Cartazes afixados nos tribunais são “repugnantes e ofensivos”

      A Federação dos Sindicatos da Administração Pública (FESAP) considerou ontem como “repugnante” a campanha do “Mecanismo Nacional Anticorrupção”, cujos cartazes também foram recebidos por estes dias nos tribunais, sendo mesmo alguns afixados.


      Em causa estão cartazes onde se pode ler o seguinte mote: “Um funcionário público recebe dinheiro para não aplicar uma coima – Isto é corrupção, diga não!”.


      A campanha recorre a alguns exemplos abstratos de comportamentos associados à corrupção, como empresários que pedem favores, alunos que pagam para pagar e, claro, o funcionário público que recebe dinheiro para fechar os olhos a qualquer coisa.


      A FESAP repudiou a campanha, designadamente, o cartaz do mote do funcionário público, considerando-a “repugnante e ofensiva” para os trabalhadores e exigindo ao Governo o seu cancelamento e a retirada dos cartazes já afixados.


      «A campanha que está a ser levada a cabo por aquele organismo governamental recentemente criado, através da afixação de cartazes nos serviços públicos é repugnante e ofensiva para os trabalhadores e para os cidadãos”, afirma a FESAP em comunicado.


      Para a FESAP, esta mensagem lança “uma inaceitável e injustificada nuvem de suspeição sobre os trabalhadores da Administração Pública em geral e, em particular, sobre os trabalhadores dos serviços onde estes cartazes estão afixados”.


      «A corrupção é um problema que, tanto quanto se sabe, é transversal à sociedade, não existindo evidências de que encontre particular expressão ao nível dos serviços que servem os cidadãos, pelo que é intolerável que surja agora uma campanha ignóbil, que não é mais do que o lançamento de um estigma intolerável sobre os trabalhadores da Administração Pública», diz a federação liderada por José Abraão.


      A FESAP condena ainda o facto de estarem a ser utilizadas “verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) com esta finalidade, em vez de serem utilizadas na melhoria dos serviços prestados aos cidadãos e na criação de mecanismos efetivos de combate à corrupção”.


      A federação sindical insta o Governo “a instruir o MENAC a cancelar de imediato esta campanha, retirando todos os cartazes que já foram afixados, e procedendo em seguida ao rápido e cabal apuramento de responsabilidades”, pode ler-se no comunicado.


      A divulgação da estrutura do MENAC ocorreu em pleno Dia Internacional contra a Corrupção e a três semanas do final do ano, após a ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, ter anunciado em maio que o novo organismo – que substitui o Conselho de Prevenção da Corrupção – estaria a funcionar de forma efetiva até ao fim de 2022.


      A publicação do decreto-lei que instituiu o MENAC, além do Regime Geral de Prevenção da Corrupção, aconteceu há já um ano, em 09 de dezembro de 2021.


IstoECorrupcaoDigaNao.jpg


      Fontes: “Eco” e “Justiça.Gov”.

Comentários

  1. Então os problemas de corrupção são os funcionarios publicos. Sempre houve alguma pequena corrupção mas isto, cheira me, que é para desviar atenções. Os grandes envolvidos em corrupção são os politicos com as suas PPPs e negociatas de milhões. Desses não convem falar. É facil atirar as culpas para o mexilhão. Pena que esse isco ainda é comido por muita gente.

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  2. A FESAP deveria elaborar um outro cartaz para, com a devida autorização, afixar, nomeadamente nos tribunais.

    O seu teor poderia ser mais ou menos o seguinte:
    "Sabe o que é corrupção ativa?
    Sabe o que é corrupção passiva?
    Sabe que é crime tentar coagir para obter um benefício mesmo que legítimo, sabe que gratificar pessoas por benefícios de emprego, licenças, subsídios e outras vantagens financeiras ou não é crime punível com pena de prisão! ..."

    E terminava com o seguinte:

    "Mas atenção que se for político existe um regime específico, muito complexo, de anos e anos em investigação, onde só vai preso quem quiser (quem não souber provocar o emaranhamento)."

    Portanto se é bom cidadão não faça corrupção, senão vá para a po..t.ca.

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  3. Alguém se sinta! Eu senti-me! Enojado e envergonhado! Será que os colocaram nos corredores da assembleia, nos corredores dos gabinetes, nos corredores dos escritórios dos amigos? Não sei, mas que tinham de lançar areia para os olhos da populaça, isso tinham-no que o fazer, e fizeram-no! Sem pudor algum! É o que temos de quem nos desrespeita e também de quem se verga, que é como andamos! Apetecia-me a usar outro tipo de vocabulário, mas fico-me por aqui! Vergonha!

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  4. Ridículos!!

    O mote desta campanha acaba inevitavelmente por passar a ideia de que num mecanismo de corrupção só existe o corrompido.

    O corruptor fica sempre imune e impune!!!

    Ai, coitado do corruptor, ele fez a sua parte, tentou!!

    Vergonha !!

    Não sabem nem tão pouco querem aprender a comunicar!!

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  5. Uma vergonha a afixação dos cartazes. Uma vergonha a falta de espírito crítico e a subserviência de quem os afixa ou manda afixar. É rasgá-los todos, sem medo.

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  6. Mandem esses cartazes para Bruxelas...

    Querem combater a corrupção de tostões encobrindo a corrupção dos milhares de milhões...

    Pobre país...


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  7. O procurador da república Orlando Figueira - que já tinha sido expulso da magistratura do Ministério Público - vai ser preso nos próximos dias para cumprir uma pena de seis anos e oito meses por vários crimes, entre eles o de corrupção passiva para ato ilícito.
    Fonte: CNN Portugal




    Portanto, acho que os cartazes nos tribunais não são propriamente dirigidos a nós...

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  8. O mais grave é que são como as baratas. Quando apanhamos uma quer dizer que são muitas...


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  9. "Atribui a um "Magistrado" condições muito especiais na aquisição de habitação, seguros ou automóvel?

    Não o faça, isso é favorecimento!"

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  10. E tudo isto com verbas
    do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

    Não havia nada mais útil onde utilizar estas verbas?!

    Depois admiram-se das apreciações como aquela que o então presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças holandês, Jeroen Dijsselbloem fez:
    "os europeus do sul gastam "todo o dinheiro em copos e mulheres" e depois pedem ajuda"

    Daqui a um par de anos voltamos a perguntar, mas para onde foi o dinheiro da basuca?

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  11. Mas podia ser assim:

    "Um responsável político recebe dinheiro para fazer um ajuste direto – Isto é corrupção, diga não!”.

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  12. Há pano para mangas...

    Cleptocracia instalada em Portugal.

    Paulo Morais já o vem afirmando e provando ao longo dos tempos!

    e

    nada.

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  13. Muito bom, este comentário.

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  14. Quanto custou esta campanha?

    Não encontro nada sobre este contrato no portal base?

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  15. Boa Noite,
    O recente caso do "Catargate" mostra sem sombra de duvidas,-(se elas ainda existissem)-, onde se devem colocar os cartazes.
    E talvez, pelas recentes noticias, nas Câmaras Municipais, e... mais acima.
    Por fim investigar o "mentor" desta campanha e a quem contratou e a forma de contratação.
    Mas mesmo assim, seria um foguetório de investigação da PJ, mas..., depois, os inquéritos vão "encostar" no MP por falta de meios...humanos (vg. oficiais de justiça).
    Cumprimentos.

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