SOJ: DGAJ reincide em contraordenação grave contra Oficiais de Justiça

      Entretanto, no meio de toda esta convulsão do Deve e Haver dos dinheiros, da problemática da nova carreira e sua transição, o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) lançou uma nota a que chamou de repúdio. Nessa nota, o repúdio desse sindicato dirige-se essencialmente com a hora tardia em que foram enviados os e-mails, pelas duas da madrugada do passado domingo, notificando os alegados devedores da DGAJ, considerando que já não se trata de um lapso de um caso isolado, mas de uma persistência num erro, pois é a segunda vez que a DGAJ se intromete e interrompe o período de descanso dos Oficiais de Justiça.


      Depois de ter enviado notificações no sábado 31MAI, desestabilizando com as mesmas a tranquilidade daquele fim de semana, persiste a DGAJ no erro e veio agora, num domingo e pelas duas da madrugada, enviar mais e-mails e, pior ainda, não contendo boas notícias, tirando o sono a qualquer um dos afetados.


      A maior parte dos Oficiais de Justiça têm aplicações de e-mails nos seus telemóveis e têm o seu e-mail profissional ativo nos seus telemóveis, avisando-os sempre que entra uma nova comunicação, tal como sucedeu às duas da madrugada a muitos dos Oficiais de Justiça que acordaram para ir ver de que se tratava o alerta, desde logo pensando que, àquela hora, poderia tratar-se de alguma má notícia, algum problema com familiares, filhos, etc.


      Mas não, não era nenhum problema familiar, mas, sim, era uma má notícia e era novamente da DGAJ a insistir na devolução do dinheiro que já não têm, por o terem usado em necessidades prementes da sua vida quando o receberam, já no ano passado, cientes de que lhes pertencia e de que não estavam a apropriar-se de nada que não lhes era devido.


      E isto tira o sono a qualquer um.


      Recordemos que a notificação não só pede a devolução dos acertos desde 2001, como pede ainda a devolução dos últimos meses pela subida de escalão e fica ainda o afetado a saber que baixa de escalão passando a receber menos vencimento. E tudo isto lhe é comunicado às duas da madrugada de um domingo.


      Desde intervenções cirúrgicas inadiáveis, designadamente, cardíacas, melhoramento térmico com mudança de alguma caixilharia antiga de janelas, liquidação ou amortização de dívidas, designadamente de créditos pessoais… são diversos os gastos que os Oficiais de Justiça foram relatando que fizeram com que o dinheiro dos salários recebidos e devidos desde há décadas fosse bem gasto, sendo certo que já não estão na posse daquele dinheiro que agora, mesmo às duas da madrugada, a DGAJ insiste em lhes pedir. Nem os cobradores do fraque eram tão intrusivos.


      Um lapso, uma ocorrência de uma vez, admite-se perfeitamente, pois trata-se de um caso isolado, mas a reincidência é já algo grave e transforma o mero lapso em erro grosseiro.


      O nosso Código do Trabalho não contém, ao contrário de outros, um verdadeiro direito expresso de desconexão do trabalhador, o tal direito “a desligar”, no entanto, desde 2022 que existe o “dever de abstenção de contacto” da entidade empregadora para com os seus trabalhadores, o que, em suma, vai dar ao mesmo.


      Consta do nº. 1 do artigo 199º-A do Código do Trabalho que “O empregador tem o dever de se abster de contactar o trabalhador no período de descanso, ressalvadas as situações de força maior.”


      Ora, nenhuma das duas notificações, seja a do sábado ou a do domingo, representavam um motivo de “força maior”.


      No mesmo artigo consta que “Constitui contraordenação grave a violação do disposto no n.º 1”.


      É dada relevância de “contraordenação grave” à intrusão da entidade empregadora no descanso dos trabalhadores e mais grave é quando a sua atuação se mostra reincidente.


