A greve de ontem no Porto
Não, comprovadamente, a alegada pacificação social não foi alcançada para todos os Oficiais de Justiça, nem sequer para os supostos 87% que o Ministério da Justiça dizia que o sindicato do acordo, o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), representava.
Ontem, no Porto, apesar da presença de Carlos Almeida e de outros elementos do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), estavam também associados e representantes locais do SFJ.
É claro que os representados pelo SFJ não se mostram nada satisfeitos com a dita pacificação, e se alguns se manifestam contra, outros, por sua vez, mantêm a habitual paciência alimentada com uma esperança incutida pelas muitas repetições ao longo de tantos anos.
Por isso assistimos a presenças alinhadas no espírito comum das manifestações dos Oficiais de Justiça, marcando presença, sem que ninguém se incomode com a filiação sindical de cada um, porque, no terreno, pisando a realidade, os Oficiais de Justiça de carne e osso estão juntos e animados de um mesmo espírito comum. Já no mundo dos sinais elétricos comunicacionais, a imagem que é dada é a de que estão todos em guerra interna, uns contra os outros, mordendo-se enraivecidos como cães.
Essa falsidade divisionista é uma poluição da carreira que acaba por contagiar o mundo da realidade dos humanos, criando até um número considerável de vítimas.
É uma verdadeira pena que tantas forças sejam desperdiçadas em lutas internas, em vez de toda essa energia ser canalizada num único sentido, para fora da carreira, para aqueles que causam real prejuízo comum aos Oficiais de Justiça.
Ontem, no Porto, mais uma vez, houve uma excelente manifestação de união dos Oficiais de Justiça, e essa união viu-se refletida em toda a comunicação social.
Esta ação é a segunda que ocorre no mesmo processo e no curto prazo, de uma semana para a outra.
“Os oficiais de justiça continuam em greve e sem pacificação, quase cinco meses depois do acordo assinado entre o Governo e o SFJ, lamentou esta sexta-feira o presidente do SOJ.
«Continuamos a reivindicar, desde o início, que a ministra da Justiça se sente à mesa e nos possa apresentar uma tabela salarial justa. O acordo não serve os interesses da carreira dos Oficiais de Justiça, tal como está bem expresso nesta contestação. Não houve pacificação absolutamente nenhuma. A carreira continua sem atratividade, apesar de o Governo ter uma narrativa que vai seduzindo algumas pessoas.», disse Carlos Almeida.
O presidente do SOJ falava aos jornalistas em frente ao edifício que acolhe, entre outros, o Juízo de Instrução Criminal do Porto (JIC), onde algumas dezenas de Oficiais de Justiça se manifestaram e voltaram a fazer greve, adiando pela segunda semana seguida o início da fase de instrução da “Operação Pretoriano”,
«Esse processo permite-nos dar alguma visibilidade [às reivindicações], mas há milhares deles que têm sido adiados ao longo dos últimos meses, devido à intransigência da ministra em negociar com seriedade com os Oficiais de Justiça”, vincou Carlos Almeida.
O SOJ espera abrir um novo processo negocial com o Ministério tutelado por Rita Alarcão Júdice, que, em junho, chegou a acordo com o SFJ, principal sindicato do setor, sobre a melhoria das remunerações dos funcionários judiciais, aumentando o suplemento de recuperação processual.
«Neste momento, não estão fixados serviços mínimos, porque esta também não é uma greve que ocorre sempre durante 24 horas. Agora, gera imenso desgaste na vida das pessoas e nos seus orçamentos familiares. Os oficiais de Justiça não estão nestas greves por agrado, mas porque são empurrados pela ministra para esta situação», apontou Carlos Almeida.”
E depois deste extrato da notícia difundida pela Lusa – que já correu todos os meios de comunicação nacional –, seguem-se algumas fotografias da manhã de ontem no Porto e ainda um vídeo extraído da notícia da RTP3, no qual se assiste a um bom tempo de antena concedido ao Carlos Almeida.





