O Movimento Anual, afinal, são 2: o Mini e o Alargado

      Ontem, ao final da tarde, foi divulgado o despacho da diretora-geral da Administração da Justiça que estabelece as condições e indica as vagas disponíveis para o Movimento Ordinário Anual deste ano 2025.


      Interpretado o despacho foi concluído por muitos interessados que não vale a pena concorrer a este mini Movimento, com 51 lugares disponíveis, porque vai haver outro logo de seguida, um Extraordinário, que se anuncia já como “mais alargado”.


      «Após a transição determinada pelo Decreto-Lei n.º 27/2025, de 20 de março, será realizado um movimento extraordinário de oficiais de justiça mais alargado, abrangendo lugares das categorias de técnico de justiça e de escrivão.», lê-se na comunicação da DGAJ.


      No final do despacho podem ver os 51 lugares disponíveis, tantos quantos os desistentes contados até ao presente, das 570 colocações.


      O número de desistentes é baixo, não chega aos 10% e está dentro dos parâmetros habituais de desistências em todos os concursos.


      Os 51 lugares surgem disponíveis para todos, mas o seu fito é para o primeiro ingresso, podendo os candidatos ingressar para as atuais duas carreiras, do Judicial e do Ministério Público, carreiras estas que ainda antes de terminar o prazo das candidaturas (que decorre durante todo o mês de abril) já estarão extintas pela entrada em vigor do novo DL que tudo extingue (carreiras e categorias), embora com uma transição programada para se efetivar no final do mês de junho.


      Ora, sendo a transição das categorias concretizada no final de junho, com a lista geral a publicar, as colocações deste Movimento Ordinário ocorrerão ainda antes, embora em junho, em data a anunciar, mas, ao que se acredita, antes do final desse mês de junho, para que os 51 colocados possam vir a integrar a lista da transição que surgirá no último dia do mês e junho, obviamente transitando logo para a nova categoria que nem é do judicial nem é do Ministério Público, mas é, antes, de ambas e de nenhuma.


      Ou seja, concorrem para o judicial ou para o Ministério Público e trocam-lhes logo as voltas, deixando de se considerar tais carreiras por extinção.


      Acham isto confuso? Calma, porque há mais.


      Logo depois deste Movimento Ordinário deste ano estar encaminhado, surgirá um novo Movimento, extraordinário por definição, que será “mais alargado” e cujas colocações já não serão tão à pressa, porque ficarão para setembro.


      Os Oficiais de Justiça em funções ou os candidatos ao ingresso deverão olhar muito bem para o quadro das 51 vagas que vão a este Movimento Ordinário e pensar muito bem se lhes interessam estas vagas que aos desistentes não interessaram, ou se devem aguardar pelo Movimento seguinte a ser lançado, o mais tardar, na primeira semana de julho, com candidaturas por 10 dias, uma vez que esse será um Movimento “mais alargado”.


      Mas o que é que significa tal alargamento? Que é mais alargado porque engloba a nova categoria de “Escrivão”? Ou é mais alargado porque engloba as extintas categorias de Adjuntos e Auxiliares? Ou será mais alargado por incluir um número maior e mais diversificado de vagas a nível nacional? Ou é tudo isto ao mesmo tempo?


      É “mais alargado”, é tudo quanto se sabe. É quase como jogar numa raspadinha, pode sair ou pode não sair.


      O mini Movimento Ordinário cujas candidaturas hoje começam, circunscreve-se às atuais e moribundas categorias de “Escrivão Auxiliar” e de “Técnico de Justiça Auxiliar”, ambas ainda existentes, embora a extinguir.


      Mas por que razão o Movimento não abrange as demais categorias, todas também existentes e todas também a extinguir?


      Por que razão, de todas as 7 categorias existentes, apenas duas podem concorrer? E, já agora, por que razão não haveria de poder haver também promoções?


      Ora, se o Movimento se realiza apenas para duas categorias, poderia perfeitamente realizar-se para todas.


      Na realidade, o Movimento Ordinário é, essencialmente, uma coisa que pretende tapar os buracos dos 51 desistentes e não um verdadeiro Movimento Ordinário abrangente e, tanto assim é, que até já se anuncia que há de vir um outro “mais alargado”, porque se tem a completa noção de que este Ordinário é uma verdadeira treta de Movimento, só se levando a cabo para cumprir o que consta do semimorto atual Estatuto.


