A nova, mas provisória, diretora-geral da DGAJ
No cimo da nossa página, antes dos artigos diários, encontra muita informação que não existe em mais lado nenhum. Desde o histórico dos projetos de estatutos apresentados, aos vários pareceres que os apreciaram, passando por listagens, documentos e calendários com tanta informação suplementar. Mas, desde logo, encontra ainda toda a informação concentrada sobre as greves ativas, explicadas e com ligações a todos os documentos relevantes, para que todos possam bem compreender as tantas greves e as suas particularidades.
A lista das greves ativas está também acompanhada de uma lista dos feriados municipais, regionais e nacionais que ocorram na semana em curso, e isto porque, obviamente, esta informação é atualmente muito útil para os Oficiais de Justiça poderem programar as suas greves de acordo com os feriados, designadamente, quando os feriados coincidam com quintas-feiras, o que permite que se crie um fim-de-semana longo a começar logo com a greve da tarde de terça-feira, sem serviços mínimos, prosseguindo todo o dia de quarta-feira, também sem serviços mínimos, no feriado de quinta-feira e na greve de sexta-feira, também todo o dia sem serviços mínimos, assim se engrenando no fim-de-semana.
Esta semana em curso, por exemplo, na quinta-feira é feriado em dois municípios: em Celorico da Beira e em Portalegre, mas para a semana, na quinta-feira já é feriado em todo o país. Ou seja, se esta semana, apenas os Oficiais de Justiça que trabalham nos dois municípios mencionados podem ter uma semana mais curta de apenas dois dias, já para a semana essa semana mais curta está disponível para todos.
Aquando do feriado do 25 de Abril passado, uma quinta-feira, nessa semana fez-se um longo fim-de-semana em quase todo o país, com consequências que levaram, entre outras ocorrências, à libertação de detidos.
Coincidência, ou não, na sequência dessa greve, a diretora-geral da Direção-Geral da Administração da Justiça (DGAJ) demitiu-se, alegando motivos pessoais.
Neste momento está em funções de diretora-geral a subdiretora Ana Cláudia Cáceres Pires, em regime de substituição, tendo sido ontem publicado em Diário da República o despacho da ministra da Justiça que a nomeia para tais funções.
Se bem se recordam da trapalhada que resultou da greve aos atos no ano passado, por parte da DGAJ, os Oficiais de Justiça viram comunicações bem extravagantes oriundas da direção-geral. Desde logo, recordam-se de todas as tentativas de coartar esse direito à greve, desde logo com a marcação de greve presencial a todos os que fizessem greve a um ato que fosse, ameaçando cortar-lhes o vencimento desse dia de trabalho, ainda que trabalhassem todo o dia.
Ao mesmo tempo havia envios de listagens de todos os que faziam greve aos atos, com o detalhe dos processos, respetivos atos e nomes dos visados.
Uma enormidade de tentativa de controlo absoluto e de intimidação absoluta que acabou por resultar na anulação de todas as faltas por greve, mesmo as greves que não tinham nada a ver com atos, como a das tardes do SOJ.
Isto é, houve muitas tardes inteiras de greve, cujos Oficiais de Justiça estiveram ausentes de facto, todo o tempo, mas que acabaram por nunca ser cortadas no vencimento, uma vez que, da trapalhada, deixou de ser possível distinguir uma greve da outra, pelo que todas foram anuladas e nenhuma foi descontada, nem as que diziam respeito aos atos, nem as que diziam respeito às tardes. Este é um exemplo muito flagrante, entre tantos outros.
Assim, depois do histórico de ocorrências existente, é expectável que os feriados das próximas quintas-feiras nos voltem a trazer exuberantes comunicações e orientações contorcionistas intimidatórias de elevada produção.
Mas desta vez, os Oficiais de Justiça não se deverão intimidar nem se deixarão enganar, pois já bem sabem muito bem como funcionam os mecanismos dos serviços mínimos das greves e bem sabem também da inexistência desses serviços mínimos em três das quatro greves ativas, por muito que se venha a inventar.
