Oficiais de Justiça a abandonar o barco

      Esta segunda e terça-feira (05 e 06 de dezembro), assistimos a várias publicações no Diário da República (na 2ª série) que se referem a Oficiais de Justiça que deixam a carreira.


      Na nossa página suplementar de atualização diária sobre as publicações e a legislação selecionada mais relevante e com interesse para os Oficias de Justiça, a que pode aceder pela ligação que consta no cabeçalho da página com a designação: “Publicações/Legislação”, encontra todas essas publicações no Diário da República – em baixo também reproduzidas.


      Em síntese, trata-se de 8 publicações de afastamento de 8 Oficiais de Justiça.


      Desses 8 Oficiais de Justiça afastados, 3 são-no por sanções disciplinares e os restantes 5 deixam a carreira por vontade própria.


      Sinal dos tempos, devemos também expressar esses valores em proporção relativa percentual. Assim, podemos dizer que desse universo mencionado, mais de 60% abandona a carreira de Oficial de Justiça por sua própria iniciativa.


      Tanto em percentagem como em número absoluto o que vimos publicado nestes últimos dois dias desta semana no Diário da República é um sinal preocupante daquilo que, sem surpresa, já aqui havíamos anunciado, a propósito do Movimento deste ano, quando informamos a intenção que vários Oficiais de Justiça vinham expressando de abandonar a carreira, caso o Movimento não fosse reformulado ou anulado e não conseguissem uma colocação mais perto das suas áreas de residência de origem.


      E é isto que está a acontecer, depois das desistências expressas com antecedência de 30 ou 60 dias.


      Há pessoas – porque de pessoas se trata – que já não conseguem aguentar mais os baixos salários, as despesas com a deslocação dos seus domicílios, o afastamento da família e amigos do seu entorno, o stresse diário das funções, e a falta de uma perspetiva de futuro, isto é, de uma esperança numa situação que se possa considerar que há de vir, bem pelo contrário, veem com grande desconfiança esse mesmo futuro e já não conseguem acreditar na “palavra dada, palavra horada” de ninguém; nem mesmo nestas palavras que aqui vão lendo diariamente.


      Desiludidos e deprimidos saem, porque já não suportam mais uma vida assim com promessas de que tudo se vai resolver para o mês que vem, mês esse que demora anos e se arrasta mesmo por décadas.


      Apesar de tudo, saem com um ânimo novo, sem um peso enorme que os aprisionava e confessam que se sentem aliviados e livres de novo.


      Boa sorte e melhor sorte para todos os que ousam encetar uma nova vida com dignidade.


      A seguir pode aceder aos despachos da DGAJ publicados no Diário da República, observando-se que naqueles onde não consta a categoria profissional, confirmamos que se tratam de facto de Oficiais de Justiça.


Despacho n.º 14057/2022 - Diário da República n.º 234/2022, Série II de 2022-12-06
Justiça - Direção-Geral da Administração da Justiça
Delibera no processo disciplinar a João José de Moura Batista


Despacho (extrato) n.º 14059/2022 - Diário da República n.º 234/2022, Série II de 2022-12-06
Justiça - Direção-Geral da Administração da Justiça
Extinção do vínculo de emprego público de Hugo Roberto Vieira Ramos de Freitas, por denúncia do contrato


Despacho (extrato) n.º 14060/2022 - Diário da República n.º 234/2022, Série II de 2022-12-06
Justiça - Direção-Geral da Administração da Justiça
Exoneração de funções de Rosa Limoeiro Julião


Despacho (extrato) n.º 14061/2022 - Diário da República n.º 234/2022, Série II de 2022-12-06
Justiça - Direção-Geral da Administração da Justiça
Exoneração de funções de Fernando Manuel Ramos Lopes


Despacho n.º 13976/2022 - Diário da República n.º 233/2022, Série II de 2022-12-05
Justiça - Direção-Geral da Administração da Justiça
Delibera que o trabalhador Acácio José Teixeira Silva seja notificado de decisão do Conselho dos Oficiais de Justiça


Despacho (extrato) n.º 13977/2022 - Diário da República n.º 233/2022, Série II de 2022-12-05
Justiça - Direção-Geral da Administração da Justiça
Exoneração de funções de Maria Orquídea da Fonseca Lopes Lobo


Despacho (extrato) n.º 13978/2022 - Diário da República n.º 233/2022, Série II de 2022-12-05
Justiça - Direção-Geral da Administração da Justiça
Exoneração de funções de Paula Cristina Queirós Bomtempo Costa


Despacho n.º 13958/2022 - Diário da República n.º 232/2022, Série II de 2022-12-02
Justiça - Direção-Geral da Administração da Justiça
Delibera que o trabalhador João José de Moura Batista seja notificado de decisão do Conselho dos Oficiais de Justiça


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Comentários

  1. Por outro lado, há quem não esteja nada mal. Isenção de horário, isenção de tarefas. Todo o tempo para se dedicar a sua vidinha e o salário mensal a cair. Ajudas de custo como os outros não conseguem
    Não acreditam, perguntem mãos dirigentes do SFJ como se faz.
    Sem stress, sem pressão. A vida e um mar de rosas.

