O lacónico comunicado e a paragem do Movimento Ordinário

      Publicamos ontem aqui um artigo (intitulado: “A anedota da repescagem dos 108 para ingresso”) onde divulgávamos o comunicado do Ministério da Justiça relativo à abertura de 108 lugares de ingresso na carreira. Ao mesmo tempo, esclarecíamos como é que esses lugares vão ser preenchidos na prática e acrescentávamos outras análises críticas sobre o anúncio. Mencionamos também a lamentável falta de pronúncia dos sindicatos sobre tal comunicado, respondendo mesmo negativamente o SFJ quando instado pelos jornalistas da SIC.


      Hoje, queremos alertar os nossos leitores de um aspeto que, certamente, não foi compreendido por todos. Trata-se de esclarecer que todas as informações que ontem prestamos se devem exclusivamente à nossa interpretação e nada se deve à comunicação do Ministério da Justiça.


      Ou seja, o Ministério da Justiça emitiu um comunicado de duas linhas onde apenas diz que vai ir à lista dos não colocados no concurso dos 200 do ano passado e dar-lhes a oportunidade de ocupar 108 lugares. Tudo o mais, como quando dizemos que haverá um Movimento Extraordinário para aquele efeito, são considerações nossas que nascem dos conhecimentos adquiridos durante muitos anos e mesmo décadas, prevendo aquilo que é o mais plausível e também porque já assim sucedeu no passado.


      O Ministério da Justiça nada explicou, nem os sindicatos explicaram nada, nem sequer se pronunciaram sobre o anúncio.


      Por isso, embora estejamos convencidos de que tudo decorrerá como ontem anunciamos, o nosso grau de certeza não é, no entanto, de 100%, mas de 99%, pelo que vamos a seguir reproduzir a informação oficial que é a única que existe.


      O comunicado do Ministério da Justiça diz o seguinte:


      «108 Oficiais de Justiça adicionais nos Tribunais. Mais de uma centena de Oficiais de Justiça, selecionados através de concurso externo, vão integrar os mapas de pessoal das Secretarias Judiciais e do Ministério Público, a breve prazo.


      Após autorização do Ministério das Finanças, o Ministério da Justiça vai proceder ao recrutamento imediato de 108 Oficiais de Justiça.


      A contratação será feita com recurso à reserva de recrutamento que resultou do concurso externo anterior, realizado em 2023, no qual nem todos os candidatos aprovados foram contratados.»


      Evidentemente que reiteramos que estes ingressos só se podem realizar através de um Movimento Extraordinário, a não ser que se abrisse um prazo especial para incorporar os candidatos no Movimento Ordinário em curso, o que seria preferível, por permitir que num único Movimento se resolvesse a questão das colocações de ingresso, permitindo a movimentação dos Oficiais de Justiça que já estão na carreira e estão deslocados, ansiosos por serem movimentados desde há anos.


      Já no ano passado a opção da DGAJ foi a de realizar Movimentos autónomos. Ora, os movimentos autónomos implicam injustiça para os Oficiais de Justiça já em funções.


      Não é justo que se abra um Movimento com lugares apenas acessíveis aos candidatos de ingresso, vedado aos Oficiais de Justiça já em funções. Por isso, é imprescindível que os Escrivães Auxiliares e Técnicos de Justiça Auxiliares possam concorrer também ao Movimento Extraordinário e que o possam fazer mesmo depois de concluído o Movimento Ordinário, uma vez que haverá lugares no Movimento Ordinário diferentes dos lugares do Movimento Extraordinário, não sendo admissível que haja movimentações no Ordinário que fiquem depois vedadas no Extraordinário.


      Outra opção é a de concluir o Movimento Ordinário sem ter em conta os requerimentos de movimentação das duas categorias de “Auxiliares”, indo estes apenas e todos ao Movimento Extraordinário, tal como já antes sucedeu.


      O Movimento Ordinário tem de parar imediatamente, para que a DGAJ esclareça o que pretende fazer com os tais novos 108 lugares que quer preencher, sem pôr de lado nem prejudicar nenhum Oficial de Justiça.


      Não basta anunciar 108 lugares de ingresso, sem se saber como se vai proceder. Já no passado tivemos esta mesma trapalhada com Movimentos a sobreporem-se, mas tal trapalhada não aportou aprendizagem alguma e, este ano, vamos ver de novo o mesmo filme na sua nova versão: “A Trapalhada 2”, com praticamente todos os mesmos atores, sendo, no entanto, protagonista uma nova (e provisória) diretora-geral.


Quarto(Sören_Gourraud-Naulin)2.jpg


      Fonte: "Ministério da Justiça".

Comentários

  1. Anónimo1/6/24 08:59

    Nova directora geral que é velha na dgaj

    E tem contribuído para o que se tem passado de errado.
    Nem aprendeu com os processos perdidos em tribunal.
    Mas não há responsabilização individual dessa gente porquê? Já que não têm vergonha e teimam em se manter no cargo, a fazer asneira atrás de asneira?

    Mais do mesmo, triste sina.

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  2. Anónimo1/6/24 09:01

    108?

    Fechem as secretarias de vez.

    Até doi

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  3. Anónimo1/6/24 09:03

    Podem abrir vagas para 1 milhão.
    Com o que pagam de entrada, nem 50 vão ficar.

