E responsáveis, não há?
A assunção pública por parte da Direção-Geral da Administração da Justiça (DGAJ), tal como ontem aqui noticiamos, de que não consegue resolver os problemas dos recursos humanos relativos aos Oficiais de Justiça, que a situação é tragicamente de rutura e que nem consegue assegurar os serviços essenciais, quando a função da entidade administrativa governamental é essencialmente essa, diz tudo sobre as pessoas que estão colocadas na entidade, designadamente, revela incompetência, incapacidade, ineptidão… e incompreensão pelo facto de ainda ali estarem a não exercer as funções básicas expectáveis para que esta situação de rutura não acontecesse nunca, porque deveriam ter um papel preventivo e diligenciar previamente em vez de meramente constatar a impossibilidade, por nada ter feito, ou por não ter feito o suficiente, ou por ter constatado que tudo fizeram, mas, por culpa de outrem, mais não conseguem fazer e, portanto, perante o obstáculo alheio, renunciavam ao cargo e, ou, denunciavam e identificavam quem é, ou são, os responsáveis.
Se eu receber uma notificação solicitando a identificação do condutor que conduzia o veículo que foi captado num radar com excesso de velocidade, porque o carro está em meu nome, se não indicar ninguém como sendo o responsável pela infração, então a infração será da minha responsabilidade e terei de sofrer com as consequências.
Serve este exemplo para comparar a ação das pessoas responsáveis na DGAJ e no Ministério da Justiça pelo estado dos Oficiais de Justiça nos tribunais, ou indicam de quem é a responsabilidade ou teremos de concluir que a responsabilidade é das próprias. Até ao momento, não indicaram terceiros, pelo que fácil é concluir que há responsabilidade própria e que tal responsabilidade tem de ter consequências.
Note-se bem que este assunto do recurso inútil à figura do Destacamento Excecional é mais do mesmo, é chover no molhado, é a repetição daquilo que já foi feito no ano passado, quando a Comarca pedia 80, a DGAJ dava 26 e, a final, foi destacado apenas 1. Este ano teima-se na mesma ridícula opção, mas com um grau de gravidade bem maior, uma vez que, pelo meio, foram colocados oficiosamente dezenas de candidatos que não aceitaram e foram perdidos do concurso e ficam proibidos de entrar em próximos durante dois anos.
É esta a gestão: não só teima em meios e métodos que já estão comprovados que são inúteis, como ainda faz a carreira perder dezenas de candidatos interessados em ingressar. Ora, ou isto é uma gestão falhada dos recursos humanos ou é uma gestão exitosa no oculto caminho da destruição dos tribunais e dos serviços do Ministério Público.
No ano passado, eta situação mereceu o apelo do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) à intervenção do Presidente da República e do Conselho de Estado por considerar que estávamos perante uma crise de um órgão de soberania e dizia concretamente assim:
«O Ministério da Justiça assume agora, publicamente, através da página da DGAJ, que “esgotados todos os meios ao alcance dos órgãos de gestão” e da “Direção-Geral não é possível assegurar o funcionamento” de tribunais.
Será que o Governo quer encerrar os maiores tribunais do país, como sejam Cascais e Sintra, por má gestão sua? A DGAJ reconhece que esgotou os meios e Sua Excelência a Senhora Ministra da Justiça mantém silêncio?
Perante a factualidade, fica a convicção, depois de anos de desinvestimento nos tribunais, que há um programa de governo, desconhecidos dos portugueses, que promove o mau funcionamento dos tribunais, não os dotando de meios e condições, para assim afastar a realização da justiça.
Perante esta situação, em que está em causa o regular funcionamento do Órgão de Soberania “tribunais”, por falta de respostas do Governo, pois é ao Governo que cabe dotar os tribunais de condições, nada mais resta a este Sindicato, SOJ, do que apelar a Sua Excelência o Senhor Presidente da República para que convoque o Conselho de Estado e seja avaliada a matéria em apreço: está em causa, como reconhece o próprio CSM, o regular funcionamento, por inação do Governo, do Órgão de soberania “tribunais”.»
Este ano, perante a mesma situação, mas com a agravante de ser repetida, o SOJ ainda nada disse, mas veio o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) a público, no dia de ontem, com uma nota na qual diz assim:
«O Sindicato dos Funcionários Judiciais tem-se manifestado de várias formas, incluindo nas reuniões com o Ministério da Justiça, com a Ministra da Justiça e, mais frequentemente, com o Sr. Secretário de Estado Dr. Jorge Costa. Também foram feitos apelos à Direção-Geral da Administração da Justiça, aos Tribunais Superiores, como o Supremo Tribunal de Justiça e o Conselho Superior de Magistratura, à Procuradoria-Geral da República, aos Grupos Parlamentares, e por fim, através de lutas ao longo dos últimos anos, com maior destaque em 2023 e já no início de 2024, com o objetivo de chamar a atenção da Comunicação Social para o caos e rutura total do quadro dos Recursos Humanos nas Secretarias Judiciais.
