MJ: “Estatuto é para ver a luz do dia ainda em 2023”
A ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, declarou ontem na Assembleia da República que “o Estatuto é para ver a luz do dia ainda em 2023”.
Note-se bem que disse “ainda em 2023” e não “ainda em 2022”, isto para que veja a luz do dia, embora possa ver desde já a luz artificial da noite, tanto mais que, com a hora de inverno, escurece mais cedo.
Todos estão recordados de que o secretário de Estado Jorge Albino Alves Costa tinha anunciado a publicação no Boletim do Trabalho e Emprego (BTE) nas primeiras semanas de outubro; outubro, o mês passado.
Agora, temos estas declarações a afirmar que, certamente e “ainda” para o ano verá a “luz do dia”.
A este propósito temos mesmo que recordar as palavras da anterior ministra da Justiça, Francisca van Dunem, isto é, traze-las de novo à luz do dia quando, um certo dia como este e no mesmo órgão de soberania, disse assim – note-se que estávamos em junho de 2020:
«Quanto ao estatuto dos funcionários, eu, já agora, relativamente a estatutos, queria dizer aqui o seguinte: Este Governo reviu o estatuto dos magistrados judiciais e do Ministério Público, o que o governo anterior não tinha conseguido fazer. Este Governo reviu o estatuto da Polícia Judiciária; este Governo fez uma intervenção no estatuto do corpo da Guarda Prisional; este Governo, de facto, em matéria de estatutos; teve também intervenção no que diz respeito às carreiras dos registos; basicamente, em matéria de estatutos, aquilo que o Governo tem, neste momento, referir-se-á aos Senhores Oficiais de Justiça que têm inteira razão para reclamar.
Há, efetivamente, a norma orçamental que prevê que até ao final de julho estejam prontos os estatutos dos Oficiais de Justiça.
Senhores deputados, eu tenho que dizer que não vão estar. E não vão estar por uma razão muito simples: nós tivemos dois meses e meio de paragem e nesses dois meses e meio não foi possível estabelecer, tivemos uma reunião só; só para estabelecer a negociação e, eu diria mesmo, da parte do Governo, houve alguma dificuldade em lidar com esses dossiês, uma vez que havia uma grande concentração de dossiês relacionados com a Covid e, portanto, em julho não estará.
O compromisso que faço aqui é que, até ao final do ano, o compromisso é de trazer aqui o estatuto dos Oficiais de Justiça.»
Corria então o ano de 2020.
Este ano, a atual ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, diz assim:
«Estamos já a trabalhar no Estatuto dos Oficiais de Justiça. Nós já recebemos os Oficiais de Justiça, o secretário de Estado [Adjunto e da Justiça, Jorge Alves Costa] tem também vindo a fazer esse trabalho e o Estatuto é para ver a luz do dia ainda em 2023”.
Assim o afirmou Catarina Sarmento e Castro na discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2023 – em conjunto com a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos Liberdades e Garantias –, na Assembleia da República.
Segundo a intervenção inicial da ministra, “muito em breve” será retomado o debate com as estruturas sindicais em torno da revisão do Estatuto dos Oficiais de Justiça.
Catarina Sarmento e Castro focou também o discurso no desenvolvimento das capacidades destes profissionais, vincando que “a dignificação dos trabalhadores e a transformação da justiça” se faz também com formação. Claro que sim, fica sempre bem referir a necessidade de formação, muita formação para todos os Oficiais de Justiça.
Também o número deficitário dos Oficiais de Justiça e a média de idades elevada destes profissionais (em torno dos 52 anos) foram aspetos reconhecidos pela governante, que assumiu o compromisso de alterar esta realidade.
«Uma das prioridades será, sem dúvida, dotar os tribunais de Oficiais de Justiça. Desde logo, é ilustrativo que esta média de idades aconselha a que seja necessário reforçar a entrada. Tenho andado nos tribunais e constato que, de facto, é uma média de idades elevada e é preciso encontrarmos, como fizemos para a PJ, uma solução. E fá-lo-emos!», reforçou, quando já todos sabem que essa solução de reforço das entradas corresponde a apenas 140 vagas de ingresso e não a 1140, como seria mais correto para cumprir, desde logo a previsão legal, e, consequentemente, suprir de forma adequada a grave carência de Oficiais de Justiça que se arrasta desde há tantos anos, especialmente, com maior gravidade, desde a reorganização judiciária, isto é, desde há cerca de uma década.
Também o secretário de Estado Jorge Alves Costa teve intervenção. Após as questões colocadas por diversos deputados, esclareceu que a discussão do novo Estatuto só não chegou a bom porto na anterior legislatura devido a “discordâncias” relativamente ao regime de aposentação, a definição da nova carreira e o suplemento de recuperação processual.
