Advogados iniciam hoje, por um mês, uma greve aos atos
Começa hoje o terceiro período do ano judicial de 2024, momento que ainda é reconhecido como sendo o início de ano judicial tradicional, embora não oficial.
Este reinício costumava ser assinalado pelos Oficiais de Justiça com alguma iniciativa de protesto para marcar o momento e aproveitar a atenção da comunicação social, mas este ano este reinício não terá esse momento, por parte dos Oficiais de Justiça, pelo menos no imediato.
Um grupo de Oficiais de Justiça, que repararam na falta dessa iniciativa por parte dos sindicatos, resolveu levar a cabo uma concentração de protesto junto ao Ministério da Justiça, em Lisboa, e, após discussão do dia e da hora, e das preferências pessoais, tal iniciativa acabou marcada para o tardio dia 13 de setembro, às 14H30, uma sexta-feira, com greves marcadas para o período da manhã e da tarde que todos podem aproveitar.
Obviamente, voltaremos a esta iniciativa nos próximos dias, embora as redes sociais recebam hoje a comunicação do grupo de Oficiais de Justiça que lhe dá impulso.
Mas já hoje mesmo – e não para a semana – o reinício não deixou de ser assinalado, em protesto, por uma outra profissão da área da Justiça, que prometeu uma espécie de greve aos atos e está hoje mesmo a cumpri-la: os advogados.
Esta greve aos atos dos advogados consiste na resposta ao apelo da bastonária da Ordem dos Advogados, para que durante todo o mês de setembro – não é só hoje, mas todo o mês de setembro –os advogados se recusem a participar nas escalas de prevenção ao serviço urgente.
Este protesto dos advogados pode paralisar os tribunais e os serviços do Ministério Público, devido à falta de defensores oficiosos e isto, repetimos, durante todo o mês de setembro.
Os advogados continuarão a desempenhar as suas demais funções com exceção dos atos urgentes a que sejam chamados, ou não chamados, desde logo porque as escalas estão vazias, isto é, não há ninguém nas escalas da Ordem dos Advogados para chamar, pelo menos na maior parte do país.
Como todos sabem, este protesto tem a ver com o simples facto da tabela de honorários pelas defesas oficiosas não ser revisto há duas décadas, problema que tem vindo a ser sistematicamente alertado pela Ordem dos Advogados, infrutiferamente, e porque considera a OA que as negociações com o Governo sobre a alteração das tabelas de honorários para o Orçamento de Estado de 2025 [a entregar até 10OUT] “não estão a decorrer com a prioridade que o assunto impõe”.
Ou seja, o que os advogados pretendem é que a despesa seja incorporada no Orçamento de Estado para 2025, cuja entrega ocorrerá já, a cerca de um mês.
Curiosamente, ou não, os Oficiais de justiça não querem saber nada desta entrega a 10OUT do Orçamento para o próximo ano, designadamente, entre outros aspetos, desconhecem completamente os valores da tabela de vencimentos que vai ser apresentada e que vai estar contemplada no Orçamento de Estado e, para além disso e entre outros aspetos, mesmo vendo como os professores começarão já este mês a ver concretizada a compensação pelos anos de congelamento da sua carreira, precisamente os mesmos anos de que padeceram os Oficiais de Justiça, carreira também especial, espantosamente, não há sindicatos preocupados com mais esta discriminação.
Quanto aos advogados, estes, sim, preocupados, referem que “a atualização reivindicada consiste na revisão dos processos e atos que devem ser integrados na tabela, na atualização do valor da Unidade de Referência (UR), e, bem assim, no número de Unidades de Referência por ato e na lista de atos – nenhum destes atualizado desde 2004″ – portanto, há vinte anos.
Fernanda de Almeida Pinheiro, bastonária da Ordem dos Advogados (OA), fez um vídeo que vem sendo partilhado nas redes sociais, com o qual lançou o apelo:
«Colegas, este é o momento de nos unirmos, este é o momento de protestarmos com veemência para acabarmos com uma ignomínia que dura há 20 anos. Contamos com todos e com todas, unidos para acabar com esta situação.»
