"Não há papel, envie e-mail, enquanto vou ali ao supermercado comprar 2 resmas"

      “O Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP), em Lisboa, não teve papel disponível, apesar das garantias deixadas pela ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, de que não havia falhas nos tribunais.


      «Não faltou papel, os “stocks” é que estiveram mais em baixo», garantiu a ministra. No entanto, a denúncia chegou esta sexta-feira (28OUT) do jornal “Observador”, que revelou como uma Oficial de Justiça de uma secção do DIAP, recomendou o envio de um requerimento “por e-mail porque desde sexta-feira que não temos papel”.


      E acrescenta que foi necessário um Funcionário ir comprar duas resmas a um supermercado situado no Campus de Justiça, em Lisboa.


      Para o Governo, havia papel no DIAP mas a forma de gestão é que gera essa ideia nos funcionários.


      “Depois de consultada a Direção-Geral da Administração da Justiça (DGAJ), foi-nos transmitido que o DIAP de Lisboa não reportou qualquer inexistência de papel, situação que foi confirmada junto da Administradora Judiciária e do Secretário de Justiça daquele Departamento.


      As existências são também atestadas pela consulta ao “stock” do respetivo armazém no sistema informático.


      De acordo com a Administradora Judiciária, “o papel é entregue aos serviços para períodos de tempo mais curtos, o que poderá gerar em alguns funcionários a ideia de que não há papel, o que não corresponde à realidade”, respondeu o Ministério da Justiça.


      Há mais tribunais em situação idêntica de falhas no papel. “Falei com vários Secretários de Justiça da região de Lisboa e os Administradores Judiciários têm reportado que há falta de papel porque está pendente a contratação pública”, apontou Regina Soares, secretária regional de Lisboa do Sindicato dos Funcionários Judiciais.


      O Governo admitiu as falhas, justificando que desde o início do ano tem-se assistido “a uma disrupção do mercado do papel devido à escassez da matéria-prima”, o que levou a um aumento do preço.


      “Fruto da conjuntura internacional por todos conhecida, o fornecimento do papel não tem sido contínuo e por isso é tão importante gerir os “stocks” existentes de forma a acautelar períodos transitórios entre contratos”, informou o Governo.


      O Sindicato dos Funcionários Judiciais sublinhou também que há problemas de falta de papel em vários tribunais da região de Lisboa, tanto no Central como no Local. E o problema não é só na parte criminal, em que ainda não se desmaterializou a Justiça e que obriga à utilização de papel para quase tudo.


      Também no cível, onde a tramitação processual já corre toda eletronicamente, também foram identificadas falhas no papel. “O problema é que acaba sempre por se imprimir alguns processos, porque depois há salas de audiências que não têm condições e é mais fácil para os magistrados exibir o processo em papel ou manuseá-lo em papel, porque não existem condições técnicas”, explicou o presidente do Sindicato, António Marçal.


      “Nas execuções de Lisboa, por exemplo, que são juízos em que o próprio código permite a desmaterialização, continuam a existir despachos dos senhores juízes a mandar imprimir muitas peças processuais e requerimentos que a lei não obriga, mas que é mais prático para consultar”, reforçou Regina Soares.”


PapelFolhas.jpg


      Fonte: reprodução adaptada do artigo publicado a 28OUT na “Mutinews”.

Comentários

  1. Grande SFJ, grande Marçal. No sábado e domingo, uma vez mais, até às tantas da noite, sempre perto do funcionário que no porto esteve de serviço no interrogatório do político de Montalegre. Sempre presente, sempre solidário, sempre a denunciar o trabalho escravo.
    Uma verdadeira seta apontada á tutela
    Assim sim, grande Marçal. Todas as televisões e jornais a denunciar em o atropelo.
    Vale de facto a pena estar sindicalizado e ter representantes de tamanha envergadura
    Força SFJ e também SOJ, sempre presentes, sempre a denunciar
    Somos ou não somos sortudos e abençoados por tamanha competência e vontade de trabalhar?

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  2. Não sejas mau. Coitaditos, estiveram a preparar cinco, sim, cinco festas de natal. É obra, e ainda os presentes
    Francamente pá.

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  3. Atenção. Ouvi comentar, não sei se é verdade,mas parece que se não houver novas sobre o estatuto até 2027, vamos para a greve.
    Até tremem

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  4. E não é só greve, são manifestações em Lisboa como fazem outras classes profissionais, são os sindicatos nas televisões, é o Tempo de Antena na RTP, é telefonar para os fóruns nas rádios! Quem paga quotas está a desperdiçar dinheiro!

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  5. A falta de papel nos tribunais é gritante. Mas mais gritante ainda é a falta de funcionários. Há secções que deveriam estar a funcionar com 10 funcionários e que estão a funcionar há muitos meses com apenas 4. E vai piorar nos próximos anos com o elevado número de pessoas que irão reformar-se. O que se está a passar nos tribunais trata-se de bullyng laboral e de desrespeito pelos direitos humanos. É extraordinário que os sindicatos ainda não se tenham apercebido da situação desesperante em que se encontram os seus representados.

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  6. Bullying laboral é mobbing.
    Só para esclarecer.

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  7. Fica mais bonito falar no edificado, na legislação, fazer visitas ao estrangeiro.....e disso fazer notícia. Isto é mais de doutor, sabem.
    Falar de falta de funcionários é menor, não dignifica, não preenche os quesitos de doutor, sabem ....

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  8. Quiet quitting. Sabem o que é?

    Mas até para esta forma de protesto há colegas que tem medo.

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  9. E a quantidade de colegas mais novos que têm abandonado a profissão por denúncia ou exoneração a seu pedido!

    Os números são alarmantes!..

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  10. Noticias ao minuto

    "Sindicato da PSP marca manifestação nacional para 24 de novembro.

    O interessante e promissor, é que na conferência de impressa onde foi anunciada a manifestação, estiveram presentes
    representantes do
    Sindicato dos Funcionários Judiciais, certamente a frequentar um estágio junto daquele sindicato representativo da PSP.

    Talvez consigam aprender qualquer coisa!...



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  11. Verdade! Só falta mesmo andar com um chicote atrás de nós, não percebo como é que ainda não foram tomadas atitudes em relação a isto, acções concretas por parte do sindicato.

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  12. Já sabem tudo, logo nada têm a aprender. Estiveram lá porque sim, porque fica bem. Quanto aos associados, nem sabem quem são.
    Até dá dó.
    Que coisa ruim.

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  13. Só para ficar registado. Há secções a funcionar Só com um oficial de justiça e com uma pendência de 900 inquéritos.

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  14. As greves cirúrgicas decretadas pelo SOJ falharam redondamente.

    E isso explica-se por nunca terem sido divulgados os dados da adesão e pelo facto de não terem sido anunciadas outras.

    Mas o que conta é a intenção de defender intransigentemente a classe dos Oficiais de Justiça.

    Se a estratégia falhou, há que mudar e encontrar outra!...

    Fica a sugestão.
    Greve geral dia 25 de novembro, no dia seguinte a manifestação da PSP, e no dia da votação final do Orçamento de Estado.

    Sem serviços mínimos e com uma concentração de Oficiais de Justiça na Assembleia da República.

    O SOJ está legitimado e mandatado em plenário de trabalhadores para assumir esta "batalha"!...

    Haja coragem!...

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  15. E com cartazes com o seguinte Slogan:

    "As leis do Orçamento de Estado de 2020 e 2021 continuam por cumprir"

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