Um conselho, ou ensinamento, aos sindicatos
Há dirigentes sindicais que deixam marca no movimento sindical, nos trabalhadores que representam, mas também nos outros trabalhadores, e ainda em toda a sociedade portuguesa. É o caso incontornável de Mário Nogueira, da Fenprof.
Mário Nogueira vai deixar o cargo sindical que ocupa há 18 anos, deixando um legado de luta intransigente e de conquistas, mas, acima de tudo, deixa-nos a sua imagem de firmeza, de persistência e de um trabalho bem feito na defesa dos interesses dos seus representados.
Em entrevista à TSF e ao Jornal de Notícias, Mário Nogueira diz que não basta fazer barulho, é preciso estudar os temas e lutar por eles e explica ainda por que razão não se devem assinar acordos com o Governo.
Neste aspeto da razão para não assinar acordos, consideramos que o ensinamento de Mário Nogueira chega tarde, pois os Oficiais de Justiça, representados pelos dois sindicatos, já vão com dois acordos assinados e mais um entendimento de reuniões secretas.
Segundo Mário Nogueira, a assinatura de um acordo serve apenas para dar uma bandeira para o Governo desfraldar, gabando-se de ter um acordo e, com ele, acabar por tramar os trabalhadores.
Mário Nogueira frisa que quem legisla é o Governo e não os sindicatos, podendo o Governo sair com um decreto-lei como e quando quiser, quer haja acordo, quer não haja, coisa que nenhum sindicato pode, pelo que a assinatura de uma acordo, para os trabalhadores, não tem utilidade nenhuma porque não vão legislar nada, portanto a utilidade está no aprisionamento dos trabalhadores aos aspetos escritos no acordo e aos que com ele se relacionam e que não ficaram escritos.
Nos acordos ficam escritos apenas os aspetos em que as partes se entendem e não os aspetos em que as partes não se entendem.
Um sindicato ao assinar um acordo dá ao Governo uma espécie de carta-branca para legislar no âmbito do acordado, ainda que lhe acrescente aspetos regulamentares não acordados e que, como bem sabemos, podem alterar substancialmente o espírito do acordo ou até introduzir aspetos negativos.
Nesse sentido, Mário Nogueira diz que é preferível assinar uma ata em que se faça constar os aspetos em que as partes acordam, mas onde estejam também escritos os aspetos em que não foi obtido acordo e que, por conseguinte, não podem, sub-repticiamente, ser adicionados nem esquecidos para futuras negociações. A ata bastaria ao Governo e aos sindicatos, mas o Governo prefere uma coisa onde só conste o acordado, como se nada mais houvesse, servindo o acordo para o silenciamento dos trabalhadores.
No caso dos acordos, primeiro o do SFJ, relativo ao valor do Suplemento de Recuperação Processual, e o segundo, subscrito por ambos os sindicatos, que acabou metamorfoseado no Decreto-lei com novos aspetos que não constavam do acordo, os Oficiais de Justiça bem sabem como ambos esses acordos, mesmo o pequeníssimo do suplemento, foram motivo de profusa propaganda por parte do Governo, de tal forma que até os partidos da oposição desistiram da defesa da causa dos Oficiais de Justiça, porque havia a prova de que estes haviam assinado um acordo que até punha fim a greves com muitos anos. O acordo é uma arma do Governo para colocar pontos finais.
A propaganda governamental, acenando o acordo aos ventos e nas ventas de todos, esmagou os Oficiais de Justiça, reduzindo-os ao mínimo como se fosse o máximo, como se tudo estivesse já solucionado, e como se a adaptação do acordado ao diploma aprovado estivesse em linha com a pretensão dos sindicatos.
Por isso, da referida entrevista, já em jeito de despedida desse reconhecido sindicalista, entre outros aspetos, queremos hoje realçar este aspeto relativo ao engodo dos acordos, porque os sindicatos que representam os Oficiais de Justiça e que irão negociar com o novo governo que sair das eleições de 18MAI, vai pretender novo acordo assinado, altura em que os sindicatos deverão seguir o conselho de assinar, antes, tão-só a ata da reunião, onde afirmem estar de acordo naquilo em que estão de facto de acordo e em desacordo nos demais aspetos.
