Há uma “ferramenta tecnológica automatizada” na DGAJ que vai notificar cerca de 3500 Oficiais de Justiça no prazo de um mês
Apesar da contagem que estava em curso para a mudança de escalão ter sido cortada – não congelada, mas cortada mesmo; suprimida –, portanto, deixando de contar para a transição de carreiras em curso, certo é que o tempo na carreira no âmbito da reconstituição por consideração do período probatório que se está ainda a aplicar a cerca de quatro mil Oficiais de Justiça, terá sempre de ser considerada e adaptada à nova tabela da transição.
Assim, no caso de algum Oficial de Justiça que, por efeito da recuperação do tempo do seu período probatório, resulte que neste momento deveria estar um ou até dois escalões mais à frente e não está, transitando para a nova carreira e para a nova tabela remuneratória para um nível mais baixo do que aquele que seria devido se a dita reconstituição estivesse concluída, terá de verificar muito bem se essa reconstituição o coloca no nível remuneratório correspondente ao escalão que lhe é atualmente devido e não àquele com o qual transitou.
Se transitou mal, essa transição terá de ser corrigida, não só pelo reposicionamento, como também pelo pagamento das diferenças que se apurarem.
Em relação à reconstituição da carreira pelo período probatório, interessa ainda que todos aqueles que transitaram para outras carreiras ou se aposentaram, estejam igualmente atentos e reivindiquem a sua própria recontagem do tempo e os pagamentos que lhes forem devidos, ainda que já não estejam ao serviço; seja no serviço público ou neste serviço da área da justiça. A este propósito, e a título de exemplo, tivemos conhecimento de um ex-Oficial de Justiça (hoje na AT), que não esperou e reivindicou a sua contagem de tempo até à saída da carreira, tendo já recebido os valores que lhe eram devidos.
Portanto, sendo este um assunto que interessa a todos os Oficiais de Justiça constantes da listagem apresentada pela DGAJ (contendo os 4460 nomes de Oficiais de Justiça para apreciação), apesar de cerca de mil já terem sido notificados e apesar da promessa da atual diretora-geral da DGAJ de proceder a todas as notificações até ao final de maio do corrente ano, isto é, ainda antes da transição, os atuais e os antigos Oficiais de Justiça devem estar atentos a esse prazo limite que foi comunicado e às consequências que daí vão advir para a transição da carreira, para aqueles que transitam, ou para aqueles que se desligaram, especialmente estes últimos, cujo vínculo cessou, poderão ficar esquecidos e à espera de que tomem a iniciativa de reclamar o seu caso.
Recorde-se que o início dos cálculos foi anunciado em julho de 2023, tendo na altura a DGAJ anunciado que iniciaria a reconstituição pelos cerca de 500 Oficiais de Justiça que estavam listados na sentença, tendo demorado com esses cerca de um ano inteiro. Ora, com essa velocidade, de 500 ao ano, facilmente concluímos que os 4460 restantes demorariam 8 a 9 anos; uma enormidade!
Ainda recentemente contamos o número de aposentações previstas para cada ano, por um período de dez anos e o resultado é de uma média anual de aposentações que se cifra nos 350 Oficiais de Justiça, quer isto dizer que em 2023 e em 2024 já foram à vida cerca de 700 e este ano em curso verá esse total ser ampliado para cerca de 1000 a 1100, cujo vínculo se quebrou e cuja contagem poderá ser postergada ou ignorada.
Pelo caminho, desde JUL2023, soube-se do contrato com a empresa do CRHonus para acelerar as contagens, contagens essas que, apesar de tudo, continuaram lentas e até com erros, e mais recentemente – no final do passado mês de março –, a DGAJ comunicou ter já contado cerca de 1000 casos e que os restantes (cerca de 3500) seriam todos notificados no prazo de dois meses; atenção, já não em anos, mas até ao final de maio.
