É “muita incompetência junta”

      No discurso de abertura do 9.º Congresso Nacional do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), que decorre em Anadia (de sexta a domingo), o presidente António Marçal sublinhou a perda continuada de recursos humanos na carreira ao longo dos últimos anos.


      Justificou a perda de recursos humanos com questões salariais, como um ordenado base de entrada pouco superior ao salário mínimo nacional, o que torna a carreira pouco atrativa para reter profissionais ou motivar novas entradas, bem como com aposentações ou saídas para outras carreiras no Estado.


      “A falta de recursos humanos não é de agora” e tem-se vindo a agravar, disse ainda o presidente do sindicato, apontando que, “em 2024, vão aposentar-se 458 funcionários”, a que se somam os que se vão reformar por invalidez e os que saem da profissão, que não é “atrativa para reter talento”.


      António Marçal apontou um "estado de rutura" nos serviços, que atribuiu a "muita incompetência junta".


      "Acresce que somos a única carreira do mundo ocidental onde se quer obrigar os trabalhadores a prestar trabalho suplementar e a ter disponibilidade permanente sem qualquer contrapartida. A isto, podemos chamar deriva esclavagista de quem manda", disse, a propósito das negociações com a tutela relativas ao suplemento de recuperação processual.


      "A greve é como um grito de desespero que, pese embora as consequências na vida da sociedade, é o único recurso possível para que o poder político entenda que não se pode falar de justiça, sem que justiça seja feita aos funcionários judiciais", alertou Marçal.


      Num discurso em que defendeu uma reforma da Justiça que garanta mais recursos e uma melhor distribuição dos mesmos, António Marçal pediu também um reforço do financiamento da Justiça, "uma prioridade suprapartidária, um dever do Estado que é urgente cumprir, uma prioridade de regime", referindo a necessidade de uma dotação orçamental superior para despesa e investimento, questionando se existe algum planeamento estratégico para a Justiça e até para o país.


      Alertou ainda para "uma visão mercantilista do sistema de justiça", defendendo que a justiça "não se coaduna com métodos de organização ou de gestão empresariais" e que "o "lucro"" de uma justiça eficiente "se mede pelo impacto positivo no desenvolvimento da comunidade que serve e pelo grau de satisfação dos que a procuram".


      “Infelizmente não é grande a satisfação das pessoas. Diagnósticos têm sido feitos muitos, mas a terapêutica tarda em chegar, tal é a barafunda que vai reinando na profusão legislativa e propostas de organização ou reorganização", disse.


      Para Marçal, a Justiça "transformou-se praticamente num negócio, sendo obtida de forma diferente consoante o dinheiro que se tem no bolso e altura do grito, conforme se tem constatado em inúmeros exemplos".


      Marçal afirmou que a "crença de que existe uma justiça para ricos e outra para pobres tem de mudar", devendo ser "um serviço público por excelência" e "assente num princípio de igualdade no acesso e nas armas utilizadas".


CongressoSFJmaio2024anadia1.jpg


      Nuno António Gonçalves, vice-presidente do Supremo Tribunal de Justiça, disse não perceber como se deixou “degradar a este ponto” os quadros dos funcionários judiciários. A justiça, acrescentou ainda, é “essencial para a parte económica”, então porque não se “dignifica”, para que seja “célere e eficaz” e se obtenha justiça “num tempo justo”?


      O juiz conselheiro Luís Azevedo Mendes, vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura, sublinhou que as reivindicações dos funcionários judiciários são “justas”. “Baixar portagens” e outros temas são importantes, “mas as pessoas são o mais importante”, pelo que o processo negocial deve avançar.


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      Fontes: "Lusa/RRenascença", “Observador” e “Jornal de Notícias”.

Comentários


  1. Profissão a definhar.
    Serviços a definhar.
    Funcionarios a definhar.
    Anos e anos e nada.
    Então o vencimento de entrada para as exigências e sacrificios é de fugir.

    Fiquem p'rai!

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  2. Baixa geral. Tudo doente. Só assim é que se resolve. Senão não fazem falta.

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  3. Muitíssimo mais proveitoso se na vez de fazer um discurso maioritariamente político optasse por apresentar alternativas às apresentadas pelo governo a vários níveis, incluido o novo estatuto, para os sócios poderem votar, fazerem as suas escolhas! Isso sim era um sindicato a sério! Apresentar lá uns magistrados que só vão contribuir para decorar o cenário, não interessa nada! Fora com o Marçal e a sua estrutura!

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  4. Esta é a classe mais desmotivada de sempre.
    Nem os professores andam tão desanimados.

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  5. Líder dos licenciados12/5/24 12:44

    Mas que grande macacada é esta os principais inimigos dos oficiais de justiça estão presentes..juizes e procuradores.o encontro que seja destinado exclusivamente a oficiais de justiça...que sejam enaltecidos..e que seja dado o devido reconhecimento aos mesmos
    .

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  6. Líder dos licenciados12/5/24 12:46

    Vamos criar prêmios anuais para os oficiais de justiça, homenageados com medalhas, como reconhecimento desde produtividade, nas mãos diversas categorias.

    Vamos abrir um fundo no apoio á produção de obras literárias acerca da profissão de oficial de justiça...

    Acordem

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  7. E medidas concretas? Alguma coisa?
    Formas de lutas?
    Não basta marcar greves, há que organizar as pessoas através dos respectivos delegados sindicais... E organizar um crowdfunding por exemplo que nós dê outra capacidade...
    E parar os tribunais 2 semanas seguidas???
    Alguma coisa saiu dali? Alguém sabe???
    Cambada de inúteis

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  8. O Marçal continua a aparecer na tv a dizer que os OJ pedem muito pouco que, por isso, a ministra tem de satisfazer o seu pedido! E os aumentos salariais? Andamos a esmolar um miserável suplemento! Vejam o que fazem e como fazem as restantes classes!

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  9. De Anónimo a 12.05.2024 às 12:22

    Concordo plenamente.

    E sabemos que isto se arrasta pela ineficiência e ineficácia da maior parte dos lideres sindicais, como muito bem especificou o colega, e isto arrasta-se há decadas:

    deixar de ser generalista (mas o Marçal não sabe mais - nem tem capacidade para discutir sobre a pratica do labor do oficial de justiça, como pode negociar).


    Rua Marçal

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  10. o que me assustou

    foi a orquestra

    vaidades

    e as contas no vermelho

    os partidos politicos nos seus congressos atendendo à proporcionalidade vão levar a Taylor Swift

    Rua Marçal

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  11. É de sair quem puder!

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  12. Sim, depois de te tratares!
    Queres ajuda para ires a uma clínica?

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  13. Eu contribuirei com o maior dos prazeres para compensar quem está a audiências mediaticas e tics, jics.

    Arranjem maneira e enviem o nib.

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  14. Acordem todos.
    Com o que pagam no ingresso podem abrir 1 milhão de vagas e ficarão 80 ou 90.

    Querem assim. Continuem.

    Eu quando me vir na secção com 3 na seção de 4. Meto baixa. Não merecem mais. Ninguém merece.
    Poupar nos oj para pagar corrupção? Não! Obrigado.

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  15. Líder dos licenciados12/5/24 18:06

    Já fui tratado, o meu psiquiatra disse que eu devo lutar pela nossa causa, e que vir para aqui para o blog faz bem á minha mente assim vou continuar a dizimar gentalha como você .

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  16. És a vergonha dos licenciados

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  17. Líder dos licenciados12/5/24 21:10

    Cala essa boca eu sou o rei dos oficiais de justiça.

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  18. És mesmo doente.

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