O amansamento subliminar dos Oficiais de Justiça
Um dos truques mais velhos e mais ignóbeis para conter e manter as pessoas calmas e controladas, por ignorância, é a manipulação da informação que lhes é fornecida.
Todos sabemos que é muito mais fácil manter controladas as pessoas quanto mais ignorantes ou mal informadas estejam do que conter pessoas bem informadas e com espírito crítico ativo.
É bem-sabido, desde há séculos, que a ignorância e a má informação é uma poderosa arma de controlo de pessoas e se isto é bem-sabido de todos e desde há muito, como é possível que ainda nos dias de hoje toda a gente caia na esparrela?
E se é bem-sabido que esta regra infame se aplica a todo o Mundo e é exercida especialmente por governos autoritários, como é que as pessoas não se apercebem que o mesmo método manipulador é também usado pelos governos que não exercem governos de caráter notoriamente ditatorial ou fascista ou mesmo por organizações sociais?
Toda a gente acaba por cair na armadilha da desinformação e do controlo social, seja ao nível mais abrangente dos governos, seja ao nível mais específico das organizações sociais.
Vem isto a propósito da atitude sindical das organizações que representam junto do Governo os Oficiais de Justiça.
No alcance do acordo homicida, em que Governo e sindicatos mataram uma carreira, e, nos seus despojos, construíram uma nova, tudo foi mantido na ignorância dos visados Oficiais de Justiça, sendo apresentada uma versão final, não sujeita a contraditório, que nem sequer continha tudo quanto acabou por ser acrescentado ao decreto-lei que o Governo acabou aprovando, tendo como cama o tal acordo.
Por exemplo, e já aqui referimos, o acordo nada determinava quanto à contagem do tempo para subida de escalão, como veio a constar no decreto-lei do Governo, suprimindo todo o tempo em curso, não só deste ano, mas todo o tempo desde a anterior mudança de escalão de cada um. Sejam meses, seja um ano ou quase três anos, tudo é suprimido e deixa de haver a subida automática de escalões a cada três anos já imediatamente, dentro de alguns dias quando o decreto-lei entrar em vigor.
Tudo isto é perpetrado sob um manto de ignorância dos Oficiais de Justiça, manto esse que depois é apresentado como sendo aconchegante e acaba sendo convincente por tantos, desde logo por aqueles que nem ideia têm das consequências, por manifesta falta de espírito crítico ativo, ou porque se deixam ludibriar pelas cenouras que à frente do nariz lhes são exibidas.
Na sexta-feira passada tivemos mais um caso de controlo da informação por omissão, muito bem conseguido e que nem desperta a mais mínima desconfiança dos Oficiais de Justiça.
Nesta última sexta-feira, o sindicato mais representativo da classe – por ser o mais antigo e, enquanto único granjeou mais associados, por, obviamente, não haver alternativa –, apresentou um simulador para a correspondência da atual tabela para a nova tabela remuneratória com aplicação das regras do acordo e do decreto-lei aprovado. Este simulador é um veículo de controlo social por omissão de informação, portanto, de controlo por ignorância.
O acordo contendo a nova tabela e as regras da transição foi firmado no dia 26FEV e vem agora o SFJ, a 04ABR, apresentar a correspondência para a nova tabela remuneratória, mais de um mês depois de apresentado o seu acordo com o Governo.
Reparem bem que no dia imediatamente seguinte ao 26FEV do acordo, portanto, no dia 27FEV, aqui apresentamos a tabela com as correspondências, com os valores atuais e os novos valores, de acordo com as regras acordadas, atualizando depois a tabela com as novas regras acrescentadas, aos cargos, introduzidas com o diploma do Governo que acabou aprovado.
Um dia depois apresentamos todos os cálculos numa única folha, cálculos esses que permitiram imediatamente a todos uma visão global de todas as categorias e de todos os escalões, permitindo dessa forma que todos os Oficiais de Justiça verificassem as diferenças, e também as igualdades, na transição dos vencimentos.
Precisamente pela visualização e utilização de tal tabela geral, muitos dos que ainda detêm algum espírito crítico ativo verificaram as diferenças salariais e também as igualdades niveladoras em vários escalões e essa oportunidade de verificação global levou logo ao surgimento de alguns focos de contestação do acordo firmado, surgindo tal contestação apenas pelo conhecimento (e não pela ignorância) e pelo conhecimento, não do seu caso concreto, mas de todos os casos, isto é, na detenção de uma informação total, onde nada é escondido.
