Vêm aí mais greves para marcar a agenda de final de ano?

      Na última informação do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) aborda-se a possibilidade de levar a cabo “novas ações de luta” mesmo que coincidam com o período das férias judiciais de Natal.


      Apuramos que o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) está também a ponderar anunciar brevemente uma iniciativa de greve.


      A informação do SOJ diz assim:


      «Aprovado o Orçamento de Estado, cumpre ao Ministério da Justiça, sem mais delongas, abrir concurso para promoções e ingressos e os processos negociais respeitantes à integração do suplemento e ao regime de aposentação. Matéria diferente, e que consta de acordo com o Governo, é a revisão estatutária que terá de se iniciar em janeiro de 2023.


      Este Sindicato, SOJ, não se desinveste de apresentar, caso a carreira continue sem respostas, novas ações de luta, ainda que possam coincidir com o período de “suspensão dos prazos judiciais” – 22 de dezembro a 3 de janeiro de 2023.»


      Apuramos também que nas Finanças decorrem negociações, muito bem encaminhadas, ao que contam os seus trabalhadores, para a incorporação do seu suplemento remuneratório nos seus vencimentos.


      Note-se que esse suplemento atribuído aos trabalhadores das Finanças não é tão pobre quanto o triste suplemento dos Oficiais de Justiça, bem pelo contrário, e, note-se ainda, que esse suplemento não tem mais de duas décadas de reivindicação.


      O secretário de Estado adjunto e da Justiça anunciou a publicação do projeto de Estatuto no Boletim BTE ali para meados de outubro passado e nada e agora já só se fala em reuniões a começar em janeiro.


      A agenda do Governo vai-se impondo aos sindicatos dos Oficiais de Justiça, mês após mês e ano após ano. As reações dos sindicatos limitam-se à reivindicação do cumprimento da agenda do Governo. É mais ou menos assim: “Ai é para janeiro, então que seja, senão fazemos uma greve que vai ser o fim da macacada.”


      E quando ficar para março reivindicar-se-á que seja mesmo para março e assim sucessivamente durante meses e anos a somar às duas décadas já passadas.


      Para além dos sindicatos andarem a rasto das iniciativas e da agenda dos governos, a dispersão do foco das greves é outro problema.


      De todos os aspetos reivindicativos, neste momento, há que concentrar o foco apenas num único aspeto: a integração do suplemento. E esta integração tem que ocorrer já, imediatamente, pois não pode ficar pendente para ser convertida em moeda de troca nas negociações do Estatuto.


      Quanto aos meios de luta, é necessário aprender com as outras profissões, desde logo, neste momento, com o corpo da Guarda Prisional. Estes trabalhadores estão a fazer uma greve às diligências judiciais desde há meses e até ao final do ano, sem qualquer perda de vencimento.


      Novas iniciativas se impõem, mas há que fazer uma massiva divulgação e esclarecimento sobre a greve já em curso (em curso desde 1999), designadamente, repetindo que não há serviços mínimos, mesmo para processos urgentes, quer a diligência se inicie antes das 17H00, ou seja urgente, com ou sem presos, porque às 17H00 em ponto todos podem exercer o seu direito à greve sem qualquer perda remuneratória e sem medos.


      Impõe-se uma nova “Caravana da Justiça” a percorrer o país, não para recolher num baú informações sobre o estado dos edifícios, mas para explicar esta greve de 1999 e ainda a nova que deve ser semelhante à dos Guardas Prisionais.


      A nova greve deve ser por tempo indeterminado até que o suplemento seja integrado, assim mesmo, com greve às audiências de julgamento ou à prática de alguns atos, como todo o serviço externo; podendo ainda ser fixado um prazo de 30 dias para cumprimento de despachos ou prazos (em vez dos cinco dias), bem como estender a greve a todos os atos contabilísticos, sejam contas e liquidações, pagamentos, etc., e sem esquecer a aprovação dos pedidos de pagamento da compensação dos serviços oficiosos dos advogados, igualmente suspensos por tempo indeterminado até à efetiva integração do suplemento.