O despacho da ministra da Justiça, ontem tornado público no Diário da República, designa em regime de substituição, a juíza de direito Ana Cláudia Figueiredo dos Santos de Cáceres Pires para exercer o cargo de diretora-geral da Direção-Geral da Administração da Justiça e diz assim:
«Considerando que o cargo de diretor-geral da Direção-Geral da Administração da Justiça se encontra vago após a cessação de funções da anterior titular, a seu pedido, com efeitos a dia 6 de maio de 2024, afigura-se necessário e urgente proceder a uma designação em regime de substituição, por forma a garantir o regular funcionamento deste serviço público, até à conclusão dos procedimentos tendentes à designação de um novo titular.
Considerando ainda que a juíza de direito Ana Cláudia Figueiredo dos Santos de Cáceres Pires, titular do cargo de subdiretora-geral da Direção-Geral da Administração da Justiça, reúne os requisitos de competência técnica, aptidão, experiência profissional, e formação adequada ao exercício das respetivas funções, conforme é demonstrado pela síntese curricular publicada em anexo ao presente despacho, do qual faz parte integrante, e ouvido o Conselho Superior da Magistratura:
1 - Designo, em regime de substituição, para exercer o cargo de diretora-geral da Direção-Geral da Administração da Justiça, a juíza de direito Ana Cláudia Figueiredo dos Santos Cáceres Pires.
2 - A designada fica autorizada, nos termos do disposto no n.º 3 do artigo 31.º da Lei n.º 2/2004, de 15 de janeiro, na sua redação atual, a optar pela remuneração base da sua categoria de origem, não podendo, todavia, exceder, em caso algum, o vencimento base do Primeiro-Ministro.
3 - O presente despacho produz efeitos a 7 de maio de 2024.»
Segue a data do despacho: o mesmo dia 7 de maio de 2024, assinado pela ministra da Justiça, Rita Fragoso de Rhodes Alarcão Júdice de Abreu e Mota.
Em anexo ao despacho consta uma síntese curricular onde se lê o seguinte:
«1 - Elementos de identificação: Nome: Ana Cláudia Figueiredo dos Santos de Cáceres Pires; Local e data de nascimento: Coimbra, 10 de outubro de 1973; Estado civil: casada; Nacionalidade: portuguesa; Residência: Coimbra.
2 - Formação académica: licenciatura na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra no ano de 1996.
3 - Percurso profissional: Subdiretora-geral da Direção-Geral da Administração da Justiça; Frequência do XXI Curso Normal de Formação do Centro de Estudos Judiciários; Nomeação, por deliberação do Conselho Superior da Magistratura de julho de 2005, como juíza de direito, tendo exercido funções no Tribunal Judicial de Montemor-o-Velho, de Ansião, de Leiria, de Pombal, no Círculo Judicial de Viseu, no Círculo Judicial de Leiria, no Tribunal da Comarca do Baixo Vouga, na Vara de Competência Mista de Coimbra, no Juízo de Execuções de Ansião, no Juízo do Trabalho de Coimbra, no Juízo de Execuções de Coimbra e na Instância Central Cível de Coimbra; Nomeação, em comissão de serviço, como assessora do Gabinete de Juízes do Tribunal Constitucional, em 2010.»
Falta nesta síntese as funções que exerceu no Conselho dos Oficiais de Justiça, na qualidade de vice-presidente, desde setembro de 2020 até à sua nomeação para a DGAJ em janeiro de 2021 como subdiretora, funções essas que, realmente, de cerca de quatro meses, mais vale serem mesmo omitidas e não propriamente pelo curto período.

Fontes: “Diário da República - diretora-geral”, “COJ - vice-presidente”, “Diário da República - subdiretora” e “Lusa/Eco”.
Também Leiria terá o seu feriado municipal no dia de amanhã.
ResponderEliminarEsta Carceres não é ou tem sido a dita carrasca dos oficiais de justiça?
ResponderEliminarMá sorte mesmo
Já estou como Carlos Almeida, quando diz que não lhe interessa os governos ou os governantes, mas sim as políticas!
