“Mudou o Governo, mas mantém-se a atitude”
O Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) difundiu ontem uma nota sindical na qual informa sobre os serviços mínimos – que não existem, nem vão existir –, tal e qual o dissemos no nosso artigo desta segunda-feira, 22ABR, intitulado: “Depois da tão falada semana dos 4 dias, esta pode ser a semana dos 2 dias”, artigo este no qual prestamos muitos esclarecimentos sobre as greves que estão a decorrer.
Também ontem, embora a hora muito tardia, a DGAJ difundiu informação sobre a situação das greves das manhãs do SFJ, mas não apresentou nada de novo, trazendo à liça apenas e novamente os mesmos elementos apresentados no ano passado. Em suma, a DGAJ vem dizer outra vez que discorda da decisão do colégio arbitral quando decidiu que as manhãs das quartas e sextas-feiras não teriam serviços mínimos.
Acrescenta a DGAJ a informação de que recorreu dessa decisão do colégio arbitral, para o Tribunal da Relação de Lisboa, logo em dezembro de 2023, por continuar a acreditar que as quartas e as sextas de manhã também deveriam ter serviços mínimos, mas, como os tribunais continuam a trabalhar a esta velocidade, ainda não há nenhuma decisão, mantendo-se a decisão do colégio arbitral de que não há serviços mínimos para hoje quarta-feira e para a próxima sexta-feira. Tendo em conta que daqui a dois dias a greve acaba, a decisão, a vir, seja ela qual for, virá tarde.
Esta informação da DGAJ foi dirigida aos Administradores Judiciários, e caso venha a ser difundida pelos Oficiais de Justiça, poderá provocar alguma dúvida ou temor. Mas a melhor forma de dissipar as dúvidas, será ler de novo e compreender o seguinte:
Não há uma greve do SFJ às manhãs. Há duas greves do SFJ às manhãs. A primeira dirige-se às segundas, terças e quintas-feiras de cada semana e, para estes dias, sim, foram fixados serviços mínimos. A segunda greve dirige-se às quartas e sextas-feiras e, para esta greve que se destina a estes dois dias da semana, não foram fixados quaisquer serviços mínimos. Portanto, toda a lengalenga dos serviços mínimos que possam ver não se destinam às manhãs das quartas e das sextas-feiras, pelo que não interessa para nada para hoje e para sexta-feira. Não se deixem confundir.
Neste mesmo sentido já aqui alertamos para este assunto das greves e das tentativas de confusão e amedrontamento que se pretendem provocar. E também neste mesmo sentido veio ontem o SFJ reiterar o mesmo, isto é, que “as greves decretadas para as manhãs dos dias 24 e 26 de abril não têm serviços mínimos”, e acrescentou o SFJ ainda assim: “de igual forma a greve decretada pelo SOJ para as tardes (12:30 - 24:00 horas), também não contemplam serviços mínimos”.
De forma inédita, o SFJ deixa de se circunscrever às suas greves e passa a informar também sobre a greve decretada pelo outro sindicato, pelo SOJ, situação nova que denota boa harmonia sindical, atitude que desde há muitos anos tanto, e todos, queríamos ver posta na prática: uma verdadeira união na ação, que não é uma união do pensamento único, mas na ação, isto é, que une esforços para agir conjuntamente.
Consequentemente, o SFJ avisa todos os Oficiais de Justiça que queiram aderir às greves dos dias 24 e 26 de abril que “podem fazê-lo o dia todo (das 09:00 às 24:00 horas)”.
E prossegue o SFJ assim:
«Só o Colégio Arbitral tem competência para designar serviços mínimos, sendo que o MJ/DGAJ não os pediu em tempo, pelo que os prazos precludiram. A requisição civil só está na disponibilidade do Governo da República.
Assim, apela-se a todos os Colegas que sejam alvo de abusos indevidos, nomeadamente a criação de escalas para as manhãs dos dias 24 e 26 de abril, que nos comuniquem de imediato essas situações. O SFJ não hesitará em agir contra todos os que, ilegalmente, tentarem coagir o livre exercício de um direito constitucionalmente protegido.»
