É mais fácil decretar a proibição do que construir a solução
Ontem, para acabar a semana, eis que o Jornal de Notícias (JN) traz a público uma proibição imposta aos Oficiais de Justiça que trabalham na Comarca do Porto.
Em título constava assim: “Funcionários de tribunais impedidos de aquecer almoço ou beber líquidos frescos”.
Relata o JN que uma ordem interna da Administração da Comarca, enviada esta semana, dava orientações que, na prática, impedem os Oficiais de Justiça de tomar refeições no edifício do tribunal.
A notícia diz-se assim: “No documento a que o JN teve acesso, é ordenado, de forma clara, que os funcionários não podem ter nas instalações dos tribunais forno micro-ondas para aquecer as refeições, nem frigorifico para as manterem consumíveis. A exceção é para os tribunais que tenham “copa”, espaço que a administração judicial da comarca sabe, e reconhece, que não existe na maioria dos tribunais”.
Para além da inesperada proibição, sem outra alternativa que não seja comer frio ou “ir todos os dias ao restaurante, luxo para o qual não ganhamos” – lamenta um Oficial de Justiça do Tribunal de S. João Novo –, a “orientação” da Comarca impõe também que a partir de agora todos terão de levar de casa “toalhas e guardanapos” para as “necessidades próprias”, ficando proibidos de utilizar o “papel das mãos dos serviços”.
Estas orientações e interdições anunciadas terão de ser respeitadas por todos os que trabalham nos tribunais, Oficiais de Justiça e magistrados.
Evidentemente que esta interdição gerou grande mal-estar entre os Oficiais de Justiça, uma vez que uma parte muito considerável leva diariamente a sua marmita e toma as suas bebidas, quentes ou frias, ao longo do dia, poupando, desta forma, muito dinheiro, ou não gastando o dinheiro que não têm.
Um frigorífico nas instalações, permite que os Oficiais de Justiça se mantenham saudáveis e até faltem menos, pois não arranjam complicações ou doenças, uma vez que as comidas que levam diariamente e ali são conservadas, evitam a proliferação de micróbios, tal como permitem manter a qualidade de bebidas, como, por exemplo, um iogurte líquido.
Por outro lado, um forno, de qualquer tipo, que permita aquecer a comida, é algo perfeitamente civilizacional, pois comer quente é algo que nos diferencia dos animais.
Evidentemente que há muitas e boas razões para sustentar as proibições e as orientações emanadas na Comarca e todas elas são plausíveis e merecem toda a nossa concordância, no entanto, consideramos que proibir ou retirar direitos e práticas – quando as mesmas até foram recentemente (com a pandemia) incentivadas –, sem oferecer alternativas, é ato que denota uma grande fraqueza na gestão dos recursos humanos, gerindo sem qualquer empatia o que acaba por resultar, necessariamente, numa fonte de problemas.
Repare-se que a Administração da Comarca afirma saber que na maioria dos tribunais não existem espaços próprios, como a lei prevê, para a toma das refeições, e, perante este conhecimento o que faz? Diligencia por conseguir tais espaços ou começa logo por proibir a alternativa existente? Não seria melhor proibir quando já houvesse alternativa?
Claro que é mais fácil decretar uma proibição do que construir uma solução.
Se bem que até a legislação proíba a toma de refeições no próprio posto de trabalho (cfr, nº. 7 do artº. 44º do DL. 243/86 de 20AGO), também é certo que a legislação obriga o empregador (público ou privado) a garantir condições adequadas para que os trabalhadores possam fazer a sua refeição, seja para o almoço, como uma cantina, refeitório, seja uma “copa” ou área de descanso com mesas e cadeiras.
É no Porto que vêm sucedendo coisas estranhas, desde logo como sendo o único local do país que não permite que os Oficiais de Justiça se manifestem, ou concentrem, em frente ao Palácio da Justiça, obrigando-os a afastarem-se cerca de 100 metros para o jardim do outro lado da rua, e agora esta notícia de ser novamente o único local do país que deixou de permitir que os Oficiais de Justiça consigam viver e alimentar-se com os seus parcos salários, comendo os seus próprios alimentos no local de trabalho.