Fontes: “Observador” e “Público”.
Espero que o SOJ nunca acabe com esta greve.
ResponderEliminarNunca existirá pacificação entre os oficiais de justiça enquanto houver diferenças de tratamento entre carreiras similares.
Esta greve será sempre um trunfo que teremos nas mãos.
29 oficiais de justiça não pacificados...
ResponderEliminarSão muitos mais por todo o país. Só quem não anda nos tribunais não sabe.
ResponderEliminarNão há ninguém contente. Ninguém.
Prontos aqui está uma manifestação eficaz com visibilidade e comunicação social gratuita.
ResponderEliminarSerá que só agora descobriram a pólvora? Ou já se sabia disto e ninguém ousava a desafiar o sistema, sob o falso pretexto que temos uma responsabilidade social?
Contudo os meus parabéns a todos.
Como será que os escravos que permitem o processo BES andar de vento em poupa se sentem ao ver isto?
Basta isto para as coisas começarem a ir ao lugar.se em todos os processos mediáticos fosse assim muito já estaria mudado..
ResponderEliminarSentem-se da família...
ResponderEliminarNunca é demais recordar Zeca Afonso
ResponderEliminarA gente ajuda
Havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo
O que eu levantei
A bucha é dura
Mais dura é a razão
Que a sustém
???? Muita gente não está aí mas se reve nas revindicações se assim não fosse não estariam a ser libertados detidos um pouco por todo o lado..
ResponderEliminarSem dúvida.
ResponderEliminarE a sonhar que no verão vão passar férias para a Comporta com o tio Ricardo!😅
Não me interessa se é A ou é B a falar da carreira à comunicação social.
ResponderEliminarO que interessa é falar, expor amplamente a situação nos Tribunais, o descontentamento dos O.J. e, naturalmente, aproveitar da melhor maneira esse tempo de antena.
Isto para dizer que gostei de ouvir o que disse o presidente do SOJ (não estou sindicalizado nesse Sindicato, devo frisar!), mas ele esteve presente, falou aos jornalistas, a peça saiu num canal noticioso e tocou em pontos essenciais nos cerca de 4 minutos que lhe foram dados com um microfone à frente e as câmaras apontadas.
ResponderEliminarPois... mas é preciso tomates...
Caso BES? Não há tomates! Ficam à espera do que o JIC do Porto e outros conseguirem...
PARASITAS!!!
Fazer julgamentos mediáticos insufla-lhes o ego...
ResponderEliminarE que tal os OJ organizarem -se, sei que OJ e organização numa mesma frase é complicado, e antecipadamente recolher informações sobre onde vão ocorrer audiências/diligências cujo adiantamento por greve possa ser noticia e causar impacto?
ResponderEliminarIsso só depende de interesse, principalmente daqueles que estão envolvidos nessas audiências/diligências.
Em pouco tempo isto começaria a tremer tudo.
Só quem não anda pelos tribunais acha que são 29 os "não pacificados". Seguramente mais de 80% não está satisfeito com o acordo e em breve o SFJ vai ter de mudar mais uma vez o discurso.
ResponderEliminarSim tudo a espera do porto não tá certo..mas Tb não é menos vdd que tem existido arguidos libertados em outros locais e não tem esse impacto pork não são casos mediáticos...por exemplo ainda a pouco tempo na madeira ... só se falou nos jornais locais.
ResponderEliminarQuem está aqui em falha é Lisboa sem dúvida com tanto caso mediático e nada..
Também não esqueça a posição do SFJ..
ResponderEliminarBoas.
ResponderEliminarHá aí qualquer coisa que não me cheira...
Não nos estaremos a esquecer de que os magistrados conhecem os pré-avisos todos?
O que aconteceu no JIC do Porto só foi possível porque quem marcou a diligência não o quis fazer para uma segunda, terça ou quinta-feira de manhã.