Este apelo e exigência de atenção e urgência no tratamento do Capital humano nas Secretarias Judiciais tem sido comunicado através dos Relatórios de Comarca dos Órgãos de Gestão e pelos Administradores Judiciais, com especial destaque na Comarca de Lisboa Oeste.
Recentemente, o SFJ também expôs essa situação na Conferência dos Estados Gerais da Justiça, organizada pelo Conselho Regional da Ordem dos Advogados, onde estiveram presentes representantes de todas as entidades institucionais, partidárias, jornalísticas e sindicais com poder para tomar medidas e informar sobre as mudanças necessárias.
Assim, o Sindicato vem exigir que sejam apuradas as devidas responsabilidades por parte do Ministério da Justiça, dado que todas as Comarcas e Núcleos estão em decadência, devido a:
– Falta de remuneração adequada para atrair pessoas para os Tribunais;
– Falta de integração do suplemento de recuperação processual de 10%;
– Falta de abertura de concursos oportunamente para um grande número de Oficiais de Justiça.
Este ofício Circular da DGAJ [1/2024], e a Urgência nele plasmado, são desta situação prova, sendo que pede candidaturas elencando vários critérios, isto porque todas as Comarcas e Núcleos e Jurisdições estão em declínio.
Portanto, o Sindicato exige que sejam apuradas as responsabilidades por terem permitido que a situação chegasse a este ponto, sem terem tomado as devidas providências.»

Fontes: Artigo deste Diário Digital dos Oficiais de Justiça publicado em de 02-01-2023, intitulado “SOJ pede a PR que convoque o Conselho de Estado”, Nota sindical de 01-02-2024 do SFJ e Ofício Circular 1/2024 da DGAJ.
Continua-se a falar de integração dos 10% mas é preciso falr em AUMENTOS SALARIAIS!
ResponderEliminarParece que temos vergonha em pedir uma atualização salarial, já que os salários perderam um grande parte do seu valor real em face da inflação.
Os sindicatos precisam de fazer mais, MUITO MAIS!
Quero dar os meus parabéns aos funcionários do Jic, de Lisboa que tem feito greve e ninguém fala deles, isto no caso do processo dos detidos da madeira.
ResponderEliminarPor outro lado no porto no caso dos super dragões não me parece que estejam a impedir de os mesmos prosseguirem com normalidade ou estarei errado??
Quero dar os parabéns aos verdadeiros heróis , os funcionários do J.I.C de Lisboa, que têm atrasado os interrogatórios e ninguém fala deles.
ResponderEliminarQuanto aos do porto no caso dos super dragões, nem sei se estão de fato a fazer o mesmo, mas não me parece.
Falar dos 10 por cento neste momento é a coisa mais vergonhosa e triste que alguém pode exigir.
ResponderEliminarAcordem a várias profissões foram aumentadas em 20 por cento.. as exigências neste momento são outras.
O suplemento da p.j. já diz tudo tenham vergonha.
Vá lá pessoal, esperem até 10 de março que a tia/camarada Katarina está a chegar/voltar.
ResponderEliminarDepois é que vai ser, não o ano mas a década dos oficiais de justiça.
Façam como os sindicatos, uma pausa para revigorar.
Então nas redes sociais está um autentico deserto dos freelancers sindicalistas.
Afinal 9 anos depois de ser governo, o povinho gostou do resultado e está pronto para continuar.
Bom fim de semana e não se chateiem muito.
Bom dia.
ResponderEliminarEstá tudo explicado. No dia de ontem era por aqui referido a média de idades - muito avançada - com um universo muito significativo perto ou mesmo nos últimos anos precedentes à aposentação.
Nos artigos sobre estudos e sondagens publicadas por estes dias, chegou-se à conclusão que mais de metade dos votantes do PS situam-se na faixa etária acima dos 65 anos e pelo que me pareceu cerca de 90% dos eleitores têm idade acima dos 35 anos.
Quer isto dizer que os mais jovens não consideram boas as politicas prosseguidas nos últimos anos, no que aos mesmos dizem respeito, por outro lado os mais idosos - ou menos jovens - talvez por força de um sentimento nostálgico ou saudosista, dos tempos de abril de 74, quando ainda eram jovens, tendem a apostar numa ideia já distante, falhada em muitos aspetos, como se estivessem amarrados a outros tempos.
Ora da conjugação de ambas as considerações, universo dos votantes e média de idades nos tribunais, pode-se dizer que muitos de nós somos responsáveis por esta situação pois terá sido como voto de cerca de metade de nós que este Governo foi eleito.
Para mudar é preciso coragem, e vontade, e isso não tem sido querido.