Ficam aqui, uma vez mais, os esclarecimentos e os alertas, passado agora a bola a estar no vosso campo.
Em declarações à comunicação social (Lusa), o presidente do SFJ disse assim:
«Em todas as outras áreas, nas reuniões com outros ministros, houve uma calendarização e só no nosso caso não houve absolutamente nada. Portanto, vamos seguir a recomendação do Presidente da República e não deixar cair a causa.»
E concluiu Marçal assim: “Parece que mudou o Governo, mas que se mantém a atitude”.
Tal como acima mencionamos, com gosto, que o SFJ divulgou e abordou também a greve do SOJ, também este Sindicato abordou e divulgou a greve do SFJ.
Em informação ontem publicada na sua página, o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) informa no mesmo sentido, recordando assim:
«A greve decretada pelo SOJ e que se realiza durante as tardes (todas as tardes, inclusive aos sábados), entre as 13h30 e as 24h00, por tempo indeterminado, mantém-se até que todas as reivindicações sejam alcançadas, tal como foi assumido por este Sindicato.
De salientar, uma vez mais, que esta greve não tem serviços mínimos. Igualmente, as greves decretadas pelo SFJ, que se realizam nas manhãs dos dias 24 e 26 de abril, e que decorrem entre as 09h00 e as 12h30, também não têm serviços mínimos.
Reiteramos: estas greves não têm serviços mínimos.»
Finalmente, para além do nosso artigo e dos alertas recordatórios, ambos sindicatos se juntam na informação, desprendida do clubismo sindical, abordando agora as greves de um e de outro, sem o preconceito antigo que costumava existir, tudo em claro benefício dos Oficiais de Justiça, o que muito se aplaude.
Convém salientar ainda um aspeto que tem sido muito pouco difundido: a greve das tardes do SOJ tem aplicação todos os dias, pelo que, também ao sábado se aplica. Assim, especialmente neste próximo sábado, o turno da manhã, que deverá prolongar-se para a tarde, pode perfeitamente ser interrompido à tarde, por adesão à greve do SOJ, também neste dia de turno e em todos os sábados, querendo.
O SOJ alerta também para a já muito batalhada questão de quem pode ou não pode aderir às greves, questão que ainda polui a mente de alguns Oficiais de Justiça. Quem pode aderir? A esposta é inequívoca e só uma, sem reticências: todos!
Diz assim SOJ:
«Todos os colegas, mas mesmo todos, sejam ou não sindicalizados, num ou no outro sindicato, podem fazer as greves, independentemente de quem foi o sindicato que entregou o aviso prévio. Assim, os colegas, todos, devem exercer o seu direito à greve, sem receios, nem preocupações, pois não há serviços mínimos. É tempo de conhecermos e exercermos os nossos direitos!»

Fontes: para além da comunicação aqui mencionada da DGAJ, gentilmente facultada por um nosso leitor, via e-mail, temos a nota sindical do SFJ publicada na sua página, a nota sindical do SOJ, também publicada na sua página e ainda as declarações de Marçal difundidas pela Lusa e publicadas no jornal “O Novo”.
"uma verdadeira união na ação...". Muito bem, é isso que se quer é isso que se deseja.
ResponderEliminarOs mais contentes com isto tudo são os srs magistrados.
ResponderEliminarEm casa, sem diligências, sem processos e com o "belo" sempre a cair.
É apenas por isso que nos apoiam ...
Já dizia o pai da outra senhora:
ResponderEliminar"Os funcionários públicos são uma cambada de inúteis, uns chulos e uns parasitas do Estado"!
ResponderEliminarOra aí está.
E o subsidiozinho de renda de casa por 14 meses, de montante maior que ordenado mínimo, livre de impostos.
Que levarão quando se aposentarem
Que maravilha.
Uns tudo, outros nada.
Trabalhem escravos. Trabalhem por uma dúzia de trocos e obedeçam.
ResponderEliminarE ainda há uma senhora que diz
que há muitos funcionários no privado e empresários a mamar da teta do Estado.
E existe um Trans que diz..
