“E um bocadinho de humildade, senhora ministra da Justiça?”
Os Oficiais de Justiça já há muito que conseguiram comprovar e caracterizar a ministra da Justiça, nela vendo, designadamente, uma capacidade fantástica de conseguir bem subverter a verdade, nas múltiplas tentativas de convencimento dos outros, com as quais, não temos dúvidas, chega ao ponto de se autoconvencer de que aquilo que diz é a pura verdade.
Mas se alguém achar que os Oficiais de Justiça podem ser suspeitos nas suas opiniões, porque estão em luta há tanto tempo com esta ainda ministra, podemos tentar verificar outras opiniões de pessoas diferentes e sobre assuntos diversos, para tentar ver se esta ministra da Justiça veio mesmo roubar o protagonismo que outras ministras já tinham no pódio das piores ministras da Justiça de todos os tempos.
Susana Peralta, não é Oficial de Justiça, é professora de Economia na Nova SBE e escreveu um artigo sobre a ministra da Justiça que o Público ontem apresentou sob o título que é a pertinente pergunta que copiamos e que hoje atribuímos a este nosso artigo.
Diz assim Susana Peralta:
«A quinta ronda de avaliação do Greco, ou Grupo de Estados Contra a Corrupção, é dedicada à prevenção da corrupção e da integridade em “governos centrais e forças e serviços de segurança”.
Cada ronda tem uma fase de avaliação, apoiada em questionários e numa visita ao país de uma delegação, da qual resulta um relatório com recomendações. Seguem-se vários relatórios de conformidade, que fazem uma apreciação crítica da implementação das recomendações.
A viagem portuguesa pela quinta ronda começou com a visita da delegação no final de junho de 2022 e conhecemos esta semana o relatório de avaliação. Esta ronda é especialmente importante por três razões.
Em primeiro lugar, diz respeito às pessoas com funções executivas de topo – “o primeiro-ministro e restantes membros do Governo, o chefe de gabinete e os assessores do primeiro-ministro, bem como os chefes de gabinete e os assessores dos restantes membros do Governo”.
Em segundo lugar, passaram três meses da queda de um governo de maioria absoluta precisamente devido a um alegado esquema de tráfico de influências junto de pessoas com funções executivas de topo.
Finalmente, é a primeira ronda do Greco posterior à adoção da Estratégia Nacional Anticorrupção (ENA).
Apesar de o que lá está escrito não surpreender ninguém que ande atento a estas coisas, a ministra da Justiça apressou-se a desvalorizar as conclusões, adjetivando o relatório de “desatualizado”.
A ver se nos entendemos. O relatório foi adotado pelo Greco em março de 2023 e o Governo esperou mais de nove meses para o publicar. Há vários exemplos de países que demoraram dois a três meses a publicar os respetivos relatórios (Roménia, Bulgária, Áustria e Bósnia, para citar exemplos recentes). Parece que o Governo guardou o relatório na gaveta só para poder dizer que estava datado, como sugeriu João Paulo Batalha, vice-presidente da Associação Frente Cívica, no Twitter.
Podemos sempre acreditar que o Governo trabalhou que se fartou desde março, para depois meter cá fora o documento já com o trabalho de casa todo feito. Perfeitamente credível, dado que ainda só implementou cabalmente 20% das recomendações da quarta ronda, que andam por cá desde 2016. Um terço delas não estão de todo implementadas e as restantes (quase metade) estão parcialmente implementadas.
De todo o modo, qualquer leitura honesta do documento revela que ele não está desatualizado. Que eu saiba, a Estratégia Nacional Anticorrupção ainda padece de falta de “um plano de ação, descrevendo tarefas precisas, o papel das autoridades responsáveis, prazos para a implementação de tarefas e indicadores de concretização”.
Quanto ao Mecanismo Nacional Anticorrupção (Menac), a ministra assinala uma “evolução muito positiva”: “Já está a lançar campanhas, tem pessoal que está devidamente alocado, tem um orçamento muito significativo (...) e tem também verbas do PRR para construir a plataforma eletrónica.”
Mas onde estão os resultados da atividade do Menac? Por exemplo, devia recolher informação sobre a corrupção e elaborar um relatório anual. Onde está ele?
Outra competência do Menac é supervisionar e acompanhar a execução do Regime Geral da Prevenção da Corrupção; instaurar, investigar e decidir os processos relativos às infrações previstas neste regime e aplicar as respetivas coimas. Este regime obriga os ministérios, entidades públicas, empresas públicas e empresas privadas com 50 ou mais trabalhadores a terem um plano de prevenção de riscos de corrupção (PPR), um código de conduta, um programa de formação e um canal de denúncia.
Apesar de o Menac ter sido criado em 2021 e a sua criação pressupor a extinção do Conselho de Prevenção da Corrupção, este só foi extinto em junho de 2023 porque o Menac, apesar de criado, não existia. Por isso, a lista de PPR consultada pela delegação do Greco em junho de 2022 estava no site do conselho. Só que por lá continua ainda hoje.
