazo 20 dias vetar politicamente o diploma, devolvendo-o á Assembleia da República, através de mensagem fundamentada em que expressa a sua posição política quanto ao conteúdo ou oportunidade desde diploma.
Mas no caso concreto tem que o fazer no prazo de 20 dias.
A Senhora Ministra da Justiça, com as suas declarações, autoproclama esse poder de veto político e ainda por cima sem prazo para o fazer (Presidente da República 20 dias Ministra da Justiça mais de um ano, e sabe-se lá até quando)!...
O regular funcionamento das instituições democráticas está ferido de morte e compete a sua Excelência o Presidente da República fazer essa avaliação!
Enquanto OJ, estou preplexo com estas declarações da Senhora Ministra da Justiça.
Digo "perplexo"
ResponderEliminarHoje também tive um sonho! E que sonho!!! Infelizmente não o posso contar aqui...mas tem a ver com uma senhora com quem me cruzei na rua! Que par de olhos!!! Caro colega: se é para sonhar, sonhe em grande e não perca energias com banalidades!!!!
ResponderEliminar
ResponderEliminarviva áfrica