Uma alteração legislativa recordista
Todos os Oficiais de Justiça sabem que aquilo que diz respeito à sua carreira é conseguido apenas à custa de ações em tribunais, recursos, sentenças e acórdãos.
Naquilo que não é possível recorrer aos tribunais nada é conseguido. Com os governos, apesar das palmadinhas nas costas, nada feito. Com os partidos políticos no Parlamento acaba sempre por falhar um ou dois e também nada feito.
No entanto, essa dificuldade em aprovar seja lá o que for no Parlamento não existe quando o assunto mexe com o bolso dos próprios deputados e de todos eles.
Na semana passada, na quinta-feira, 11JAN, os deputados na Assembleia da República, aprovaram por unanimidade – chamamos a atenção para este facto de todos os partidos terem votado favoravelmente o projeto de lei, desde os mais barulhentos aos mais alinhados como sistema –, e ainda, algo inédito, no mesmo dia o projeto de lei nº. 999 foi votado de uma só vez na generalidade, na especialidade e em votação final global.
Esta votação foi realizada e a legislação aprovada em tempo recorde e por unanimidade, porque os deputados legislavam em causa própria, pois os beneficiários da alteração legislativa aprovada são os próprios.
Atualmente, o Estatuto dos Deputados prevê o pagamento de ajudas de custo “por cada dia de presença em reunião plenária, de comissões ou em outras reuniões convocadas pelo Presidente da Assembleia da República”, mas, com esta alteração ora aprovada, acrescenta-se a presença em “subcomissões, grupos de trabalho, reuniões realizadas pelos grupos parlamentares e deputados únicos representantes de um partido”.
Ou seja, o pagamento de ajudas de custo passa a ser substancialmente alargado. Em termos gerais, podemos afirmar que qualquer reuniãozita, por dá-cá-aquela-palha, dará direito a receber ajudas de custo.
As ajudas de custo correspondem ao valor que é pago aos membros do Governo – cerca de 70 euros – e destinam-se a deputados que residam fora dos municípios da Área Metropolitana de Lisboa. Já os deputados dos concelhos da região de Lisboa podem receber até um terço deste valor. O valor só pode ser pago caso os trabalhos decorram durante dois ou mais dias por semana.
A proposta foi assinada por Pedro Delgado Alves (PS), Hugo Carneiro (PSD), Bruno Nunes (Chega), Patricia Gilvaz (IL), Alma Rivera (PCP), Pedro Filipe Soares (BE), Rui Tavares (Livre) e Inês Sousa Real (PAN).
Mas calma, os deputados são pessoas responsáveis e não vão começar já a receber essas ajudas de custo, aliás, não vão receber nada durante todo o ano de 2024. Porquê? Porque a alteração aprovada só entra em vigor a 1 de janeiro de 2025. “Vá lá!”, exclamarão alguns, “Afinal há algum decoro!”, dirão outros; mas não, desenganem-se todos. Como é óbvio o adiamento de um ano só pode ter algum trunfo escondido na manga.
É certo que a alteração legislativa só entra em vigor em 2025, mas, efetivamente, há truque, tem efeitos retroativos e todas as ajudas de custo de 2024 serão recebidas, mas não só – tomem lá mais – as de 2023 também.
Entretanto, lutam os trabalhadores na rua, durante anos, por migalhas, sem nada conseguirem, nem com esta rapidez, nem com este nível de acordo geral e, muito menos, com quaisquer efeitos retroativos.

Fonte: “Observador”.
E entretanto, temos ajudas de custo de quando o combustível e pneus andavam a metadae do preço.
ResponderEliminarBom dia a todos.
ResponderEliminarO assunto já havia sido referido por aqui.
Hoje, foi publicada a dissolução do Parlamento (julgo não estar a ser incorreto).
Para se alcançar tal reação que não é química, houve a congregação de muitos reagentes, o principal foi falta de transparência, a perda de confiança num governo incapaz para resolver os problemas do país, nomeadamente no setor da justiça.
Não é preciso ser doutorado em física ou ser-se cientista para explicar o processo ocorrido.
Embora a reação provocada não tenha provocado fumaça, há agora quem a queira para se esconder o que ocorreu no processo por tal circunstância invalidar a tese que defenderam.
Julgam que por sermos pouco instruídos, talvez nos consigam toldar o pensamento e fazer acreditar que tudo não passou de um pesadelo e que as coisas sempre estão como se queriam ou até melhor.
Não vou em cantigas de falsos arrependidos, armados em santos reconvertidos, que tudo fazem para alcançar o voto que os há de manter no poder.
Já não deviam estar onde estão quanto mais para onde querem ir ...
Vergonha!
Não se esqueça que "essa gentinha" nada mais sabe fazer do que viver da politica corrupta e sem escrúpulos!
