As Concentrações e a Vigília
Depois das concentrações de sábado, realizamos ontem aqui uma breve descrição das mesmas e colocamos muitas imagens e vídeos que ilustram essa tarde de sábado e a magnífica adesão a esta iniciativa que, afinal, contou, não propriamente com o apoio dos sindicatos, mas tão-só com a sua solidariedade, sem uma intervenção de apoio propriamente dita.
Curiosamente, em termos de apoio, na concentração de Lisboa, os Oficiais de Justiça contaram com o apoio dos professores que ali se concentraram também, partilhando espaço e o equipamento sonoro, onde se registaram algumas intervenções, equipamento esse que até o presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) utilizou. Por sinal, o presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) não utilizou porque não esteve presente.
Os Oficiais de Justiça não detinham nenhum equipamento sonoro, a não ser um megafone barato de pilhas, com pouca eficácia e abrangência, tendo sido de enorme utilidade o apoio efetivo e prático dos professores aos Oficiais de Justiça.
Os professores até contavam nas suas fileiras com um elemento feminino que representava a justiça, tendo os Oficiais de Justiça, obviamente, ficado maravilhados com a iniciativa e as ideias dos professores, acabando a partilhar fotos como a que segue.

Em termos de apoio, os Oficiais de Justiça que montaram tenda e permaneceram toda a noite em vigília em frente à Assembleia da República, contaram ainda com o apoio de um agente da PSP que, espontaneamente, ali se plantou com um saco cama para passar também a noite em total apoio aos Oficiais de Justiça, tendo manifestado intenção de participar com mais agentes nas próximas iniciativas dos Oficiais de Justiça.
Não, durante a noite e até ao meio-dia de domingo, altura em que os Oficiais de Justiça deixaram o local, não estiveram presentes os dirigentes dos dois sindicatos que representam os Oficiais de Justiça.
Os Oficiais de Justiça ali presentes durante toda a noite obtiveram também a solidariedade de pessoas anónimas que por ali passaram.

Na intervenção de Carlos Almeida, presidente do SOJ, pelo mesmo foi afirmado que não estávamos perante nenhum movimento inorgânico, como estes Oficiais de Justiça chegaram a ser apelidados de acordo com alguma nomenclatura da moda, considerando que inorgânicos são os movimentos nascidos nas redes sociais por pessoas anónimas com perfis falsos, o que não é o caso deste movimento.
«São colegas nossos que estão cansados de esperar, que veem as suas vidas há mais de 20 anos adiadas e, portanto, deram um grito de revolta, um grito de cidadania, e aqui estão esses nossos colegas com os sindicatos, obviamente a apoiar.
Os sindicatos são vossos e são instrumentos ao vosso serviço. Vocês têm estes instrumentos que são os sindicatos e usem estes instrumentos porque em termos profissionais são os sindicatos os únicos que são capazes de dar resposta e se sentar à mesa negocial.
Mas nós precisamos também do respaldo de todos os que aqui estão para que se possa dizer, quando estamos lá dentro, que temos aqui a nossa carreira a apoiar-nos, para que não se diga que os sindicatos falam e a carreira está desunida dos sindicatos.»

Nas cinco cidades escolhidas, territorialmente pensadas, compareceu um número muito significativo de Oficiais de Justiça e a tarde decorreu num ambiente de luta e também de grande convívio. Claro que as presenças todas somadas, no país todo, nem a mil Oficiais de Justiça chegaram, o que significa que, num universo de cerca de 7500 Oficiais de Justiça, a participação pode considerar-se fraca, no entanto, mesmo com essa baixa participação, os que compareceram estiveram à altura das circunstâncias e fizeram-se ouvir muito bem, ficando a imagem, que as imagens documentam, de umas muito boas participações.

ATUALIZAÇÃO:
No dia seguinte ao da publicação deste artigo, um dos Oficiais de Justiça que participou na organização das concentrações, que esteve presente na de Lisboa, sendo ainda o autor da vigília, solicitou-nos que publicássemos uma nota de esclarecimento sobre os acontecimentos da concentração de Lisboa, para complementar a informação vertida neste artigo, terminando com uma nota de agradecimentos.
E disse assim:
«Face ao conteúdo do artigo, venho, na qualidade de um dos organizadores das concentrações/manifestações de Oficiais de Justiça de 17 de fevereiro de 2024, esclarecer o seguinte:
Efetivamente o colega Presidente do SFJ não compareceu à concentração/manifestação, mas acredito que por motivos de força maior. Contudo, importa esclarecer que se encontravam presentes colegas dirigentes/membros das estruturas do SFJ, designadamente do Secretariado Executivo Regional de Lisboa: a Secretária Regional: Regina Maria de Almeida Soares, o Vogal: Francisco Manuel Pereira Medeiros e a Vogal: Elizabete Oliveira. Presentes desde a primeira hora, prestando todo o apoio, designadamente na preparação dos folhetos e da faixa preta, execução de cartazes, etc.