      Tudo isto é possível, tal como é possível a greve em curso dos Guardas Prisionais, sem qualquer perda remuneratória.


      Após mais de duas décadas de espera, a exigência deve ser tão firme quanto esta. Os Oficiais de Justiça devem realizar um ultimato ao Governo: ou se integra já o suplemento ou será iniciada esta greve por tempo indeterminado. Prazo: 15 dias com aviso prévio já apresentado.


      Quanto às demais reivindicações estas deverão ficar para depois de conseguida esta.


      Fica aqui a reflexão e a sugestão, porque já basta de sindicatos corcovados sempre a aguardar, a aguardar… como se sabe, desde 1999, isto é, há 23 anos. Inadmissível. Impossível.


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      Fontes: “SOJ-Info” e “Acórdão que libertou a Greve de 1999

Comentários

  1. Greve, por um mês, as terças e quintas, prorrogável por igual período enquanto não se encontrarem respostas e soluções. No resto do tempo, serviço urgente e greve de zelo, esta bem explicada antecipadamente, através da apregoada caravana da justiça.

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  2. Não demores onde não puderes crescer.
    A vida é breve demais para insistires onde não te dão possibilidades.

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  3. Um artigo com boas sugestões!

    Mas... será que os sindicatos querem aprender?

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  4. Sugestões que vão ao encontro do que o presidente do SFJ referiu no plenário que ocorreu no Campus de Justiça de Lisboa. São boas sugestões que realmente irão impactar a acção dos Tribunais, pergunto é se os guardas prisionais não tem tido qualquer perda remuneratória? e se essa greve que dura à 4 meses teve algum resultado prático? Mas repito que são boas sugestões que devem ter aderência de todos os of. de justiça.

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  5. GREVE !!!!!!

    Façam os tolos.


    EU NÃO.

    NUNCA MAIS, fiquei farto de depenarem o meu vencimento.
    VI na GREVE de SETEMBRO colegas a trabalhar em casa com COVID e outros a fazerem serviço externo após as 17:00H.

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  6. Bonito comentário! Obrigado.
    Farto do trabalho, farto de greves. E como eu, penso que muitos também assim estão.

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  7. O FET das Finanças é na prática mais dois vencimentos por ano.

    Somos mesmo merda para a administração.

    Força Marçal.....

    FF

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  8. É mais fácil empurrar para os sindicatos que nada fazem, dizem alguns e esses, nas iniciativas sindicais, nada ou pouco ajudam.
    Sāo por vezes os mesmos que, sendo confrontados pelo cidadāo querendo saber como está o seu processo, seja da área cível, da família e menores, do trabalho, etc. "empurram-no" respondendo que vá falar com o seu advogado.
    Práticas antigas, não corretas, para não perderem tempo para o tal trabalho onde querem, à vista, mas só no papel, mostrar que são os praticantes de mais atos e os utentes " que se lixem".
    Nunca seguir essas orientações bacocas, a verdade acima de tudo, o processo é das pessoas e é para ser mostrado quando a lei não o impede, explicando os trâmites do mesmo. Se houver atrasos, têm de ser explicados ao cidadão: é atraso da secção de processos?É dos Magistrados? É do Advogado? É um documento de entidade externa que nāo chega?
    Têm medo de falar, de dizer a verdade podendo o atraso ser bem explicado.E às vezes é do próprio Advogado!Entre mim e o utente o processo é livro aberto!
    Nunca um cidadāo que esteja frente ao funcionário e que seja identificado, deve ser remetido para o seu Advogado para obter informações do seu processo.
    Para mim e muitos, isso é razão para processo disciplinar.
    Nāo podemos manter nos tribunais mentalidades mais próprias do antes do 25 de abril.
    Já estamos no séc. XXI.