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  2. Qual será a idade dos que sairam por vontade própria?
    Calculo eu que sejam ainda jovens, provavelmente com curso superior.
    Fazem bem, ainda tem a vida pela frente e se tem espirito de aventura não vão ficar sujeitos a esta vidinha mediocre.

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  3. Vou citar apenas dois textos que li e tem aplicação ao caso.

    Todos nós nos lembramos daqueles filmes antigos em que víamos os escravos nos convés das galés, mantidos à mingua (pão e água) com forças para remar mas insuficientes para lutar pela liberdade (hoje, inúmeras famílias, porque no lumiar da pobreza dependem da assistência ou subsídios do Estado) ; e também dos inexperientes marinheiros atirados de forma apressada para o leme do navio, guiados por alhos e bugalhos colocados no mastro do navio para se orientarem e saberem onde ficava bombordo e estibordo (muitos sem saberem ler ou escrever), encaminhando o barco na densa neblina, sem estrelas e sol para se guiarem prontos a serem pirateados (hoje, temos cargos ocupados não pelo mérito e pelas provas dadas, mas muitas vezes "pelo cartão", temos pessoas que assumem pastas ministeriais sem conhecerem o que trata o ministério).

    Também nos lembraremos dos relatos das viagens, dos marinheiros das naus e caravelas que eram acometidos pelo escorbuto e ficavam ali a definhar entregues à sua sorte, alguns eram acometidos de loucura e outros saltavam borda fora para encontrar no fundo do mar o descarrego eterno das dores (hoje, temos o fluxo dos emigrantes que procuram melhor vida lá fora e, no funcionalismo público, um défice de qualidade no recrutamento porque já ninguém o quer ser, veja-se os recrutamentos para a GNR, PSP, Hospitais, etc.).

    Embora de forma figurativa, as realidades de outrora parecem assemelhar-se ás de hoje.

    A seleção nacional ontem prestou um enorme favor ao país, pois que enquanto muitos definhavam nas listas de espera dos serviços de urgência dos hospitais, a atenção foi toda dirigida para a estrondosa vitória e prestação da nossa seleção.

    Nos Tribunais há um problema grave e ninguém cuida dele.

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  4. Podemos consultar a lista de antiguidades.

    A situação está a ficar caótica.

    Talvez seja assim querido, ou então inconscientemente permitido, de qualquer forma é preciso que alguém assuma as responsabilidades pela situação.

    Esperemos por janeiro do(s) próximo(s) ano(s).

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  5. Analiso os números de outra forma: é uma tristeza que práticamente metade, saia por razões disciplinares.O ingresso na carreira tem de mudar: têm de haver mais fases para permitir o ingresso como para outras profissões.
    Os restantes, poderão ser os que ingressaram apenas para entrar na F. Pública, já com o objetivo inicial de sairem quando pudessem através da mobilidade, ou concorrendo mesmo a outros lugares e poderão ser licenciados ou não.Para esses o lugar foi apenas um
    "trampolim". Ou então podem ter tido razões pessoais, de saúde, residência.....tantas.
    Não fazem falta, nem os primeiros 3 nem estes 5.
    Venham outros que façam diferente, isso sim!



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  6. Felicitações a quem saiu em tempo de abraçar outros projectos!

    Para mim já é tarde...


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  7. Desiludidos e deprimidos


    AÍ ESTÁ

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  8. Pois é, que venham outros, pois estes não servem no entendimento do colega.

    E realmente "quem mexe no que está quieto não tem lugar nos tribunais", talvez sirva para um qualquer governo ou autarquia atendendo às recentes notícias.

    Todavia, suspeito que não queira que o recrutamento seja de entre licenciados com a atribuição da complexidade funcional de nível 3 à carreira (como já acontece nas Conservatórias, AT, etc.).

    O trampolim para as outras carreiras, melhor remuneradas, é legítimo, pois que os Tribunais também têm tido no recrutamento muitos funcionários que eram tarefeiros nas autarquias, escolas, etc., e muitos outros que entraram sem prestar quaisquer provas (por vezes porque se conhecia o senhor fulano tal...).

    Parece-me que todos querem é pessoal bem mandado e a reforma antecipada.

    Mas se em lugar disso tivéssemos gente bem qualificada e paga acho que era bem melhor.

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  9. Esse alguém será a tutela por incúria na gestão dos recursos humanos (in)existentes.

    Mas, como sabemos da nossa experiência de OJ, os de milhões saem com T.I.R. e os desgraçados primários de um pequeno delito "vão de saco" meses. É assim a sociedade e má política administrativa em que vivemos.

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  10. NÃO TE PRENDAS ONDE JÁ NÃO ESTÁS

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  11. Estou à binte e um anos a marcar passo. Sim binte com b porque a pronúncia é complemento da identidade, forte e da qual muito me orgulho.

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