Desconvocar, suspender ou apelar à adesão e incremento das greves?
Não foi ainda ontem divulgada a comunicação conjunta dos sindicatos na qual constariam mais pormenores da reunião, tal como o presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) anunciou à saída da reunião com o Governo na quinta-feira.
«Amanhã, juntamente com o outro sindicato, iremos prestar uma informação mais exaustiva sobre o ponto da situação [negociação…].», disse Marçal.
Mas, entretanto, enquanto aguardamos por essa “informação mais exaustiva”, podemos adiantar e analisar alguns aspetos cruciais que se extraem da reunião.
Desde logo, o facto do Governo não se ter pronunciado em relação à contraproposta conjunta apresentada pelos dois sindicatos, o que se pode compreender, uma vez que a apresentação ocorreu praticamente na véspera, mas o que mais surpreendente é a parva teimosia governamental de exigir a pacificação do setor, precisamente a mesma pacificação que desde junho a ministra da Justiça alardeava ter conseguido.
O Governo exige dos sindicatos – e em especial do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) – que as greves que ainda continuam em vigor sejam anuladas, alegando que não conseguem negociar debaixo desta pressão, como se os Oficiais de Justiça fossem bombeiros sapadores nas ruas aos gritos e com tochas a fumegar.
Há três greves ativas, todas elas antigas e duas delas já vêm do anterior Governo. Nenhuma tem serviços mínimos.
.1- Desde 10-01-2023 a greve de todas as tardes, decretada pelo SOJ (já fez 2 anos).
.2- Desde 08-01-2024 a greve da hora do almoço e depois das 17H00, decretada pelo SFJ (já fez 1 ano).
.3- Desde 28-06-2024 a greve das manhãs das quartas e das sextas-feiras, decretada pelo SOJ (já fez 6 meses).
Evidentemente que a as greves que causam mais incómodo e pressão ao Governo são as duas do SOJ: a das tardes e a das duas manhãs e, quanto a estas, designadamente quanto à possibilidade de as anular ou suspender, o presidente do SOJ já se pronunciou, mais do que uma vez e ainda agora mesmo no final da reunião de quinta-feira.
Para Carlos Almeida a possibilidade de desconvocar as greves está arredada das suas intenções, embora admita a possibilidade de suspensão da greve das duas manhãs e apenas essa, porquanto foi decretada já com o atual Governo, mantendo, portanto, inalterada a greve de todas as tardes.
Note-se bem que o presidente do SOJ admite uma suspensão, isto é, não pretende desconvocar a greve, apenas admite a possibilidade de poder vir a suspender, temporariamente, essa greve em concreto.
A posição do SOJ é sensata, desde que seja efetivamente, e tão-só, uma suspensão temporária. Por exemplo: imaginemos que o SOJ decide suspender essa greve até ao dia da próxima reunião, no presente caso, seria até ao dia 05FEV, decidindo nesse dia, de acordo com o que resultar da reunião se decreta a prorrogação da suspensão ou a derroga. Num circunstancialismo temporário assim definido e condicionado, parece perfeitamente possível demonstrar ao Governo que tem de ir arranjar outra desculpa para o não querer negociar nada.
É certo que os Oficiais de Justiça, que continuam indignados, ou ainda mais indignados, espontaneamente já começaram a organizar-se para uma greve de dia inteiro para esse preciso dia 05FEV, dia da reunião, por ser uma quarta-feira e, portanto, poderem aderir à greve das manhãs e das tardes do SOJ.
Sendo essa uma iniciativa perfeitamente legítima e que vai ao encontro da vontade e da necessidade que os Oficiais de Justiça têm de exprimir o seu tumultuoso estado de espírito, não é menos legítima a hipótese de ponderar os eventuais ganhos, desde logo mediáticos, com o anúncio de uma suspensão daquela greve em sinal de boa-fé, da mesma boa-fé que se passa a impor como reivindicação recíproca, perfeitamente legítima e óbvia para todos.
A suspensão temporária – especificadamente balizada no tempo e nas condições – pode resultar num trunfo de relevo na continuidade da luta dos Oficiais de Justiça. Há, no entanto, que refletir muito bem e desprendidamente sobre os prós e os contras de tal postura que seria nova, isto é, uma perfeita novidade, na estratégia da velha luta dos Oficiais de Justiça.

À saída da reunião, em declarações à RTP, o presidente do SOJ disse o seguinte:
«Nós não chegamos a conhecer sequer se o Governo apreciou ou não a contraproposta que apresentamos. O Governo iniciou a reunião dizendo que era imperativo que houvesse pacificação e que os sindicatos levantassem os avisos prévios de greve.