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  9. Claro que têm resultado prático, desde logo o aligeirar na sua vida buliçosa - como deveria acontecer com a nossa greve (ao serviço realizado para além do horário normal).

    A solução para o corpo dos guardas prisionais, passará num futuro muito próximo também pelo revisitar do CP e CPP, no sentido do alargamento do cumprimento das penas fora do ambiente prisional, e a implementação e reforço das equipas de vigilância eletrónica da DGRSP - diminuindo a população prisional diminui a necessidade de reforço dos quadros de pessoal dos corpos prisionais.

    Ou seja, a sua atuação vai precipitar uma verdadeira reforma nesta parte (do cumprimento das penas) é o que se houve dizer em determinados corredores.

    Na justiça, está a acontecer o mesmo (uma reforma silenciosa ou invisível) mas por omissão de ação, reforça-se a assessoria aos magistrados e à gestão das comarcas com prejuízo dos quadros das secretarias dos tribunais, mormente de oficias de justiça.

    Temos o que merecemos ...


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  10. Mais ou menos colega, pois o FET é variável dependendo da categoria.
    Com efeito, no diploma de revisão das carreiras da AT (Autoridade Tributária) que entrou em vigor em janeiro de 2020 (Decreto-Lei n.º 132/2019) consagrou-se (excluído o estágio) no princípio da carreira o salário mais baixo de 1355,96€ (posição1 nível 18) com o acréscimo do FET (cerca de 274€, num total superior a 1699€, e o grau de complexidade funcional 3.

    O STI lutou para que a progressão na carreira fosse contínua, que não dependesse de concursos ou quotas, por se tratarem de carreiras unicategoriais - as chamadas carreiras planas -, funcionando o sistema de avaliação como acelerador para a progressão e quanto à possibilidade de transição nas carreiras reivindicou a dispensa de licenciatura mas com avaliação curricular (mais ou menos o que muitos dos não licenciados prendiam no anterior projeto de estatuto relativamente à carreira de Técnico Superior de Justiça, muitos outros reclamavam a passagem sem mais a essa categoria, ou seja sem licenciatura ou avaliação curricular, nomeadamente a prestação de provas).

    No entanto, já hoje têm um regime no que respeita ao pagamento de ajudas de custo muito favorável quando deslocados do serviço de origem - contrariamente às recolocações operadas nos tribunais.

    Enfim ... é a - triste - vida que temos (já diz o ditado: "quem não chora não mama").

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  11. Deves viver em casa dos papás...

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  12. É como a conhecida sátira do famoso humorista Ricardo Araújo Pereira, quando se referiu numa das suas crónicas ao típico requerimento exigido pelos serviços públicos, onde aparecia de manguito (numa subtil critica ao atavismo dos funcionários e à sua mentalidade perdida nos tempos da velha senhora).

    Acredito que muita gente lhe achou piada sem saber que a crítica lhe assentava que nem uma luva.

    Lembro da velha tática do casaco que descobri logo no meu estágio nos tribunais, um colega hoje já aposentado e infelizmente com pouca saúde, logo que chegava ao Tribunal, bem cedo, antes de muito outros, pendurava o casaco na sua cadeira de chefe e ausentava-se para parte (in)certa.

    Sempre que alguém perguntava por ele, respondia-se: "ele deve andar por aí pois tem o casaco pendurado na cadeira". Outras vezes, saia em serviço externo sem lograr qualquer penhora, lavrando-se autos dando conta de que não eram encontrados os executados, e por aí fora ...

    Todos nós conhecemos pessoas assim, que nos fizeram perceber pelos seus maus exemplos o que era correto e incorreto fazer.

    Para alguns de nós, parece que temos todos auréolas de santos, o que não é verdade, mas também não somos emissários do diabo, embora para muitos sejamos assim vistos (quando lhe penhoramos os bens, os constituímos como arguidos, etc.).