ResponderEliminarPara se pagarem aos próprios e com retroativos todos os deputados da extrema esquerda à extrema direita estiveram de acordo e muito rápido!
ResponderEliminarPara aprovar algo para melhor remunerar os trabalhadores é sempre uma dificuldade.
Vi no DR mas nas tv(s) não se falou muito ou não vi.A tal agenda formatada nāo deixará que o 'povão' seja mesmo bem informado dos pormenores tal como o artigo de hoje descreve: uma autêntica maratona em causa própria. Também.... quem parte e reparte.....
Assunto bem diferente:
Lamenta-se o falecimento de dirigente sindical e administrador da comarca de Aveiro, nascido em 1977, ainda muito novo. Condolências aos amigos, colegas e familiares.
Embora não tenha nascido em 1977 mas ao que julgo saber em 1967, o Colega João Paulo Almeida era um distinto Oficial de Justiça e um excelente Ser Humano. Até um dia!
ResponderEliminarHomem com H. RIP João Paulo.
ResponderEliminarO que devemos fazer é nos organizarmos fora desta cúpula dos sindicatos...
ResponderEliminarOs professores não pararam os médicos não pararam, os policias estão na luta e os partidos para ganhar votos vão se comprometer.
A atividade dos nossos sindicatos é apenas de convocar greves...
Não mobiliza nada faz....
Nos dias de hoje hat outras formas de luta....
Deixem todos de pagar cotas a ver se não se mexem...
Entreguem os cartões de sócio...
Organizamos-nos fora destes sindicatos da treta que nada de jeito fazem...
São os 2 uma vergonha.
Por estes dias, e muito bem, os policias e os militares da GNR lutam pelo mesmo tratamento que mereceu a PJ.
ResponderEliminarÉ inacreditável como é que em sede de subsídios de risco, entre outras componentes, não foram discutidas conjuntamente, a PJ na tutela do MJustica foi presenteado e os restantes na tutela do MAI nicles batatoides.
Manifesta incompetência, desigualdade de tratamento, descriminação o que obviamente indigna a todos.
Curiosamente, o único facto que a ex- ministra tanto atirou, da programação e valorização da carreira na PJ, originou uma das maiores injustiças entre as forças de segurança.
Tanta burrice e incompetência nunca se viu junta numa só pessoa ...
Quanto ao texto de hoje, é bem demonstrativo dos falsários que nos dizem defender, o que verdadeiramente fazem é tratar de nós convencerem que é isso que fazem quando a final tratam da sua vida.
Só que agora têm de lidar com pessoas com mais estudos e formação que não se resignam e se for preciso param o país, como aconteceu com os professores, a PSP, etc.
Nos tribunais, agora que se aproximam as eleições, é altura de termos também a mesma atitude.
Se nada for feito é sinal de que, além de otários, somos parvos.
Saúde a todos ... nomeadamente mental, que é coisa que já me falta !
Solução?
ResponderEliminarVotem nulo.
Crie-se a verdadeira crise política.
Perdido por cem, perdido por mil!
Votem nulo e vejam esses políticos, que não são funcionários públicos, mas deviam sê-lo, a fazer verdadeiramente pela vida.
O português é mesmo de memória curta.
Nunca no parlamento não ocorreu unanimidade nas votações de assuntos relacionados com regalias dos deputados.
Porque será?
Mas lá vamos, não é?!
Sindicatos dos mansos.
ResponderEliminarOs meus €€ não vêem mais!
A "burrice" que falo é a da "inabilidade" mas a incompetência essa é só isso, incompetência.
ResponderEliminarHoje ouvi um podcast onde o PR falava do 25 de abril e, a determinada altura referiu a data em que os sindicatos deixaram de ser controlados pelo governo e ganharam uma "alegada" independência.
ResponderEliminarBem, volvidos cerca de 50 anos, o nosso sindicato é verdadeiramente controlado da mesma forma que no tempo da ditadura.
Temos, desde há muito, dirigentes militantes do partido do governo candidatos a autarcas e com altos cargos na estrutura partidária.
Enquando essas pessoas decidirem por nós estaremos sempre mal.
Quando se reivindica e por outro lado se defende o interesse geral é bom que na sala de reuniões estejam pessoas com diferentes visões.
Agora reparem, é admissível considerar o PS a discutir com o PS a justiça, a questão dos O Justica, vai decidir como? Obviamente como lhe interessar pois os representados pelo dirigente sindical são traídos pela filiação partidária de quem os representa.
Temos de começar por aí... por correr com o Marçal e outros como ele.
Sempre ouvi dizer: cego é aquele ou aquela que não quer ver ... o óbvio!