Nós admitimos suspender um dos avisos prévios de greve, aquele aviso prévio que foi apresentado com este Governo. O aviso prévio anterior, que é o aviso prévio para as greves da parte da tarde; todos os dias da parte da tarde, esse aviso só o admitimos, até porque já o havíamos tornado público, só o admitimos levantar ou suspender quando de facto fossem alcançados resultados.»


Por sua vez, o presidente do SFJ, que lá acabou por conseguir entregar o quadro à ministra da Justiça, depois da entrega frustrada aquando da astuta saída que a mesma encetou no final da sessão solene no Supremo, não saindo pela porta principal onde todos a esperavam, também acabou comentando o pedido da anulação das greves em vigor, assunto que bem conhece, porquanto em junho passado anulou as greves que cobriam todas as manhãs de toda a semana.

À saída da reunião, António Marçal comentou assim:
«Para que haja esse levantamento das greves tem de haver propostas concretas que respondam ao teor dos avisos prévios.
Mais uma vez os sindicatos, quer o Sindicato dos Funcionários Judiciais, quer o Sindicato dos Oficiais de Justiça, demonstraram toda a sua boa-vontade para um processo negocial que seja célere e que resolva os problemas dos trabalhadores.»
Sem dúvida que os Oficiais de Justiça e os seus sindicatos estão dispostos a acabar com as greves que se arrastam há anos, mas, obviamente, para que tal suceda, tem de haver propostas concretas, isto é, palpáveis, perfeitamente claras e incontornáveis, até lá, o máximo que seria possível atingir, como se disse, seria uma suspensão provisória, delimitada no tempo e sob determinadas condições. Mais boa-fé ou mais boa-vontade do que isto seria de uma enorme irresponsabilidade e poderia comprometer irremediavelmente o futuro dos Oficiais de Justiça.

No vídeo que segue pode assistir à notícia da RTP3 que aqui transcrevemos.
Pode também ouvir as declarações dos dois presidentes à rádio Antena 1, acendendo diretamente pela seguinte hiperligação: “Declarações à Antena 1”.
Desconvocar? Suspender? Só se os sindicatos quiserem continuar a ser os bobos da côrte!!!
ResponderEliminarBoa fé? Quem tem que mostrar boa fé, atitude que não se vê por parte da administração e dos sucessivos governos, desde 2005 a esta parte, é o poder político. Os funcionários judiciais já deram inúmeras vezes provas de boa fé. Chega de acreditar nessa treta! Pressão??? Coitadinhos dos governantes! Não podemos esquecer que ainda não passou um ano deste governo e já fomos enganados pelo atual ministro das finanças e pela atual ministra da justiça. Deixem -se de tretas e endureçam as lutas.
Boa fé era esta senhora, uma inexistência política, assumir compromissos concretos, capazes de dar resposta aos nossos problemas e interesses em vez de exigir a nossa capitulação ainda antes das negociações começarem.
Deixo aqui uma sugestão aos responsáveis por este blod. Disponibilizem uma sondagem sobre este assunto (desconvocacao, suspensão, endurecimento?), e apurado o resultado informe-se os sindicatos. Pode ser que ajude a perceber o que queremos e que possa servir de apoio aos sindicatos. "Só é vencido quem desiste de lutar". E nós? Vamos desistir de lutar ainda antes do desafio começar!?!?!?!
Já chega de suspensões e ceder a chantagens está na hora de endurecer a luta.
ResponderEliminarJá chega disto da boa fé.. não pode existir boa fé com alguém que nos anda a enganar.
ResponderEliminarParece que andam a pedir esmola com a história da Boa fé.. é demais.
Parecem ser uns maricas..a implorar por Boa fé, boa fé...
Se querem boa fé então que vão para a igreja. .
Boa ideia ....uma sondagem ... então já esperamos 7 anos agora estamos na reta final, com o apoio do presidente da república , estamos com visibilidade, as outras carreiras foram aumentadas...
ResponderEliminarO próprio ministro das finanças disse k aumentava .
Estivemos quase a perder a oportunidade com o acordo dos papo secos..e vocês vêm novamente com isto de boa fé e suspensão de greves...
Está na hora de agravar a luta e não suspender nada..
Vejam os sapadores e etc..
A retórica da ministra não caiu bem....de que não pode distribuir dinheiro público...
Ela não nos está a dar nada para falar assim, para além do mais quer desqualificar os funcionários...
ResponderEliminarInfelizmente, judas existem...
Lá vem a história e a treta da boa fé outra vez. Bluff e chantagem dos governantes. Esses nunca tem boa fé e só conhecem a lei da força. Se a outra parte mostra fraqueza ou hesitação está feita a derrota.
