A Ana deixou a carreira, mas encontrou logo outra melhor

      A Oficial de Justiça madeirense a viver nos Açores, Ana Margarida Carvalho, fartou-se da carreira, especialmente depois de um episódio de “burnout”, tendo deixado a carreira após 20 anos.


      A Ana refere que “há muito tempo que já estava insatisfeita com a carreira de Oficial de Justiça”, situação que se agravou após uma mudança de funções para o Ministério Público, onde lidava maioritariamente com casos de violência doméstica.


      A Oficial de Justiça deixou a carreira, desde logo pela mudança que lhe foi imposta, pois, apesar de ter experiência na carreira, não se conseguiu adaptar à nova realidade, com a forçada mudança de funções.


      Considerar que os Oficiais de Justiça servem para fazer tudo, em todo o lado e ao mesmo tempo, ou ora aqui, ou ora ali, ora no judicial, ora no Ministério Público, sabendo tudo e mais alguma coisa, metamorfoseando-se todos em “Técnicos de Justiça” polivalentes, poderá trazer muitos mais casos como os da Ana, cuja situação culminou num pedido de exoneração, entregue a 5 de março deste ano, depois de ter solicitado, e lhe ter sido negada, uma licença sem vencimento.


      A Ana afirma que “não foi uma decisão fácil”, porque ficou “sem ordenado, sem reforma, sem nada”. No entanto, apesar da incerteza financeira do seu futuro, considera que, ainda assim, “tem tudo para correr bem”.


      A Ana Margarida Carvalho encontrou uma ocupação alternativa para a sua saúde: começou a pintar há cerca de cinco anos, depois dos filhos terem saído de casa.


      É nesta fase de mudança que recebeu o convite do presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, para realizar uma exposição das suas obras. Após alguma hesitação, acabou aceitando.


      A exposição intitulada “Mãos que Escutam” foi inaugurada a 3 de abril, no Centro Municipal de Cultura de Ponta Delgada, e reúne 21 aguarelas da sua autoria. As obras, centradas sobretudo em paisagens da ilha de São Miguel, foram criadas após o convite, entre outubro e março.


      Por considerar que “nunca nenhuma aguarela está boa o suficiente para expor, pensei que tinha de fazer outras melhores”, revela, acrescentando que os trabalhos patentes na exposição “são todos sobre a minha forma de observar as paisagens de São Miguel e do meu amor por esta ilha, que nem é a minha”.


      Ao jornal Açoriano Oriental, a Ana conta o seguinte episódio: “Fomos pintar o Forte de São Brás e correu muito mal. Eu queria fazer o desenho, mas não sabia ainda as dimensões, nem calcular o tamanho e só coube a chaminé do Forte”, recorda, entre risos. Mas a persistência levou-a a continuar e “as pinturas do sábado já não chegavam”. Desde então, tem investido em material e aprendido por conta própria.


      Entre os temas recorrentes das suas obras, estão os galos, que diz pintar com frequência. “Faço, pelo menos, um galo por mês e todos os galos que faço, vendo, não sei porquê”, referiu.


      Ana Margarida Carvalho descreve a inspiração como algo que encontra no quotidiano, especialmente na natureza. “Quando abro a janela e o céu é tão inspirador. As nuvens são sempre tão lindas. Tem tantas cores no céu, os tons de azul, mas também os laranjas e outras cores. E a quantidade de verdes que esta ilha tem... Basta-me abrir a janela e fico logo inspirada”, realça.


      Atualmente, as obras da Oficial de Justiça exonerada estão espalhadas por diversos países, como Alemanha, Estados Unidos, Canadá e outros da Europa.


      Sobre o futuro, não traça grandes planos. “A única coisa que quero é poder viver a fazer o que gosto”, disse, referindo que não ambiciona fama nem riqueza, mas sim continuar a pintar.


      Note-se bem a coragem: a Ana, aos 56 anos, e após duas décadas de carreira como Oficial de Justiça, decidiu abandonar o emprego e dedicar-se em exclusivo à pintura, mais concretamente às aguarelas.


      Por fim, note-se que a exposição está patente até 8 de maio, no já referido Centro Municipal de Cultura de Ponta Delgada, e que pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 9h00 às 17h00, e aos sábados entre as 14h00 e as 17h00.


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      Fontes: “Açoriano Oriental”, “Diário dos Açores” e “Vídeo Açores Hoje”.

Comentários

  1. Força, Ana!
    Sucessos.

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  2. Grande coragem.
    Admiro a coragem destes colegas.
    Faria o mesmo no dia de hoje se tivesse uma outra fonte de rendimento que me permitisse garantir o mínimo.


    Também não me vejo a trabalhar até aos 67 ou mais.

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  3. Parabéns. 
    Bem mais feliz concerteza.
    E agradeçam  à  gestão  de recursos humanos da comarca que de gerir pessoas nada sabem.

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  4. Parabéns à Ana pelo talento e sensibilidade. 
    Também pela coragem de dar este passo na sua vida. Ganhou qualidade de vida pois vai viver com menos stress.
    É um exemplo para outros oficiais de justiça, quem tiver algum talento para levar a vida fora dos tribunais, com o minimo de estabilidade financeira força, é hora de decidir

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  5. Bom dia.
    Não tenho jeito para pintar, só a manta, mas relativamente ao assunto que ontem mais foi aflorado neste blogue, também estou dentro e, por mera coincidência, até foi nesta pretérita sexta-feira que enviei uma simbólica missiva àquele que considero o responsável pela promulgação do DL 27/2025, de 20 de março, congratulando-o por ter feito tábua rasa de todo o meu esforço profissional duma vida dedicada à carreira de oficial de justiça retirando-me, agora, categoria, depois doutras situações de inconstitucionalidade de que já havia sido vítima anteriormente por parte do ministério da justiça, mormente gritantes violações certamente que do princípio da igualdade e muito provavelmente também do da proporcionalidade.
    Quando e se forem para a frente com alguma coisa, deem por aqui nota, para já estou na disposição de contribuir com a totalidade do valor que a DGAJ diz que me vai pagar em breve e já me deve há mais de duas décadas mas, claro, deduzidos os valores de IRS que me serão devidos pagar em contribuições para o fisco.

