Aumenta a fuga com corrida às aposentações

      Quase a meio do ano de 2025 e, nesta metade, deste ano, já se reformaram mais de 10 mil funcionários públicos.


      A saída de trabalhadores do Estado para a reforma acelerou significativamente este ano de 2025. De janeiro a este início de junho, contam-se já 10.366 funcionários da administração pública que se aposentaram, o que representa uma média superior a 57 reformas por dia, de acordo com os dados disponibilizados pela Caixa Geral de Aposentações (CGA) e da síntese de execução orçamental analisados pelo Correio da Manhã.


      Em comparação com o mesmo período do ano passado, registaram-se mais 1160 saídas – em 2024, foram 9.206 aposentações no primeiro semestre, com uma média diária de cerca de 50 saídas.


      A maior fatia corresponde a funcionários das autarquias, logo a seguir surgem os educadores de infância e professores dos ensinos básico, secundário e superior. O setor da saúde também viu uma saída significativa, entre auxiliares, técnicos, enfermeiros e médicos.


      Em relação aos Oficiais de Justiça, a nossa análise das idades, já aqui publicada, aponta para um ritmo médio de 350 aposentações ao ano, todos os anos, em 10 anos.


      O ritmo de saídas por aposentação, só da CGA, isto é, sem contar com os da Segurança Social e sem contar com as saídas das carreiras da função pública, torna o número assombroso e assustador.


IdosoEmFuga+DDOJ.jpg


      A par destas saídas, acabamos de saber que a idade mínima para a reforma acaba de atingir um novo recorde: os 66 anos e 9 meses, a aplicar já no próximo ano. São mais dois meses. Atualmente a idade normal da reforma está nos 66 anos e 7 meses.


      Assim, quem optar por se reformar antes da idade fixada, portanto, com uma reforma antecipada, vai enfrentar um corte de 16,9% na pensão devido ao fator de sustentabilidade, segundo os dados confirmados esta última sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).


      O corte pelo dito fator de sustentabilidade, que penaliza as reformas antecipadas, aplica-se a quem se aposenta sem ter completado a idade necessária, a não ser que tenha um desemprego de longa duração ou uma profissão de desgaste rápido. 


      A idade da reforma acompanha a recuperação da esperança média de vida em Portugal que, após a queda registada durante a pandemia, está agora a subir. O INE explica que a esperança média de vida aos 65 anos, usada no cálculo da idade da reforma, aumentou no triénio 2022-2024, fixando-se em 20,02 anos para o total da população. Para os homens, é de 18,30 anos e, para as mulheres, de 21,35 anos.


      Em comparação com o triénio anterior, houve um acréscimo de 0,27 anos (cerca de três meses) para o conjunto da população, mais 0,30 anos (3,6 meses) para os homens e 0,24 anos (2,9 meses) para as mulheres. Estes aumentos refletem a recuperação demográfica após o impacto da Covid-19, que tinha reduzido a esperança de vida.


      A esperança de vida à nascença também registou uma ligeira recuperação. O INE estima que subiu para 81,17 anos, o que representa um acréscimo de 0,21 anos (cerca de dois meses e meio) face ao triénio anterior. No entanto, continua abaixo dos níveis registados antes da pandemia, em 2018-2020, quando se situava em 81,22 anos.


      Abaixo pode ver a contabilização que fizemos no ano passado, para toda uma década, tendo em conta as idades de todos os Oficiais de Justiça que se encontravam ao serviço no ano de 2024 e constavam nas listas de antiguidade que minuciosamente analisamos.


Aposentacao=Idades66Em10Anos.jpg


      Todos estes dados revelam, entre outros aspetos, como aqueles que ainda ficam e que não podem fugir, vão enfrentar muitas dificuldades no seu dia-a-dia.


      No quadro abaixo estão os Oficiais de Justiça divididos por faixas etárias de dez anos e também divididos por categorias; as categorias ainda existentes até ao final do mês de junho.


Aposentacao=FaixasEtariasEm2024.jpg


      O que salta logo à vista é o facto óbvio das faixas etárias mais novas se encontrarem nas categorias de ingresso, no entanto, vemos, com espanto, que na faixa dos 20 aos 29 anos apenas existem 191 Oficiais de Justiça, o que é, manifestamente, muito pouco.


      Salta também à vista que o grande número de Oficiais de Justiça se situa na faixa dos 50 a 59 anos de idade e, logo de seguida, na faixa dos 60 a 70 anos – uma nítida imagem do estado muito envelhecido da carreira.


      E onde estão os Oficiais de Justiça mais velhos? Estão em todas as categorias, embora os números mais elevados se verifiquem nas categorias de Escrivão Adjunto e de Escrivão Auxiliar e Técnico de Justiça Auxiliar.