Ainda agora a tutela aprovou a lei que agressão a polícia advogados professores, médicos etc aumenta para uma pena até 8 anos e os oficiais de justiça?
ResponderEliminarAs agressões aos "presos" sempre foram relativisadas, e nós, que nos consideramos "presos", amarrados a esta carreira de m...a, sentimo-nos cada vez mais enclausurados e como todos sabem ninguém quer saber do que se passa ente reclusos, dos "afetos" trocados e das agressões recebidas.
ResponderEliminarO mote é: "que se f...m!
No meu tribuneco são só cerca de 25 a 30% a aderir com frequência.
ResponderEliminarDe quatro unidades orgânicas só uma costuma encerrar portas de quando em vez.
Se for efetivamente como refere, tive azar na palhota.
Por outro lado, espero que tenham compreendido mais uma vez a importância dos líderes sindicais, goste-se muito ou pouco deles.
Fazem toda a diferença no que tange a concitar a opinião pública, nomeadamente por intermédio da comunicação social.
Sendo esses 80% referidos a realidade, falta o Marçal voltar a aparecer na rua - já devia ter percebido que anda a ser comido de cebolada cozinhado em lume brando -, ou delegar em quem se tem falado ultimamente.
Boa tarde,
ResponderEliminarE sempre há greve dia 4 de novembro?
Obrigada.
Terão eles próprios que recorrer a alguns truques para reduzir o risco, designadamente no serviço externo, por exemplo quanto à afixação de editais...
ResponderEliminaros oficiais de justiça podem ser gratuitamente....
ResponderEliminarA carreira vai pacificar com os senhores doutores que vão entrar neste concurso dos 570.
ResponderEliminarAtraídos pelos chorudos 915 euros ...
Esse ódio pelos licenciados, não só é sem sentido como revela ignorância.
ResponderEliminarÉ mau para todos.
Como assim?!
ResponderEliminarSim, está marcada. Na próxima semana vamos divulgar essa greve com artigo próprio.
ResponderEliminarUi, risco a afixar editais!😁
ResponderEliminarOnde, na Cova da Moura?
Então bloguinho não está na altura de abordar como tema a questão do aumento de pena para agressões a polícia professores etc e os oficiais de justiça ficarem de fora?
ResponderEliminarO ódio é bom faz bem á classe ,disseram me para ser contra os licenciados e quando vejo um quase que lhe dou na cara...fico maluco
ResponderEliminarEste vive o tempo todo a tentar diminuir o blogue e a tentar criar cortinas de fumaça. Come lá os papos secos e continua a arrotar caviar...
ResponderEliminarMas quando é que é conhecida a convocatória para as eleições dos órgãos sociais do SFJ?!...
ResponderEliminarJá decorreram 4 anos do início do mandato destes órgãos sociais.
Vão mais uma vez adiar o processo eleitoral?!...
Continuo à espera das pessoas capazes do SFJ que não se reveem na posição de A. Marçal!....
ResponderEliminarOnde estão?!!
Porque não dizem nada?
Medo, covardia, ou o quê?!!
Os órgãos sociais do SFJ tomaram posse nos dias 8 e 9 de outubro de 2020.
ResponderEliminarDe acordo com o estatutos do SFJ os mandatos dos órgãos sociais são de 4 anos.
Esgotado que se encontra o mandato dos órgãos sociais do SFJ, que legitimidade têm estes Senhores para representar os Oficiais de Justiça no processo negocial em curso?!...
Pois, compreendo, é atitude típica de não licenciado fazer tudo o que lhe pedem sem qualquer sentido crítico.
ResponderEliminarNão me obriguem a ir para a rua lutar, tiroruriri, tiroruriri.....
