O mundo ilusório da ministra da Justiça
A ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, escreveu aos Oficiais de Justiça, por e-mail deixado ontem nas caixas de correio de cada um (@tribunais.org.pt), já depois das 17H00, enviando uma mensagem aos Oficiais de Justiça, numa comunicação que é um ato inédito, mas cujo conteúdo aporta uma sensação de mera propaganda e de vazio.
A mensagem não traz nada de novo e vem com um mês de atraso, pois refere-se ao acordo firmado com o SFJ a 05JUN, sendo a mensagem enviada no mesmo dia do mês seguinte, a 05JUL, em jeito de aniversário do primeiro mês, como fazem os namorados.
Embora as manifestações de amor entre o SFJ e o MJ sejam flagrantes e públicas, não acreditamos que a escolha do dia 05JUL corresponda à celebração deste primeiro mês de namoro (5 de junho a 5 de julho), tal como também não acreditamos que o acordo estivesse a aguardar qualquer prazo de trânsito em julgado. Outro motivo haverá.
A mensagem da ministra começa por reproduzir os termos do acordo, passa a justificar o atraso no pagamento da atualização, apontando mesmo o mês de agosto para que tal ocorra, para concluir que o acordo – e passamos a transcrever – “permitiu trazer paz social a esta classe e pôr fim a um longo período de greves, com os impactos negativos para cidadãos, empresas, tribunais e para os próprios profissionais”.
Ora, como todos bem sabem, não há paz social nenhuma, nem o acordo trouxe tal paz ou pôs fim ao tal “longo período de greves com impactos negativos”.
Não sabemos quem anda a mal informar a ministra da Justiça, porque se realmente está convencida daquilo que diz, anda mesmo a ser muito mal informada.
Aqui vai um exemplo da dita “paz social”, em notícia de ontem mesmo, no Jornal de Notícias, onde consta o seguinte (transcrevemos):
«Nove suspeitos de tráfico de droga, que tinham sido detidos numa operação da GNR, foram libertados, na quinta-feira, dia 4, devido à greve dos funcionários judiciais no Tribunal de Matosinhos.
Os nove indivíduos, com idades entre os 20 e os 70 anos, há cerca de um ano que estavam a ser investigados por tráfico de droga, em Matosinhos e na Maia. Segundo os indícios recolhidos ao longo das diligências, todos integrarão um grupo estruturado que traficava uma quantidade considerável de diferentes tipos de produto estupefaciente nestes dois concelhos.
Contudo, a greve dos funcionários judiciais impediu a realização destas diligências. Sem ter um funcionário judicial para o apoiar, o juiz de instrução viu-se obrigado a adiar a identificação e o interrogatório aos detidos. E, terminado o prazo legal de 48 horas para os sujeitar a interrogatório, teve de os libertar. Às 16 horas, todos os suspeitos saíram pela porta do Tribunal de Matosinhos em liberdade.
Diversas fontes contactadas pelo JN admitem que a libertação dos suspeitos pode pôr em causa a investigação. Alegam que, em liberdade, os traficantes possam ameaçar diversas testemunhas consideradas fundamentais que, perante a intimidação, recuem na colaboração com as autoridades.»
Que se passa com estes Oficiais de Justiça de Matosinhos?
Será que são burros e ainda não sabem que houve um acordo, já há um mês, que trouxe uma “pacificação social” e pôs “fim a um longo período de greves com impactos negativos”?
Será que a culpa é da ministra da Justiça por não ter enviado antes a notícia da “pacificação social”, para que estes Oficiais de Justiça não fizessem a greve que, afinal, não acabou, apesar da ministra dizer o contrário?
Claro que não, nada disso, não houve pacificação nenhuma, longe disso, nem as longas greves acabaram. Acabaram apenas duas das greves, e que eram as mais recentes, lançadas pelo SFJ recentemente, estando hoje em vigor, ou seja, ativas, nada mais, nada menos do que três greves, uma delas ainda sobrevivente do SFJ e as outras duas que são do SOJ, sendo a das tardes do SOJ a mais antiga, pois iniciou-se em janeiro de 2023, isto é, há um ano e meio, ocorre todos os dias e por tempo indeterminado.
Portanto, dizer-nos a ministra da justiça que o acordo pôs fim às longas greves é algo que temos de considerar como sendo falso, tão falso quanto o é a dita pacificação, porquanto notícias como a de Matosinhos têm sido frequentes.
Confirma-se que a ministra da Justiça não tem conhecimento das notícias, dos acontecimentos em todos os tribunais do país, nem do estado de espírito dos Oficiais de Justiça.