É fundamental que haja assinatura sobre o acordado, mas também sobre o não acordado, ou nada assinado. Fica o conselho, ou o ensinamento, para os próximos meses, uma vez que o que está feito até agora é o que está à vista de todos.
Fica a seguir o extrato da entrevista sobre este assunto.
«Nós assinámos acordos quando eram para assinar. Assinámos acordos quando acabámos com a divisão da carreira. Assinámos acordos críticos, e não assinámos acordos que, mesmo estando de acordo com boa parte das coisas, não podíamos assinar estando em desacordo.
Às vezes nós chegávamos, e aquela parte que era a parte positiva, até se podia aplicar a mim ou ao colega que estava ao meu lado, ou ao outro, mas não se aplicava a todos.
Por exemplo, com a questão do tempo de serviço. Nós dissemo-lo, e repetimo-lo, e dizemos hoje: foi um importante ganho dos professores e só foi possível porque se lutou muito por isso. A maioria das pessoas estava beneficiada, mas logo ali à cabeça, houve 25 mil professores que ficaram excluídos, todos aqueles que já não tiveram tempo de recuperar, ou os que se aposentaram com prejuízos graves no cálculo da sua pensão de aposentação porque perderam o tempo como os outros e não o recuperam como os outros. E depois, outros aspetos mais técnicos, lá pelo meio, que não foram ali resolvidos.
Nós temos dito isso aos governos. Eu acho que eles perdem oportunidades. Nós dizemos “É pá, vocês querem um acordo porque o acordo é para a política” porque um governo tanto pode, com acordo ou sem acordo, publicar o decreto-lei, nós é que não. Por que é que eles querem então o acordo? Nós já lhes dissemos para em vez de pôr “acordo”, ponham uma “ata final da negociação”, e nós dizemos logo à cabeça, em relação a este processo e a esta solução final, que a FENPROF concorda com isto, com isto, com isto, mas com aquele e com o outro aspeto, ficaram aquém e são insuficientes ou não se resolveram e, portanto, ainda temos de continuar. Porque, se nós assinássemos, por exemplo, o acordo do tempo de serviço, ficando problemas por resolver, nós não tínhamos legitimidade para mais tarde exigir resolver o problema tendo nós assinado o acordo.
Quando não se resolve tudo, nós temos de deixar em aberto a possibilidade de continuarmos a fazer alguma coisa para resolver esses problemas.»

Fonte: “Entrevista de Mário Nogueira à TSF/JN”.
Um dirigente com Elevado Nível... Ouvi a entrevista na TSF!! Um Homem extraordinário.
ResponderEliminarNão admira, tal como disse, que é abordado na rua, várias vezes, por pessoas de outras classes profissionais, que o desafiam para os representar, uma vez que agora findava o mandado, como dirigente dos professores. Falava ele de enfermeiros, polícias etc... não falou em O. justiça.
Foi muito claro, ao explicar como se deveria negociar com os governos. Nada a ver com aqueles que nos representam...
Antes que apareçam mais pessoas a elogiar este senhor, deixo aqui umas questões:
ResponderEliminarO que fez este sr para evitar que que daqui a uma mão cheia de anos, os nossos filhos não tenham professores com formação na área de ensino, e estejam, por exemplo, eng.mecanicos a lecionar matemática e lic em história a lecionar Português, dada a total falta de atratividade da carreira, com as graves consequências que isso trara para a formação académica dos miúdos?
O que fez este sr. para que o Ministério da Educação seja a única entidade patronal do país, que em violação das leis laborais, celebra contratos a prazo durante décadas com professores, sem ficarem efetivos?
O que fez este sr. para acabar com o trabalho escravo de milhares de professores, que longe da família, trabalham centenas de horas não remuneradas e com um salário de pouco mais de mil euros, muitos a viver em autocaravanas?
