Do (des)prestígio da carreira

      A 4ª ronda das reuniões com os sindicatos que representam os Oficiais de Justiça, que chegaram a estar agendadas para hoje, por adiamento do dia 28MAI, e tal como referimos desde então, desde logo no artigo desse mesmo dia 28MAI, o adiamento para hoje colidia com a tomada de posse do novo presidente do Supremo Tribunal de Justiça que estava agendada precisamente para hoje.


      Ora, agendar a reunião com os dois sindicatos que representam os Oficiais de Justiça (reuniões que ocorrem em separado), e ainda com os sindicatos do Corpo da Guarda Prisional (neste caso a reunião é conjunta com os sindicatos dessa carreira), tudo no mesmo dia e ainda comparecer na tomada de posse, porque, certamente, a ministra da Justiça teria sido convidada, sempre nos pareceu uma clara má gestão da agenda da ministra da Justiça e um lamentável descuido para com os sindicatos que representam os Oficiais de Justiça.


      Este segundo adiamento, no entanto, não é especialmente relevante, porque é só de um dia, porque é já para amanhã, dia 05JUN, que estão marcadas as duas novas reuniões.


      Vamos à contabilidade: amanhã será a 4ª ronda de reuniões com o SFJ e com o SOJ e já houve dois adiamentos até ao momento, estando tudo ainda emperrado no Suplemento de Recuperação Processual.


      A ministra da Justiça ofereceu, por duas vezes, valores percentuais insultuosos e acedeu, na reunião com o SOJ, noutros aspetos complementares, demonstrando abertura em aceitar que o Suplemento seja pago a quem está de baixa ou a quem tenha classificação de serviço de Suficiente, admitindo uma retroatividade apenas a janeiro do corrente ano e não a 2021, como também se reivindica.


      Os sindicatos, por sua vez, comunicam aos Oficiais de Justiça que não têm cedido em nada daquilo que é a reivindicação consolidada por ambos, tanto mais que já todos constataram que o Suplemento não deve durar mais do que o corrente ano, sendo suprimido com a revisão do Estatuto, sendo intenção do Governo apresentar um outro para a disponibilidade permanente, acabando com o atual, tal e qual já foi no passado apresentado pelos governos PS.


      A atual ministra da Justiça já fez uma aproximação do atual Suplemento ao vencimento, no entanto, apenas em mais um mês, sem equiparar completamente o suplemento aos catorze pagamentos anuais do vencimento. Igualmente, diz o SOJ, mostrou abertura para mais uma equiparação ao vencimento ao declarar poder vir a aceitar que seja pago como vencimento em circunstâncias que hoje não é pago, como as que acima referimos.


      Portanto, há uma paulatina aproximação do Suplemento ao vencimento, mas lenta, débil e já com muita pouca paciência para passos tão pequenos. É necessário acabar com isto já amanhã, equiparando completamente e, assim, integrando, para que seja absorvido e não venha a ser perdido, como a isso está destinado.


      Convém que os Sindicatos expliquem à ministra da Justiça que o pensamento que recentemente expressou a ministra da Administração Interna, Margarida Blasco, aquando da cerimónia de tomada de posse dos diretores nacionais adjuntos e do inspetor nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP), sendo confrontada pelos jornalistas presentes no local sobre os protestos das forças de segurança que têm tido lugar nos últimos meses em Portugal, a governante admitiu que “obviamente temos de dar as condições financeiras” às polícias para estas fazerem o seu trabalho, considerando, contudo, que a “carreira já é atrativa só por se ser polícia”.


      Ainda que a ministra Blasco possa eventualmente ter alguma razão em relação aos polícias na consideração que faz, isso não se aplica, no entanto, atualmente e minimamente, à carreira dos Oficiais de Justiça, porque a carreira já não é atrativa para ninguém, seja para os que estão fora e pensam entrar e acabam a desistir, seja para os que estão dentro e só pensam na forma como hão de sair, o mais rápido possível; em fuga mesmo.