Tanto a proibição da concentração-manifestação como a da comida têm suporte legal, mas não têm qualquer suporte moral e, muito menos, quando tal afeta os mais maltratados trabalhadores da função pública.
Entretanto, estão já a circular no Porto algumas ideias para contestar as orientações, desde a ideia dos piqueniques diários à autocaravana com micro-ondas e frigorífico, certamente que a imaginação dos Oficiais de Justiça do Norte não deixarão passar mais esta afronta.

Fontes: "Jornal de Notícias" e "Porto Canal".
No Palácio da justiça do Porto logo às nove da manhã é um cheiro nos corredores e elevadores que até enjoa. Esse cheiro vem da cozinha da cantina que tem a ventilação avariada e ninguem arranja. Ministério e empresa empurram o conserto um para o outro.
ResponderEliminarAí ja não incomoda o cheiro a entrar pelos gabinetes dos juizes e salas de audiencia adentro.
Mas tiveram que se vingar nos pobres funcionarios.
Viva os iluminados que se apregoam de gestores de recursos humanos, quando não sabem o básico de recursos humanos que é motivação.
ResponderEliminarNão sabem que se um funcionário estiver motivado rende mais?
O que fazem é trazer mais desmotivação e ódio
pela profissão.
Basicos, fraquinhos gestores de pessoas.
Profissão a definhar cada vez mais.
Triste sina.
Por mim terão o minimo dos minimos, com estas atitudes a somar ao que já vivemos em luta há decadas.
Assim se paga.
Obrigado aos senhores bloguers pelo trabalho em prol dos oj.
ResponderEliminarNa muche
ResponderEliminarE vão dois.
ResponderEliminarNa Invicta cheira a ditadura...
Se tivesse um pingo de dignidade, o Administrador da Comarca do Porto já tinha batido com a porta.
ResponderEliminarMas é mais fácil baixar-se aos senhores magistrados do que ter uma atitude de defesa dos OJ.
Triste personagem.....
Espero que está notícia chegue ao RAP e ao seu programa semanal.....
Os administradores são, em larga maioria, verdadeiros sabujos dos poderes instituídos. Tivessem coluna vertebral, e muitos andam atrás do tacho, tudo seria diferente. Mas sobre a mencionada notícia talvez fosse importante perceber que essa situação serve ais interesses da ministra. Ela veio da tratar do edificado e não tarda aponta nesse sentido e ainda diz que foi empurrada pelos oficiais de justiça para cuidar do edificado. Triste sina quando andamos sempre a correr atrás das notícias, sem qualquer estratégia.
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ResponderEliminarGente vertical já é coisa rara.
E é um facto, a culpa aqui não será do administrador, mas se forem contra o juiz presidente, não ficam no lugar de convite.
Só por aí não são oficiais de justica, são contra os oficiais de justiça e pela administração, caso contrário põe-nos a andar.
Mas eu batia com a porta, não acatava tudo, aí sim seria vertical.
Nos dias de hoje, quase não se vê verticalidade, cada um em busca do seu tachinho e puxar dos seus galões para lixar o vizinho.
Sociedade podre.
As administrações só estão preocupadas com os objetivos. É preciso apresentar números simpaticos à tutela. Então desdobram-se em reuniões com os escrivães para os pressionar e por sua vez estes pressionarem os respetivos funcionarios a trabalhar mais não importa em que condições nem com que pessoal.
ResponderEliminarUma secção de sexagenarios tem de dar o mesmo rendimento que uma secção de jovens nos seus 30 anos.
Cegueira completa estes governantes.
Tem mais que razão, seções inteiras ( 2 ou 3) de sexagenários. Pressionadas pela estatística e pelas inovações informáticas . Seções mal alimentadas por marmitas frias, Seções em Burnot sem medicina no trabalho. Enfim, tem tudo para correr mal.
ResponderEliminarA diferença de tratamento entre funcionários do mesmo ministério é gritante.
ResponderEliminarAinda este ano foi disponibilizado às conservatórias um montante de cerca de 6 mil euros para compra de electrodomésticos para equiparem as copas onde os funcionários tomam as suas refeições.