Também ontem mesmo foi divulgada pela comunicação social a notícia que passamos a transcrever:
«Um grupo de oficiais de justiça está a promover um abaixo-assinado em protesto contra o acordo do Governo com o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), defendendo que é insatisfatório e que devem ser discutidos no parlamento outros diplomas.»
«De acordo com os promotores da iniciativa, os dois diplomas são considerados “essenciais para o futuro profissional, já que o acordo firmado entre o governo e o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) não responde adequadamente às expectativas, anseios e problemas que afetam a profissão”.»
Assim se lê em vários órgãos de comunicação social e, tal como ainda ontem aqui divulgávamos, mesmo sem termos nenhuma ligação com os promotores da iniciativa, apenas a tendo divulgado e disponibilizado os nossos meios para ajudar, recebemos dezenas de comunicações por e-mail, contendo centenas de assinaturas colhidas por todo o país, deixando os Oficiais de Justiça que nos contactam informações diversas complementares e, bem assim, prova do que informam, designadamente, dessa grande adesão dos Oficiais de Justiça à iniciativa do abaixo-assinado, porque, simples e obviamente, não se reveem no tal acordo de há um mês, que a ministra veio ontem comemorar.
A realidade deveria chegar ao conhecimento da ministra porque sem tal conhecimento vai continuar no seu mundo de fantasia, iludida por um dos sindicatos que, apesar de bem estar a tomar conhecimento da realidade e do seu impacto, isto é, da insatisfação generalizada dos Oficiais de Justiça reais que estão nos tribunais e nos serviços do Ministério Público de todo o país real, e das ações que vão tomando, seja na persistência da continuidade das greves, seja na iniciativa do abaixo-assinado e na esperança que agora depositam no Parlamento, porque já viram que não podem contar com o Governo, nem com o sindicato com maior número de associados, esta é a realidade que tem de chegar ao conhecimento da ministra da Justiça, para que não venha nunca mais dizer, como neste primeiro aniversário do acordo, que estamos a viver no melhor dos mundos e que tudo se resolveu.
O e-mail da ministra da Justiça termina assim:
«Queremos que quem trabalha na Justiça se sinta valorizado, motivado e respeitado. Conto com o seu empenho e com o seu contributo para que possamos servir melhor os nossos concidadãos.»
Pois claro, Senhora ministra, todos queremos o mesmo e os Oficiais de Justiça mais do que ninguém querem sentir-se valorizados, motivados e respeitados, como bem diz, no entanto tal ainda não aconteceu, mesmo com o tal acordo que se contesta, mantendo-se os Oficiais de Justiça sem valorização alguma, sem nenhuma motivação e sentindo-se totalmente desrespeitados, não só por este como pelos sucessivos governos que o antecederam.
O estado a que chegaram os tribunais, desde logo com a falta de pessoal Oficial de Justiça e o desinteresse geral no ingresso na carreira devido, entre outros aspetos, aos baixos ordenados, aliado à desmotivação generalizada, não se conseguem parar com mensagens fantasiosas como a que a ministra da Justiça emitiu desde o seu mundo ilusório de arcos-íris e pequenos unicórnios cor-de-rosa, enganada que foi pelo sindicato que lhe garantiu a dita “pacificação” que, na realidade, não existiu, não existe, nem se perspetiva que venha a existir.
Por favor, alguém que avise a ministra da Justiça para que não se deixe enganar. Haja alguém que faça o favor de lhe dizer que a realidade é uma coisa diferente da vontade e do sonho.

Fontes: Reprodução do e-mail da MJ na página oficial do “SFJ” e no “Facebook”; notícia da libertação de detidos em Matosinhos no "Jornal de Notícias", bem como de muitos outros casos idênticos por todo o país em “CNN Portugal” e notícia do abaixo-assinado, por exemplo: em órgãos de cobertura nacional como o “Eco”, o jornal “i” ou o “Sapo24” e em órgãos locais como o “Notícias Maia”.
Todos os oficiais de justiça devem agradecer e homenagear os oficiais de justiça de Matosinhos, do JIC e Ministério Público que contribuíram para a libertação de 9 traficantes.
ResponderEliminarContudo tal notícia apenas aparece no JN muito escondida.
Ninguém fala destes heróis que sozinhos sem medos lutam contra esta vergonha, ao contrário de muitos que continuam a contribuir para a escravidão.
Nem sindicatos , nem ninguém fala disto.
Mobilização geral para a grande greve do dia 16 de Agosto.
ResponderEliminarNesse dia todos os tribunais do país vão encerrar.
Metade está de férias, a outra metade faz greve.
Vamos fechar tudo!!