ResponderEliminarEu cá estava à espera que o colega José Carlos tivesse a oportunidade de manter o bom protagonismo demonstrado anteriormente. Mas foi relegado para segundo plano. Os presidentes não brincam quando percebem que um rosto diferente possa perigar a sua liderança. Vem nos livros e os putins existem por todo o lado. O que muda é a dimensão do rebanho.
ResponderEliminarTudo serve para tentar alimentar divisões, pois nunca haverá limites para a estupidez.
ResponderEliminarNo caso é mais alimentar novas visões e concordo que nunca haverá limites para a estupidez por via também de uma limitação cognitiva e avessa à leitura de estratégias de liderança. Que o José Carlos não desista!
ResponderEliminarAfixação de editais é o menor dos problemas..que tal as penhoras com remoção?
ResponderEliminarIronia boa!!
ResponderEliminarComentário das 18:34
ResponderEliminarPensei exactamente o mesmo!!
Sete mil e poucos e nunca se viu tanta desunião... Não existe outra profissão com tantas redes sociais, tanta gente a saber de tudo, tanto comentador de sofá...
ResponderEliminarPor acaso, sim.
ResponderEliminarQuando comecei a trabalhar em Lisboa, a Amadora fazia parte da Comarca, não tinha tribunal criminal.
Não sei se agora as casas já têm todas número de polícia, mas naquele tempo existiam inúmeros anexos e muitos deles não ficavam situados no piso térreo, era preciso falar com os residentes para tentar perceber onde estavam esses números nas habitações.
Ainda na Amadora, por vezes era necessário atravessar alguns baldios à procura dos locais onde se situavam as áreas de residência dos arguidos.
Certo dia um outro colega andava por lá, numa dessas vielas em terra batida, e quando nos cruzámos contou-me que tinha acabado de apanhar um susto de morte pois quando ia a passar ouviu atrás dele umas vozes pronunciar o seu nome. Eram alguns intervenientes num julgamento em que tinha estado a trabalhar dias antes, que o reconheceram e o queriam cumprimentar.
Eu uma vez tive que entrar num bar no Intendente cheio de toxicodependentes para ir perguntar a alguém informações sobre uma pensão que não estava a conseguir encontrar. Por acaso o indivíduo que escolhi era um psp da investigação criminal à paisana que me avisou de que podia correr perigo naquela situação.
Tive uma outra situação, na zona J de Chelas, num 13.º andar, em que foi preciso fugir dum residente com uma faca e o elevador era daqueles que gostam de avariar quando lá apanham dentro oficiais de justiça.
Sim. Para fazer o trabalho de afixação de editais em condições podem-se por vezes correr riscos.
PS - Não falei nas penhoras porque, sabendo bem que envolvem riscos, não conheço truques para as contornar...
É como o Netanyahu, havendo uma guerra em curso não podem haver eleições.
ResponderEliminarNa última manifestação no Terreiro do Paço, o Carlos Almeida marcou presença.
ResponderEliminarAntes de me pronunciar sobre esse pensamento que, confesso, quando vi as imagens no primeiro relance, também me assaltou muito fugazmente, gostaria de saber se foi o José Carlos que o convidou ou se foi ele, o presidente do SOJ, que decidiu ir ao Porto em busca de protagonismo e até mesmo se o terá feito contra a vontade dos seus associados, mormente do sócio em questão.
Neste momento não tenho a perceção de que no dito sindicato as coisas andem nesse ponto, isto é, não me parece de todo que o SOJ viva algum momento de convulsão interna.
Por isso, na minha qualidade de aprendiz de cartilheiro, apenas me apraz apelar a que não projetem no SOJ.
Um sindicato é um sindicato e outro sindicato é outro sindicato...
Não tenho sorte nenhuma.
ResponderEliminarLogo fui meter o meu primeiro 59 do ano para esse dia...[:<]
Só espero que não se lembrem de colocar serviços mínimos...
ResponderEliminarAcabou de os lembrar! Irra que está malta não aprende a estar calada...
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