A iniciativa dos OJ junto à AR não é desprezível nem desprezável
No segundo dia da concentração e vigília acabaram por comparecer mais alguns Oficiais de Justiça e também houve a presença de mais deputados, tendo um deles (do Livre) referido que bem conhece os problemas da carreira, porque a sua mãe é Oficial de Justiça.
Durante a discussão do programa do Governo, durante o uso da palavra de um deputado, e usada a situação dos Oficiais de Justiça como exemplo daquilo que não deveria ser necessário fazer para se ter os problemas resolvidos, disse assim: «Nós temos o dever de lhes dar uma resposta e de lhes dizer que não têm que sair à rua. Temos o dever de – como ontem à noite aconteceu – os Oficiais de Justiça não têm de dormir em tendas à porta da Assembleia da República para se fazer ouvir.»
Em suma, até os deputados compareceram, solidários, e a classe, com a sua atitude, foi referida, alto e bom som, entre os 230 deputados. Infelizmente, a comparência de Oficiais de Justiça foi, pelo contrário, muito pouco solidária. Esperava-se muito mais, especialmente porque a realização em Lisboa permitiria a comparência de muitos Oficiais de Justiça porque é precisamente em Lisboa que há mais Oficiais de Justiça. Mas, tal como ontem aqui fizemos referência, a ideia, ou convicção, de que as iniciativas em Lisboa têm sempre muita adesão não passa de uma ilusão. As iniciativas em Lisboa têm muita adesão quando os autocarros levam Oficiais de Justiça de fora de Lisboa.
Por estes dias a solidariedade entre Oficiais de Justiça e, bem assim, a ausência de qualquer menção formal dos sindicatos à iniciativa, mais que não fosse por mera solidariedade, contribuiu para um acontecimento que poderia ter sido muito mais vistoso.
Ora, com uma “união” que serve apenas para ser constantemente apregoada em comunicados sindicais, sem sair do papel, os Oficiais de Justiça não têm como conseguir melhores resultados, tal como se verifica pela deterioração da carreira ocorrida nas últimas duas décadas.
No entanto, apesar de tudo, é possível afirmar que a iniciativa atingiu os seus objetivos, designadamente, o de fazer com que a carreira fosse mais conhecida, falada e, portanto, um pouco menos esquecida no grande mar de tantas outras carreiras com muito mais peso mediático e mais elementos.
A pequena carreira de Oficial de justiça, com pouco mais de sete mil indivíduos, tem necessidade de se mostrar presente e de estar sempre a dizer “Estou aqui!”, portanto, as iniciativas que permitam isso, têm de ser todas bem-vindas e replicadas com muita mais frequência. Atualmente, os trabalhadores não se podem dar ao luxo de ficar à espera, nem de se conformarem com a realidade.
Bom exemplo disso é o caso do descongelamento dos 9 anos e tal. Enquanto os professores reivindicavam, desde a primeira hora, o descongelamento de todo o período, chegamos a ouvir e ler considerações sindicais dos Oficiais de Justiça explicando que tal não era possível, tendo a teimosia dos professores conseguido os dois anos e pico que, por arrasto e sem esforço algum, se aplicou, necessariamente, às outras carreiras especiais, acabando os Oficiais de Justiça, com surpresa, por beneficiar da luta dos outros. Depois desses dois anos e pico obtidos em 2019, voltou o discurso conformista, alinhado com o Governo, de que mais não era possível. Já os professores continuaram a guerrear pelo resto do tempo e eis que, mais uma vez, os Oficiais de Justiça vão ficar surpreendidos por serem beneficiados por algo que ninguém na sua carreira teve a ousadia de reivindicar.
Mas os Oficiais de Justiça não podem passar todo o tempo à espera que as reivindicações dos outros lhes caiam no colo, uma vez que há reivindicações próprias que têm de ter conseguidas pelos próprios e não à boleia de outros.
A comunicação social acaba de adiantar que a ministra da Justiça reunirá nos próximos dias com os Oficiais de Justiça. Não é notícia difícil de se dar, uma vez que é sabido que todos os membros do Governo têm instruções para se reunir rapidamente com os elementos do seu setor, especialmente naqueles onde existe mais contestação publica, isto é, reunir rapidamente e resolver os problemas das carreiras cujas reivindicações andam nas ruas e nos telejornais. Por isso, todos os contributos dos Oficiais de Justiça para andar nas ruas e nos telejornais são tão valiosos e nenhum pode ser considerado desprezível, nem desprezado.