De António
ResponderEliminar06/07/2026- 09:06 horas
A dormência e letargia de muitos de nós é, e ainda bem que o é, combatida pela
Resiliência de tantos outros, que assumem a única posição capaz de fazer com que a classe não caia no
esquecimento. É um exemplo que todos devemos seguir , porque convém não esquecer, que o tempo está a passar muito rápido, e quanto a isso somos impotentes de o fazer parar, mas quanto aos nossos objetivos profissionais está ao nosso alcance atingilos, basta seguir o exemplo dos Colegas de Matosinhos.
Abraço a todos
Excelente postura da Senhora Ministra perante a carreira.
ResponderEliminarVou contribuir. Vou contar a minha experiência como OJ, identificar problemas que eu vejo, e apontar ideias de soluções.
Há coisas que nós, no terreno, vemos melhor do que qualquer um, de fora.
Espero que ajude.
Obrigado Senhora Ministra!
Os colegas do JIC de Matosinhos estão sempre empenhados em mostrar o descontentamento geral dos OJ's.
ResponderEliminarSempre que há processos potencialmente polémicos, lá estão eles.
Obrigada a vocês!
ResponderEliminar"Os factos demonstram que a Senhora Ministra da Justiça, infelizmente para o sistema de justiça, está a viver uma realidade virtual..."
FORÇA AÍ SOJ.
Não sabemos quem anda a mal informar a ministra da Justiça, porque se realmente está convencida daquilo que diz, anda mesmo a ser muito mal informada..."
ResponderEliminarNaturalmente que, até pelo dever de função, em primeira linha, há-de ser a Senhora Directora-geral da Administração da Justiça.
Quem anda a mal informar a senhora, ministra justiça, às vezes ? O pai que foi sempre o seu patrão e que agora quer associar a simpatia da filha, o seu sofrível comentário semanal na SIC, e que, acha, se o Marcelo foi PR, porque é que eu, tão lindo, judeu assumido, nao o posso ser?
ResponderEliminarConcerteza que a sra. Ministra está mais do que informada, mas como é lógico a sua narrativa não podia ser outra, senao mais valia não se pronunciar.
ResponderEliminarAcima de tudo realço com satisfação a sua demonstraçao de interesse e empenho em trabalhar na dignificação da carreira dos OJs.
Para os mais pessimistas que dizem mal de tudo está na hora de reflexão.
ResponderEliminarA realidade é que os oficiais de justiça iniciaram uma luta com visibilidade acerca de 2 anos.
Agora já se fala dos problemas dos oficiais de justiça quando antes não se passava nada.
Problemas esses divulgados nos meios de comunicação social, sindicatos, blog, deputados, partidos...
Existe uma análise critica aos sindicatos antes não se passava nada
Ou seja está tudo a mudar e ninguém ainda se apercebeu disso
Já existe petições, cartas abertas, abaixo assinados.
Os oficiais de justiça estão a perder o medo, a ter visibilidade.
Até às discussões no blog são úteis, as guerras entre sindicatos...
Isto tudo está a contribuir para que a ministra tenha outra atitude com os oj até ao ponto de enviar emails.
É uma porta aberta para quem quiser contribuir para a valorização da nossa carreira.
ResponderEliminarVou contribuir.
Se ambos os sindicatos tivessem uma postura bélica e intransigente, concerteza que essa porta continuaria fechada.
ResponderEliminarGoste-se ou não, mas pela primeira vez uma Ministra tem uma palavra para com os Oficiais de Justiça. Com compreensíveis reservas, pelo menos não demonstrou a postura das suas antecessoras. Mas como alguns só querem o suplemento e nada de novo estatuto, tecem comentários e reflexões que em nada abonam a elevação da Classe. E tenho para mim que ficámos (tóxico)dependentes de greves...a muitos, afinal o dinheiro não faz tanta falta e um fim de semana prolongado é sempre benvindo. Contudo, e haja esperança, a maioria dos OJ's já percebeu que só lá vamos com um novo estatuto e atenta a postura da tutela, há que dar o benefício da dúvida. Era bom é que este espaço desse contributos e ideias para o novo estatuto em vez de estar repetidamente a instar às greves e a defender a manutenção do atual paradigma, com exceção do dinheiro e mais do mesmo. Nestes casos, não presta um bom serviço à Classe. Quanto ao comunicado da Ministra, agradeço as palavras e explicações e aguardamos, sem compreensíveis dilações, a apresentação urgente de um novo estatuto que vá de encontro às expectativas dos que cá trabalham e também os que, de futuro, queiram enveredar por esta carreira. A isto chama-se cordialidade e visão de futuro.
ResponderEliminarConcordo.
ResponderEliminarVou participar.
E vou estar cá para mais 20 anos de trabalho com o que resultar deste processo de construção do nosso Estatuto.