      Ainda assim, após 30JUN, com o corte das categorias e o resumo a apenas duas categorias, vemos como nos próximos anos a possibilidade de subida dos novos “Técnicos de Justiça” à nova categoria de “Escrivão”, ao fim de cerca de 10 anos, por efeito das aposentações, poderá ser de cerca de 1000 lugares.


      No gráfico abaixo temos uma perceção mais simplificada e direta das faixas etárias, vendo claramente onde se situam os Oficiais de Justiça mais velhos e o abismo que os separa dos mais novos.


Aposentacao=FaixasEtariasEm2024-Grafico.jpg


      Fontes: “Executive Digest”, “Zap Notícias” e “Diário Digital dos Oficiais de Justiça de Portugal”.

Comentários

  1. Anónimo4/6/25 08:17

    Excelente  trabalho.
    Obrigado  bloguers.


    Quanto aos Ojs se esta casa fosse  vem gerida  já  devia estar a decorrer concurso para admissão  de pelo menos 1000.


    Asim é  a sangria total das secções. 
    1 oj  a ser pressionado pelo volume de serviço  de 2 ou 3.
    Pessoal a adoecer com a pressão  imposta.


    Acordem  enquanto é  tempo.
    A vida esgota-se.

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  2. Anónimo4/6/25 08:38

    Quem puder que fuja.
    Esta carreira já  foi.
    De facto tudo somado l,
    Condições  de merd
    É  mesmo para tirar a saúde  de quem está. 

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  3. Anónimo4/6/25 08:57

    A energia e saude do corpo nãoé a mesma aos 60 anos do que aos 30 ou 40, no entanto nos ultimos anos com a falta de pessoal e o envelhecimento da força de trabalho nos tribunais continuam a exigir que se trabalhe mais e cumpra objectivos a quem já tem 60 ou mais o que não tem lógica do ponto de vista humano.
    Devia ser o contrário, a partir dos 60 anos até atingir a idade de reforma todos os trabalhadores do publico ou privado deviam ter uma redução de dias e horas semanais de trabalho. 
    Esta sociedade é desumana. Querem rebentar connosco antes de chegarmos à reforma para não terem esta despesa.
    Canalhas.

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  4. Anónimo4/6/25 09:24

    Nem para 100 quanto mais para 1000. Vem aí o movimento ordinário e era uma ótima oportunidade de reforçar os quadros mas parece que a DGAJ gosta de brincar com quem trabalha. Este ano não entra mais nenhum, os que cá estão fazem tudo com as horas extraordinárias a partir do dia 30JUN. 

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  5. Adolfo Dias4/6/25 09:31

    É deixar andar. 
    É assim que querem, pois bem, é assim que se faz.
    67 anos e a trabalhar? Certo, mas depois não se queixem.
    Só peço que guardem estes "estudos científicos da esperança média de vida" para que daqui a 10 anos vejam o estado em que as pessoas e os serviços irão estar.
    Eu espero, ainda andar por aqui e ter memória para isso, para recordar desses mesmos "estudos".
    9 - 12:30
    13:30 - 17:00

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  6. Anónimo4/6/25 09:59

    para 


    Se assim querem, por mim que afunde!
    Magistrados queixam-se de burnout e quadros têm que estar sempre preenchidos,
    nós somos tratados como lixo.
    Assim terão da minha parte.

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  7. Anónimo4/6/25 10:06

    Na Dinamarca aumentaram a idade da reforma para os 70 anos de idade. Caíram na falácia que a imigração iria dar ânimo à sustentabilidade financeira da homóloga Segurança Social e, volvidos uns anos, verificaram que a tal da imigração afinal só dá despesa. Resumindo, dado que os governantes não aprendem com os exemplos europeus, atenta a total desconsideração por parte da Tutela, aconselho, vivamente, a quem puder tratar da sua reforma que o faça o mais rápido possível, ou correrá o risco de ter trabalhar mais uns bons anos. NOTA - também acabaram com as reformas vitalícias dos políticos [pelo menos, por uma vez na vida os políticos pagaram pelos seus erros].

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  8. Ou seja...nos próximos dez anos, sairão dos tribunsais QUASE METADE dos OJ existentes !!
    E o que se tem feito para atrir e reter talento??
    E o que se tem feito para manter estes mais velhos, atualizados e motivados??
    ZEEEEROOO !!!

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  9. Anónimo4/6/25 10:32

    Será que ninguém percebe que precisamos de mais OJ e mais novos? Digam lá quantos é que já se reformaram ou vão reformar este ano nas secções ou tribunais onde estão? 

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  10. Anónimo4/6/25 10:37

    Querem matar a malta aos poucos
    Cuidem-se

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  11. Anónimo4/6/25 10:55

    Quero ver agora com 2 horas extraordinárias quem está habituado a sair às 17h começar a ficar até às 19h. 

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  12. Anónimo4/6/25 11:01

    Reter talento?!


    Que talento?! 