ResponderEliminarQuem esta mal muda-se ....
Estudasses
ResponderEliminarParece que a greve está em força.
ResponderEliminarÉ preciso que sexta feira se repita ainda com maior número!
Abraço a todos e em especial aos grevistas.
O marssal já disse alguma coisa de jeito hoje nas televisões?
ResponderEliminarOu mais uma vez perdeu a oportunidade?!
Já falou nos 10%?!
Os policias reivindicam 1026 euros de suplemento de missão.
ResponderEliminarA nós basta-nos os 10% integrados no vencimento.
Que é feito da Dra. Mónica Quintela ... e das propostas que fez no Parlamento, como deputada, em nome do PSD?
ResponderEliminarTodos sabem que o PSD tem criado e impulsionado grupos de trabalho, de forma seccionada, por áreas de intervenção - área económica, justiça, saúde, agricultura, etc.
Que é feito das conclusões destes grupos de discussão? Será que se esqueceram das pessoas, aquelas que dão vida aos edifícios, que fazem funcionar as instituições !
Se pensam que podem atirar o problema mais lá para a frente, vão ter uma surpresa daquelas que os podem atirar para fora do "poleiro", esperem para ver a razia que está para vir e as consequências nefastas que vão provocar.
Vai ser uma hecatombe que nem Hércules seria capaz de sustentar nos seus ombros.
Não tratem de vida ... depois queixem-se que o café tem formigas ...
Só para acrescentar que o conhecimento organizacional está irremediavelmente perdido e que é preciso gente jovem e capacitada, com qualificações, para suprir as carências que não se conseguem substituir com pessoas impreparadas para a função.
ResponderEliminarO Oficial de Justiça leva meses senão anos para atingir o nível de preparação ideal, em termos mínimos de competências adquiridas, mas que é bem maior se não houver quem transmita o pragmatismo o "savoir faire" ou o "know how", e com isso atalhe o caminho.
Mais uma vez nos apoucamos e enfraquecemos como um moribundo na hora da partida.
Somos fracos ...
Estes miseráveis aldrabões do PSD já vão começar a levar no focinho nas próximas eleições de junho.
ResponderEliminarEste governo tem que cair antes do Natal!!
Embora com pouca esperança eu dou o benefício da duvida a esta ministra até 15 Julho.
ResponderEliminarA aderencia às greves esta semana hoje e sexta é um sinal para o governo se em setembro ainda não houver nada.
O tempo começa a escassear para resolver isto. Com as aposentações e sem novas entradas no fim deste ano a justiça vai estar um caos.
Devido à incompetência da DG e da sua vice não há serviços mínimos. Mas já consta que vai haver requisição civil.
ResponderEliminarNão consta nada, não invente.
ResponderEliminarDe qualquer forma, e para que conste, estou num local ermo, sem televisão, sem rede de telemóvel e sem internet!!
Quem nos dera a nós que houvesse requisição civil. Da última vez, se não me engano, foi quando a classe conseguiu o suplemento dos 10%.
ResponderEliminar
ResponderEliminarEu gosto é de gajas das boas.
Quais trans qual quê
Lá vem o presidente o Marçal com os 10% para pacificar os OJ, uns reclames 800 por mês outros 40€ .
ResponderEliminarJá não há paciência para tanta burrice.... Fdxxxx ruaaa
Exijam a revisão das tabelas salariais para pacificar a carreira já estou farto desse gajo , a exigir a mesma porcaria..
Já é pelo ponto de honra não pela _€€€
Não me sinto minimamente representado...
Nunca me senti!
ResponderEliminarQuando um GNR ou um PSP dos novitos, acabadinhos de entrar, ganharem mais que um escrivão em final de carreira, talvez abram os olhos!!
ResponderEliminarQuando ja não houver interessados a concorrer para os tribunais sempre podem contratar os imigrantes brasileiros. Pelo menos falam português e aceitam um salário próximo do minimo. Portanto a ministra e a DGAJ estão descansados quanto a possivel falta de pessoal.
ResponderEliminarAfinal temos de ser inclusivos.