O surgimento agora do simulador é uma espécie de contra-ataque à tabela global e ao conhecimento geral, uma vez que a sua utilização só permite conhecer o resultado concreto de cada um, sem qualquer comparação com mais ninguém.
Esta forma de limitar a informação disponibilizada, sob a forma de um artifício informático avançado, não é mais do que um velho truque de manipulação da informação que alimenta a ignorância e, consequentemente, tal cegueira, contribui para a acalmia da contestação.
Quem só vê o seu caso e só conhece o seu umbigo, não é capaz de encetar iniciativas grupais mais elaboradas que possam vir a causar alguma espécie de empecilho, revolta, revolução ou golpe-de-estado, seja este em relação a um Estado inteiro, seja em relação a um qualquer órgão social de qualquer agremiação.

Fontes: “Tabela das correspondências salariais do DD-OJ” e “Simulador da transição salarial do SFJ”.
Nada de muito novo.
ResponderEliminarQuando tantos colegas, quando os chamo à atenção para possíveis desigualdades verificadas na carreira, sempre me respondem que o que lhes interessa é o deles e que não têm que se comparar com ninguém...
Tenho 30 anos disto!
ResponderEliminarPior do que o acordo são os comentários que tenho lido aqui, de pessoas ligadas aos sindicatos, com o seguinte sentido:
"Se não estais contente mudai de emprego"
Isto é perigoso, porque tem tiques de autoritarismo, mesmo tratando-se de sindicatos!
Para finalizar sou contra o acordo, razão porque deixei de ser sindicalizado!
Porque razão não tem saído mensalmente a lista dos colegas que subiam de escalão, agora não sabemos e pelos vistos este ano ninguém subiu de escalão ou seja mais um atropelo ao nosso estatuto, mais um roubo. Como podemos nos saber se falta muito para subir de escalão?
ResponderEliminarMuito bem observado.
ResponderEliminarPorque não fizeram uma tabela global logo a seguir ao acordo para todos os escaloes no geral tal como fez este blogue? Para esconder o geral e mostrar apenas o individual que é uma aberração injusta.
E o que irão ainda esconder mais até ao final.
Fodddf
Obrigado bloguer por nos tirar da escuridão!
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ResponderEliminarCom a tabela que o blogue apresentou viu-se logo tudo às claras
Agora é que vem o simulador individual?
Só espero que sindicatos consigam e disponibilizem um simulador fiavel para contagem do tempo de provisório!
Estão à espera de quê?
Amansado não estou de certeza e a prova disso é que deixei de pagar quotas.
ResponderEliminarAproveito ainda para agradecer o seu esforço e dedicação a este blog que é apreciado por muitos e uma pedra no sapato para outros.
Serei só eu ou será para nos sentirmos francamente desconfortáveis e preocupados ao ver os nossos sindicalistas sempre de braço dado e em fotografias conjuntas com a Ministra e subordinadas? Parece-me uma situação contra natura! E mais estranho: menos o Marçal e mais o Almeida, parecem contrariados por esse papel! Será que que faz parte do acordo alcançado? Se estiver descontente profissionamente vou- me queixar a qual deles? À Ministra ou aos parceiros de fotografia? À mulher de César não basta ser séria, também tem de parece-lo! E como dizia o outro: para os Oficiais de Justiça "já não há juizes em Berlim"!
ResponderEliminarManto de silêncio havia no tempo da "outra senhora"
ResponderEliminar"Parabéns ao governo e sindicatos", era só o que faltava!
Parabéns sim aos oficiais de justiça que muito trabalham nos Tribunais, estando muitos quadros desfalcados, sujeitos a mais do que uma chefia e muitos vão aguentando. Não viram a carreira valorizada quanto outros. Ficou-se abaixo de muitos, quando se esperaram anos.Desigualdades.
Não acompanhei todos os casos, mas poucas ou nenhumas carreiras tiveram um aumento de €600 nos salários de início de carreira.
ResponderEliminarHá muito mais escondido escravos
ResponderEliminarPor causa de nos terem mantido na ignorância, da postura dos dois sindicatos, de terem feito letra morta de toda uma carreira de quase 30 anos, vou pedir a adesão ao Sindicato da Função Pública afecta à CGTP. Isto só para estar representado por advogado caso precise. Sr. Marçal e Sr. Carlos Almeida, não me representam mais. Considero que levei uma valente facada nas costas. Tiques ditatoriais só na China e na ex URSS. Um manto de silêncio e a censura são inaceitáveis.