ResponderEliminarNós temos as propostas do grupo parlamentar do PSD. Agora o que falta é pegar nas nossas reivindicações e nessas propostas, e meter no forno previamente aquecido a 180º.
Também é preciso avançar paralelamente em vários domínios.
Os aumentos salariais não têm necessariamente com a integração do subsidio e ainda menos com o "desenho" do novo estatuto.
São tudo coisas diferentes, embora possam todas elas levar a uma melhoria da situação financeira dos OJ.
O que é preciso é avançar simultaneamente com estas questões, sob pena de se perderem meses com uma única, atrasando todas as outras.
Abraço.
Na qualidade de rei dos oficiais de justiça, em virtude de estarmos todos os meses a perder dinheiro por ineficácia das negociações
ResponderEliminar...vamos todos comparecer na sede do soj e do sfj pedir satisfações...
Ser o PS ou o PSD/AD a governar é a mesma coisa.
ResponderEliminarVejam só esta nomeação, após tantos e tantos casos com consequências diretas para os oficiais de justiça, o prémio é continuar.
Inacreditável.
A lógica parece ser: "quem se meteu nelas que se amanhe....!".
ResponderEliminarCom tantos, mas tantos imbróglios criados nos últimos tempos, é urgente uma mudança, quanto mais não seja simbólica, para que se perceba se as políticas administrativas nesta área vão ou não mudar.
Chamo a atenção para as páginas 23, 24 e 27 entre outras, para perceberem o que o futuro nos reserva.
ResponderEliminarNada que já não tenha sido por aqui dito, até insistentemente.
Importa agora é perceber que eixos de transformação devem ser prosseguidos no que respeita aos recursos humanos - será que no atendimento vamos ser substituídos por "ChatBots", será que no "iter processual" vamos ter um incremento de automatismos (algoritmos) que geram atos de forma programada e automática (sem intervenção humana), será que os sistemas (tal como já hoje acontece) irão fazer um varrimento da informação (por exemplo no que respeita a custas) e encetar procedimentos automáticos (por exemplo: não paga a conta de custas no prazo e o sistema extrai automaticamente certidão para execução) como já sucede, aliás, com a emissão de certidões, ...
Ficará a sobrar, no meio disto tudo, algumas áreas como a área criminal, mas em que cada vez mais se assemelhará a outros sistemas, com o registo das diligências em áudio e vídeo, e com a transcrição apenas em determinadas situações (por exemplo em sede de recurso).
Os decisores não poderão ser substituídos por algoritmos mas podem ser auxiliados por estes.
Qual será o nosso papel no futuro ?
Os Sindicatos bem que poderiam organizar colóquios e conferências sobre o assunto mas, é a minha opinião, falta-lhes massa cinzenta ... estão aprisionados a uma forma de agir e de estar com umas amarras fáceis de libertar mas que tudo justificam, nomeadamente o agrilhoar dos funcionários a este situacionismo imutável e pouco recomendável para um sistema que se quer modernizado.
Nos próximos anos a criminalidade ligada ou conexa ao digital vai sofrer um incremento e exigir uma demanda dos tribunais para a qual não está a ser preparada resposta e nem os sindicatos se importam com isso, mas deviam.
Falta-nos largura de banda cognitiva.
A verdade verdadinha é que, quanto a custas, já era mais do que altura para que a sua tramitação fosse automatizada, tal como já o é o IRS, por exemplo.
ResponderEliminarNão pagaste a taxa de justiça devida? Não poderás entrar com a petição ou algo do género. Simples quanto isto. Já se vê isto em todo lado e só nos tribunais é que há entendidos e entendimentos, dependendo da seção onde se trabalha.
O maldito do regulamento tem várias versões para cada artigo, dependendo de quem o lê e onde quer chegar com isso.
Bem, se vocês querem ir por aí, por aí iremos, mas se falarmos de AI, de AGI, então meus amigos a questão é absolutamente transversal ao toda a sociedade (mundial).
ResponderEliminarA capacidade dos sistemas AI em processar informação, texto, vídeo, som, parece ser inesgotável. Nós estamos no começo da AI - É como se nos reportássemos aos anos 60 em ternos de computação.