A colega Regina Soares foi muito interventiva, usando por diversas vezes o equipamento de som dos professores para "puxar" pelos colegas e dar conta da causa dos Oficiais de Justiça a todos os presentes.
É de salientar que a Secretária Executiva Regional do SFJ, a colega Regina Soares, e a Vogal, colega Elizabete Oliveira, prolongaram a manifestação, em regime de vigília, até perto das 8h30 de Domingo, sendo que a partir dessa altura continuei a vigília até cerca das 12h00, na companhia de um agente da PSP, também em vigília.
Por fim, permitam-me que termine com alguns agradecimentos:
– A todos os colegas presentes na Assembleia da República;
– A todos os colegas dirigentes sindicais e membros das estruturas sindicais, do SFJ e do SOJ, que também se encontravam na AR;
– Aos colegas administradores do Diário Digital dos Oficiais de Justiça de Portugal e também do grupo WhatsApp dos Oficiais de Justiça, pelo seu apoio facultado à esta iniciativa, com todo o seu grande empenho na divulgação, esclarecimento e mobilização da classe e
– Aos professores presentes na AR, nomeadamente aos organizadores da iniciativa, pela cooperação e solidariedade manifestadas para com os Oficiais de Justiça.
Abraço a todos! Walter Figueiredo, Oficial de Justiça.»
Venho dar os parabéns a todos os que lutaram por nós, desta vez de uma forma diferente, o meu muito obrigado, estive doente não consegui comparecer. Para a próxima não falho.
ResponderEliminarPergunto- então os OJ sem licenciatura misturaram-se com professores todos licenciados? Não ficaram com sarna? Até usaram os seus megafones! Os professores licenciados todos bem vestidos e que não percebem nada da sua profissão, todos presunçosos , insuportáveis ...! (Isto segundo o que já li neste blogue). Vejam que se aceitarem a requalificação (os não licenciados que precisarem) e se só entrarem licenciados com o novo estatuto, este problema deixa de existir.
ResponderEliminarEsta é a opinião de um Oj não licenciado sobre os seus colegas licenciados.
ResponderEliminarBom dia.
ResponderEliminarParabéns a quem se dispôs a lutar por todos.
Pena é que os sindicatos não se tenham associado à causa e providenciado por transportes a quem quisesse estar presente.
tem vergonha.
ResponderEliminarpara um licenciado eese comentário envergonha os licenciados todos.
não passas de um arrogantezito.
Trata-te que estás doente.
Na viagem para o Porto, reencontrei uma colega que não via há já algum tempo, anos mesmo!
ResponderEliminarPude assim conversar um pouco e saber da sua vida e ela da minha claro está.
Fiquei espantado quando me disse que estava na pré-reforma (pensei que isso já não existisse, mas não é que existe mesmo!).
Foi então que me explicou que a classe de que faz parte deixa de descontar para o sistema onde se integra aos 35 anos de carreira e, desde que convenientemente justificado, até pode beneficiar da pré-aposentação.
No caso a minha amiga tem 56 anos de idade, e é trabalhadora da Caixa Geral de Depósitos onde, para além das demais benesses, beneficia de taxas de crédito diferenciadas entre muitas outras regalias (clubes de golfe, etc.).
Somos mesmo otários!
Na viagem de regresso a casa, encontrei uma conhecida que vinha do trabalho (loja do Cidadão) e confidenciou-me que o IRN, organismo sob a tutela do Ministério da Justiça (semelhante à DGAJ) havia feito circular uma informação de que disponibilizou para cada serviço/Conservatória cerca de cinco mil euros (5.000,00 €) para aquisição de equipamento e material (fornecendo uma listagem onde se inclui, por exemplo, frigorifico, micro-ondas, televisor, etc.) com vista a criar um espaço próprio destinado aos funcionários.
ResponderEliminarFiquei reticente e procurei confirmar e não é que é mesmo verdade!
Somos mesmo otários!
Já me esquecia
ResponderEliminarVocês sabiam que nas múltiplas conservatórias, integradas no IRN, existem diferentes interpretações sobre o regime de emolumentos e que ninguém tem a coragem de tentar uniformizar o sistema por contender com os interesses dos funcionários e, nomeadamente, dos Conservadores, receando a sua reação.
Sabiam, por exemplo que no Marco de Canavezes cobra-se um emolumento que não é cobrado em Paredes ou Valongo, e que ninguém tem a coragem de "bulir no assunto", podendo um funcionário ganhar centenas de euros por mês a mais que o outro fazendo exatamente o mesmo número de atos de registo, o mesmo serviço.
Parece que temos um ministério da justiça só de nome.
Somos otários!
Hoje mesmo, reencontrei um colega de escola que julgava já não estar entre nós, mas que afinal havia superado um grave problema de saúde e estava de novo ao serviço na CP.
ResponderEliminarComo é normal lá se acabou a falar de trabalho e disse-me que tinha estado de ferias num país nórdico onde beneficiou de regalias especiais de uma congénere estrangeira (empresa de caminhos de ferro) tendo visitado todos os principais locais daquele país de forma quase gratuita (a CP oferece um voucher).