Quanto à investigação, decisão e coimas, nada, porque o Menac ainda não pegou nisto.
A ministra recordou também que a Entidade para a Transparência “já tem o seu local de trabalho identificado em Coimbra” e “condições para começar a trabalhar”. O problema é que o relatório ia além de apontar “a falha das autoridades na criação da Entidade para a Transparência”. Por exemplo, deixa a recomendação de “as declarações únicas das pessoas com funções executivas de topo [serem] sujeitas a verificações substantivas regulares, estabelecendo uma cooperação/interação sólida e eficaz com todos os organismos de fiscalização/bases de dados pertinentes e impondo sanções proporcionadas em caso de violação”.
A Entidade para a Transparência não está a fazer nada que se pareça com isto, como Catarina Sarmento e Castro deve saber.
A verdadeira prova do algodão é esta: o Governo ruiu há três meses devido a uma das recomendações não implementadas. O Greco alertou para a ausência de planos de prevenção dos riscos de corrupção específicos para as pessoas com funções executivas de topo, “uma vez que o seu envolvimento no processo de tomada de decisão ao mais alto nível do Estado as torna mais sensíveis e propensas a riscos de corrupção”, e aconselha que tais planos sejam “estabelecidos e publicados na Internet” e que “incluam a identificação dos riscos relacionados com a integridade e as medidas corretivas adequadas”.
É talvez um pormenor irrelevante, mas eu sou picuinhas e assinalo que estas pessoas são precisamente o objeto desta ronda de avaliação do Greco. Lendo bem, estava lá esta parte tristemente premonitória: “Devido ao seu papel e trabalho de aconselhamento e contribuição direta nos assuntos políticos, nas questões urgentes da atualidade, nos assuntos estratégicos e no processo de tomada de decisões relacionadas com a implementação e monitorização de políticas públicas, o chefe de gabinete, os assessores, os adjuntos e os técnicos especialistas devem também ser considerados pessoas com funções executivas de topo.” Pois é: os chefes de gabinete.
Nas comemorações do Dia Internacional Contra a Corrupção, Luís de Sousa, fundador e primeiro presidente da Transparência Internacional Portugal, falava assim da tendência portuguesa para desvalorizar as conclusões das missões de avaliação internacional:
“Em Portugal sabemos tudo, temos tudo e somos os melhores. Há vários países que já estão melhor do que Portugal em muitos indicadores. Foram humildes. Souberam ouvir, acolher a crítica, apontar para os problemas. Se não tivermos essa humildade, não vamos a lado nenhum.”
E que tal um pouco de humildade, senhora ministra?»

Fonte: artigo subscrito por Susana Peralta, professora de Economia na Nova SBE, no Público de 12-01-2023.
Tem jeito para a coisa, sim senhora.
ResponderEliminarMente bem, com rapidez, e. não fica incomodada.
Aparece só nos lugares que lhe convém, escolhendo os caminhos e horários com antecedência, para não ter encontros desagradáveis
Não sabe dialogar .
Consegue tirar conclusões contrárias a tudo o que é estudado e comprovado
É a opinião dela que prevalece, embora toda a gente lhe diga que está errada
Temos pois uma política moderna, experiente, com capacidades (não sei quais, nas algumas deve ter), muito provavelmente, a fatura ministra da justiça do próximo governo
Estamos fo..... PQP
Banalização da mentira e falta de ética!
ResponderEliminarCom gente assim nunca es país se levanta
Como disse o senhor Conselheiro, a democracia corre enormes riscos quando se a mentira é uma banalidade, a falta de ética é uma cultura em crescento e se ataca, por ação ou inacção, o pilar da justiça.
ResponderEliminarEstá equipa, inexistente no que tange á construção da democracia que acontece todos os dias sendo os seus actos os seus fundamentos, parece ter um fito obscuro, a tal reforma silenciosa que terá sido pista em curso e que todos desconhecem.
Hoje, é certo, o discurso público, dirigido ao agrado de todos, não casa com o que foi ou está a ser feito porque envolto numa neblina, adensada pela fumaça política deliberadamente provocada, poucos se apercebem do verdadeiro objetivo que era pretendido.
Ao que parece , seríamos o país da Europa, na UE, governado pela esquerda com uma falsa capa de moderados e ao centro, com o fito de permanecerem indefinidamente no poder numa teia gigantesca de cargos á medida, montada com arguto e extrema sapiência enquanto dormíamos.
Acordem para a vida, é preciso mudança já!
Humildade?
ResponderEliminarO que é isso?
Todos sabem que melhor que o 👣 esse, só o 👣 aos esses.
Impressionante e de indignação!
Mas algum dia eu pensei que uma pessoa que se apressa e se precipita na tomada de decisões pouco sustentadas, que se gere pelo informalismo, que veda a aferição da transparência, que se esquece do que decidiu ou afirmou, que nega o passado apenas na parte inconveniente que reclama virtudes que ninguém vê que nega a realidade que o cidadão comum enfrenta construindo uma narrativa que suporta a palavra falada que vinda do próprio nada vale ... enfim sem perfil para ser o nosso "Pai" em termos de governação.