Demonstremos efetiva vontade em darmos um salto qualitativo estatutário. Se assim acontecer, pode ser que daqui a uns anos tenhamos a perceção das vantagens que afinal se conseguiram e do que fomos perdendo ao longo de muitos anos, por via dos interesses instalados nesta Classe.
ResponderEliminarNem mais.
ResponderEliminarSeria uma estupidez e uma irresponsabilidade não aproveitar esta fase para negociar.
Não é o momento para populismos e guerrilhas, e insistir em reinvindicacoes que de modo algum são prioritárias, apenas para satisfação imediata de uma facção.
Apostar num bom estatuto , na modernizacao, dignificação e atractividade da carreira, é o caminho prioritário.
Não venha com essa conversa, pois nunca nenhum governo disse que não pretendia negociar, que não pretendia ouvir. Pretender branquear uma traição é vergonhoso.
ResponderEliminarObrigado que? Sra quê?
ResponderEliminarComo? Sra ministra dignificar?
ResponderEliminarGostais mesmo de mentiras.
Fo---
Acerca ou há cerca?
ResponderEliminarEheh
Traição mesmo.
ResponderEliminarA mim não me enganam!
Chega. Há mais de vinte snos de engsnos, para me virem vom conversas destas?
Ide para aquele sitio que cá sei.
Eheheh
ResponderEliminarMais 20 anos de mentirosos.
Continuai.
E a ridícula petição do sindicato depois do acordo dos papo-secos?!
ResponderEliminarÉ o desnorte total...
Eheh
ResponderEliminar
ResponderEliminarEntão essse mail não é POPULISMO ?
Tenham verhonha na cara!
Para não dizer outra coisa.
Há agora, o SOJ é isso mesmo, mas em duplicado. Diga lá o que fez o Carlos Almeida como Oficial de Justiça nos últimos mais de 10 anos. Será que sabe o que é a gestão de atividades? Pobre classe.
ResponderEliminarMeu caro, existem interesses para que isso não aconteça, nomeadamente dentro da classe.
ResponderEliminarEstou convencido de que a grande maioria dos que assinam o "abaixo assinado" nem sequer tiveram o cuidado de ler a missiva. Chegámos a um ponto onde, apresentem-nos qualquer coisa para discordar, que assinamos. É somente o sinal do pouco espírito crítico dos colegas. É para assinar e é contra o governo, assino! E depois dizem que somos merecedores do grau 3! Eu defendo que esta a esta classe deveria ser atribuído o grau 5. Como somos mesmo muito especiais e de uma elevada capacidade de análise, deveríamos ser equiparados, no mínimo, aos magistrados. E já agora, para todos aqueles que não se identificam com esta carreira do auxiliar, adjunto, e chefes por antiguidade, não se esqueçam dos concursos agora abertos para as finanças e AIMA. Esta sugestão tem a ver com o facto de que nesta carreira, quem demonstrar ser melhor do que os outros mas que não tenha uma estúpida antiguidade que determina a "ascensão categorial", sempre pode sair e desistir de ser Oficial de Justiça e ir para outro sítio. Acreditem que muitos colegas agradecem e assim "eliminam" concorrência. Mais nada.
ResponderEliminarPara África?? O que os coitados dos africanos tem a haver com isto...
ResponderEliminarUm oficial de justiça racista essa tá boa já existiu no passado uns colegas condenados .
Tenha cuidadinho com esse tipo de expressões antes k leve com um processo nas costas ..
Parece-me que a tutela com este mail deu início a uma nova estratégia, ou seja, livra-se dos intermediários, os sindicatos, e fala directamente com os principais interessados, é preciso ter cuidado com isso, porque todos saberemos que entre nós há quem só pense na parte financeira da questão, e ainda, os que são bastante influenciáveis.
ResponderEliminarUi
ResponderEliminarQue medo de processos.
Borrados.
Sai tu.
ResponderEliminarNão assinas
Respeita quem assina.
Estás bem de vida deixa-te estar não assines nada.
O belicismo sindical só deve ser aplicado quando o governo ou não dialoga, ou não se aproxima, na negociação.
ResponderEliminarSim. Sim, tu não te deixes influenciar. É perigoso.
ResponderEliminar20 anos de negociação e mentiras.
ResponderEliminarMas alguém acredita ainda nesse mail?
Só mais do mesmo.
Fantochada.
Hipocrisia.
ResponderEliminarSOJ
Nao desarmes.
Contra a hipocrisia e falinhas mansas.
Prometem uma coisa e fazem outra há décadas sempre mais do mesmo.
E secretarias sem gente.
Serviços tidos rebentados.