ResponderEliminarAté quero ver agora se algum dos sindicatos vai ceder à chantagem da boa fé. Esta ministra ja mostrou que é mestre na arte de manipular e fazer a outra parte ficar com sentimento de culpa.
Lamento Sra ministra mas ACABOU o benefício da duvida, conseguiu criar uma revolta tão grande que as suas artimanhas negociais ja não resultam.
Srs sindicatos, esta é a hora de manter pulso firme, não ceder a mais cantos de sereia.
Sr. Articulista:
ResponderEliminarÉ para riscar "in extremis" todo o dia 29 e a tarde de dia 30 e remarcar para a tarde de dia 4 de fevereiro e todo o dia 5?
Já seria um ato de muita boa-fé.
Em tempo:
ResponderEliminarPara mim. demonstração quanto baste de boa-fé já será suspender as novas velhas formas de luta que todos desejamos retomar, principalmente a greve às diligências, até ao próximo dia 5, prazo mais do que suficiente para o governo ponderar a contraproposta conjunta apresentada.
E nada mais do que isso, pois conforme venho alertando, tem rasteira o pedido a roçar a exigência de suspensão das greves em vigor.
Endurecer.
ResponderEliminarEscalar.
Aumentar a pressão.
Na minha opinião era anunciar já outra greve.
E na próxima reunião com a ministra avisar que já se estava a preparar outra greve.
É assim que se negoceia.
FF
Fora com a boa-fé!
ResponderEliminarNada de SIADAP! Uma carreira de nível 3 tem grelha própria! Olhem para as outras carreiras. A nossa tem de ser apurada, melhorada, segundo os nossos interesses!
Aumentos salariais significativos, como nas outras carreiras e não ceder nesse aspeto!
Exigir licenciatura para entrada na carreira, sem exceções!
Tem de ser AGORA!
Olha a boa fé....
ResponderEliminarQue tal irem todos rezar o terço.
Irem a Fátima a pé.
Irem á missa ..
Assim será que melhoram a boa fé?
Manter as greves activas. Não arredar pé, andamos nisto há anos, e a Sra. Ministra ainda vai para a comunicação social ironizar a nossa manifestação do passado dia 13 de janeiro, como se não tivéssemos motivos para o fazer! Estamos cansados de trabalhar por 2/3/4 oficiais de justiça em falta nos tribunais, cansados de trabalhar além do nosso horário de trabalho, sem qualquer compensação, cansados de esperar por uma mão cheia de nada! Enquanto os sucessivos governos não se decidem, andamos nós oficiais de justiça a carregar o fardo, sem qualquer compensação! Acho que já chega de cedências dos sindicatos! Manter as greves, convocar mais greves, chega de boa fé! Dia 5 de fevereiro, greve geral!
ResponderEliminarCertissimo
ResponderEliminarContinuai a acreditar na boa fé de há 30 anos.
ResponderEliminarQuando entrei já andavam a negociar a integração dos 10%.
Nem isso foi conseguido há 25 anos. Sempre boa fé.
Acordai todos! Ou sois masoquistas??
Horas extraordinárias pagas! Não ceder!
ResponderEliminarUm erro enorme se suspendem ou retiram as greves que estão em curso.
ResponderEliminarConcordo com a opinião da maioria, agora era marcar já nova greve e acenar com a GREVE AOS ATOS.
Aquela gente só vai lá com muita pressão e danos nos serviços.
Se a menina se sentem pressionada com uma greve em partes do dia, como é que irá ficar com uma greve de uma semana ou mais.
Carga neles que já nos rasteiram muitas vezes.
ResponderEliminarComo é que se explica que em tantas outras carreiras se avancem com propostas (do próprio Governo!!) que tocam quase nos 380€ de aumento - como o caso mais recente dos bombeiros - e a contraproposta de ambos os sindicatos, que em termos de números não difere por aí além, nem sequer é considerada?
Falta de tempo útil para o efeito, má vontade, desejo de prolongar a agonia na carreira...ódio inexplicável para com estes profissionais??
E qual a razão para reuniões tão espaçadas no tempo? Inclusivamente esta próxima foi atirada para adiante face ao que estava fixado anteriormente.
Isto, será fácil de perceber, terá o propósito governativo de retirar ímpeto negocial, retalhar vontades e colocar o pessoal em estado de desmoralização.
Venho apelar a todos para enviarem email ou mensagens ao SOJ para não suspender nada...para endurecer a luta.
ResponderEliminarEu já enviei a minha e vocês?
Oficiais de justiça apertem com estes trambolhos dos sindicatos.
ResponderEliminarSe não eles vão suspender a greve...
Chato do ....!!!!
ResponderEliminarAquando da compra da caneta nova o SFJ suspendeu.