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  13. Anónimo4/6/25 11:33

    O horror! A tragédia!
    Se não fosse este blogue nem sei como os nossos comentadores diários, cumpriam a tarefa de carpideiras e profetas da desgraça.

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  14. Anónimo4/6/25 11:33

    Vergonhoso.
    Também me tramaram


    fodddddddddddddddddddddddd

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  15. Anónimo4/6/25 12:10

    Pelo que percebi, só com despacho fundamentado e que tem que ser dado até às 16h (1 hora antes da saida).

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  16. Anónimo4/6/25 12:11



    SFJ já informou hoje mais alguma coisa.
    Aguardo SOJ também, apesar de que se deviam juntar nestas lutas.

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  17. Anónimo4/6/25 12:42


    Só uma curiosidade.
    Nos Açores a esperança média de vida é inferior.E bem inferior.
    Não vale a pena estar aqui a elencar as razões, mas é um facto.
    O governo regional está a preparar-se para legislar nesse sentido e baixar a idade de aposentação.
    Como é evidente e normal, os Oficiais de Justiça preparam-se para ficar de fora.
    Mesmo os que são naturais das Ilhas ou os que lá estão há muito tempo.
    Fala-se em 64 anos (para a aposentação) e de pelo menos 30 anos de descontos nos Açores para ser abrangido.

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  18. Anónimo4/6/25 13:18

    12:11
    Quais lutas? Há alguém a lutar? O pessoal é sereno, gosta pouco de lutas. Isso é conversa de esquerda. Aguardar sentado é melhor. Eles, os dos sindicatos, que façam. 

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  19. Anónimo4/6/25 13:39






    para mim esquerda ou direita é tudo máfia,
    mas se se paga cotas para alguma coisa será.
    No entanto se dizes que é conversa, diz lá o que tens lutado.
    Isso é conversa de todos, da esquerda à direita.

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  20. Anónimo4/6/25 13:44

    Não percebi bem a questão das horas extraordinárias!!
    É apenas para quem está em diligência, isto é na sala, ou para quem está na secretaria a cumprir processos e também, no caso do MP a fazer diligências?? Não fiquei esclarecido!
    O Magistrado, por exemplo, constatando que há vários processos por cumprir na secção, pode forçar o OJ a fazer horas ??? Obrigado a quem puder esclarecer.

    ResponderEliminar
  21. Anónimo4/6/25 14:48

    A narrativa da necessidade de estar constantemente de ano para ano a aumentar a idade da reforma é uma falácia apenas usada por razões economicistas, que nada tem a ver com a biologia do corpo humano e a degradação gradual das faculdades fisicas e mentais.
    Se querem usar o pretexto do aumento da esperança de vida, o correcto seria fazer os calculos dessa esperança média de vida á data e ao ano de nascimento de cada trabalhador, não á data actual de 2025, que apanha todos por igual tenham nascido nos anos sessenta ou noventa.
    Está errado esse argumento mas ninguem parece querer ou saber por isso em causa, nem sindicatos, nem médicos, nem trabalhadores. 

    ResponderEliminar
  22. Adolfo Dias4/6/25 14:51

    Estás com medo de perder o tacho no sindicato?
    Afinal onde está a vossa democracia e a pluralidade de opiniões?
    Pois é, muitos anos a venderem a vossa religião, sem contraditório.
    Isto da democracia para vocês é mesmo uma maçada.....

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  23. Anónimo4/6/25 16:24

    Se formos por aí, sabe-se que a esperança média de vida dos homens é inferior ao das mulheres, portanto ...

    ResponderEliminar
  24. Anónimo4/6/25 16:49

    continua na mesma, só tem que ficar após a hora se for serviço urgente, sendo que para além de 2 horas, são pagas horas  extraordinárias

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  25. Anónimo4/6/25 16:59

    Óbvio!


    Tal como a importância dada ao trabalho, vinda do racionalismo dos Alemães,sendo que o trabalho era muito mal visto na idade média, nomeadamente pela nobreza, sendo esse trabalho exclusivo ao "povo".


    Portanto, pouco mudou, os OJ têm de trabalhar para ganhar a vida, nas condições e com os reconhecimento que se sabe!...

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  26. Anónimo4/6/25 19:10

    Curioso...
    Acabai de ver e ouvir agora mesmo na SIC notícias uma deputada do Chega chamada Cristina Rodrigues a dizer que discorda com a manutenção da ministra da justiça porque a mesma não aproveitou a oportunidade da legislatura anterior para resolver determinados problemas do ministério e logo o primeiro que identificou, na ótica dela, disse, é a falta de mil funcionários judiciais nas secretarias dos tribunais.
    E esta, hein?

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  27. Anónimo4/6/25 21:46

    É preciso ser o Bastonário da O.A. a defender os O.J.


    Sindicatos SFJ e SOJ, tristeza.

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  28. Anónimo4/6/25 22:57

    Eheh
    Riam-se 
    O mj e decisores  gostam

    ResponderEliminar

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