Só não chegou a bom porto, nem viu a luz do dia por “discordâncias” quanto a esses três aspetos, diz o secretário de Estado, quando, como disse, foi apresentada toda uma nova carreira, completamente nova e diferente, cerceada, e ainda criticada por todas as entidades a quem foi pedido parecer e mesmo outras que voluntariamente se pronunciaram. Recorde-se que os pareceres contrários que rejeitaram aquela famosa proposta de Estatuto foram apresentados por: COJ, CSM, CSTAF, CSMP, ASJP e SMMP, pelo que a discordância dos dois sindicatos que representam os Oficiais de Justiça nem sequer é especialmente relevante em face de tanta e tão profunda discordância apresentada.
E continua Jorge Costa:
«O Governo fez desde logo uma reunião com os dois sindicatos e perguntámos quais as questões que mantinham. Mais tarde, fiz eu próprio uma reunião com os dois sindicatos. Foi após essa nova reunião que fizemos um trabalho interno, em articulação com o Ministério das Finanças e a Administração Pública, no sentido de termos o acolhimento relativamente a propostas novas que, estamos convictos, irão fazer um bom estatuto e que os sindicatos aceitem, que valorizam muito o Estatuto dos Oficiais de Justiça.»
Portanto, da perspetiva do atual secretário de Estado – tal como já perspetivava o anterior secretário de Estado –, “estamos convictos”, diz, que irá “ver a luz do dia” “um bom estatuto” que “os sindicatos aceitem” pois as tais propostas “valorizam muito o Estatuto dos Oficiais de Justiça”.

Fontes: Agência Lusa em “CNN Portugal”, “Notícias ao Minuto” e “Observador”.
A luz está muito cara, temos de poupar luz. Estatuto ainda para 2023, não, esperemos que a luz baixe o preço, talvez 2024. Talvez.
ResponderEliminarSenhores da EDP, não baixem o preço da luz, por favor.
É uma convicção própria, mas o novo estatuto será o que nos foi apresentado com uma ou duas alterações cosméticas.
Continuem a picar ponto às horas designadas e a continuar a trabalhar depois disso...
Não sei porquê mas ocorreu-me agora a frase que passo a transcrever, com a devida vénia ao seu autor, o saudoso Manuel António Pina: "Devemos admirar os políticos, pessoas frequentemente bem formadas que aceitam transformar-se em aldrabões para se porem ao serviço do povo".
ResponderEliminarSabia do que falava, e de que não haveriam aldrabões sem
ResponderEliminaraldrabados e que, se uns gostam ou querem, os outros porque não?
Tenho a certeza que a minha GREVE de ZELO será mais fincada. Não darei um minuto que seja.
ResponderEliminarFarei trabalho somente de UM.
GREVE pelos SINDICATOS nada.
Eu não consigo entender os colegas e sindicatos que anseiam tanto este estatuto, quando temos um défice de falta de funcionários brutal, pergunto se não será prioritário haver promoções e ingressos? o estatuto nas versões anteriores era um verdadeiro atentado contra o oficial de justiça, agora com um governo com maioria acham que vai ser alguma coisa positiva? Então para quê tanta ansia e vontade para que o estatuto veja a luz do dia?
ResponderEliminarNão podemos acusar neste momento os sindicatos de inércia.
ResponderEliminarAndam deveras ocupadíssimos no preparo das festas de Natal.
Eu tenho 30 anos de serviço nos tribunais e nunca compreendi esta classe que é a minha. Parece que a subserviencia está no DNA dos oficiais de justiça.
ResponderEliminarTem medo dos juizes, tem medo do papão COJ, tem medo da DGAJ....porra, até os sindicatos promovem este tipo de comportamento de respeitinho sem se dar ao respeito.
Por isso todos fazem gato sapato dos OJ, já sabem que nunca vai haver uma reação. Mais uma vez vamos comer o estatuto que vier e continuar esta vidinha triste. Agora este cronus para não nos esquecermos os escravos que somos.
É muito simples, só com o novo estatuto poderá ser resolvido o imbróglio criado nos últimos movimentos e promoções ocorridas, os quais estão em questão nos tribunais, nas várias ações propostas pelos colegas interessados e também pelos sindicatos.
ResponderEliminarPor outro lado, não obstante o disposto no art.º 66.º n.º 2 al. b) do atual EFJ, normalizou-se o conteúdo funcional exigindo-se dos auxiliares a realização de tarefas de adjuntos ou até de escrivães de direito/técnicos principais, situação que importa corrigir.
Sei que em muitos serviços começa a faltar a pessoa que estava ao nosso lado (esquerdo e direito) e o serviço agora está numa só secretária, por isso era importante o reforço de pessoal.
Mas devemos atentar que não deve ser assim, o conteúdo funcional deve ficar bem explícito para que possa haver uma clara assunção de responsabilidades em função da categoria/cargo.
A alternativa é a carreira plana em que pertencemos todos a uma única categoria e vamos progredindo por escalões, desempenhemos ou não tarefas indiferenciadas.