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  6. Parabéns, Ana.


     

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  7. Parabéns e boa sorte  Ana, excelente trabalho.
    Entretanto há outro tipo de "artistas" que conhecemos nos tribunais, que pouco fazem e ultimamente só reclamam, que podiam seguir o exemplo.
    Todos ficavam a ganhar.

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  8. Boa tarde.
    Desejo tudo de bom a esta ex colega.
    É preciso coragem.
    É um assunto interessante este da mudança.
    Tenho ouvido colegas e lido comentários sobre a extinção das diversas categorias e dá carreira do ministério público e do judicial.
    Os que estão (cada vez menos) a favor deste novo estatuto entendem que não há justificação para duas carreiras.
    Entendem que o Oficial de Justiça deve estar preparado para tudo, que com a ajuda das ferramentas informáticas a carreira não precisa de especialização e geralmente dão o exemplo deles, que fazem tudo com uma perna às costas.
    Isto é o que se diz.
    Coisa diferente é a realidade.
    E a realidade que vemos nos tribunais é diferente.
    A realidade que já vamos experimentando é um mau serviço público.
    É a colocação de Colegas sem qualquer experiência de inquéritos a ouvirem vítimas de violência doméstica, é as pessoas estarem ao balcão de uma secretaria do Tribunal, colocarem uma pergunta e invariavelmente serem mal informadas.
    Temos uma nova casta de Oficiais de Justiça, muitos deles encostados às chefias, em que a primazia é estar tudo certinho na gestão de actividades, é terem a estatística controlada, é parecerem bem.
    Depois, há o mundo real.
    Como Oficial de Justiça com mais de 20 anos no Ministério Público, tenho assistido a situações inacreditáveis.
    Colegas colocados à papo seco em secções sem experiência, sem traquejo, a ouvirem pessoas com problemas reais, com a vida toda embrulhada e quando acabam essas diligências, ficou tudo já mesma, as pessoas nem foram ouvidas, escreveram-se umas coisas para ali e o que interessa é actualizar a gestão de actividades.
    É o que dá, o fazer tudo.
    Uma justiça impessoal, distante das pessoas, ineficaz.
    E estes colegas, vivem bem com isto.
    São os tais que andam por aí a dizer que o estatuto é bom.
    Que não se justifica duas carreiras.
    Que se lixe a especialização.
    O Ministério Público divergiu muito do judicial.
    A culpa não sei de quem é, nem vale a pena analisar isso, o facto é que parece uma urgência do hospital.
    Tudo é urgente, tudo é importante.
    Continua o papel, apesar da famosa desmaterialização.
    Lidamos com vários OPC impreparados para a desmaterialização, por isso ficamos a meio da ponte.
    Uma desgraça.
    E no meio disto tudo, a tal nova casta de funcionários.
    Os tais que sabem tudo, fazem tudo.
    Quem se lixa, são os mesmos de sempre....
    Abraço.

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  9. Boa sorte Ana. Eu também gostaria de fazer o mesmo e dedicar-me à bricolage. Faço de tudo um pouco, entre restauro de móveis, reciclagem de materiais como rolhas de cortiça, velas de cera de abelha, cartonagem e muito mais. Estou sempre a inventar. Não vendo nada. Ficam para mim ou ofereço. Talvez possa começar a fazer algum dinheiro extra. A Ana é um exemplo para todos os trabalhadores do Ministério mais injusto que existe. Muitas felicidades. 

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  10. Minha amiga Ana com quem tive o privilégio de trabalhar há uns aninhos atrás. Era uma excelente Oficial de Justiça que vítima do império reinante nas Gestões de Comarcas, encontrou uma vida 500%  melhor. 

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  11. A gestão  comarca é  louvores a torto e a direito e a esta senhora nada??


    Eheh 
    Shame


    Que delícia  de reconhecimentos neste ministério 

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  12. Tu também já podias ter ido, afinal também estás reclamar.

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  13. Conheço a colega, já tive o privilégio de trabalhar com ela. Mas tudo farta. Órgão de gestão que são completamente insensíveis. Não tem qualquer sensibilidade por qualquer situação e a colega fartou-se. Desejo-lhe as melhoras felicidades perdemos uma excelente profissional. E em relação aos órgãos de gestão incluído administradores e secretarios têm um pouco de sensibilidade pela vida das pessoas. Pois antes de haver um trabalhador motivado existe também a vida pessoal do mesmo e os problemas que temos na nossa vida pessoal. Amigos existe vida para além dos tribunais. Parabéns colega Ana Margarida Madeirense de gema. Hehehe

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  14. Força Ana!! 
    Muitas felicidades!! ☺️

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  15. Ana, parabéns por teres conseguido sair deste lamaçal!

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  16. Meu caro, tens bom remédio.
    Faz como a Ana.

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  17. Triste  realidade 

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  18. Quando o administrador e a gestão de comarca não respeitam nem têm sensibilidade para ouvir os funcionários e agem como se fosse uma ditadura, eu próprio já tentei falar com eles e antes de sequer falar ouvi logo um não, por alguma razão existem muitos colegas de baixa médica e mais não digo, a escravatura já acabou... 

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