E a bastonária conta mesmo com todos, ou quase todos, porque em 60% dos municípios não há nenhum advogado inscrito nas escalas de setembro, isto é a adesão é de 100% em mais de metade dos municípios portugueses e nos demais as inscrições desceram em cerca de 90%, comparativamente com as inscrições dos anos anteriores, pelo que o nível de adesão ao apelo da bastonária é massivo.
Assim, a partir de hoje os Oficiais de Justiça, na maioria dos municípios portugueses, não vão ter advogados para chamar para as suas diligências em que a presença de advogado seja obrigatória.
O Conselho Geral da OA, num comunicado lançado em agosto, reconhece que a Ordem “não pode parar unilateralmente o Sistema de Acesso ao Direito (STAD)”, uma vez que ninguém pode ser impedido de trabalhar, mas ressalva que “deve ser dada a possibilidade à advocacia de decidir se quer ou não manter-se inscrita nas escalas do STAD nestas condições, principalmente tendo em consideração a continuidade do desrespeito pela participação abnegada da classe, nesse sistema, 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano”.
No vídeo da bastonária da OA, o seu apelo prossegue assim:
«Apelamos a todos os colegas e a todas as colegas para não se inscreverem durante este período [de setembro] assim fazendo com que o sistema pare e o Governo da Nação e até todos no geral percebam qual é a importância e a essencialidade da presença da advocacia na boa administração da Justiça.»
A bastonária pediu ainda aos restantes órgãos locais, regionais e nacionais da Ordem dos Advogados para “que não colaborem de forma alguma, durante o mês de setembro, em qualquer solicitação que seja feita pelos tribunais”. Porque “a Justiça tem de perceber que não se remuneram com dignidade profissionais com uma tabela que faz este ano 20 anos. É por isso inadmissível que se colabore de alguma forma [com os tribunais], boicotando este protesto”, acrescentou.
As inscrições para o mês de setembro para as escalas deste mês terminaram no dia 30AGO e abrirão de novo lá para o final de setembro para receberem as inscrições para o mês de outubro, esperando a OA que, para essa altura, já existam “condições” para que os advogados possam voltar a inscrever-se, já “com uma tabela que dignifique o exercício da profissão”.

Fontes: "Jornal de Notícias", "Eco" e "Público".
Embora seja sempre pertinente atentar nas reivindicações de outras carreiras e profissões, importo-me tanto com os Srs. advogados como eles, eventualmente, se importarão connosco!
ResponderEliminarE mais não digo!
Sucede que se esta classe não se deixa ficar pela metade.
ResponderEliminarSem a sua presença ou dos magistrados, não se podem realizar diligências e não é cabalmente assegurado o direito de acesso aos tribunais aos mais desfavorecidos.
Contrariamente, faltando um funcionário, não á constrangimento algum pois que a diligência pode ser assegurada pelas magistraturas e inclusive a prática dos atos consequentes.
Nesta geringonça, fazemos cada vez menos parte das peças de engrenagem.
É esperar para ver, mas eu acredito no sucesso desta reivindicação.
E assim, à medida que o tempo passa, mais pequeno fica o bolo e nem a "rapadura" nos vai desougar.
Ficaremos, mais uma vez, com um cheirinho do que podia ter sido e não foi.
No mais, grau 2 para todos (que numa escala de zero a cinco é negativa) pois é o que merece a maior parte de nós.
Bom começo para quem hoje regressa às funções. Eu que ainda agora cheguei tenho já uma enorme vontade de serem cinco da tarde.
Cada um tem de tratar de puxar para a sua brasa.
ResponderEliminarEstou curioso do que vão conseguir. É inevitável uma comparação com o que nós estamos a conseguir.
Nós, OJ, temos que assegurar as nossas funções.
ResponderEliminarSe outros não assegurarem as suas, não é problema nosso!
Será com certeza problema do governos e dos respetivos ministérios que se faça justiça, haja ordem social, educação, habitação, etc etc ...
Os funcionários desses organismos não delimitam nem definem politicas, fazem apenas, e bem, as respectivas funções ...