      Cumpre-se calendário e cumprem-se os mínimos, fazendo-se de conta que se faz algo, mas desta vez com a anuência dos sindicatos que não impugnarão esta espécie de coisa a que ainda se atrevem a chamar de Movimento Ordinário Anual.


      E vejamos ainda a seguinte incongruência:


      «O movimento anual dos oficiais de justiça de 2025 seja exclusivamente destinado às categorias de escrivão auxiliar e técnico de justiça auxiliar – transferências, transições e primeiras colocações, até perfazerem o limite de 570 autorizado.», lê-se na comunicação da DGAJ.


      Como já dissemos, o objetivo é tapar o buraco dos desistentes, mas como é que será tapado? Note-se que aqueles 51 lugares disponíveis, as vagas indicadas, serão tapados de qualquer forma: por transição, por transferência ou por ingresso; quer isto dizer que se houver 51 transições ou transferências para esses lugares, já não haverá ingressos, uma vez que só há aquelas 51 vagas? Ou haverá sempre ingressos para aqueles 51 lugares, para atingir os 570 lugares autorizados e, por isso, já não cabem as transições nem as transferências?


      Confuso? Sim, muito.


      Se só há 51 lugares e se esses são os lugares que servem para completar os 570 ingressos autorizados, se houver 51 candidatos ao ingresso atingem-se os 570 ingressos autorizados, mas se houver Oficiais de Justiça interessados nesses lugares e para eles se transferirem, então impedirão que haja ingressos até aos 51, isto é, até atingir os 570 ingressos autorizados.


      Basta que haja uma transferência que seja para bloquear a hipótese de atingir os 51 ingressos em falta e autorizados.


      Quer isto dizer que os 570 ingressos autorizados continuarão sem ser alcançados ou então o limite dos 51 lugares não será respeitado e novos lugares surgirão o que, a acontecer, falseará o anúncio do despacho.


      Por fim, gostaríamos de deixar uma nota simples sobre a seguinte consideração:


      «Considerando o disposto no Decreto-Lei n.º 27/2025, de 20 de março, que procede à criação da carreira especial de oficial de justiça e à revisão, por extinção, das categorias de secretário de tribunal superior e de secretário de justiça e das carreiras judicial e dos serviços do Ministério Público, determinando que a transição para a nova carreira se efetua no dia 30 de junho de 2025.»


      Quer isto dizer que os diplomas são considerados ainda que não tenham entrado em vigor? Será correto que se proíba a movimentação de todas as demais categorias com a alegação de que no futuro, ainda que próximo, serão extintas? E a mesma consideração já não se tenha para as duas que, de igual forma, no mesmo futuro também serão extintas?


      Consideramos que o despacho se mostra pleno de incongruências e de prejuízos para os Oficiais de Justiça. Consideramos que este despacho deveria ser anulado. Consideramos que os sindicatos, apesar do comprometimento assumido com o Governo, deveriam agir para que se imponha a justiça para aqueles que ainda nela trabalham.


UmDePeOutroAoContrario+DDOJ.jpg


      Fontes: "Ofício-Circular 2/2025" e "Despacho DGAJ".

Comentários

  1. Anónimo1/4/25 08:25

    Alguém me sabe explicar o que acontece a quem muda de escalão neste mês de Abril?
    Não conta?
    Será considerado?
    Ou será um escalão deitado ao lixo?
    Se alguém souber agradeica esclarecimento?
    Obrigado.

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  2. Como o DL entra em vigor a 19 de abril, ou sobe antes ou já não  sobe

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  3. Anónimo1/4/25 08:56

    Restará então esperar que pelo menos o ano de provisório venha a ser útil neste caso?

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  4. Anónimo1/4/25 09:24

    No movimento extraordinário de julho haverá novas colocações (primeiros ingressos)?

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  5. Anónimo1/4/25 09:30

    Face ao acordo da direção dos sindicatos


    os dirigentes deveriam pedir a sua demissão e marcar eleições e nem se apresentarem nas listas


    porque não têm legitimidade alguma para as "lutas" que estão para vir em consequencia do malfadado acordo.