A concentração e vigília junto da Assembleia da República estes dois dias e uma noite (quinta e sexta-feira) presenciaram também um acontecimento relevante. Enquanto que na quinta-feira as grades que bloqueiam o acesso à escadaria serviram para colocar camisolas negras e cartazes, na sexta-feira começaram a ser retiradas.
Aquilo que se mostrava tão necessário e a segurança que o anterior presidente da Assembleia da República tanto queria, acaba de cair com a atual postura do novo Governo, anunciando que vai reunir com todos e, portanto, acalmando as hostes, alegando ainda o presidente da Assembleia da República que estamos em plena comemoração dos 50 anos do 25 de Abril, pelo que deu ordem para que as grades fossem removidas.
«Não fazia sentido comemorar os 50 anos do 25 de abril com grades no exterior da Assembleia da República. Temos de abrir o Parlamento às pessoas», explicou Aguiar-Branco numa nota enviada à agência Lusa.
«Abrir o Parlamento, mostrar o que aqui é feito, como é feito e quando é feito, é mais do que uma opção, é um dever, é uma responsabilidade», refere Aguiar-Branco.
Os Oficiais de Justiça foram os últimos a pendurar cartazes e roupas nas grades que separavam o Povo daqueles que elegeram para os representar.


Fonte: “Sapo24”.
Está aberto concurso para 31 assistentes operacionais para alguns tribunais do país.
ResponderEliminarComeça agora a nossa substituição.
O aviso refere que as funções a desempenhar são:
ResponderEliminarAtendimento telefónico, registo de entrada de documentação processual através da plataforma informática Citius, digitalização de documentos e processos, elaboração do correio diário, apoio aos assistentes técnicos na área de arquivo ...
Os Assistentes Operacionais passam a integrar o quadro de Funcionários de Justiça, enquanto pessoal não Oficial de Justiça e estão previstos no Estatuto Dos Funcionários de Justiça EFJ.
ResponderEliminarPior do que isto são os funcionários municipais que estão a ser emprestados aos tribunais para desempenharem essas mesmas funções mantendo-se na dependência das câmaras municipais, através de protocolos assinados pela DGAJ.
ResponderEliminarQuanto ao
"registo de entrada de documentação processual através da plataforma informática Citius"
fico com dúvidas pois há matérias muito melindrosas. Seria bom ouvir a CNPD.
Qualquer oj pode ser substituido por um assistente operacional de supermercado e vice-versa. Isto é o que quer a esmagadora maioria dos oj. O Não à licenciatura é no que dá! E esses tais merecem-no! Pena é dos outros!
ResponderEliminarForça colegas.
ResponderEliminarE obrigado aos poucos mas resistentes.
Sem sermos falados não conseguimos nada.
E como alguém referiu seria de nos colarmos às concentrações dos policias que não vão desistir.
Parece-me bem esses assistentes tratarem de matéria processual de arrestos e congéneres...
ResponderEliminarTá tudo tolo ou quê?
O Marçal não percebe nada de secretarias nem de matéria processual
ResponderEliminaranda a arrastar-se ao abrigo da sucessão que lhe foi atribuida
autointitulou-se secretário do sfj e
quando o Fernando Jorge andou
ele sucedeu-o
ao abrigo de estatutos que pouca liberdade de manobra dão para qualquer pessoa, com o minimo de hipoteses, se candidatar.
é preciso tanta coisa para que a lista seja válida que as pessoas desistem
juntem-se não o deixem passar
Como pode o Marçal negociar se não percebe nada de secretarias nem de processos
A linguagem é fraca
Rua Marçal.
E o Carlos Almeida parece que já deu o que tinha a dar.
Haja substitutos que lhes façam frente.
ResponderEliminarPassam a integrar não, já integram. Somos todos funcionários judiciais e todos temos os mesmos direitos e deveres.
ResponderEliminarNão é sucedeu-o, é sucedeu-lhe.
ResponderEliminarÉ muito bem feito os assistentes operacionais substituírem estas tarefas... Nai querem a licenciatura e ainda vai tudo corrido administrativo para aprenderem...
ResponderEliminarEm vez de se atualizarem e de se habilitarem...
Antes tudo corrido a administrativo do que voltar a estudar...