      A carreira já não se basta por si própria, embora no passado tenha tido algum prestígio, hoje, temos uma carreira num órgão de soberania, mas em que o dinheiro não chega ao fim do mês e em que o colchão no chão do quarto alugado, a centenas de quilómetros de casa, parece que tem alguns bichos.


      Quem acaba de entrar acaba por querer sair e quem já há muito entrou, anda à procura da saída. É esta a realidade que a ministra da Justiça tem de conhecer, sem se iludir com considerações idênticas à da ministra da Administração Interna.


ExpressaoConfidenciar.jpg


      Fontes: declarações da ministra da Administração Interna no “Notícias ao Minuto”.

Comentários

  1. Anónimo4/6/24 09:01

    E já agora, o ministro Leitão Amaro afirmou ontem que o governo vai avançar com prémios de produtividade para os funcionários da AIMA. Será que essa ideia já não deveria ter sido apresentada pelos nossos sindicatos nas passadas reuniões? Ao tempo que eles não conseguem resolver nada, andamos há anos sempre a implorar um suplemento e agora até já há dinheiro para prémios! Sindicatos, aprendam! Os sindicatos da AIMA até elogiam o governo!

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  2. Anónimo4/6/24 09:01

    Sem duvida!
    Nas condições atuais, quem está pensa em como sair. Eu vem ne arrependo de ter enveredado e ter perdido vida nesta profissão.

    Ao que isto chegou.

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  3. Anónimo4/6/24 09:25

    Quem pensa que o adiamento da reunião é uma questão menor pensa mal, na minha opinião, e é demonstrativo da importância da "coisa".

    É evidente que a Srª. Ministra deve delegar parte das reuniões no seu staff, reuniões essas que deviam ocorrer várias vezes por semana até se chegar a bom porto, como aliás aconteceu com os professores!

    Era bom que os sindicatos preparassem uma qualquer enérgica reação caso as coisas continuem sem avançar, mas a ver vamos!

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  4. Anónimo4/6/24 10:09

    Mais do que uma reunião semanal e também pedirem um pouco de tempo durante a reunião para conversarem entre si e em seguida darem uma resposta. Saber negociar é muito importante! Outros sindicatos fizeram isso.

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  5. Anónimo4/6/24 10:24

    Negociar há 20 anos

    se não fosse trágico, até seria outra coisa

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  6. Anónimo4/6/24 10:59

    A ministra e a sua equipa devem dar gargalhadas de cada vez que olham para os nossos comentários. Gente acéfala que a única coisa que faz é criticar os colegas, aos sindicatos. É muito raro ver tantas páginas sobre uma profissão nas redes sociaus como ocorre com esta. Poucos, menos de 7500, mas muito pouco esclarecidos. Talvez o problemas sejam os últimos concursos, onde todos os excluídos de outros concursos aqui ingressem...

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  7. Anónimo4/6/24 11:10

    O que é que você está aqui a fazer?

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  8. Anónimo4/6/24 11:34

    Comentário 10:59

    É preciso sermos educados e não nos pormos a jeito!

    Com expressões como "Gente acéfala" arrisca-se a que alguém acéfalo aqui o mande chamar "acéfalo" a um ascendente próximo!

    Cuidado com essas expressões, pois "só não se sente quem não é filho de boa gente!".

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  9. Rei dos Oficiais de Justiça4/6/24 11:47

    Venho informar a todos os oficiais de justiça que vou dar aulas de direito aqui neste espaço.

    Com o intuito de ajudar a classe e levantar questões pertinentes nesta profissão.

    Hoje irei dar inicio á aula n1.

    Por tal fiquem atentos..

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  10. Anónima4/6/24 12:13

    Obrigado King.
    A que horas? É que fora do horário laboral, estou em greve.

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  11. Anónimo4/6/24 12:42

    It´s King Kong time!

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  12. Anónimo4/6/24 14:27



    Para 10:59

    Grande iluminado. Que desperdício estar nos tribunais.
    Em arrogância ganhas a todos.
    A vida vai-te ensinar a ser humilde, se é que aprenderás.