Será o filho orgulhoso de alguém mas não será um PM que orgulhe muita gente ...
Eu acreditaria no Luís Carneiro, Sérgio Sousa Pinto, António Seguro, mas nunca no chamado grupo do Sócrates
É preciso dizer também algo sobre a próxima ministra (que está na sombra), Alexandra Leitão, que muitos vêm com bons olhos e eu tenho reticências, lembro que foi acusada de bullying por funcionários dos registros (IRN), desempenhou funções na modernização administrativa, numa altura em se viu a proliferação de lojas do cidadão dirigidas por pessoas em cargos políticos, para além do que a pouco e pouco se descobre do seu currículo, não lhe vejo pensamento ou visão para o setor.
ResponderEliminarDesconfio sempre de alguém que começa o discurso por dizer ... eu sobre isso quero dizer 2 ou 3 coisas ... que depois de esgrimistas são muitas vezes facilmente rebatíveis porque ideologicamente inquinadas e facciosas, tendendo á concordância da opinião do "líder" partidário.
Estamos bem entregues ...
Li o artigo de Paulo Ramos no Observador, e gostei da análise.
ResponderEliminarFalta descobrir quais os girinos que depois de desovar vão sobreviver às adversidades de quem se afasta da verdade e prega o culto do "seguidismo" acéfalo e tribalistas que facilmente se transforma na ruína de muitos.
Excelente diagnóstico sobre evento fantochada e personalidade (s) visadas.
Somos parvos e otários!
Vale a pena acompanhar o discurso do André Ventura que está a decorrer neste momento nas televisões.
ResponderEliminarJá falou de nós.
A senhora Catarina sempre foi reconhecidamente incompetente, nem o próprio PS a quis no constitucional e, não fosse o papá, hoje estaria a fazer rendas de bilros. O senhor Jorge é verdadeiramente incompetente e foi corrido também do constitucional. Mas são estas pessoas que à boca cheia afirmam se o PS for governo vão continuar a enlamear as nobres funções de governação. Enfim, haver ainda oj a seguir esta gente enoja...
ResponderEliminarÉ preciso falar também dos sindicatos - o que é que estão a fazer para melhorar a nossa situação? Uma vergonha. Caladinhos e sem fazer nada, com umas greves esquisitas que não servem para nada.
ResponderEliminarO Ministério da Justiça precisa de pessoas disruptivas (para alguns são consideradas imprevisiveis - imprevisiveis para o status quo instalado que não quer mudar, se calhar com interesses..) para mudar o que deve ser mudado e dar algo de novo ao sistema.
ResponderEliminarAndré Ventura sabe do que fala relativamente à Justiça, contrariamente a estúpida da ministra, é doutorado em Direito
ResponderEliminarFala por ti
ResponderEliminarO que estão a fazer os dirigentes dos sindicatos, o que pensam fazer....que dirigentes...
ResponderEliminarPois falo. Falo e se for preciso grito bem alto - otários é o que melhor nos caracteriza.
ResponderEliminarNasci em 74 e só conheço a liberdade mas nunca por nunca quero que se volte para sítios onde o comunismo ou o extremismo , á drta ou á esquerda, julga que pode decidir se sou ou não livre de "respirar" ou ousar "pensar diferente" no bem comum e não no bem do "grupo de amigos" que com a capa partidária quer apena assaltar os lugares de decisão e "escravizar" com falsas promessas impregnadas em ideologias instrumentalizadas.
E isto vale para todos.
No mundo onde vivemos ainda há quem lute pelo que já temos e eu luto para que não se desista do que se quis com a revolução de 25 de abril de 74.
Outros hão de vir e reconhecer a certeza do que digo.
Pior que ser otários é ter-se parvos ...
O público:
ResponderEliminar"Ministério da Educação multado por insistir em recorrer à justiça
Decisão do Tribunal da Relação de Lisboa prende-se com os recursos que têm sido apresentados pelo ME sobre as declarações de ilegalidade dos serviços mínimos decretados para as greves de 2023.
Clara Viana
12 de Janeiro de 2024, 19:34
Este comportamento é uma marca instituída em vários Ministérios deste Governo.
Socialismo de caviar que insiste em subtrair o direito a greve aos trabalhadores!...
Não imputes aos outros aquilo que pensas ser para não te sentires menor.
ResponderEliminarE eu não sou psicologo...
O Andrézinho fala o que os atrasados mentais acéfalos querem ouvir.
ResponderEliminarEu gostei daquela parte em que vai pedir um crédito bancário para aumentar pensoes.
Surreal este doutor.😁
Não tem uma única ideia para o país, recorre apenas a soundbites agradaveis ao ouvido de iletrados, mas sim, muita burralhada vai cair.
"Que cena man, vamos votar neste bacano"
Quero, posso e mando.
ResponderEliminarComeça o exercício de direitos essenciais a ser placado.
Queres reclamar?
Levas multa!
No tempo da outra senhora era assim, mas com uns "gajos" de preto em carros pretos.