A “exaustão emocional” e o voto de louvor aos Oficiais de Justiça
As regiões autónomas dos Açores e da Madeira, aliás, como na sua própria designação consta, detêm autonomia em relação ao governo central de Lisboa. No entanto, essa autonomia não é extensível aos Oficiais de Justiça, o que não impede que os governos regionais e outros órgãos regionais se manifestem em defesa da justiça e dos Oficiais de Justiça.
Especialmente na Região Autónoma da Madeira, os madeirenses mostram-se atualmente muito contestatários das políticas nacionais que afetam os Oficiais de Justiça. A isto não será alheio o facto de ter surgido nos últimos anos uma escola profissional que vem habilitando muitos jovens madeirenses a poderem candidatar-se à carreira de Oficial de Justiça, mas, tendo sido massivamente deslocados para trabalhar no continente, sem quaisquer perspetivas de regresso à Madeira, apesar de nesta região também haver falta de Oficiais de Justiça.
A propósito da manifestação e concentração de Oficiais de Justiça em cinco cidades portuguesas que ocorreu no passado sábado 17FEV, no Funchal, em frente ao Palácio da Justiça dessa cidade, concentraram-se algumas dezenas de Oficiais de Justiça, tendo acorrido a comunicação social, especialmente a local, para se inteirar da motivação daquela manifestação.
No Jornal da Madeira (JM) lia-se assim:
«A “exaustão emocional” dos profissionais resultou na realização de vários protestos que decorrem, em simultâneo, em Lisboa, Porto, Faro e nos arquipélagos.
Em frente ao Palácio de Justiça estão, por esta altura, cerca de três dezenas de pessoas a reivindicar um conjunto de “promessas” que ficam por cumprir há já mais de um quarto de século, mormente melhores salários e condições de trabalho.
À vista saltam as camisolas, vestidas por todos os presentes, com a frase: ‘Justiça para quem nela trabalha”.
Em declarações ao JM, António Albuquerque, Oficial de Justiça, referiu que o objetivo é fazer o Governo, “seja este ou o próximo”, olhar com atenção para as carreiras da justiça e valorizá-las.
“Há um quarto de século que o Estatuto não é revisto”, disse, acrescentando que há efetivos “altamente envelhecidos”, a par de um terço de elementos em vias de aposentamento. Ademais, frisou a tabela salarial sem revisão e a falta de interesse em ingressar na carreira.
“Há quem trabalhe 17 horas sem receber um tostão”, sublinhou. A este respeito, indica que o Governo tem feito “palavras moucas” às inúmeras revindicações que se espalham por vários cantos do País.
“Só lhes interessa números e estatísticas”, asseverou Albuquerque.
“Está cada vez mais difícil sustentar esta máquina à tona de água. Temos 1600 Oficiais de Justiça em falta no país. Aqui, na Madeira, temos 143 e precisávamos de, pelo menos, mais 20”, acrescentou.
Neste âmbito, António Albuquerque questionou: “como é possível um serviço que sustenta o estado de serviço democrático” ser levado assim ao “arrasto”, tendo em conta que “há uma exaustão emocional tremenda” que se abate sob os Oficiais de Justiça?
“O Governo não reconhece, não requalifica e maltrata mesmo esta carreira”, rematou.



Antes, no dia 14FEV, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira (ALRAM) havia abordado a problemática dos Oficiais de Justiça, acabando por ser aprovado um voto de louvor aos Oficiais de Justiça, voto este que foi aprovado por unanimidade, naquela Assembleia.
O Deputado Brício Araújo, que apresentou a iniciativa, entre outros aspetos, referiu:
«Obviamente que, por tudo o que representam, por tudo o que fazem, por tudo o que fizeram, merecem naturalmente o reconhecimento pessoal das suas carreiras. Recordo que estes profissionais, desde sempre, durante anos, trabalharam fora de horas, prolongaram a sua atividade pela noite dentro para assegurar diligências urgentes. Muitas vezes deixaram os seus filhos à porta das escolas porque os julgamentos se prolongaram, sem receber qualquer cêntimo de compensação por essas horas extraordinárias.»
Sobre este voto de louvor aos Oficiais de Justiça, aprovado por todos os grupos políticos, e intervenção do Deputado mencionado, pode ver o extrato no vídeo que segue.
Fontes: “Jornal da Madeira” e “Nota SFJ”.

Esqueceram-se de falar da integração dos 10% por mais 3 meses. Já não interessa?
ResponderEliminarToda a gente na rua a lutar por melhores condições de trabalho e os nossos sindicatos, nem vê-los ...
ResponderEliminarA bola de neve criada pela senhora Ministra da Justiça Catarina Sarmento e Castro teve origem da extinção do SEF pelo Governo que fez integrar alguns dos seus profissionais na PJ donde, decorrente dessa integração, resultou a necessidade de corresponder as regalias e privilégios daqueles poucos Inspetores a todos os outros da PJ.