ResponderEliminarOlhem o resultado!
.
Vamos lá todos ter um raciocínio lógico.
ResponderEliminarA ministra após conseguir o acordo dos papo secos vangloriou-se como se estivesse tudo pacífico..
Tentou enganar a comunicação social.
O concurso dos o.j foi a vergonha que foi com exames em casa e acesso ao PPL do IEFP.
Agora a mesma está incomodada, com a situação, e vem armada em ditadora...
Nesta altura quem tem que dar sinais de boa fé é a ministra e não nós..
Está na hora de sermos espertos e manter mo nos firmes.
Quem já levou um desfalque de 7 anos não será mais uns meses k fará diferença.
Tudo treta.
ResponderEliminarO Soj tem que ganhar coragem e enveredar por outro tipo de greves ou pelo menos apoiar as que o SFJ se prepara para decretar.
Ordeno todas as minhas tropas para não desarmar , vamos para a Guerra.
ResponderEliminarPor falar em concurso, segunda feira já vamos ter uns quantos colegas de toga nos corredores dos tribunais.😁
ResponderEliminarVamos para a guerra sem medos..
ResponderEliminarSe a ministra tivesse uma boa proposta negociava...ela quer mostrar uma posição de força para impor o k ker...
Mas o problema é que está a criar o efeito contrário.
ResponderEliminarJá estamos fartos de esperar mas também habituados.
Revoltados e raivosos..
O Soj tem sido a nossa salvação como você diz uma barbaridade dessas?
ResponderEliminarSim falta o SFJ endurecer e obvio k o Soj irá atrás,.
Dizer à ministra: exames em casa? Não autorizamos mais isso! Queremos aumentos salariais na mesma ordem que as outras carreiras! Grau três para todos!
ResponderEliminarNão desistir!
Isto está a ficar cada vez mais escandaloso.
ResponderEliminarO governo concorda e oferece quase 400 euros de aumento para os bombeiros e imaginem que a resposta dos sindicatos deles é que vão pensar e analizar.
No nosso caso a ministra continua no gozo e desprezo pelos oficiais de justiça.
Isto vai acabar mal para a justiça e vai sobrar para as outras classes se a ministra não tiver a visão que a corda não dá para esticar mais.
Pois, só que basta ao MJ abrir mais um concurso para 500 OJs e fica com 1000 e muitos, minimamente satisfeitos com a vida que têm, sem qualquer motivação para aderir a greves, quanto mais não seja porque estão de passagem para outras carreiras.
ResponderEliminarSão eles que asseguram as diligências e a MJ sabe disso.
Por isso o SFJ tem mesmo que avançar com a greve a atos, direcionada para a receita do IGFEJ.
As atuais grevezinhas das tardes deixarão de ter qualquer impacto com a chegada dos novos colegas.
Mas k raio mas tou farto desta gente que pensa k mudar de carreira é como mudar de cuecas...olhe que não é fácil..existe vários fatores a ponderar, o local do trabalho, concorrer com outros etc...
ResponderEliminarTenha noção do k diz.
Os desgraçados k vão entrar estarão reféns do período provisório o k poderiam fazer?
As grevezinhas estão a ter impacto senão ninguém falava delas...
ResponderEliminarNem a ministra pedia para acabar com elas.
A ministra não pede, exige!
ResponderEliminarOs 2 sindicatos juntos não fazem 1, precisamos de um sindicato a sério que pare a máquina de vez.
ResponderEliminarSão muito fracos.
Era altura de greve aos atos.
Houvesse coragem, o governo só está a ganhar tempo nada mais .
A proposta que fez é tão má mas tão má que é demonstrativo da má fé.
💪💪💪
ResponderEliminarENDURECER A LUTA COM UMA GREVE AOS ATOS IMEDIATA!
ResponderEliminarO comunicado conjunto dos Sindicatos já é possível (finalmente) ser lido...
ResponderEliminarConfesso que esperava que fosse adiantada alguma coisa, mas pronto...a parte que refere " deixa antever que esta negociação só arrancada a ferros. 😔
Grande comunicação da porcaria..
ResponderEliminarRelatar o que aconteceu na reunião.,..
Estamos á espera de medidas de luta...
Este governo só vai lá assim..
Então a proposta do governo de 28 euros já foi proposta...afinal estão á espera do k??
Hehehe
ResponderEliminarTão lindos
A desfilarem de toga pelos gabinetes e corredores.
Vai ser lindo mesmo
Aí sim?
ResponderEliminarSalvou nos de quê?
Que ganhos para a carreira resultaram nestes últimos anos com as greves tradicionais?
Este tipo de pressão é feita por alguns Senhores(as) Escrivães de ‘’Direito’’
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