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  13. Rei dos Oficiais de Justiça4/6/24 14:42

    Aula n1

    O que é o FET?

    Lei 335/97 de 2 de dezembro.

    É o suplemento que é pago aos funcionários das finanças e da segurança social, sob forma de premio de produtividade no âmbito das cobranças coercivas que pode ascender a valores anuais entre 5000 euros e
    7000 euros.

    Caros alunos os o.j. são os únicos funcionários do estado que não recebem tal prémio porque será??

    Assim o trabalho de casa é tentarem descobrir porque motivo?

    Dou por encerrada a primeira aula, espero que tenham gostado, caso de dúvida podem colocar questões.

    Amanhã iremos dar a segunda aula não esqueçam de fazer os trabalhos de casa.
    Obrigado

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  14. Anónimo4/6/24 15:12

    Esse é, precisamente, um dos maiores erros e o maior problema da remuneração da função pública, e da transição entre carreiras, em Portugal.

    Essa "manta de retalhos" devia ser abolida e termos uma tabela única salarial CONDIGNA !

    (disse)

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  15. Anónimo4/6/24 16:50

    10:59
    já aqui não postava há muito tempo, mas estou contigo!

    todos têm a mania que sabem mais do que o colega do lado!

    ResponderEliminar
  16. Anónimo4/6/24 19:08

    Meus caros, posso garantir-vos que neste momento ambos os sindicatos já têm conhecimento do teor das propostas que vão ser amanhã formalmente apresentadas.

    É certo que é na véspera mas ainda assim têm algum tempo para reflectir até à hora da reunião.

    E mais!

    Não vai ser uma proposta mas sim propostas!
    E das boas !!!

    ResponderEliminar
  17. Anónimo4/6/24 19:13

    Grande King!

    Para além de King, de Rei e de um Grande Líder, és também um enorme Professor.

    Obrigado.

    ResponderEliminar
  18. Zorrinho4/6/24 19:29

    Bruxedo? Ou quer partilhar?

    ResponderEliminar
  19. Zorrinho4/6/24 20:46

    Logo vi que era tentativa de bruxaria.

    ResponderEliminar
  20. Anónimo4/6/24 21:09

    Eheh

    Já aqui não potava
    Eheh

    ResponderEliminar
  21. Anónimo4/6/24 23:12

    Só que fosse igual à que a MAI apresentou aos polícias e estes não aceitaram, já não era mau:
    suplemento de 400 euros em vez dos 700 exigidos.
    E sim, não parece, mas estamos a falar do mesmo governo com que os nossos sindicatos estão a negociar.

    ResponderEliminar
  22. Anónimo4/6/24 23:15

    Ou seja, a PSP exige um suplemento sensivelmente idêntico ao SMN ganho por um OJ em inicio de carreira.

    ResponderEliminar
  23. Anónimo4/6/24 23:20

    São propostas mas não são totalmente abrangentes. Ou seja, não são para todos.

    A título de exemplo, e sem querer adiantar muita coisa, vai ser dado um suplemento aos 108 novos funcionários que ficarem colocados fora da área da sua residência habitual, em zonas de forte pressão imobiliária.

    Amanhã, por este hora, estaremos todos aqui novamente, uns contra os outros.

    Até amanhã.

    ResponderEliminar
  24. Anónimo5/6/24 00:31

    Falo disso aqui à cerca de 1 mês - 300/400 euros mês para os polícias versus 30/40 euros para os OJ!


    É só uma relação 10 X inferior!

    INCRÍVEL!

    ResponderEliminar
  25. Anónimo5/6/24 00:51

    Deixar afundar.

    Somos mesmo totos há 30 anos.

    ResponderEliminar
  26. Anónimo5/6/24 12:47

    A que horas é a reunião?

    ResponderEliminar
  27. Anónimo5/6/24 15:59

    Dá-me vómitos....

    ResponderEliminar

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