Só um estatuto digno poderá responder a todas as exigências da classe profissional e dos serviços.
Por outro lado, não obstante o referido pela senhora Ministra da Justiça, o que eu ouvi dizer pela FESAP é que os 140 funcionários seriam para as Conservatórias/Lojas de Cidadão (os chamados Oficiais do Registo e Notariado).
Penso que alguém lavra em erro ou cometeu equívocos, veremos quem foi porque com tanta informação contraditória já não sei bem quem fala com verdade e honestidade.
Concordo em pleno.
ResponderEliminarFicou de acrescentar medo dos BUFOS que são imensos, que são piores que doenças. Enfim...
ResponderEliminarDepois do anúncio pelo SE de o projecto de Estatuto ficar pronto até 15 de outubro...
derrapagem...
Passa para algures em 2023...
Não há vergonha nem responsabilidade!
Mesmo...entretanto pediu-se às pessoas para aderirem às greves...era muito importante.... e resultado: perda de vencimento.
ResponderEliminarSe houvesse vergonha, demitiam-se todos.
Eu quero é ganhar mais do que ganho.
ResponderEliminarReceber o ordenado e aproveitar um pouco, coisa que actualmente não acontece pois vai tudo para pagar contas e despesas.
É triste mas o ordenado mal dá para comer!!
O novo estatuto e os graus de complexidade xpto e o crl, eu quero é que se f#d@!
De acordo!
ResponderEliminarAcho que a Srª. Ministra só agora percebeu que os tribunais também eram assunto do seu pelouro ... dai o facto do nosso estatuto ainda não ter sido tratado.
ResponderEliminarO meu espanto, que é contínuo por várias razões, reside no facto de, perante esta afirmação da ministra, não haver uma reação dos sindicatos!
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ResponderEliminarÉ por estas mentiras e por outras que os PRTIDOS
EXTREMISTAS SOBEM!
CHEGA-TE CHGA!
ResponderEliminarPor isso é que os PARTIDOS POPULISTAS E EXTREMISTAS
SOBEM
AGRADEÇAM AOS PARTIDOS QUE TÊM GOVERNADO E GOVERNAM
CHEGA-TE!
Peça responsabilidades ou esclarecimentos aos presidentes dos sindicatos e ao "oficial de Justiça" deste blog. Vai mais uma greve?
ResponderEliminarO raio do estatuto não foi aceite porque destruia por completo a carreira. Se fosse aceite haveria uma espécie de carreira exclusiva para lambe-botas escolhidos a dedo. Como é possível que os sindicatos não tenham mandado cá para fora uma nota de imprensa a explicar o que tem realmente acontecido para que a porra de um estatuto anda a ser negociado há bem mais de uma década sem qualquer avanço visível?
ResponderEliminarAo que parece fomos usados pelo responsável do SOJ para atingir/realizar objetivos pessoais. Lá conseguiu um posto sindical e para tal ofereceu-nos de bandeja na mesa de negociações.
ResponderEliminarOs dirigentes do SFJ já se venderam há muito tempo e dali não se espera nada apenas esperam as diretrizes do PC ou PS, que cumprem escrupulosamente.
Fazem o mal pelo mal e estão condenados às comodidades do inferno.
Para mim é pior quem se faz passar por amigo e nós trai tentando nos ludibriar que aquele que diz logo ao que vem e com isso já sabemos o que esperar.
A soneca já vai muito longa!..
ResponderEliminarA proximidade do natal não justifica que seja decretada a morte da decência do movimento sindical e elevada à categoria de virtude, mais estas vississitudes, que se pretendem purificar, com cinco festas de natal
Absolutamente inacreditável.
ResponderEliminarLá para janeiro de 2023!...
Página Oficial do Governo:
2022-07-11 às 23h46
Secretário de Estado reúne com Sindicato dos Funcionários Judiciais e Sindicato dos Oficiais de Justiça
Decorreu hoje, no Ministério da Justiça, uma reunião entre o Secretário de Estado Adjunto e da Justiça, o Sindicato dos Funcionários de Justiça e o Sindicato dos Oficiais de Justiça. O encontro consistiu numa conversação prévia ao arranque do processo de negociação coletiva com vista à revisão do Estatuto dos Oficiais de Justiça, que se pretende que venha a ser iniciado após o período de férias judiciais de verão"
AZAR - VICiSSiTUDES!...
Foi em 2021...
ResponderEliminarNão foi em Junho de 2020.
E depois a trapalhada do Mmº da publicação para pronúncia em 15 dias, antes das férias do verão...
Depois a republicação, já com 30 dias...
Depois o governo foi dissolvido e há novo governo este ano (2022).
Um conselho:
"Os tribunais não são o centro do mundo, logo, quando à uma janela de oportunidade do Governo é bom aproveitá-la, ao invés de os maltratar e enxotar"