Compreendo que todos os professores efetivos, já para lá do meio da carreira e com o tempo de serviço recuperado, estejam felizes, agora os largos milhares de escravos largados por este país, devem estar com urticária a lá ler o artigo de hoje.
Sinceramente, dispenso este sr a representar-me.
Estamos representados por amadores que ainda tem muito a aprender. Ou, tem de por de lado os interesses que tem nos partidos e na politica para poderem representar os seus associados de forma isenta, o que não acontece na classe dos oficiais de justiça.
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ResponderEliminarPerante o descrito,
só tenho a dizer, apesar do SOJ ter assinado,
ao menos NÃO DESATIVOU AS GREVES, apenas as SUSPENDEU só espero que assim as mantenha até que sejam necessárias!
Já SFJ com 30 anos de sindicalismo desativou logo tudo!
tantos anos para agirem como principiantes!
enfim, é o que temos.
Cotas minhas nunca mais!
Para o das 09.30 horas. Parece que agora quem legisla são os sindicatos, não é o governo. Os sucessivos governos é que tem culpa por não resolverem os problemas do país, eles e os portugueses que nem sequer se dão ao trabalho de ir votar, mas depois andam aqui a criticar. Parece que o anónimo das 09.30 horas não sabe como é que funciona um país e qual é o papel dos sindicatos.
ResponderEliminarHoje abriu concurso para 70 conservadores, finalmente uma oportunidade. Felicitações para todos.
ResponderEliminarPara o das 9:30 horas... Qual a atratividade da nossa carreira?? Que negociação saiu que não beneficie o topo da nossa classe?? Abram os olhos..SOU AUXILIAR E SOU PREJUDICADO COM ESTA NOSSA NOVA LEI.....
ResponderEliminarVIVA O SFJ!!!!
VIVA O SOJ!!!
Vão ver o que vai acontecer em breve.....
Também abriu para magistratura ;)
ResponderEliminarTemos de lutar por reverter o que foi acordado mas estã contra a lei, como é exemplo o artigo de ontem!
ResponderEliminarDepois, temos outras coisas a discutir com o MJ, como a recuperação do tempo congelado, a reforma, emolumentos, etc, etc ...
Vamos ao trabalho!
O que quero referir é que o "
ResponderEliminarPois, mas neste estou pré-selecionado.
ResponderEliminarFale o senhor com os nossos colegas com mais de vinte e trinta anos disto e veja o que é que eles acham da luta intransigente do SFJ E SOJ e se era isto que eles esperavam dos seus dirigentes sindicais
ResponderEliminarNão, está enganado.
ResponderEliminarO que pretendem não é reverter um acordo, mas sim um DL aprovado em conselho de ministros e promulgado pelo PR e que entrou em vigor hoje.
Boa sorte nessa aventura.
Obrigado blog por todos os dias nos apresentarem matéria tão relevante para compreendermos como aqui chegámos.
ResponderEliminarReitero o que já muitos comentaram e o que se vai ouvindo entre a classe - é uma pena esta equipa de bloggers não constituir um sindicato.
De qualquer modo, obrigado pelo vosso trabalho em abrir a "pestana" a todos (aos que nada tem a haver com interesses sindicalistas).
Bem hajam!
ResponderEliminarSOJ
mantém as greves apenas suspensas, pois acho que irá ser preciso reativá-las
Eu não pretendo reverter o acordo, somento o que é ilegal e prejudicial no acordo!
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ResponderEliminarObrigado Sr Bloguer por todas as informações que nos têm mantido a par de coisas que nos escondem!
e aproveito para perguntar ou alguém que saiba,
Boa tarde.
ResponderEliminarPara destoar e de certa maneira valorizar o pluralismo de opinião, a personagem não me merece a mesma "graça" expressada em muitos dos comentários já publicados.
Este senhor tem um vasto curriculum e uma vida muito preenchida tanto a nível político como associativo.