    Não mexam nas tabelas e verão o que vão conseguir.
    Tristeza.

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  4. Anónimo1/6/24 09:07

    Dgaj é mesmo uma nulidade em termos de gestão de recursos humanos.
    Sindicatos é ir para tribunal sempre com essa gente.
    E nem assim aprender.
    Nulidades mesmo

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  5. Anónimo1/6/24 09:09

    Devemos ter o pior organismo da função publica em termos de gestão de recursos humanos, sem dúvida.

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  6. Anónimo1/6/24 10:59

    Acabou de ser publicado o nosso movimento de 2024 na página da dgaj.

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  7. Anónimo1/6/24 11:26

    Noticia num jornal de hoje, dificuldade em colocar procuradores com experiência no DIAP de Lisboa devido ao elevado custo das casas e alojamento. A vida está a ficar dificil até para os juizes.
    Será que os 900€ ja não chegam?
    Por isso vai ser complicado darem aumentos aos funcionários, os juizes em breve vão comecar a pedir mais e ja sabem pra quem vai primeiro.

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  8. Anónimo1/6/24 11:31

    NOJO

    oj deslocado é mendigo

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  9. Anónimo1/6/24 11:32

    Movimento sem promoções

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  10. Sniper da Sé1/6/24 11:44

    Mas que raio de movimento é este, onde os oficiais de justiça colocados nas ilhas não são tidos nem achados, para os Açores e madeira, não mexe praticamente nada, ou seja vão morrer por essas ilhas a mendigar porque trabalhar nas ilhas mesmo com o suplemento não é fácil, pensar em mudar logo que possível...

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  11. Anónimo1/6/24 11:56

    Atenção á navegação e à atualização das reinvidicações:

    Há um número considerável de Auxiliares no último escalão na categoria. Ou seja, não irão progradir mais a nível remuneratório.

    Atendendo a que ninguém foi promovido neste movimento e nos anteriores o foram em número reduzido/insuficiente e ao facto de se verificarem promoções had hoc e no limiar da legalidade, consoante as simpatias de administradores e presidentes de comarca, calculo assim por alto que haverá mais de 600 colegas nestas condições, todos com mais de 20 anos de casa.

    Mas ninguém se queixa disto? Acharão normal?
    Deixo a ideia, para reflexão.

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  12. Rei dos Oficiais de Justiça1/6/24 12:27

    Na qualidade de rei venho apelar aos meus soldados, todos o.j. para irmos todos até á dgaj e entrar por lá a dentro afim de confrontar os superiores. Quem alinha ??

    Vamos??

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  13. Anónimo1/6/24 14:46

    Vai-te catar. Ninguém tem pachorra para a tua infantilidade

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  14. Anónimo1/6/24 15:05

    Não basta mudar de Ministra, é muito urgente mudar a diretora-geral!...
    Com tantos atropelos a dignidade dos Oficiais de Justiça, como é que ainda se mantém em funções!...

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  15. Rei dos Oficiais de Justiça1/6/24 16:13

    Então não acha uma boa medida de luta invadir a DGAJ????

    Não acha que se mudava de paradigma??

    Acorda para a vida...

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  16. Anónimo1/6/24 17:07

    Vergonhoso
    Suplemento de 280€ que não é mexido há decadas?
    Fujam

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  17. Anónimo1/6/24 17:09

    180€, quis dizer.
    A inflação aqui já os engoliu, com a estranjeirada a fazer subir tudo.
    Fujam

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  18. Anónimo1/6/24 17:10

    Ninguém queixa

    Está tudo bem de vida, a começar pelos sindicatos.

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  19. Anónimo1/6/24 17:11

    Haja luz.
    E responsabilização pessoal da direção da dgaj?
    Porque sindicatos calam sobre isso?

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  20. Anónimo1/6/24 18:23

    Sindicatos não processam dirigentes da dgaj pilor má gestão de recursis porquê??

    Vergonha
    Deixam afundar e não pedem responsabilização?

    Deixo de pagar cotas.

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  21. Anónimo1/6/24 18:25

    Pois calam mesmo.
    Claro a Ministra da J. é mais um cargo político.Quem executa as medidas e gere, sāo os depois nomeados, neste caso, para a DGAJ. Estranho é o governo nāo ter colocado alguém da nesma cor política, como anda a fazer com outros.
    Não têm ninguém que possa ocupar o lugar? É que além de Of. Justiça em falta, também faltam Magistrados para trabalhar nos Trinunais, para o que foram preparados. Não o foram para gerir pessoas e bens, mas sim gerir processos judiciais ou no MP.

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  22. Anónimo1/6/24 22:26

    Então? Os sindicatos já se estão a mexer para haver outra sentença sobre as promoções ??

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  23. Anónimo1/6/24 22:38

    Já foi publicado o projecto do movimento (hoje - sábado). Espectacular...

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  24. Anónimo1/6/24 22:52

    Eu quero recuperar o meu tempo de serviço que não recuperei como auxiliar!!!!

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  25. Anónimo2/6/24 00:55

    600?? Com o cumprimento da sentença relativa aos escalões todos os "eventuais" já se encontram no 6 escalão.

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  26. Anónimo2/6/24 00:57

    Pois foi isso que fizeram os inspetores do SEF aquando da extinção. Pois é!!

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