Portanto, se a justiça funciona mal mas nós, OJ, cumprimos as nossas funções, é uma pena, mas só isso ...
Mais uma classe a pedir aumentos e até estes nos vão ultrapassar e a conseguir o que reivindicam.
ResponderEliminarOficiais de justiça cada vez mais desprezados. Só dá vontade de fugir desta merda.
ZZZ ZZZZ
ResponderEliminarFugir deste cócó!
Nem mais,
ResponderEliminarFugir.
Atualmente pagar para trabalhar e ser mal tratado?
Não, obrigado e boa sorte para quem vier a ingressar nesta pantominia.
Então hoje, naquilo que nos diz respeito, não há "novidades" sobre o que se passa nos corredores do MJ?!!
ResponderEliminarOs passarinho não cantam?
Será da chuvinha?!!!
Há datas de reuniões?
ResponderEliminarPergunta a ouve o canto dos passarinhos!
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ResponderEliminarPergunte ao sr marçal.
Calma.
ResponderEliminarDepois da fuga de informação da semana passada, o MJ e os sindicatos vão demorar ainda mais uns dias a divulgar oficialmente o que aí vem.
Sabe-se que aquele documento está em versão final e já não será alterado sendo certo que há uma pequena margem para diminutos aumentos quando se iniciarem as próximas reuniões.
É o que eu sei.
Você não sabe nada anda a inventar ...
ResponderEliminarCá estaremos nós para tratar das injustiças do Ministério!
ResponderEliminarAndo a inventar, ando.
ResponderEliminarMais uns dias e vai enfiar a viola no saco.
Depois me dirá se ando a inventar!!!
Portanto, na Douta opinião do Ex. colega, a maioria dos Oficiais de Justiça merece Grau 2....
ResponderEliminarCurioso, para saber a opinião do Ex. colega quanto ao fato dos Oficiais de Registo serem todos Grau 3 e as especificidades do seu trabalho não serem, de longe, mais complexas que os Oficiais de Justiça.
Não ficava nada mal, aos doutos colegas, um bocadinho de respeito pela grande maioria dos Oficiais de Justiça que laboram em contextos difíceis, com falta de pessoal, falta de organização dos Tribunais, falta de condições de trabalho, falta de tudo.
É só fazer um esforço e pensarem um bocadinho além do vosso umbigo.
Esta carreira anda por aqui há umas décadas e sobreviveu sem a turminha dos iluminados.
Sangue, suor, lágrimas, muitos sapos engolidos e acima de tudo uma dedicação extrema.
Não fossem os Oficiais de Justiça mais antigos, isto já tinha desabado .
Só um bocadinho de respeito, mais nada, pode ser difícil mas façam de conta que são pessoas com um bocadinho de formação cívica.
Há coisas que não se aprendem nas faculdades.
PS. eu não sou "desses" Oficiais de Justiça antigos, tenho 25 anos de serviço e ainda vou andar por aqui muitos anos, com os novos e o menos novos.
Respeitem-se.
FF
Penso que os advogados são como nós, hoje, no período da manhã, no tribunal onde trabalho os advogados de escala estavam presentes.
ResponderEliminar
ResponderEliminarMais uma classe a fazer greve a actos.
Só no nosso caso é que foi pedido parecer. Estranho... ou não!
Medrosos!
Desculpem mas, medrosos ou merdosos?!!!
ResponderEliminarConcordo com o segundo termo... Adequado... Eu acrescentaria biltres, pois não querem saber de Nós... São tão bons como a classe dominante dos Tribunais, só que estes ainda são frustrados... A maioria...
ResponderEliminarTratar como?!
ResponderEliminarCom Benuron?
Com paracetamol?
Ou com a bomba atómica?
A mãe de todas as bombas ...
ResponderEliminarMedrosos os nossos sindicatos!
O que quis foi em relação aos nossos sindicatos, foram leves que tiveram medo, fazendo uma grande C@g@d@ quando desmobilizaram!
ResponderEliminarJá os oficiais de justiça com o nono ano não são nada frustrados…
ResponderEliminarComentário 16:31
ResponderEliminar???!!!!