Em qualquer profissão no privado se não nos atualizarmos somos preteridos...
Muita gente a queixar-se das condições de trabalho e de ganhar mal mas dão tudo por garantido simplesmente porque trabalham há muitos anos no Tribunal....
Quem está a matar a própria carreira são os OJ que não a deixam progredir/evoluir...
Estratégia do Chega: arranja-se uma mentira, uma distorção da realidade, e todos os dias se pega nela massacrando toda a gente. Passado algum tempo até o autor da mentira passa a acreditar que é verdade e os bodes expiatórios (no seu tempo os judeus, os ciganos...), aqui os velhos que não querem nada, são os alvos a abater. Lamento muito que o administrador do blog permita esta estratégia fascista aqui infiltrada.
ResponderEliminarTem razão nas considerações que faz no que se refere à distorção da realidade interminavelmente repetida, é assunto que identificamos de forma fácil e constantemente. Constantemente também nos questionamos se a atitude correta seria a de suprimir essa poluição e aqui não temos unanimidade.
ResponderEliminarSe, por um lado, ao suprimir a poluição o ambiente ficaria menos tóxico e, portanto, mais saudável, por outro lado, perderíamos a noção da existência de gente assim, porque existe e tem de ser conhecida, identificada, apontada, para que não conspire na sombra, o que seria pior.
Por isso, temos adotado esta postura de deixar passar os comentários menos abusivos e só retirar aqueles excessivamente abusivos e exagerados. Contamos, no entanto, com a intervenção dos demais leitores, como é o seu caso com esta intervenção, para a identificação das mentiras, desmascaramento e contraditório.
Consideramos, pois, que enquanto o ambiente não se tornar excessivamente tóxico é possível o contraditório esclarecido, como uma mais-valia. Obrigado pela pertinente intervenção e, por favor, continue ajudando.
Comentário fascista?? É apenas ums opinião tão valida como outra qualquer.
ResponderEliminarQue exagero francamente...
Sabem lá o que é o fascismo.
Há quem seja da opinião de que quem tem mais habilitações deva progredir mais rapidamente e há
quem seja dessa opinião e considere a antiguidade mais valiosa.
Algum problema com a diferença de opinião?
Identificar as pessoas banir os comentários, isso sim é comportamento fascista.
Creio que há lugar á diferença de opinião neste espaço... Caso contrário que se anda aqui a fazer???
Extremista este tipo de comentário que pretende perseguir identificar ou banir quem tem uma opinião diversa... Enfim...
Fascismo é querer identificar, perseguir e banir comentários de quem tem opinião diversa , isso sem é comportamento vergonhoso.
ResponderEliminarHá pessoas que acham que as habitações devem servir para progredir mais rapidamente outras que valorizam mais a antiguidade...
Qual é o problema disso?
Operar nas sombras?? Francamente...
Se este espaço não permite diferença de opinião que andamos aqui a fazer??
Ridículo mesmo...
Pouca tolerância a opinião diversa... Inaceitável a meu ver são estes comentários que faltem banir e identificar as pessoas...
vê a inovação linguistica
ResponderEliminarA publicação fala da concentração/vigília dos OJ, nos comentários fala-se em contratação de assistentes operacionais! Enfim. Tudo dito!
ResponderEliminarEntrada de assistentes operacionais em mobilidade e protocolos de cedência de funcionários das autarquias.
ResponderEliminarÉ preocupante ...
Onde está a mentira ou a distorção da realidade?!
ResponderEliminarEu tenho mais de 30 anos de tribunais e ja passei os 60 de idade. Não sou licenciado o que aprendi foi com os colegas mais velhos e com a própria experiência dos anos.
ResponderEliminarQuero dizer que sou completamente a favor que a exigencia de novos ingressos na carreira deva ser a licenciatura, para todos os novos oficiais de justiça.
Claro que uma parte dos funcionários de justiça serão assistentes operacionais e tecnicos. Sempre houve essas carreiras nos tribunais.
Quanto aos novos licenciados seriam vem vindos, a carreira precisa de sangue novo, novas ideias e humildade para perceber que o saber vem com a experiência no terreno. Os conhecimentos da faculdade vão ajudar a facilitar a integração.
O licenciado deve tambem compreender que vai para a sala de andiencias, aguentar o stress das diligencias e que vai lidar com juizes e advogados que estão em outros patamares de competências.