    Conheço muitos colegas que recusavam determinadas tarefas alegando não ser da sua competência funcional e hoje, encontrados em lugares de chefia (mesmo que provisoriamente, em regime de substituição), exigem dos outros o que antes recusavam fazer - é a hipocrisia no seu expoente máximo.

    Mas deixemos de ser negativistas e vamos ser positivos.

    Existem muitos colegas que se dedicaram de corpo e alma à causa pública, trabalharam sábados (durante a catequese dos filhos) e aos domingos (em lugar de irem à missa ou passear coma família), o que acrescia aos longos serões durante a semana (é certo que muitos diziam ir trabalhar e arrastavam o pé para outros locais, alguns entravam por uma porta e saiam por outra deixando a esposa no carro à sua espera).

    Conhecer a realidade dos tribunais (como foi e como atualmente é) é condição para perceber que ainda temos enraizadas e acostumadas más práticas que foram institucionalizadas ao longo dos tempos, mas não devemos esquecer que o costume não tem valor jurídico apenas os usos e só em determinadas condições ("Os usos que não forem contrários aos princípios da boa fé são jurìdicamente atendíveis quando a lei o determine").

    Reiteradamente, a tutela, inobservando o princípio da boa fé, não tem cumprido com as expetativas que nos criou, "já é costume" dizem uns, "é useiro e vezeiro" dizem outros, não cumpre a lei dizemos todos!




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  13. É preciso sonhar e viver o sonho, saborear a espuma dos dias como se fosse o último ar que se respira, libertarmo-nos da apneia em que vivemos.

    Para isso é preciso ter atitude no momento certo, mas para quê fazer uma greve quando acordaram a revisão da carreira lá para 2023 ?!
    Temos de ser coerentes no que dizemos e fazemos, e não é o momento de fazer greve, acho ...!

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  14. Sugiro que torne à escola para aprender a escrever! Demasiados erros!

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  15. Refiro-me ao comentário das 10.59.

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  16. Greve às terças e quintas durante tempo indeterminado.

    Quando a DGAJ, o MJ, as administrações, o CSM, o CSMP, a OA, e por aí adiante, se aperceberem de que nada vale um juiz proferir 50 sentenças por dia se elas não saírem do gabinete, talvez nesse dia vejam a importância que temos e talvez nos dêem o reconhecimento que merecemos!

    Está nas nossas mãos Colegas!!

    Sem nós a máquina judiciária paralisa!!

    Basta querermos!!

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  17. Estamos a falar de um valor que não deve chegar aos 4 milhões de euros anuais.É o que representa a integração do suplemento em termos de despesa para o estado.



    Isto falando em valores brutos.Porque com os descontos para a Segurança Social e IRS será certamente menor.

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  18. PS: não quero com isto alumiar ideias relativamente ao "chronus", ou sequer classificar ou categorizar os oficiais de justiça, onde me incluo, de preguiçosos, apenas estou a constatar uma vivência que, acredito, será partilhada por muitos outros não devendo, por isso, tomar-se o todo pela parte. Não foi essa a realidade que quis passar.

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  19. Integração do suplemento no vencimento?!...

    Lei a proposta 646C (Alteração ao Decreto-Lei n.º 485/99, de 10 de novembro – rejeitada na especialidade com os votos contra do PS e IL, e a favor do PSD, CH, PCP, BE, PAN.

    E António Marçal, enquanto dirigente sindical e simultâneamente dirigente de uma concelhia do PS, nada nos disse sobre esta matéria.

    Mas existem mais, leiam o último comunicado do SOJ, onde podem consultar todas as propostas apresentadas e reprovadas pelo grupo parlamentar do PS!..


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  20. Sim, sem dúvida, é preciso leveza e poesia, nos pensamentos, nos sentimentos e nas acções, mas por vezes não é fácil, na luta do dia a dia.

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  21. um passarinho disse-me que o sindicato reuniu com o secretário de estado. o que se passou lá?

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