Não percebi, faça um desenho, pf!
o individuo ao referir 9º ano, quis dizer que é licenciado e tem
ResponderEliminaro grau 9
Soube que circula num grupo do WhatsApp a nova tabela de vencimentos. Alguém poderia disponibilizá-la aqui?
ResponderEliminarO "FF" não sabe da complexidade e da importância e valor documental das funções dos Registos. Inteire-se e verá que são de maior responsabilidade do que as nossas. Não pense que eles tiram certidões de sentenças com nota de trânsito. ENfim...
ResponderEliminarE o Sr. Almeida, também não tem de dizer alguma coisa?
ResponderEliminarhttps://cdn.cmjornal.pt/files/2019-05/2019-05-31_02_10_44_Juizes.pdf
ResponderEliminarO que é que importa a tabela dos juízes???
ResponderEliminarExiste oficiais de justiça a ganhar mais que juízes.
Sr. Almeida não. Respeitinho por favor.
ResponderEliminarDr. Carlos !!!
King, agora estás anónimo??
ResponderEliminarNão disfarças o mau português
Isso não é verdade, eles em termos de complexidade com a nossa função, nem se comparam Colega. Enxergue-se... Só um exemplo "falências", eles não são nada comparativamente connosco e eu sei o que digo... Fala de cor... O Cível, é abrangente e diversificado, dá pano para mangas...
ResponderEliminarAtenção não estou a retirar valor aos registos..., mas por favor, comparar o
incomparável é absurdo...
Colega F, você tem algum problema com os Colegas que entraram com 9º ano?
ResponderEliminarFoi humilhado por algum...
Parece que tem trauma... Não seja mesquinho... E asno...
No comércio? O que faz um oficial de justiça que seja muito complexo? No cível, tirando os famigerados inventários, diga lá o que sobra para o OJ? Tudo passa por um despacho do juiz. Espera-se é que no futuro tenhamos competências próprias e as assumamos para aí, sim, possamos arrogar complexidade própria. Para isso, temos de mudar a mentalidade.
ResponderEliminarOnde é que um OJ ganha mais do que um Juiz? Só se for nas berlengas
ResponderEliminarColega você não percebe nada de nada... Confunde a obra prima do mestre com a prima do mestre de obras... Lidei com Colegas dos registos todos os dias e sabe o que eu penso? "... Está alguém em casa?...." Muito pouco sabedores... E se lhe trocarmos uma vírgula... Ficam todos baralhados... Não estou a dizer que são limitados, mas têm muitas limitações quando lidam com o Comércio.
ResponderEliminarJá lhe disse, não falo de cor e limite-se a fazer afirmações fidedignas e não baseadas "no diz que disse..."
Está quase.
ResponderEliminarAmanhã já haverá novidades.
Se não for amanhã e depois, ou no dia a seguir, quando muito , na semana seguinte, ou em outubro, o mais tardar princípios de novembro
ResponderEliminarEsse que diz que notariado é mais complexo que a maioria nos tribunais, deve estar bem instalado à custa dos colegas do lado ou está numa comissaozinha de serviço, só pode.
ResponderEliminarE desengane-se se pensa que lhe vão atribuir competências de magistrado. Nos tribunais oj vai estar sempre subjugado ao entendimento e ordem do magistrado. Convencam-se disso de uma ve, por todas.
Não ofenda os asnos, vá lá
ResponderEliminarClaro que parte do conteúdo funcional dos OJs é compatível com grau 3, em termos de complexidade e autonomia técnica, mas isso limita se a 10 ou 15 % de todo o trabalho realizado.
ResponderEliminarO resto é cumprir ordens e clicar no botão.
Daí a impossibilidade de ser atribuído grau 3 a todos.
Agora a sério, está mesmo quase e amanhã teremos novidades.
ResponderEliminarRepete-se o padrão/cartilha.
ResponderEliminarWin-Win.
O que sucedeu com a “Rita” foi tirado a papel químico do que sucedeu com a Bastonária aquando da desistência da greve aos atos contabilísticos relativos as Def Of
Faz-se a festa, atiram-se os foguetes e ainda se apanham as canas…