Ficou assim a descoberto os vários regimes especiais e especialíssimos existentes nos vários ministérios.
Agora, por arrastamento, reivindicam as forças de segurança o mesmo tratamento, traduzido no melhoramento salarial ou das suas diversas componentes - no caso a do risco (existe a componente do patrulhamento, a dos gratificados, etc.).
Antevê-se ainda que os militares enveredam pelo mesmo caminho, o da reivindicação.
ResponderEliminartrabalharam fora de horas, prolongaram a sua atividade pela noite dentro para assegurar diligências urgentes. Muitas vezes deixaram os seus filhos à porta das escolas porque os julgamentos se prolongaram, sem receber qualquer cêntimo de compensação por essas horas extraordinárias.»
ISTO NINGUÉM VÊ?
NÃO MANDAM ISTO PARA A ASSEMBLEIA DA REPLUBILCA
PARA O PRESIDENTE DA REPUBLICA
E O MINISTÉRIO PÚBLICO QUE FAZ? GARANTE DA LEGALIDADE??
É só treta!!!!!!
ResponderEliminarMerda de classe profissional que ninguem respeita.
ResponderEliminarNão sei como ainda há gente que se deixa enganar a vir para isto.
Quem já tentou marcar as férias aprovadas no CHRONUS e com tempo público fora dos tribunais não consegue marcar todos os dias. Agora a antiguidade é só reportada aos Tribunais e até 31-12-2023, o resto não conta. Eu tenho dois dias de férias que não consigo marcar.
ResponderEliminarOra aí está!!!
ResponderEliminarÉ exactamente isso!!
👏
melhor não ter ferias
ResponderEliminarO caps Lock Avariou ?????
ResponderEliminarDiga lá para a gente saber quantas horas fez em 2023 pela noite dentro para assegurar diligências urgentes.
ResponderEliminarÉ para fazer contas e ver quanto é que fico a ganhar.
Nada porque eu nao fiz horas nenhumas, nem eu, nem a mairia dos OJ.
Isto é outro discurso igual ao da integração do suplemento.
Exigência de suplemento de disponibilidade permanente! Não seremos os primeiros! E não renunciar a isso! Valorização da carreira! Acabar com tantas categorias! Só somos prejudicados com isso!
ResponderEliminarTenho estado a ver o jornal da SIC agora durante a hora de almoço.
ResponderEliminarSão 13h e 25m e até agora as notícias têm sido protestos e mais protestos.
Militares
Professores
Dgrsp
Guarda prisional
Tudo reclama melhores salários e a valorização da carreira.
Nós, mansos e humildes, apenas pedimos mais três mesitos de suplemento e está tudo bem ...
Diz muito bem: "mansos e humildes" ...
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ResponderEliminarpara comentário 23.02.2024 às 13:06
tu não és OJ
és infiltrado da tutela ou estás numa comissãozita com um padrinhozinho como tu a viver à custa dos outros
cheiras a mofo ao longe!
A verdade é do caraças!
ResponderEliminarPalmadinhas nas costas é o que toda a gente gosta.
ResponderEliminarLouvores e outras coisas tais só os ouço na Igreja, em que acima de tudo há quem acredite nas pessoas e, ainda, tenha fé nelas!
Mas que esteve a gerir os nossos destinos não lhes vi auréolas de santos ou capas de super heróis, pelo contrário vi que se acobardaram naquilo que se propunham fazer e fugiram às suas responsabilidades, não cumprindo com o prometido.
No meu ouvido ficou-me a expressão: "este é o ano dos oficiais de justiça..." - e estávamos em meados de 2023.
Vamos entrar no último período do primeiro trimestre de 2024 e "nicles batatóides".
E ainda há quem deposite o seu voto de confiança em pessoas que nos faltaram ao prometido e com enormes custos para todos nós.
Mais um anito e cerca de 20% vai-se aposentar, e os que ficarem por cá não terão capacidade para remar contra a maré tal é a força devoradora das novas correntes que se fazem sentir.
Os senhores que nos representam nos sindicatos são manifestamente incompetentes e "inadequados para o cargo" , são aquilo a que os antigos diziam ser um verdadeiro "estorvo" .
As pessoas que não nos ligam nenhuma vão merecer dos oficiais de justiça o "votinho do costume" pois somos todos os grandessíssimos ... olhem somos como eles, falsos uns para os outros.
Bom final de semana!
Tem razão, já lá vai o tempo das horas a mais ... à semana e as sábados e domingos, na hora da doutrina e da missa ou do terço.
ResponderEliminarMas acredite que ainda há alguns colegas a zelar pelo serviço, muitos deles para "queimar tempo" até saírem os filhos da escola, outros para não terem de cozinhar, outros ainda dizem-se no trabalho quando estão a "lourear a pevide".
A todos eles, digo-lhes que são desmesuradamente "burros", e falo com conhecimento de causa, pois durante muitos anos deixei-me enganar por uma falsa expetativa de carreira que ao cabo de 25 anos se esfumou por entre os dedos das mãos, ficando pelo caminho muitas horas de borla para a causa pública.