Também se é verdade que dentro de 2/3 teremos AGI e passados outros 2 ou 3 uma superinteligência maior que toda a humanidade combinada, logo nos apercebemos da futilidade da conversa em si.
Por isso, deixem-se se se preocupar e passem a amar a bomba!
Abraço
2/3 "anos"
ResponderEliminarConcordo plenamente
ResponderEliminarA bomba está prestes a rebentar.
ResponderEliminarEm breve vamos ficar a saber tudo.
Fica o aviso!
Não me diga que é o mesmo de ontem que dizia que se lia não sei o quê nas entrelinhas!
ResponderEliminarSe quer falar, fale! Como um homem! Sem papas na língua!
Vamos ficar a saber o quê?!!
Desembuche!
Deus Nosso Senhor nos valha...
ResponderEliminarCredo.
Abrenuncio..
vade retro satanás
ResponderEliminar“T’arrenego, Belzebu!
ResponderEliminarNessa barca malcheirosa
não hei-de pôr o meu cu”
Não foi por falta de avisos!!
ResponderEliminarEste desfecho há muito que estava anunciado!!!
Exatamente - já hoje o Citius e SITAF faz esse varrimento e não deixa avançar se não for indicado o DUC ou as situações previstas na lei que dispensam o pagamento (apoio judiciário, isenção), etc.
ResponderEliminarA AI vai entrar em todas as profissões, não é nenhum drama, as pessoas serão sempre necessárias, têm é de se adaptar.
ResponderEliminarEsse o problema, falta de evolução e adaptação.
Aqueles que apenas querem fazer mais do mesmo deverão estar preocupados , arranjem baixas médicas seja lá o que for.
Gente assim não faz falta.
Os demais desde que haja vontade haverá lugar para os que já cá estão.
Lutar por melhores condições e retribuição e não ter medo da mudança.
Acabar de uma vez por todas com o auxiliar e o adjunto e unificar ( bem pago) isso, mal já há muito identificado pela tutela.
pffff!
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ResponderEliminarOs prof. vão recuperar o tempo total de serviço em 2 anos e 10 meses...!!!
E nós?!!
ResponderEliminarO que vos queremos é a integração,, até porque as vacas sagradas estão no último escalão, não aquece nem arrefece.
ResponderEliminarNós vamos lançar a bomba atómica!!!
ResponderEliminarA mãe de todas as bombas!!!
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HAHAHAHAHAHAH
É preciso criar mais 3 escalões para acomodar esta recuperação.
ResponderEliminarNa verdade, e já que as pessoas não conseguem progredir porque não as deixam, teriam, para serem justos, de criar sempre mais alguns escalões.
Fica aqui a sugestão, agora andem com a ideia para a frente!
Já muita gente sabe.
ResponderEliminarPelo menos desde o dia 7 de Maio que se fala nisso nos corredores, aqui por Lisboa.
Consta da página da empresa Contactus SA que:
ResponderEliminar"A Direção-Geral da Administração da Justiça (DGAJ) adjudicou à Contactus, S.A, o cálculo de Retroativos de Salários nos Sistemas Operacionais dos Programas Base de Processamento de Remunerações dos Recursos Humanos…"
Esta informação é de outubro de 2023.
No portal base pode-se verificar o contrato assinado e o respetivo caderno de encargos.
No mesmo consta o prazo de execução de 30 dias.
Não se compreende a razão pela qual, todos os cálculos retroativos dos salários ainda em dívida não estejam realizados, decorridos que foram mais de seis meses.
A ser assim, existe mora no cumprimento do contrato.
Fica por saber se a DGAJ já tomou qualquer posição sobre esta matéria.
Uma boa questão para apresentar á Senhora Ministra da Justiça na próxima reunião negocial.
Sexta-feira, dia 31, todos em greve para ver se está também vai para um sítio melhor
ResponderEliminarOs professores nos últimos escalões não iram receber.
ResponderEliminarQuem chegou ao topo...
Essa criação só virá na mudança de estatuto como é óbvio .
Agora é exigir que a recuperação do tempo de serviço se estenda à nossa carreira.