      Assim, a nota de repúdio do SOJ mostra-se pertinente, mas a sua reação não pode limitar-se à simples emissão desta nota, devendo avançar com a devida participação por violação do dever expresso no Código do Trabalho.


      Evidentemente que este assunto não pode ser deixado passar em claro, especialmente pelo abuso da teimosa reincidência, mas também é claro para todos que o SOJ deveria pronunciar-se sobre muito mais, esclarecer muito mais e agir muito mais, pois os tempos que os Oficiais de Justiça vêm vivendo contêm muitos mais problemas do que o sobressalto às duas da madrugada, sendo este, talvez, o menor dos seus problemas nos dias que correm.


      E diz assim a nota de repúdio:


      «O Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), tomou conhecimento de que a DGAJ notificou num sábado, dia 31 de maio, alguns Oficiais de Justiça, relativamente à reconstituição do seu percurso jurídico-profissional e remuneratório.


      A Senhora Diretora-Geral da Administração da Justiça seguramente reconhecerá que qualquer trabalhador que tome conhecimento sobre matéria tão complexa – percurso jurídico-profissional e remuneratório –, fica afetado emocionalmente.


      Porém, ainda que a situação seja passível de contraordenação, por ter sido em período de descanso – direito do trabalhador a desligar –, estávamos convictos de que se trataria de lapso, praticado por alguém “mais papista que o papa”’, mas que não voltaria a ocorrer.


      Erro nosso, pois tomamos conhecimento, no dia de ontem, de que a DGAJ voltou a notificar alguns Oficiais de Justiça, agora na madrugada de domingo, (des)informando-os com uma narrativa – talvez tenha de ser apreciada nas instâncias judiciais –, de que deveriam devolver dinheiro, que está na sua esfera patrimonial, legitimamente, e que corresponde a remuneração por trabalho efetivamente prestado.


      Assim, e sem prejuízo de ser apresentada queixa junto das entidades competentes, vem este Sindicato, SOJ, por este meio, manifestar junto a V Exa., Senhora Diretora-Geral, o seu mais vivo repúdio pela forma leviana, inaceitável e intolerável como a DGAJ, agindo pela “calada da noite”, como ocorreu ainda na madrugada deste Domingo, dia 8 de junho, violentou os direitos dos Oficiais de Justiça, nomeadamente, o direito a “desligar”. A violação deste direito constitui, nos termos legais, contraordenação grave.»


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      Fonte: “SOJ-NotaRepúdio”.

Comentários

  1. O SOJ está vivo.
    Nota de repúdio e siga.
    Não há cá queixas...
    Ladramos, ladramos e não mordemos.
    Como é que está a queixa crime contra a ex directora geral?
    Já ninguém se lembra.
    Somos uns otários.
    Comemos tudo.
    Venha o novo estatuto.
    Venham as eleições no SFJ.
    Venham as eleições autárquicas.
    Viva o senhor presidente da câmara.
    Viva os novos, velhos dirigentes do SFJ, que afinal nem sabiam muito bem o que o ex presidente do SFJ, futuro presidente de câmara, andava a negociar com a ministra, e agora faz -se de conta que, pronto, não é a melhor solução, mas se conseguiam melhor que se chegassem à frente, mas realmente é uma bosta de acordo, mas o quê querem, o Marçal é que mandava....

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  2. É lana caprina 

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  4. Bom dia.
    Há já vários dias que o assunto abordado no texto de hoje é debatido por aqui e não acho mal.
    Todavia, apresta-se a produção plena dos efeitos do DL que alterou o EFJ e muita coisa ainda está por esclarecer.
    Por exemplo, a 30 de junho, transitamos de carreira e proceder-se-á às devidas atualizações, com efeitos retroativos a janeiro deste ano.
    Sucede que, a menos de 20 dias dessa data (uma espécie de dia "D") nada se sabe sobre os quadros dos serviços, nem sequer se sabe as linhas mestras dos mapas de pessoal, eventualmente idênticos ao da conformação inicial da reforma de 2014 (da AEJ para a NEJ, estabelecidos pela Pª 161/2014).
    Suspeito que à semelhança do que está a suceder com o Ministério Público ... vai haver grandes transformações e não será do agrado de alguns ...!?