Se acham que é pouca categoria para as suas qualificações então é melhor colocarem para a sala os assistentes operacionais.
Mais uma violação ao estatuto dos funcionários judiciais.
ResponderEliminarEstas Senhoras não param!...
"Compete ao escrivão auxiliar:
Efectuar o serviço externo;
Preparar a expedição de correspondência e proceder à respectiva entrega e recebimento;
Prestar a necessária assistência aos magistrados;
Desempenhar as demais funções conferidas por lei ou por determinação superior"
O registo de entrada de documentação processual através da plataforma informática Citius é competência dos Oficiais de Justiça, consignada no Estatuto dos Funcionários Judiciais!...
ResponderEliminarEstas dirigentes da DGAJ não param de nos surpreende!
O rei sol "O Estado sou eu a lei sou eu"!
E onde está a renovação da comissão de serviço?!...
Acho que os assistentes operacionais e os assistentes técnicos são pessoas bastante capazes e por isso deviam ser eles a prestar a devida assessoria aos srs magistrados, incluindo o serviço à sala e a elaboração das respectivas actas.
ResponderEliminarSejam bem vindos!!
Obviamente!
ResponderEliminarEm lado nenhum. Mas como se falou no Chega o oficial de justiça picou-se e veio responder.
ResponderEliminarÉ isso. Acho que bem espremido, é isso que a maioria pensa, pois não se percebe como possa ser de modo diferente.
ResponderEliminarNão se trata de nenhum pico, mas de saber ler, isto é, compreender o que se lê.
ResponderEliminarO assunto começa com o comentário de 13-04-2024 às 14:47, onde se leem as seguintes barbaridades (passamos a citar):
«Nao querem a licenciatura e ainda vai tudo corrido administrativo para aprenderem... Em vez de se atualizarem e de se habilitarem... Antes tudo corrido a administrativo do que voltar a estudar»
E ainda:
«dão tudo por garantido simplesmente porque trabalham há muitos anos no Tribunal.... Quem está a matar a própria carreira são os OJ que não a deixam progredir/evoluir...»
Este comentário faz parte da estratégia de distorção da realidade, portanto, de mentira, que vem sendo sistematicamente propagado, com a qual se pretende dar a entender que a culpa da carreira estar neste estado é dos Oficiais de Justiça mais antigos na carreira que são uns malandros, não fazem nada, não querem estudar, agarram-se à antiguidade e estão a matar a carreira.
Este tipo de distorção e criação de um discurso falso em que se cria um bode expiatório sobre o qual recaem todas as culpas, é velho e típico do discurso fascista, bem documentado na História e na atualidade, e é muito utilizado em Portugal por alguns partidos como o Chega.
Não está minimamente em causa, nem nunca esteve, a opinião diversa, mas apenas a desinformação, isto é, a criação de factos falsos e de bodes expiatórios, porque, isso, sim, a mentira, é a linguagem dos fascistas. Já Hitler mentiu aos alemães e arranjou os bodes expiatórios que chacinou. Na carreira dos Oficiais de Justiça há atualmente que encontrasse um bode expiatório a extinguir: os colegas mais velhos e para suportar essa ideia criam todo o tipo de falsidades, como a de não quererem estudar e se agarrarem à antiguidade. Ora, isto não só é falso, como alimenta o habitual ódio das mentalidades fascistas que põem em causa não só a convivência como as próprias bases da Democracia.
ResponderEliminarNão é absolutamente nada descabido apontar o dedo aos ideais fascistas poluidores da sociedade, quando criam falsidades, generalizações distorcidas e responsabilizam determinado grupo de pessoas por todos os males. Já vimos isso acontecer no passado com nefastas consequências. Em defesa da Liberdade, da Democracia e da Verdade, não é nada descabido limpar a toxicidade dos fascistas que se aproveitam da liberdade de expressão para infetar a sociedade, espalhando-se como um vírus pelas pessoas que não estejam vacinadas contra este mal. Assim, como foi dito, ponderamos muito seriamente, se devemos, ou não, proteger os não vacinados desta epidemia de descerebrados.
ResponderEliminarÉs licenciado com medo??
ResponderEliminarEu sou e sou oj há anos, sem medo.
Sem duvida.
ResponderEliminarBem vindos aos tribunais.
Fazer serviço de oficial de justiça a sério.
Força.