Criticaram - e muito bem - o PSD por nas políticas prosseguidas terem ido mais além do que o acordado com a troika, onde cumpriram o "contrato" negociado e subscrito pelo PS do Eng. Sócrates.
Criticaram os apoios à banca ..
Criticaram os apoios à banca que , agora, com o governo PS, conseguiu lucros recordes - o Novo Banco acabou de apresentar contas.
ResponderEliminarO Estado nunca arrecadou tanto dinheiro como no ano transacto.
Sem dúvida. Somos mesmo pobres a pedir...
ResponderEliminarOs números trabalham-se ao sabor do vento, ou melhor dizendo conforme a conveniência.
ResponderEliminarReferi por aqui, muitíssimas, vezes a "reforma silenciosa" - como referiu o PM António Costa, e sombria - diria eu, por ser obscura e intangível pelo cidadão desatento ao nível cognitivo - , era querida sem sobressaltos, pelo teve o seu curso com pequenos passos, por via da ação e da inação.
Esta equipa da DGAJ e do MJ, após a conformação do mapa inicial, definiram um número ideal de funcionários da secretaria, sem atenderem às condições pessoais.
Exatamente! Esqueçam lá os 10%. Precisamos é de aumentos salariais. Sem isso, ninguém que vir para os tribunais. Salário de miséria o nosso...
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ResponderEliminarÉ verdade que os colegas do JIC dos interrogatórios mediáticos fizeram greve?
Se sim, faço aqui a minha vénia! e disponível para contribuir para
um fundo onde possa compensar o dinheiro perdido por eles.
lamento é que os lideres sindicais não tenham chamado e dito À comunicação social bem alto esse facto e os motivos!
Só assim lá iremos!
Estou curioso de ver a lista de antiguidade dos oficiais de justiça referente Dezembro 2023. Mesmo sem a actualização das ultimas aposentações deve ser perturbador ver a média de idades ali apresentada.
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ResponderEliminarNa cúpula da justiça a impunidade é total.
ResponderEliminarSr. Bloguer
Parabéns pelo trabalho desenvolvido aqui nesta página por todos nós.
E uma pergunta fora deste contexto: por acaso sabe se na ação da reposição do ano de provisório, também é autor algum Oj que tenha estado como eventual de 2001 a 2005? e se é abrangido pela decisão e em que moldes é abrangido? haverá reposição de 1 escalão, pois trata-se de mais de 3 anos (correspondente a 1 escalão de roubo)
Agradeço informação e bom trabalho.
É isso mesmo, parece que não há responsáveis!...
ResponderEliminarNa casa da lei não devia haver quem não responde perante ela, mas há!
Alguns chamam-lhes de "vacas sagradas"!
A tia catarina volta mas é só por uns dias até a geringonça de direita lhes tirar o tapete
ResponderEliminarNão temos informação nenhuma sobre esse assunto. Logo que saibamos algo imediatamente divulgaremos, uma vez que é assunto que muitos aguardam com impaciência.
ResponderEliminarSe alguém tiver informações sobre este assunto, por favor use o nosso endereço geral: OJ@sapo.pt
ResponderEliminarMuito obrigado.
J Negócios:
ResponderEliminar"...O candidato, e secretário-geral do Partido Socialista, às eleições legislativas, Pedro Nuno Santos, recebeu, durante nove anos, entre 2005 e 2015, 203 mil euros em subsídio de deslocação, apesar de ter casa em Lisboa.
Pedro Nuno Santos foi deputado pelo PS e durante todo esse período era proprietário de um apartamento na rua Marcos Portugal, na capital. No entanto, ao preencher os seus dados no formulário da Assembleia da República indicou sempre que a sua morada era em São João da Madeira, o que teve implicações no pagamento de abonos de deslocação (uma compensação salarial para os deputados que residem fora de Lisboa) e ajudas de custo, noticia a Sábado"
Continuem a fazer trabalho suplementar não remunerado, que nem assim, eles nos agradecem!...
Obrigado pela pergunta, pois também ando ansioso para saber alguma coisa sobre isso, cujo esclarecimento por parte da DGAJ tarda.
ResponderEliminarO TIC do Porto até vai estar disponível ao Domingo para os Dragões!!!
ResponderEliminarPiquete do sindicato para lá e em força. É este o momento!!!
É verdade!
ResponderEliminarTambém fiquei parva com a notícia da TVI!
Assim não vamos lá!
TIC do Porto estará disponível no Domingo!!!
ResponderEliminarFonte TVI.
VERGONHA!
Se ao menos prometessem integrar os 10%.
ResponderEliminarNem queria os 20% deitados ao lixo nem os suplementos iguais aos dos OPCs.
A promessa dos 10% já era um descanso nesta fase de pré reforma.
Sei que é difícil entender, parecemos uns anjinhos, nem nós próprios sabemos porquê, eh pá, mas sabia bem os 10% integrados.