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  5. Digam me lá o que vale  na pr´ática essa note de repúdio?


    VALE ZERO
    Ajam  com pulso!
    Se é apenas  pra repudiar e ficar por aí, mais valem estar quietos!


    triste sindicalismo, que não informa como deve ser, o que vão fazer a sério!!
    Vão impugnar? intentar ação pararepor a legalidade? do ultimo despacho?
    Vão intentar ação para contarem o tempo todo dos restantes eventuais para progredir escalão?


    INFORMEM COMO DE VE SER!!!


    VERGONHA DE SINDICALISMO QUE ATÉ PARECE QUE NÃO TEM DEPARTAMENTO JURIDICO E NADA INFORMA OS ASSOCIADOS!!!


    FODDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD

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  6. Repudio vale zero!


    desilusão

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  7. Espera lá que ia mesmo abrir um mail na conta profissional a uma hora dessas.
    Por mim podem mandar mails a noite toda.

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  8. Esteve bem o SOJ ao alertar para esta gritante ilegalidade.
    Temo que esta reforma do estado - que é realmente necessária, tamanha a burocracia e procedimentos redundantes que se criaram nas últimas décadas em todos os serviços - tenha mais a ver com perseguição e vingança contra os seus funconários por questões ideológicas, do que realmente por vontade de mudar.

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  9. SILÊNCIO,
    MANDAM OS SINDICATOS!

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  10. Por mim podem mandar restituir dinheiro.
    Sem juiz a ordenar não devolvo nada.
    E se e baixarem o salário mensal, levaram com queixa!
    Já que sindicatos nada dizem.
    Tenho que fazer por minha conta.
    sim estamos por nossa conta.


    triste sina a  desta profissão.

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  11. E novas entradas, nada? Vamos ter um 2025 em branco? 

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  12. sINDICATOS NÃO INFORMAM NADA DE JEITO.




    TRISTEZA

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  13. Alertar  vale o que vale!


    E acções concretas?
    E informação do que vão fazer para reagir contra o despacho da diretora?
    Estamos fodddddddddddddddddddddddddd

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  14. Muitas participações tinha que haver …

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  15. O triste é que dinheiro para o sofrimento, estropiamento e morte não falta. Já para a Justiça nadinha... Nem sobra para pagar o trabalho devido aos trabalhadores que não pagaram há vinte anos atrás e escondem-se atrás de entendimentos e "pareceres" para voltarem a não fazê-lo, apesar de uma sentença judicial... Não pagam juros de dívidas laborais de vinte anos mas ameaçam com juros... Querem saber?!? Não quero saber de mais nadinha. 
    "


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  16. em 2025 vais ter mais 360 saidas para a reforma, mais umas quantas baixas por burnout


    e vais fazer o serviço de 3 ou 4, a troco de 160€ de subsidio de permanência.


    foi que te arranjaram.


    e em 2026  a mesma dose de saidas.
    e por aí fora.


    Nao se cuidem não. Quando derem conta estão no cemitério e a vida já foi. 
    A dgaj e mj agradecem.

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  17. que sindicatos de bananas. que pobreza de líderes. faltam t*********

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  18. Caro Colega.
    Porque é que se fossem os Juízes Presidentes e Administradores a fazerem o novo estatuto não fariam melhor??
    É que com o novo estatuto a arbitrariedade dos órgãos de gestão não terá qualquer limite.
    O cheque-mate vai ser a atualização dos quadros das secretarias, que vem aí.
    É assim que vão "matar" a carreira.
    Só os sindicatos não perceberam isso.
    Mas o que interessa é que os adjuntos façam sala......