O pior é o resto....podem sempre atribuir a esses novos funcionarios a culpa da violação do segredo de justica e outras coisas.
A vida está cara.
Cara, isso seria muito legau
ResponderEliminarÉ que é isso mesmo, ninguém quer ver que não vai haver quem queira vir para esta carreira.
ResponderEliminarPelo ordenado minimo? E levar pancada de todos ao minimo deslize?
Atinem!
Mexam na tabela salarial enquanto é tempo.
Se calhar é preciso ficar tudo doente com atestado de 3 dias parece que respeitam mais quem fica "doente".
ResponderEliminarE as Senhoras da DGAJ não se demitem?!.....
ResponderEliminarMais uma derrota humilhante!...
"INFORMAÇÃO SINDICAL – 24 de abril de 2024
TRL DÁ RAZÃO AO SFJ
GREVE APÓS AS 17 HORAS SEM SERVIÇOS MÍNIMOS
O Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) é com satisfação que informa todos os Colegas que o Tribunal da Relação de Lisboa emitiu uma decisão favorável a todos os oficiais de justiça, revogando a imposição de serviços mínimos após as 17 horas. Esta vitória é fruto do empenho e dedicação de todos os membros do sindicato na defesa dos direitos dos trabalhadores judiciais.
A decisão do Tribunal da Relação de Lisboa, ao julgar procedente o recurso interposto pelo SFJ, demonstra o reconhecimento da legitimidade das nossas reivindicações e o respeito pelos nossos direitos laborais. A partir de agora, os oficiais de justiça têm o direito de exercer o seu legítimo direito à greve após as 17 horas, sem a imposição de serviços mínimos.
Além disso, é importante destacar que a tentativa da Direção Geral da Administração da Justiça (DGAJ) de recorrer da decisão do Colégio Arbitral quanto à não fixação de serviços mínimos das 12:30h às 13:30h foi infrutífera. O TRL rejeitou o recurso da DGAJ, reafirmando o direito dos oficiais de justiça ao período de descanso sem interferência.
Esta vitória não apenas fortalece a posição dos trabalhadores, mas também serve como um marco claro da importância da luta sindical na defesa dos direitos laborais. A DGAJ, ao tentar impor condições injustas e desrespeitosas aos funcionários judiciais, mostra a sua prepotência e falta de consideração pelos direitos dos trabalhadores.
Neste momento de conquista, é fundamental reafirmar o compromisso do SFJ em continuar a luta pelos direitos e interesses da nossa classe.
Ainda bem que Abril aconteceu! Imaginem o que seria um mundo sem Justiça!
Viva o 25 de Abril"
Remetam cópia do acórdão á Senhora Ministra da Justiça e á Senhora Secretária de Estado Adjunto e da Justiça para que possam por termo a esta liderança asfixiante, que em nada contribui para a tão desejada paz social na Administração da Justiça.
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ResponderEliminarOs direitos da classe é em ser aumentados condignamente, e na mesma proporção que serão os policias,.
ResponderEliminarEsmolas não serviram para pacificar nada , ao contrário do que diz o Marçal ... Vá embora e leve os 10 % com ele.
Então já posso trabalhar como repositor depois das 17, todos os dias. Yupiii, já vou poder pagar a dívida da mercearia e comprar uma byke aos filhos
ResponderEliminarEste acórdão é apresentado como uma conquista, já que nada mais se consegue, valha o departamento jurídico do sindicato. Mas se analisarmos bem este aresto, lá se vai o tal dever especial de permanência...paguem as horas extraordinárias como no regime geral...o que a desembargadora nos diz é que não somos diferentes das outras classes...pois, cada um que perceba o alcance de tais conclusões. Mas está tudo bem.
ResponderEliminarMas conquista onde? A greve decretada pelo SOJ vai das 13:30 às 24:00 e não tem serviços mínimos. Tendo esta menos horas, haveria de ter serviços mínimos? Isto foi forma de se atirar areia para os olhos dos distraídos, depois de se ter sabido que a outra estava extinta. Agora até ao congresso vão ser os anúncios a pinto da costa...
ResponderEliminaruso
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