Confirmei, aliás, o que já me haviam dito há algum tempo atrás numa viagem a Lisboa sobre as benesses dadas aos funcionários da CP, designadamente passe gratuito para as mulheres e filhos.
Fiquei ainda a saber que um outro colega e amigo de escola, com a profissão de maquinista da CP, licenciou-se em Direito e, atualmente, exerce advocacia em acumulação com a referida profissão que mantém sendo, ainda, representante sindical.
Ou seja, na CP os funcionários podem acumular as suas funções com outras profissões, com possibilidade de compatibilização de horários entre muitas outras prorrogativas.
E nós contentados com o passe mensal que agora todos têm ...
Somos otários, todos os dias desta vida ...
Só vendo o que se passa em outros ministérios ou até neste mesmo Ministério da Justiça com a situação dos respectivos funcionários é que tomamos consciencia do quanto estamos mal e do quanto descemos.
ResponderEliminarOs tribunais tornaram-se em 15 anos dos piores locais para trabalhar de toda a função publica.
Pois essas exigências é que deviam fazer parte do novo estatuto. Os oj devem juntar-se em grupos e consultarem outros estatutos e verterem -nos para o nosso, o que se adequar. Não é o SFJ que vai fazer isso, porque ele só quer a pré-reforma e a reforma aos cinquenta anos!
ResponderEliminarOutra coisa pela qual devemos lutar: devemos pertencer todos à Caixa Geral de Aposentações. Os professores hoje, e não só andam a pedir isso. Isso é muito importante! Os mais velhos têm Caixa e os mais novos de nós não.
ResponderEliminarO Carlos Almeida devia ter vergonha. Um manifestação que não foi convocada pelos sindicatos, só aderiram porque não tinham alternativa embora por eles nada disto tinha acontecido e aproveitar o palco para protagonismo é mesmo de lamentar. O triste é que todos achamos normal. Nada têm conseguido, voltar aos tribunais tá quieto mas surgindo qualquer oportunidade, aí estão eles. Temos o que merecemos.
ResponderEliminarEu até acho o comentário das 09:07 muito pertinente. Mas quando o tema é de licenciatura, a malta dos "conhecedores pela antiguidade" vira logo ao insulto.
ResponderEliminarTemos nós de agir!
ResponderEliminarA parte da arrogância e presunção assenta-lhe bem....
ResponderEliminarPorventura, a tal requalificação que V.ª Ex.ª entende que os não licenciados precisam também é necessária para alguns colegas licenciados (não todos).
Uma pequena requalificação de Valores, de humildade, etc.
Não vou especificar mais, porque V.ª Ex.ª não saberia do que se trata.
É como muitos magistrados que andam por aí, o facto de serem quem são e terem uma licenciatura não é impeditivo de serem umas bes....
Quando são Colegas é um pouco mais constrangedor, nada mais....
FF
Se procurou protagonismo falhou, pois limitou-se a falar que pertencia ao outro sindicato, depois de uma colega ter falado que estava ali o SFJ e talvez o "outro" sindicato. Disse, depois, que o movimento, no seu ver, não era inorgânico, valorizando portanto esse movimento depois de outra colega o classificar de inorgânico. Portanto, a ter procurado protagonismo, falhou.
ResponderEliminarA sua análise é modelada. A questão é porque se aproveitou do protagonismo.
ResponderEliminarA DGAJ que pague o que nos deve, tudo o resto é "paleio" para inglês ver.
ResponderEliminarSOJ, SFJ, ajuntamentos, já enjoa!
9 to 5
Porque é que esta iniciativa não foi dos sindicatos?
ResponderEliminarSou Oficial de Justiça e com a patroa optamos pelo amor 😍 na devida plataforma remunerada digital para o efeito.
ResponderEliminarDá para almoçar fora, para as férias e pagar os caros novos!
E ainda nos divertimos!
O Tribunal é um extra.
"carros", claro está.
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ResponderEliminarDe facto, triste aquele comentário, demonstrativo mesmo para com os colegas licenciados, que não passam de uns arrogantes.
Que sejam arrogantes com os magistrados, se têm coragem!
Tenham vergonha na cara, licenciados que envergonham licenciados.
Muito bem. É uma vergonha o que se está a passar, não só pelo que deve, mas pelo não reposicionamento imediato no escalão a que se tem direito. Onde é que isto já se viu!?
ResponderEliminarJá agora, pode dizer a que acto se refere tal emolumento pago numa conservatória que não é pago noutras?
ResponderEliminarObrigado.
Acho muito triste e lamentável este tipo de discurso porque para além do mais ainda nada vigora sobre tal distinção, somos todos Oficiais de Justiça, sem distinções, e até agora nunca vi um técnico de justiça ou um escrivão a assinar como Dr. ou Eng..
ResponderEliminarSe bem que já tenho visto umas lambidelas de botas a tratar Secretários/as Judiciais ou até Administradores/as pelo título de Dr(a)., mas isso não passa disso mesmo, lambidelas de botas.