Nessa última comunicação da DGAJ sobre este assunto lê-se assim:
«Este processo revelou-se bastante demorado, tendo-se constatado que, se se mantivesse a forma de cálculo manual que estava a ser utilizada, seria impossível concluir este processo até ao final do ano de 2025. Por este motivo, no início deste ano, esta Direção-Geral procedeu a uma alteração de estratégia no procedimento de cálculo, iniciando-se a conceção de uma ferramenta tecnológica automatizada que permitisse proceder à reconstituição da carreira de todos os oficiais de justiça que ainda não viram a sua situação regularizada.»
Diz a diretora-geral que até àquele momento (março), a tal “ferramenta tecnológica automatizada” estava em testes e não se sabia se era “eficaz e eficiente”, contudo, refere, encontrava-se a DGAJ nesse final do mês de março “já numa fase avançada de testes e com perspetivas otimistas, no desenvolvimento do referido procedimento automatizado”, motivo pelo qual adiantou a previsão: “Esta Direção-Geral encontra-se, assim, em condições de informar que se prevê que se vá proceder, em simultâneo, a todas as notificações até ao final do mês de maio de 2025.”
Todos os Oficiais de Justiça devem preparar-se para saber conferir as contas que lhes serão apresentadas, e conferi-las conscienciosamente, pronunciando-se dentro do prazo sobre quaisquer erros que a dita “ferramenta tecnológica automatizada” possa produzir.

Fonte: “Artigo DD-OJ de 25-03-2025”.
Este mês já vamos receber pela nova tabela?
ResponderEliminarNão
ResponderEliminarE porque não?!!
ResponderEliminarPorque já recebeu no dia 17 passado.
ResponderEliminarE no mês de maio?
ResponderEliminarTambém não.
ResponderEliminarEm rigor, o pagamento pela nova tabela só poderá ocorrer quando todos estiverem nas novas categorias correspondentes à nova tabela. A nova tabela não se destina às atuais categorias. Assim, uma vez que a transição está prevista para que ocorra com a lista a publicar no dia 30JUN, será a partir dessa data que se aplicará a nova tabela, isto é, a partir de julho. Seria possível que a DGAJ pagasse logo no mês de julho, mas tendo em conta a habitual dilação contabilística de dois meses, também é possível que o pagamento se venha a concretizar com o vencimento de agosto. Por isso, podemos apontar para o vencimento de agosto como o mais provável e caso venha antes melhor. Convém recordar que esse pagamento terá os acertos das diferenças desde janeiro, isto é, apesar de poder começar a ser pago o novo vencimento a partir de agosto, o recebimento será de todos os meses desde janeiro deste ano.
ResponderEliminarA avaliar pela forma morosa a que a DGAJ nos tem habituado, acho que só lá para final do ano haverá esses acertos pela nova tabela.
ResponderEliminarInfelizmente este ministério , dgaj, tem-me dito isso.
ResponderEliminarObrigado a este blogue que tanto ajuda a esclarecer problemas e casos dos OJ.
Quanto a essas notificações, já lá vão dois anos depois do primeiro anuncio.
A mim ainda nada, e há 20 anos de dividas.
Com a inflação que está, a ter que pagar renda fora de casa, tanto jeito dava o dinheiro do lado de cá!
Mais do mesmo nesta casa da injustiça.
Não se esqueça de que a última ação deste género da DGAJ já só demorou um mês e não os habituais dois.
ResponderEliminarRecebemos logo em Fevereiro os acertos que antes só teriam ocorrido em Março.
Espero que os sindicatos não deixem cair essa injustiça e emendem o erro que fizeram durante as negociaçoes para este acordo que fizeram. Estou a falar de não ter sido em conta o tempo que já decorreu para a progressão e passagem a novo escalão. Isso de começar do zero outra vez a contar da entrada em vigor da nova tabela salarial é uma injustiça. Andamos sempre a ser roubados em contagem de tempo de serviço para efeito de progressão nos respetivos escalões..