Hoje não penso mais assim, o dia acaba a cada 24 horas, e apenas cumpro o horário de trabalho fazendo-me compensar sempre que se estende para além dele.
A poupar milhões para a Mariana, o Pedro e o Rui "queimarem" nas (re)privatizações, em aeroportos e nos mandriões que nos rodeiam e gravitam à nossa volta, se depender de mim não vai ser à minha custa!
13.06 horas,
ResponderEliminarVou arriscar, vou fechar o leque para me poder encontrar.
Criminal Lisboa, até domingos trabalhei em 2023. Eu e outros.
Coagido, sabe. Co a gi do.
Quer saber em quê?
Em que fui coagido?
Na minha paz de espírito.
As "merdinhas" administrativo/processuais que tive de aturar das vezes que não fui "colaborante", "avesso à mudança".
As férias que para mim não podiam ocorrer, mas para os outros sim.
Portanto, caro 13.06 horas, vá plantar couves para o Alentejo!
Existe coação subliminar nos tribunais sim e muita.
De mais até!
"Mas acredite que ainda há alguns colegas a zelar pelo serviço, muitos deles para "queimar tempo" até saírem os filhos da escola, outros para não terem de cozinhar, outros ainda dizem-se no trabalho quando estão a "lourear a pevide" - pois, mas isso não preenche o conceito de disponibilidade permanente é mais disponibilidade familiar
ResponderEliminarÉ muita cuação nos tribunais... Muita mesmo
ResponderEliminarSomos uma carreira de pedintes
ResponderEliminarApesar de tudo, acabo por dar razão ao Ventura.
ResponderEliminarÉ preciso acabar com os subsídio-dependentes!!
É tudo a pedir subsídios e suplementos e o carago...
Cambada de mendigos.
São os professores
São os guardas
São os polícias
São os guardas prisionais
São os técnicos da dgrs
São os técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica
São militares das forças armadas
Francamente, será que na função pública já não há gente séria, pobrezinha e humilde, honrada, abnegada e cumpridora como nós?!
Fogo, só pensam em dinheiro!!
É tudo gente pobre, é de ter pena mesmo.
ResponderEliminarDepois vai-se a ver e o consumo é cada vez maior:
a restauração durante a semana está a bombar até em concelhos pequenos, ao domingo quem quiser vá verificar naqueles restaurantes mais caros e tem de esperar nas filas tal a quantidade de gente para almoçar. Nas estradas, carros com as novas matrículas são aos milhares, quando tenho é um " chasso" utilitário, com mais de 20 anos que de utilitário já tem pouco! Cada vez há mais cadeias de lojas estrangeiras a vir para cá, o investimento estrangeiro a aumentar.
O que eu sei é que havendo pouco dinheiro gere-se bem e chega. Com muito, gasta-se mais e acaba. Assim, durante a Troika o pessoal calou-se, aceitou cortes de salários, de feriados, passaram muitos das 35 para as 40 h. semanais (a DGAJ ainda nos enviou circular que ilegamente também nos obrigava a isso) pagou ainda o pessoal um adicional ao IRS, ouviu que se devia emigrar, não ser choramingas, etc.Já há uns anos antes, alguém havia falado em " peste grisalha" ( e não digo mais nada) . Não acabarão nunca os pedidos de mais dinheiro e os mais pobres que nāo têm poder de reinvidicação, cada vez mais pobres. E todos os que estão na rua só o fazem porque a força política que governa é a que acham que pode acolher todos os pedidos.
Venha de lá um governo de direita e quero estar cá, para ver a satisfação de todas as reinvidicações que estão pendentes.... lol....
Até quando continua o não pagamento de salários vencidos?
ResponderEliminarA caloteirice vai durar até quando?
Vergonha das vergonhas.
Sindicatos mexam-se, por favor.
Precisamos dos pagamentos vencidos há muitas décadas.
Posso afirmar que existe coação, pressão psicológica, política do medo, ameaça disciplinar e tudo o que se possa imaginar. Após 24 anos de serviço sofri esta semana em 15 minutos o que nunca antes ninguém me fez. O agressor foi um procurador. Estou em choque e estou a ponderar o que fazer. O meu estado emocional diz que este homem não pode continuar ao serviço da justiça, deve ser punido. A minha cabeça diz o contrário. Muitos casos haverá. A ditadura está no sistema judicial.
ResponderEliminarSei bem do que fala.
ResponderEliminarE até aposto que estavam os dois sozinhos no interior do gabinete ...
Por acaso foi junto com 2 colegas e uma procuradora a assistir e ouvir.
ResponderEliminarSendo assim tem testemunhas ...
ResponderEliminarJá passei por isso e hoje arrependo-me de não ter metido baixa no dia imediatamente a seguir.
ResponderEliminarHoje sei que o faria sem hesitar!