ResponderEliminarTemos uma esquerda amorfa que só se preocupa com as questões fraturantes como o é a de gênero, o PAN com gente nos corredores dos hospitais pretendia algo semelhante ao SNS para os animais, quando nem sequer temos instituições apropriadas para doentes de Alzheimer, á direita, temos o radicalismo, o nacionalismo exacerbado, o populismo bacoco e o aventurismo, pelo meio temos uns liberais que, num país dependente do assistencialismo e previdência do Estado , queria mudar o paradigma, como se fosse possível de um dia para o outro, seria o cais, era como fechar as torneiras de gasolina. Parava tudo.
No meio tínhamos dois partidos que pelo 25 de abril lutaram por soluções dos nossos problemas e não pela implementação de ideologias utópicas.
A alternância precisa-se, no mínimo exige-se a mudança, mas termos soluções que o permitam?
Por mim a mudança já me basta, mas há quem queira uma disruptiva do sistema e algo novo, a esses eu os encorajou mas prefiro apenas a mudança pura e simples.
Não quero viver na Venezuela da Europa ou numa imitação da Bulgária de há uns anos atrás. Também não quero o outro extremo como é o exemplo da Hungria.
ResponderEliminarSe outros foram capazes de uma disrupção pelo 25 de abril de 74 também nestes tempos somos capazes de, pelo voto, concretizarmos os mesmo.
Por isso é preciso ir votar e votar significa votar . O voto em branco apenas significa burrice, pois delega nos outros as responsabilidades.
Os meus sentidos pêsames à família pelo falecimento do Colega João Paulo Almeida. RIP
ResponderEliminarFala-se tantos nos 700 da PJ, quando esse valor foi para o diretor da PJ, não para os demais. Também se fala muito na questão do subsídio esquecendo que esse é o único subsídio que a PJ tem. Outros têm de risco, alojamento, fardamento, turnos, etc... Os comentadores de taberna acertam sempre, desconhecendo factos. Já agora, também o jornal Eco publicou, pela senhora avençada do costume que a greve ao trabalho extraordinário não tem serviços mínimos. É verdade? Não, mas foi publicado isso e ninguém contestou, sendo falso. Os tempos exigem que se conheçam os factos antes de se comentar...
ResponderEliminar
ResponderEliminarVotem nos mesmos de sempre e continuem a lamentar-se
Força
Faleceu de quê? Foi morte súbita ou foi acidente?
ResponderEliminarEra tão novo.
As listas da CDU por Braga já levam dois delegados sindicais do SFJ... Assim é difícil estar contra o processo eleitoral quando anda tudo a procura de lugar....
ResponderEliminarMais um em contra mão, contra o mundo, vê o que mais ninguém vê, a lavagem cerebral é tal que acredita cegamente que o mundo é quadrado porque alguém o terá escrito num lado qualquer ...
ResponderEliminarEnfim...
O voto nulo equivale a branquear e confiar nos mesmos.
ResponderEliminarO voto na mudança seja ela qual for é o mais importante.
Votem em qualquer um ... e eu não confio em quem decidiu os nossos destinos nos últimos 8 anos!
É preciso lembrar que os cabritos seguem sempre o rebanho e vão sempre colocar a cruzinha no lugar certo.
ResponderEliminarPor isso é preciso votar mesmo, não em branco, não nulo, mas validamente.
É preciso acreditar que a mudança pode acontecer como aconteceu em 74, e foi para isso que serviu a revolução e a instauração da democracia.
Votem em quem acreditem, mas votem validamente!
Tinha 56 anos.Pelo que li foi morte súbita.Teria problemas cardíacos. Praticava desporto.
ResponderEliminarE porque não lutam os nossos sindicatos pelo mesmo?! Os colegas do crime não deveriam receber subsídio de risco também eles? NÃO ERA TAMBÈM ELE JUSTO?!
ResponderEliminarPúblico:
ResponderEliminar"...Sindicatos prontos para negociar com o Governo mas nunca um valor inferior ao suplemento da PJ
Entre denúncias de problemas que colocam em perigo os agentes que andam no terreno (como coletes à prova de bala fora de prazo e gás pimenta que já expirou há décadas) e a organização dos locais onde se vão concentrar para protestar, os policias mobilizaram-se esta segunda-feira para fazerem passar outra mensagem: “Continuar sem medo, sem ceder e sobretudo não aceitar nada menos que os 700 euros..."
E não há dinheiro?!...
Mas a que propósito atribuíram um suplemento neste valor a PJ, com efeitos retroativos a 1 de janeiro de 2023 a PJ, e excluíram todas as outras forças de segurança?!...
Começa a ser uma marca deste PS. Todos nos lembramos das prioridades no processo de vacinação no início da pandemia COVID-19.
Primeiro foram vacinados os Magistrados, e os Oficiais de Justiça que permaneceram nas instalações dos edifícios dos Tribunais não foram considerados prioritários.
O valor da vida de algumas classes profissionais, tem um valor acrescentado, aos demais comuns dos mortais!...
Esta tem sido a "marca" deste Ministério da Justiça!..?