ResponderEliminarAinda em relação ao artigo de há 2 dias atrás, e na pretensão do MJ em "esquecer" o tempo que os OJ tinham na categoria.
ResponderEliminarHoje, Marçal, na publicação que faz semanalmente, fala, de forma velada, sobre isso.
Parece-me evidente que o tempo que cada um respetivamente tem na categoria, não pode ser "apagado", porque esse tempo é capitalizado todos os dias, constituindo-se, todos os dias, como direito adquirido.
É verdade que as mudanças de escalão remuneratório só acontecem de 3 em anos, mas isso não quer dizer que possa desconsiderado sem mais, uma vez há verdadeira correspondência entre esse tempo e a retribuição pecuniária, ainda que com efeitos futuros!
Será de bom tom que o MJ faça a alteração do DL no que diz respeito a essa matéria, sob pena de termos de recorrer, ua vez mais aos tribunais!
Abraço.
Da maneira que isto está, face à inércia total, para não dizer conivência, dos sindicatos, ao não pagamento dos juros devidos por longos anos, procedendo ao pagamento total do valor de uma só vez com o consequente aumento brutal de impostos, compensando, e de que maneira, para a entidade patronal não pagar o devido aos funcionários, afigura-se-me que vamos voltar a mais do mesmo, isto é, transitamos para uma categoria bastante inferior, para pagaram o devido daqui a 20 anos, depois de ações judiciais, interpostas tarde e a más horas, dado que não são pedidos juros na demanda - vá-se lá saber porquê???. A culpa vai ser do "sistema" mas não passam de jogadas para embolsar mais uns quantos milhões à conta dos tais papalvos de Grau 3. Triste sina esta...
ResponderEliminarVerdade triste
ResponderEliminarAlguém me poderá ajudar a decifrar o artigo de hoje do Marçal? Confesso que não consigo "atingir".
ResponderEliminarhttps://sfj.pt/noticias/recortes/justica-de-olhos-abertos-correio-da-justica-cmjornal/?fbclid=IwY2xjawJ1rYJleHRuA2FlbQIxMQBicmlkETExVDluRkQ1N3poRGw2NlI0AR5hGvJ4G27HP1asfbYwxYWSYpHr381WBqnvKUyEGUXPTd_CnukqcpBzdMdEzQ_aem_QtXZE1zcClkejEWEx6U4IQ
Sim, mas também é preciso não esquecer a regressão funcional!
ResponderEliminarPoderá ler o artigo que amanhã aqui publicaremos que deverá ser esclarecedor
ResponderEliminarUM GRANDE BEM-HAJA A ESTE BLOGUE POR TODA A INFORMAÇÃO DISPONIBILIZADA!
ResponderEliminarUM GRANDE BEM-HAJA POR NOS AJUDAR A DECIFRAR OS COMENTÁRIOS FILOSÓFICOS DO MARÇAL NO CM.
Sem duvida muita força para os Senhores Bloguers,
ResponderEliminarExcelente serviço informativo aos OJ´s
Palavra de honra que eu devo ser muito burro: então assinou o acordo que deu origem ao novo estatuto e agora diz que é preciso revê- lo???? Mas então porque o assinou(aram)??? Que cambada de sendeiros!!! Tiveram anos e anos para delinear um plano e apresentá-lo à tutela e agora vem chorar em público!!!
ResponderEliminarPodes rir à vontade mas é para aí que vamos, para tribunal!
ResponderEliminarMarçal vai deixar o sindicatos dos funcionários judiciais, após 25 anos. Marçal conseguiu vender a carreira e, agora, deixa-a de vez para seguir as pisadas do seu antecessor Fernando Gomes. Além de deixar o sindicato que lhe serviu de alicerce à sua jornada pessoal, vai deixar de ser OJ pois no mínimo irá ser vereador pelo PS à Câmara da Lousa.
ResponderEliminarDa minha parte só lhe agradeço a disponibilidade até hoje demonstrada.
ResponderEliminarQueres ir para lá tu fazer melhor?