    Rua Marçal.

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  6. Anónimo1/4/25 10:00







    ora aí está 
    MAIS UMA VERGONHA


    `


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  7. Anónimo1/4/25 10:03



    Que grande confusão de despacho para movimento!
    Nem há palavras para descrever a continuação desta gestão de ministério, dgaj, etc


    NÃO DEVERIA HAVER UMA LISTA DE GRADUAÇÃO?


    Sr Bloguer sabe explicar ou alguém sabe como se pode concorrer justamente sem se saber qual a lista de graduação que virá? quais os critérios dessa lista de graduação que será ínica?

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  8. Anónimo1/4/25 10:04

    O Bloguer deve pensar que o pessoal anda aqui a comer gelados com a testa!
    Este é o artigo do dia 1 de abril...
    Movimentos para carreiras extintas!!!

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  9. Não tem de haver nenhuma lista de graduação como nos concursos, isto é um Movimento. Cada um tem a sua classificação de serviço e antiguidade na lista publicada. Para ingresso há a lista de graduação dos concursos de 2023 e de 2024 que se mantêm válidas.

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  10. Anónimo1/4/25 10:37

    E há.
    É o mecanográfico.
    Já eliminaram as listas de antiguidade por categorias da página da DGAJ e tudo.

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  11. Não se sabe. Se os 51 entrarem todos no primeiro, de certeza que não haverá ingressos no segundo. Caso fique alguma vaga, é estão possível que haja ingressos no segundo.

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  12. Anónimo1/4/25 10:43

    E as restantes desistências que não foram contabilizadas? E não pode haver nova autorização orçamental para o efeito?

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  13. Anónimo1/4/25 10:45

    Ya.
    Um secretário da minha comarca quis fazer uma escala mas tinha desaparecido tudo, só que entretanto as (mal)ditas listas já estão outra vez acessíveis.

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  14. Anónimo1/4/25 10:56

    Mecanográfico!
    Como assim?
    Há OJs com mecanográficos mais baixos que o meu que o são há menos tempo que eu!...

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  15. Anónimo1/4/25 11:29

    Sr Bloguer


    Ao dizer c

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  16. Anónimo1/4/25 11:34

    Na Comarca do Porto, não existe nenhum lugar vago, sujeito a concurso, apesar de constarem inúmeros desistentes.

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  17. Para este Movimento Ordinário será assim, para o outro, pós 30 de junho, sabe-se lá o que será inventado.

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  18. Anónimo1/4/25 11:57

    O Puarto está de castigo.
    Andou a marchar sobre Lisboa, agora tem que sofrer as consequências desse ato irrefletido dos inorgânicos à revelia dos sindicatos!

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  19. Anónimo1/4/25 12:15

    Consta que já estão a treinar o ChatGPTOJ que irá apresentar a solução.
    Parece que estão a tentar combinar idade com antiguidade mais servilismo, com antecedentes concursais e também transtorno desafiador opositivo ( o bloguer está bem tramado ), entre outros indicadores.
    Alguma coisa sairá!

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  20. Anónimo1/4/25 12:18

    OK,


    afinal há confusão mesmo Sr Bloguer, pensei que era só eu a questionar essa graduação que terá de ser feita.


    E ninguém informa merda nenhuma, desculpem o termo

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  21. Anónimo1/4/25 12:19

    Ainda quero ver como vão resolver a questão das actuais notas que cada um detêm relativamente à elaboração de uma lista de antiguidade fundindo as duas categorias. Não é justo que um adjunto com Bom ou Bom com distinção (por ter sido inspeccionado uma ou duas vezes nesta categoria) fique atrás de um auxiliar com menos tempo de serviço na carreira, mas com Muito Bom. Sim, porque o adjunto quando era auxiliar também já teve 3, 4 ou mais Muito Bons.