Militante do PCP, ao que parece não terá ficado muito agradado com a posição do seu partido sobre a recuperação do tempo de serviço ( o PCP defendia que qualquer solução teria de ser transversal a toda a função pública e não privilegiar setores).
Nos últimos anos, e especialmente no tempo da troika, era designado como o ministro na sombra - dizia-se que era ele quem ditava as medidas do ministério da educação - todavia, como é atributo de muitos sindicalistas, só soube abrir a boca para pedir mais e mais e, quando teve a oportunidade de fazer, isso foi tarefa difícil de alcançar, e ser capaz de fazer acontecer é coisa que, por certo, não integra o seu leque de virtudes.
Vivemos no passado recente um período muito conturbado, durante e no pós pandemia que se seguiu a um governo de geringonça em que este senhor e os seus parceiros mandaram e desmandaram como quiseram.
Os nossos filhos e todas as suas famílias foram desafiados para enfrentar imensas dificuldades, com uma economia parada, fecho de escolas e pouco dinheiro nos bolsos para fazer face a despesas imponderáveis.
Nessa época difícil, de superação para todos, o conflito surgiu apenas com a morte da geringonça e com isso acabou o apaziguamento instalado provocando um enorme alarido e constrangimentos para as crianças (para o seu futuro) e encarregados de educação, tal como um urso faminto de mel provoca quando se abeira de um favo de mel, sacudiram uma espécie de enxame de abelhas que largaram o seu "ferrão" em todos, especialmente nos que frequentam os seus espaços e provocaram inflamações desnecessárias que hipotecaram o futuro de todos - o nosso futuro depende da preparação dos mais novos, pois são eles a força viva que moverá a roda da vida quando nós perdermos a força para trabalhar.
Eu reconheço todo o seu labor e a importância de tão nobre função (de sindicalista) mas estou certo que para a nobre carreira de professor a pessoa em causa terá contribuído muito pouco.
Lembro de uma colega de curso, professora e licenciada em engenharia, Direito era assim o seu segundo curso, que auferia 2500 euros limpos e tinha horário zero e por essa razão frequentava as aulas de dia e no período pós-laboral, até alguém denunciar a situação.
Até à chegada da troika era muito comum ver professores em cargos de direção intermédia, sem lecionar (horário zero), ou ocupados noutras tarefas sem que ninguém se preocupasse com os problemas dos alunos sem professor e do enorme prejuízo que isso lhes provocou no seu futuro - hipotecou por certo a possibilidade de alguns conseguirem ir mais longe do que lograram alcançar.
Mas com esse problema o Mário (construtor de tumultos e agitações como se fosse uma "longa manu" do PCP) já não se dedicou tanto, eram precisos mais professores mesmo que muitos estivessem entretidos com tudo menos o ensino.
Que vá embora que não deixa saudades.
Certamente que após as eleições para o SFJ, já será possível falar-se no aparecimento de um novo sindicato.
ResponderEliminarSFJ E SOJ =FARINHA DO MESMO SACO.
A mim ainda nada
ResponderEliminarsabe de algo, Colega?
ResponderEliminarDevem ter criado um novo sindicato e o Mário Nogueira vai assinar por 3 anos, renováveis.
ResponderEliminarSo para acabar a carreira.
Agora é que o SFJ e SOJ vão ver como se faz, com o PCP a mandar nisto tudo.
Vale mais uma Ata na mão que 10 acordos a voar.
Pois, mas o problema é que o que é prejudicial para si, pode ser bom para outros.
ResponderEliminarPara o das 19.33 horas. Ora aí está uma asserção digna de um verdadeiro nível 3. Assim a produzir material de qualidade o futuro da "nova carreira" está assegurado ou não.
ResponderEliminarPara o das 19.31. Tu és Bom. Assim vais longe. Até te podes candidatar para substituir o nosso líder (Marçal) ou o outro, o do sindicato menos representado. Tens o meu voto e tens visão, isso tens.
ResponderEliminarO Nando será professor? Está muito por dentro do assunto. Até pode ser o futuro substituto do Nogueira. É pensar nisso.
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