ResponderEliminarPara essa tipa que anda aqui a apregoar aumentos de 600€, pergunto onde estão os meu?
ResponderEliminarA mim calharam-me 80€ de aumento com este acordo!
E deslocado de casa.
Vá gozar com os seus parentes.
Fique com a porcaria de acordo que serve o coj, secretarios e formadores.
Não brinquem.
Para não dizer um palavrão
ResponderEliminarO das 11:04 não passa de um triste infiltrado. Calado é poeta!
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Podia ser engraçada, se não fosse dramática, a constante e ignóbil tentativa de defender o indefensável. Defender a bondade do que está a acontecer com os Oficiais de Justiça só tem duas explicações - ignorância ou desonestidade intelectual. E prova disso é a total ausência de argumentos para o defender, a não ser generalidades ocas. Desde sempre que foi perceptível a falta de carácter daqueles que compõem este grupo de profissionais. A sua ânsia por se manterem no conforto da submissão, do compadrio e da subserviência é mais forte que qualquer desafio que exija autonomia, independência, competência e capacidade. Quem deve abandonar a profissão não são aqueles que anseiam por uma carreira profissional digna. Quem deve abandonar a profissão são aqueles que, em troca de uns cêntimos e de uma qualquer "benção" para progredir, abdicam de princípios estruturantes sem os quais não é possível, nunca, ter um sistema judicial independente.
ResponderEliminar11.04 horas. Acarreira estava estagnada por culpa dos diversos governos e dirigentes sindicais e quanto à reforma estruturante vê- se bem a merda que fizeram quando os sindicalistas dizem que afinal ainda falta negociar quase tudo. Já qgora diz pelo menos qual o cargo que exerces em que sindicato
ResponderEliminarÉ mesmo!!!
ResponderEliminar600€???
Foda---
Vá brincar com a sua mãe
Viva o coj, supersecretarios, admijistradires e formadores
Simdicatos
ResponderEliminarJá não vos pesa a consciência por terem incentivado aos adjuntos a sceitarem irem para fora de casa e agora vom a fusão que fuzeram esses adjuntos nuncabmais voltam para casa?? Gente com família que foi simplesmenye enganada??
Não vos pesa a cabeça??
Bivam os 600€
ResponderEliminarDigam é a quem calharam!!
Sr bloguer pode dizer a qu calharam 600€ de aumento sem rodeios??
A uma pequena minoria.
ResponderEliminarConsta da tabela que disponibilizamos
ResponderEliminarHá coisa que não podem ficar assim!
ResponderEliminarAs deslocações e a perda de antiguidade não pode ficar assim!
Temos de nos organizar e lutar na justiça pelos nossos direitos!
Eu também entro para a providência cautelar que aqui se vai falando.
Sejam rigorosos. Por muito que se esteja contra este decepar da carreira, aceite pelos Sindicatos, não incentivaram estes antes ninguém a concorrer a escrivão - adjunto. Todos foram livres de o fazer.
ResponderEliminarNinguém obrigou ninguém a tentar a promoção.
Obrigam sim, agora com o acordo que fizeram, a que todos sejam abrangidos por esse acordo, não tendo sido sujeito antes à consulta de TODOS os abrangidos, isto se nada fôr impugnado.
Manto de silêncio como quer o outro(@) é que nāo.
Sejamos rigorosos??
ResponderEliminarEntão os sindicatos não incentivaram às promoções?
Não intentaram ações em tribunal e incentivar a que aceitassem as promoções?
Palhaço!
Aí o palhaço é ele?😁
ResponderEliminarLógico que o homem tem razão, alguém vos obrigou a concorrer, não tem cérebro para tomar decisões autónomas?
É melhor não responderem.🫣
Solicito o favor de me esclarecerem se há alguma providência cautelar interposta contra o MJ, relativamente ao recente acordo entre o SFJ, o SOJ e o MJ. Agradecia um pronto esclarecimento por parte dos autores do blogue, bem como os contactos dos Autores deste Procedimento. Obrigado.
ResponderEliminarNão temos notícia da existência desse procedimento.
ResponderEliminarDeve dos que cai ter o tal aumento dos 600 entao, nao?? Ou dos 450, nao?? So pode
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