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  19. Alguém por aqui sabe se os sindicatos já iniciaram conversações com a Sra ministra da justiça sobre o estatuto?

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  20. Aos colegas Cheganos que ao votar na extrema direita, legitimaram atos repugnantes e criminosos, como o ataque a atores de teatro, desejo-lhes umas noites bem dormidas de consciência bem pesada.

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  21. Não metem novos funcionários porque estão a apostar na Inteligencia Artificial e novas ferramentas informáticas. Eles acreditam que não vão precisar de tanta gente.
    Só esquecem que ainda assim era necessário renovar os quadros com gente nova.

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  22. Conhecemos realidades diferentes e pessoas diferentes. As suas não usam e-mails nos telemóveis, as que conhecemos, raro é o que não usa.

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  23. Hoje foi notificado  o despacho que dá cumprimento à sentença dos secretários referentes ao movimento de 2018.

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  24. Então, os comentários não aparecem?!!


    Vinte e tal comentários e só aparecem 12?!!

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  25. Execucao de sentença da acao dos secretários vai excluiur a maioria dos autores.
    Siga a proxima temporada da saga.

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  26. A sério?  

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  27. No dia de hoje, desde a manhã que notamos essa discrepância na contagem. É problema novo e está relacionado com anomalia da plataforma. Já realizamos algumas ações tentando resolver, mas o problema persiste.

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  28. Compra um espelho!
    Para gente como tu serei sempre chegano com toda a garra!

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  29. Mais uma interpretação e ridícula de uma sentença por parte da DGAJ. Enfim!

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  30. Interpretação de quem se acha que está acima das decisões judiciais, ou melhor, interpreta abusivamente entendendo os efeitos da sentença a quem nada tem a ver com a ação. Para a DG não há decisões dos tribunais, há decisões administrativas das execuções de sentenças judiciais. É diferente do cumprimento voluntário de uma sentença o que aconteceu. Não se tratou de uma execução de sentença tratou se de uma nova sentença agora administrativa.

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  31. O que diz nao faz sentido, tratou se de uma execucao voluntaria, perfeitamente legal. 
    A decisao ate pode estar bem fundamentada atendendo aos dois acórdãos do TC, mas perdeu se uma oportunidade de nomear colegas mais motivados e com formacao mais adequada.
    Quando os novos promovidos, a maioria de idade avançada, forem confrontados com os atuais conteúdos funcionais dos secretários, vai ser uma corrida às reformas.

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  32. De repúdios está o inferno cheio ...
    Os Sindicatos continuam ,,,
    Os totós esperam!

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  33. Ainda assim não reclamem shiuuu que o intento vai por diante!

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  34. Pois, os ora nomeados são uns ignorantes com 40 anos de serviço e licenciados que subiram degrau a degrau  na carreira de oficial de justiça e nada sabem e, outros que andam há 20 e tal anos sem saírem do degrau mais baixo sabem tudo. Sinceramente com tamanha sabedoria já agora até juízes, podiam ser. O Ministério da justiça poupava um dinheirão.

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  35. Tal e qual como a execução da decisão da ação dos probatórios. Também executada voluntariamente e bem fundamentada, não é verdade?

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  36. Se a resolucao deste imbroglio for esta, ha varias lições a tirar.
    Após tanta inveja, má fe, condutas desliais fora e dentro do processo, petições execráveis, a unica coisa que conseguiram foi acabar com a categoria de secretário e beneficiar terceiros à beira da reforma.
    Aguardemos pelo proximo capitulo deste circo miseravel e do salve se quem puder.

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  37. Não digo que não tenha razão. Mas face à "qualidade" da legislação mais recente produzida e não só ( para bom entendedor... ) garanto-lhe que não haverá IA e soluções informáticas que garantam a qualidade de trabalho que ainda entregamos, mesmo com as dificuldades que são sobejamente conhecidas.

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