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  22. Anónimo1/4/25 12:29

    Neste país de nepotes condenado a progresso nenhum, não vê as sondagens, o que a grande maioria almeja é ser como quem toma estas maravilhosas decisões, poder um dia ter as empresas que eles têm, dar-se com os amigos poderosos com quem eles se dão, e poder desfrutar do que eles desfrutam.
    Poucos, incluindo os magistrados, são os que querem saber da justeza dessas medidas, até porque seriam demasiado complexas de tomar com salvaguarda dessa equidade.

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  23. Anónimo1/4/25 12:51

    Estou exactamente nessa situação.


    Espero que os sindicatos e a DGAJ estejam atentos a estas situações.

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  24. Anónimo1/4/25 13:08

    É preciso alargar horizontes, ou então usar a minha bola.
    Nesse movimento vai ser cada colocação cada reclamação, ninguém irá estar de acordo com critério nenhum.
    Antevejo grande balbúrdia e insatisfação entre a classe.

    ResponderEliminar
  25. Anónimo1/4/25 13:12

    Essa porcaria de futura lista devia ter sido acautelada  antes de fundirem as categorias.


    Andaram a negociar acordos a dormir.
    vergonha.
    Estou mesmo a ver mais processos em tribunal, vais ser não tenho duvidas.

    ResponderEliminar
  26. Anónimo1/4/25 13:16

    12:29


    A pura das verdades!

    ResponderEliminar
  27. Anónimo1/4/25 13:18

    Não é "Puarto" é "Puerto" carago!!

    ResponderEliminar
  28. Anónimo1/4/25 13:50

    O justo é fazerem este movimento nos moldes habituais, isto é enquanto coexistem as categorias de auxiliar e adjunto, antes do dia 30 de Junho - data que se fundem as duas categorias.


    Seria legal, não criaria desiguldades e injustiças e seria válido à luz da lei actualmente em vigor e antes das alterações de 30 de Junho.
    Espero que os sindicatos estejam atentos.

    ResponderEliminar
  29. Anónimo1/4/25 14:32

    È comer e calar e carinha alegre...É o que a maioria da classe merece....mentecaptos.....pacóvios..... e viva os sindicatos

    ResponderEliminar
  30. Anónimo1/4/25 14:36

    Os Colegas que se mandaram para a promoção a Adjunto para os Açores, Algarve e outras regiões longe de casa agora ficam com a vagas ocupadas quando puderem ou quiserem regressar por Colegas com meia dúzia de meses de serviço.
    Belo serviço.
    Genial.

    ResponderEliminar
  31. Anónimo1/4/25 14:41



    Mas explique lá a futura lista com as duas categorias fundidas, então?

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  32. Anónimo1/4/25 16:04



    É Puarto, carago!


    Puerto é espanhol... lol!

    ResponderEliminar
  33. Anónimo1/4/25 16:10


    Como os milagres às vezes acontecem quando menos esperamos, pode ser que no próximo dia 3 de julho, aconteça algum. 

    ResponderEliminar
  34. Anónimo1/4/25 16:14

    Correto.
    Sou o das 11:59.
    Exatamente. Ia para responder mas já não é preciso.
    São muito bem vindos à cidade, mas Puerto seria uma espanholada total.

    ResponderEliminar
  35. Anónimo1/4/25 18:10

    Tudo se queixa dos euros mas tudo se esquece que a partir da publicação do dL vai haver muita gente a saltar do MP pro judicial, muita gente com muitos anos de serviço...ai quero ver... é uma miséria a consideração que continuam a ter pela nossa carreira...somos alvo de tudo até de agressões como aconteceu no dia de hoje quando um nossa colega foi agredido no tribunal de sintra...valeu a prontidão das forças de segurança....

    ResponderEliminar
  36. Anónimo1/4/25 20:28

    Considero o acordo como o iceberg que afundou o titanic!


    Vai levar tudo para o fundo! 

    ResponderEliminar
  37. Anónimo1/4/25 22:10

    Ui, que medo!

    ResponderEliminar
  38. Anónimo2/4/25 00:36

    Estás  numa comissãozinha ou gestao comarca, claro que instaladinho nada de medo
    Os outros que se lixem e trabalhem por ti

    ResponderEliminar
  39. Ajudei duas colegas a elaborarem requerimento ao administrador para saírem do diap para o judicial. E palpita-me que mais colegas irão fazer o mesmo. 

    ResponderEliminar

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