Copas essas que foram em alguns casos feitas no último ano.
Em algumas conservatórias até espremedores de citrinos foram comprados com a verba disponibilizada.
A nós nem um microondas nos deixam ter, muitas vezes comprado por nós.
Não consigo perceber por que nos têm tanta raiva.
Sinceramente, é revoltante esta diferença de tratamento e a mesma deve ser denunciada!
A situação das conservatórias que acima relatei é verdadeira e factual, e pode ser facilmente ser comprovada.
Não diria melhor. Sem dúvida.
ResponderEliminarSó há um caminho, perante isso. Baixas médicas
O título do artigo tem tudo a ver e diz muito da qualidade da gestão de recursos humanos: decreta-se a proibição, não a conciliação. Assim já era no antigamente. Não há inovaçāo na gestão e isso trás conflitos.
ResponderEliminarHoje, as pessoas não se dispõem como há muitos anos, a aceitar ordens muitas vezes vazias de utilidade, só porque sim.
Útil e boa medida, era a Administração averiguar quantas pessoas necessitam de tomar a refeição que trazem de casa e destinar um espaço para tal efeito, no mínimo com um micro-ondas e mesa e cadeiras.
Cumpria a legislação, evitava conflitos desnecessários.
Quem avalia a Administração quando, nomeadamente, provoca o conflito entre os que gere?O contrário, ou seja, saber gerir conflitos, é que é regra de ouro para a gestāo de PESSOAS, não de coisas.
Ricardo A. Pereira sabendo deste facto, bem pode mostrar um momento de bom humor em horário nobre, tal qual foi o dos "papo secos" no passado domingo.
A ver na SIC....🤔
Ehehe
ResponderEliminarRir para conter o choro.
Não merecem nada de mim como oj.
E pergunto eu
A dita ministra anterior fugiu do porão sem dar noticia?
Só esterco, para não dizer outro termo mais sabujo.
Parabéns, como alguém disse aqui,
Parabéns à colega que lhe recusou apertar a mão.
Sem dúvida, eu também não apertaria, e não se trata de educação, trata-se de indignidade.
Força blogue!
Essa regra vem do tempo do paleolítico.
ResponderEliminarNem ricardos bem meios ricardos.
É basico de gestão de recursos.
Secção e secções.
ResponderEliminarCessão ou sessão ou sessões.
"Seção" ou "seções", são palavras que não existem.
Passaram 50 anos mas parece que nos tribunais ainda não chegou o 25 de abril. Continua a mentalidade do respeitinho.
ResponderEliminarPor isso não preenchem os lugares em falta com gente nova. Os jovens ja não se deixam vergar assim desta forma, ia ser um problema para estes ditadores do ministério da justiça.
Tem mais que razão, mas os olhos também já não ajudam.
ResponderEliminarEsteja calado , vá corrigir para outro lado.
ResponderEliminarE querem grau 3 ...
ResponderEliminarVai-te catar, ai não, quiz disser cagarrr com as correções da treeta
ResponderEliminarÉs o maior nunca deste nem vais dar erros, mesmo por lapso.
És grande pá!
Lugares com gente nova a ganhar ordenado minimo?
ResponderEliminarE fora de casa? A levar vida de nepales, indiano, etc?
Escravstura?
Ta bem, tá
A diferença reside nas lideranças do IRN e da DGAJ.
ResponderEliminarA primeira preocupada com todos os seus colaboradores a segunda promotora da discriminação em função do estatuto social de cada um.
Foi assim com a revisão dos Estatutos dos funcionários do IRN e com o projeto de Estatutos dos FJ e é assim com as copas ou com quaisquer outras matérias!...
E a Ministra que fugiu como os ratos, depois das fotos com os ojs??
ResponderEliminarNão mandava nada?
Olá CHEGA
ResponderEliminarNa Comarca do Porto manda a Juiz Presidente e, em determinados assuntos, o Procurador Coordenador.
ResponderEliminarO Administrador Judiciário não se faz valer de forma nenhuma, levando a situações que só quem está naquela comarca sabe.